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Lisboa: a derrota anunciada

por Pedro Correia, em 21.03.17

Lisboa-CamaraMunicipal[1].jpg

 

Pensei que o PSD iria apresentar uma candidatura autárquica em Lisboa que pudesse derrotar o actual presidente da câmara, Fernando Medina. Enganei-me. Afinal o PSD decidiu apresentar uma candidatura destinada a derrotar não o autarca socialista mas a candidata do CDS, Assunção Cristas, que se encontra  há seis meses em campanha.

Promete ser uma refrega muito renhida neste campeonato das equipas pequenas em que aposta a direcção nacional do PSD. No campeonato a sério, Medina – que já seria um oponente difícil – adquire assim o estatuto de imbatível apesar de ter optado por um modelo de gestão em Lisboa que privilegia quem nos visita em desfavor de quem aqui vive ou trabalha.

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas. Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

O PSD, no entanto, abdicou de lhe dar luta. Preferiu escolher como oponente  a líder do CDS, medindo forças na ala direita do tabuleiro político em vez de se concentrar nos problemas de Lisboa. Torna-se assim num aliado objectivo dos socialistas na capital – o que aliás está longe de suceder pela primeira vez.

 

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam escolhido para encabeçar a sua lista de 2017 a dirigente que já integrou a lista de 2013, na segunda posição, saldando-se essa participação no maior fracasso de sempre do partido laranja na capital.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por alguém que surge como enésima escolha após terem sido sucessivamente anunciados e desmentidos na praça pública, durante meses a fio, nomes tão diversos como os de Pedro Santana Lopes, Jorge Moreira da Silva, Nuno Morais Sarmento, José Eduardo Martins, José Eduardo Moniz, Paulo Rangel, Maria Luís Albuquerque, Carlos Barbosa, José Miguel Júdice, Pedro Reis, Sofia Galvão e Teresa Morais.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas teriam optado por alguém disponível para se entregar em regime de dedicação exclusiva à função autárquica em vez de se distribuir pela vice-presidência do partido, a bancada parlamentar e a presidência da Comissão de Finanças, Orçamento e Modernização Administrativa em São Bento.

Se quisessem entrar a sério no confronto autárquico, os sociais-democratas não teriam optado por anunciar para o topo da sua lista em Lisboa alguém que, enquanto membro da vereação nestes quatro anos, faltou a dois terços das reuniões do executivo municipal.

 

Há derrotas políticas honrosas – as que ocorrem após um combate duro mas leal. Das outras não reza a história – aquelas que acontecem quando se baixa os braços e se abdica de ir à luta, trocando-se o campeonato principal pela divisão secundária. Como acaba de suceder com o PSD a seis meses da ida às urnas.

O PS só poderá sentir-se grato perante tanta gentileza. Espero que Medina já tenha remetido à sede da São Caetano à Lapa um cartãozinho a agradecer.

 

Leitura complementar: O cerco.

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80 comentários

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De Alexandre Policarpo a 21.03.2017 às 14:01

O actual presidente da camara de Lisboa, anda há três anos em campanha. Aparece a rir para a fotografia em tudo quanto é acontecimento na capital, cola-se aos "exitos" do governo, tem uma tribuna semanal na TVI, etc., etc., tudo razões para acreditar vai muito à frente nas intenções de votos dos eleitores lisboetas.
A lider do CDS deu o peito às balas e candidatou-se porque não tem nada a perder; quando toda a gente critica a opção Teresa Coelho como candidata do PSD, na minha opinião estão todos a subentender que o Passos Coelho deveria fazer o mesmo. Porque não li nem ouvi nenhum dos que criticam esta opção, dizer quem é que seria o tal "Dom Sebastião" social-democrata capaz de derrotar copiosamente o mediocre Medina.
Todos os partidos vão apresentar os seus candidatos, por isso uma victória esmagadora do Medina está muito longe de estar garantida, até porque e embora não viva nem vote em Lisboa, mas tenho lá três filhos, parece-me que o sentimento geral é de que os lisboetas estão um bocado fartos do Medina e das suas obras de fachada, enquanto se mostra incapaz de resolver os grandes problemas de Lisboa como algumas noticias das últimas semanas demonstraram. As chagas da Feira Popular e do Parque Mayer, p. ex., são bem visiveis e estão ali bem à vista de todos.
A Teresa Leal Coelho aceitou candidatar-se contra a opinião dos media, do comentarismo politico e de algumas tristes figuras do seu próprio partido? fez muito bem! se eu votasse em Lisboa, poderia contar com o meu voto. O Medina, não vale a água que bebe!
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 16:00

Em 2013, a actual candidata do PSD, como número 2 da lista liderada por Seara, conseguiu a pior votação de sempre dos sociais-democratas na capital.
É um excelente cartão de visita para o escrutínio deste ano.
O PS agradece.
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De Alexandre Policarpo a 21.03.2017 às 19:47

Todos nos lembramos porque é que o PSD sofreu uma enorme derrota em 2013 e a culpa não foi certamente apenas da Teresa Coelho. Andaram meses com a novela dos 3ºs mandatos no Tribunal Constitucional e as candidaturas foram anunciadas em cima da hora. Por outro lado, em plena aplicação do PAEF só por milagre o PSD teria um score melhor nas autárquicas de 2013.
No seu texto refere uma serie de nomes de eventuais candidatos e poderia referir outros. Acontece que a grande maioria dessas pessoas não está para correr riscos, à excepção do Santana que em 2001 se candidatou contra o João Soares e lhe ganhou, apesar do apoio do paizinho.
Até às eleições autárquicas muita água há-de correr por baixo das pontes sobre o Tejo; as notícias que vêm lá de fora não são animadoras apesar da propaganda doméstica. Pode ser que comece aí a viragem de que o país precisa.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 20:56

Aguardar que as coisas corram muito mal para daí vir algum bem parece-me péssimo como estratégia.
Como de resto todas as sondagens vêm demonstrando.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 21:15

"as notícias que vêm lá de fora não são animadoras apesar da propaganda doméstica. Pode ser que comece aí a viragem de que o país precisa."

Países do Sul gastaram dinheiro em "copos e mulheres"

http://www.msn.com/pt-pt/noticias/mundo/pa%C3%ADses-do-sul-gastaram-dinheiro-em-copos-e-mulheres/ar-BByyBKK?li=AAl4orZ&ocid=spartanntp

Uma boa noticia para a Geringonça
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 21:50

O presidente do Eurogrupo é parceiro de António Costa na Internacional Socialista.
O partido dele acaba de levar uma sova nas legislativas holandesas.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 21:58

"O presidente do Eurogrupo é parceiro de António Costa na Internacional Socialista. "

Ele, o Duss......, sabe?
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 22:33

Vou convidá-lo para beber um copo e pergunto-lhe.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 21:20

https://www.facebook.com/asminhasinsoniasemcarvao/photos/pb.368545379934608.-2207520000.1490131135./1145750865547385/?type=3&theater

Medina!! Maioria absoluta, graças, e não só, a D....selboldfer...

PS/BE/PCP sobem nas intenções de voto!

Obrigado, Disssl....totoorange
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 21:51

BE e PCP são adversários do PS nas autárquicas em Lisboa.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 21:56

Não, não são. Os adversários são a Esquerda e a Direita. Mas posso estar enganado! BE e PS irão subir (PCP manterá %, enquanto houver operários das químicas do Barreiro)
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 22:34

Ainda há operários no Barreiro? Se houver, não votam com certeza em Lisboa.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 20:39

Pedro, peço desculpa! Mas onde posso pôr isto?
Atentamente,
EN

"Como social democrata, eu atribuo uma importância excecional à solidariedade. Mas também há obrigações a cumprir. Não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e, depois, pedir ajuda", disse Dijsselbloem, de acordo com o jornal "Finantial Times".

http://www.msn.com/pt-pt/noticias/mundo/pa%C3%ADses-do-sul-gastaram-dinheiro-em-copos-e-mulheres/ar-BByyBKK?li=AAl4orZ&ocid=spartanntp
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 20:55

Já pôs. Mas não tem nada a ver com o tema que eu trouxe aqui.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 21:14

Pois não. Ultrapassa-o.

Afinal os problemas do país e de Lisboa, ou melhor, sobretudo de Lisboa, segundo Dijsselbloem, foram putas e vinho verde.

O que dirá Passos/PSD disto? Imagino! Os portugueses, em vez de irem ao Conde Redondo, foram ao Portal Privado. Quem os manda viver acima das possibilidades do coito? Cada um merece o coito a que tem direito.

www.portalprivado.com

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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 21:53

Está assim tão assim escandalizado com as declarações do socialista holandês? Deixe estar: ele não é eleitor em Lisboa. Aliás, se fosse, votaria Medina.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 21:59

Socialista holandês?

Lá está o Pedro com o seu sentido de humor apuradíssimo...
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 22:31

Presumindo que ainda resta algum socialista na Holanda.
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De Luís Lavoura a 21.03.2017 às 16:05

A Feira Popular e o Parque Mayer não são grandes problemas para os lisboetas. Estão lá a ocupar espaço, mas fora isso não incomodam ninguém. Eu a mim tanto se me dá que nesses espaços haja teatros ou diversões ou não haja nada.
Medina não faz (somente) obras de fachada. Melhorou imenso muitos passeios: alargou uns, pavimentou com um pavimento decente (liso e não escorregadio) outros. Também tirou carros de muita superfície: no Saldanha, na Avenida da República e alhures, tornando a cidade muito mais habitável e agradável para os peões. Isso não são obras de fachada.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 18:24

"Tornou a cidade muito mais agradável para os peões."

Lógica de quem encara Lisboa como turista. Não como residente em Lisboa, não como trabalhador em Lisboa.
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De Luís Lavoura a 22.03.2017 às 09:24

Eu resido em Lisboa, trabalho em Lisboa, faço compras em Lisboa, tudo andando a pé. Tal como boa parte dos lisboetas.
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De Alexandre Policarpo a 21.03.2017 às 19:33

São pontos de vista. Eu como vivo numa cidade com milhares de anos que está muito bem cuidada e é Património Mundial, e estou à vontade porque não voto nos que normalmente ganham as autárquicas cá na terra, não gosto de ver enormes buracos abandonados no meio da capital do país, como são os caos em apreço. Mais ainda porque esses buracos só existem por causa da incompetência do actual 1º ministro e do Medina.
O Medina pavimentou o Saldanha e a Avda da Republica? é a isso que se chamam obras de fachada, enquanto por falta de manutenção se abrem crateras no meio do Eixo Norte/Sul.
Estive há uns dias em Lisboa, e nunca vi tanto buraco nas ruas como se vêem agora. Uma vergonha!
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 20:54

Se fala de Évora, confirmo. Está muito bem cuidada. E é um prazer visitá-la. Tenho feito isso várias vezes nos últimos meses. E gosto sempre.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 22:09

Évora é aquele vilarejo que consegui roubar a Embraer a Beja, correcto? Beja com a sua Base Aérea nº5, que por acaso tem a pista mais longa do território nacional!
Mas Beja é do PCP. Há-que castigar!

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De Costa a 21.03.2017 às 23:54

Ah... Então de Évora saem aviões da Embraer todos montadinhos, prontinhos a voar. Deve ser por isso, essa sua referência "à pista mais longa do território nacional". De facto, não será nada fácil fazer alguns deles operar de e para a bem mais pequena pista do aeródromo de Évora. Nada fácil. Para alguns modelos nem vejo como possível. Legal, pelo menos.

E eu convencido que ali se produziam componentes. A exportar para os locais de montagem final. "Peças", enfim, e sem qualquer desprimor.

Évora a fabricar aviões, então. E de porte considerável. E como local onde são feitos os seus primeiros voos. A partir de uma pista absolutamente inapta para o efeito. E roubando o negócio, por "politiquice" da pior, parece, a Beja.

O que se aprende consigo, homem!

Costa
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 09:20

"Para conquistar o investimento da Embraer, a Câmara Municipal de Évora apostou na venda de terrenos a 2,24 euros por metro quadrado, comprometeu-se a criar infra-estruturas de apoio, num investimento inicial de três milhões de euros, e apostou na redução de taxas e impostos municipais, diz o presidente da autarquia, José Ernesto Oliveira" - "tudo" dinheiro do contribuinte

Quando foram investidos, no total, em Beja, 33 milhões para o aeroporto - "tudo" dinheiro do contribuinte

Quantos aos componentes Embraer e a "pista" da Base Aérea de Beja (nº11)/hangares/ mil e um equipamentos/maquinaria/capital humano (escola de pilotos da Força Aérea Portuguesa):

"Embraer sem meios para transportar produção de Évora."
Brasileira Embraer está a procurar soluções para transportar para o Brasil os componentes de aviões que serão produzidos em Évora. A fabricante aeronáutica está a construir duas unidades de componentes de aviões em Évora mas depara-se com dificuldades de logística no transporte destas peças para os portos nacionais.

Uma investigação jornalística levada a cabo pelo “Diário do Alentejo” referiu que a primeira escolha para a instalação da Embraer foi Beja.

“Na ocasião”, prossegue o jornalista -Luís Godinho (SIC) - “gerou-se muita especulação aqui na região e depressa se levantou a teoria conspirativa, segundo a qual o executivo socialista, que governava o País, estava a sair em benefício de uma câmara da mesma cor, Évora, em prejuízo de Beja que, então, era da CDU e tinha à frente Francisco Santos.

Paulo Nobre, repórter da Rádio e Televisão de Portugal:
Não faz o mínimo sentido não aproveitar as condições que estão instaladas no aeroporto de Beja, tanto mais numa região como a nossa amplamente deficitária em vários aspetos”. “Os poderes locais”, prossegue, “trabalham sempre puxando a brasa à sua sardinha e nunca se consegue fazer uma conjugação de esforços no bom sentido”. “É por isso”, conclui, “que não creio que alguma vez este cluster possa ser ligado entre Beja e Évora, como merecia e fazia todo o sentido”.

O que se aprende consigo, homem!

Neubauten
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De Costa a 22.03.2017 às 11:33

O investimento na base aérea de Beja, visando dotá-la de capacidade para operar como aeroporto civil, quando manifestamente não se via nem vê volume de tráfego que o sustente como tal, é mais uma pérola da "gestão" nacional do PS (leia-se governo de Sócrates). Lá está o "investimento" a ganhar pó, na esperança, como sua principal actividade, do uso ocasional como local de parqueamento de aeronaves temporariamente fora de uso - ou, já se fala, para desmantelamento - o que em si dispensaria uma aerogare e estrutura conexas.

E sim, pagaram por isso os do costume. Evidentemente... Agora, estabelecer uma ligação entre isso e a fábrica da Embraer em Évora - que, que eu saiba, já produz e escoa em pleno - é mesmo coisa de teoria de conspiração. Acha você, acha quem escreveu os textos que cita, que os componentes em causa seriam transportados regularmente por via aérea? Que aquilo funciona como no caso da Airbus: um breve voo entre Madrid e Toulouse, por exemplo?

Ou que sendo por via marítima se faria um prévio sector aéreo, entre Beja (há que aproveitar a pista, dê lá por onde der!), Lisboa ou Sines (onde o que há - em Sines - é uma pista de terra batida, oficialmente encerrada há muitos anos)? Só porque se trata de peças para aviões e há "uma pista" em Beja? Eu, muito humildemente, creio que os custos de tal operação não seriam facilmente justificáveis.

Tenho que o admitir e corrigir-me: já não se aprende assim tanto consigo, homem...

Costa
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 12:44

Costa, quer apostar que, mais ao menos ano, a Embraer está a fazer voos experimentais em território nacional?

Embraer diz que Évora vai ter “participação muito relevante” nos novos aviões E2
Aeródromo de Évora terá novo sistema iluminação para alargar horário de aterragens

http://www.rtp.pt/noticias/pais/aerodromo-de-evora-tera-novo-sistema-iluminacao-para-alargar-horario-de-aterragens_n10060

http://www.muitobom.com/wp-content/uploads/2015/12/brinde-canecas-cerveja.jpg
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De Costa a 22.03.2017 às 14:16

Meu caro,

A notícia para que nos encaminha, da RTP, é de 12 de Maio de 2005. Admitirá que não é o elemento mais actual para fundamentar uma afirmação ou uma discussão. E só por distracção, decerto, a terá você colocado aqui. A outra é uma fotografia apetitosa, sem dúvida. Pena que o tempo tenha arrefecido de novo, mas isso em si mesmo não impede que se aprecie uma boca caneca, bem "tirada".

Voltando ao tema e, seja, especulando assumidamente:

- se os E190/195/175-E2 por cá vierem a fazer voos de teste, por mim está muito bem. Decerto os farão numa de duas condições: ou fabricados fora de Portugal, vindo até cá fazer os testes que houver a fazer, por uma qualquer conveniência da empresa, ou fabricados cá mas não em Évora (ou não necessariamente em Évora). Porque isso implicaria a construção de uma fábrica específica e porque a pista actual - melhor, o aeródromo como actualmente está - não serve;

- não serve, não servia em 2005, data da notícia da RTP que me encaminha, nem servirá presentemente, do que se pode ver consultando a mais recente informação sobre o aeródromo, disponibilizada na internet pela NAV (Agosto de 2016);

- não serve por não ser aeródromo controlado, não serve a pista, não servem os caminhos de circulação e a placa de estacionamento, pelas suas dimensões e tipo de pavimento, não serve a ajuda-rádio à navegação e aproximação ao aeródromo por ser de um tipo básico, de bastante baixa-precisão (embora Évora tenha o mérito de gozar de boa visibilidade grande parte do tempo e a rádio-ajuda em causa possa de facto ser operada como apoio a aviões do tipo em causa), não servirão as restantes estruturas do aeródromo (abastecimento de combustível, serviço de bombeiros, etc.);

- não será vocação do aeródromo de Évora, arrisco assim escrever, na sua forma actual, e sem elevadíssimos investimentos, ser local de operação e ensaio de aviões de linha aérea (nem creio que fosse coisa bem-vinda pela população da cidade). Sem qualquer demérito, entenda, pois Évora, mau grado o sucedido à maior empresa de instrução de voo que lá esteve sediada, é importante e activa estrutura para a chamada Aviação Geral no nosso país;

- ora embora isto pareça alinhar com a sua ideia de que as actuais fábricas ou fábrica deveriam estar em Beja, para o assunto, na verdade, será acredito irrelevante a questão dessa fábrica de componentes da Embraer presentemente instalada em Évora. É que;

- ou os querem fabricar cá (verdadeiramente, montá-los), necessitam para isso de fábrica nova, aí então junto a um aeródromo com condições para o tipo de operação em causa, e até poderão instalá-la em Beja que muito possivelmente seria até o único local com viabilidade para tanto, seja qual for a cor política da autarquia;

- ou testam cá aviões fabricados noutro país e poderão para o efeito e em teoria baseá-los no Porto, em Alverca (onde até têm as OGMA, homologadas para a manutenção e reparação de aviões da Embraer), em Lisboa (especialmente pouco provável, arrisco, pelo volume de tráfego), em Beja ou em Faro, a ficar pelo território continental. E aí, Beja - desde logo pelo reduzido tráfego - até é capaz de servir muito bem. Mais ainda se, e especulo ainda mais, a Embraer instalasse por cá um centro de acabamento - de pintura e interiores, por exemplo - para os aviões a vender na Europa. Não tem é o que seja a ver com a questão da fábrica de Évora, acredito. São coisas diferentes e de estágios muito distantes na produção do avião;

- quanto ao que cá testariam, no âmbito de certificação de um novo avião, confesso que não vejo grande coisa (mas, novamente, especulo e poderei estar completamente errado): o que não possa ser feito no Brasil - teste de operações em extremos de clima frio e clima quente e de locais elevados, imagino, não encontra em Portugal, temo, locais especialmente indicados: o nosso tão gabado clima não nos oferece as condições extremas, ideais para uma e outras condições de teste, do Canadá ou dos Estados Unidos, por exemplo. E com, de acordo com a Embraer, o programa de teste em voo do E2 já bem avançado e a primeira entrega a cliente prevista para o próximo ano, suponho que tais testes, e todos os outros que haja ainda que fazer, já estejam definidos em termo de agenda e local. Será por cá?

Costa
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 14:55

Obrigado pelos esclarecimentos.
Mudei de opinião. Tem razão, Costa
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De Alexandre Policarpo a 22.03.2017 às 01:58

Quando voltar diga qualquer coisa, sempre se há-de arranjar tempo para um copo e dois dedos de conversa. Seria um prazer.
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De Einstürzende Neubauten a 21.03.2017 às 22:05

"Estive há uns dias em Lisboa, e nunca vi tanto buraco nas ruas como se vêem agora"

António...perdão...mas não quererá referir-se a buracos antecedidos por escadarias, encimadas por placas metálicas, onde se lê Metro?

Deixe estar que o centro histórico de Évora é uma caos para quem pretende fazer obras de remodelação nas suas casa. A UNESCO até regulamenta a dimensão das portas da rua.

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De Alexandre Policarpo a 22.03.2017 às 01:55

Você anda um bocado confuso: põe os operários das industrias quimicas do Barreiro a votar em Lisboa, põe a fábrica da Embraer de Évora a construir réplicas do A380, e por fim diz que a UNESCO regulamenta a dimensão das portas da rua das casas do centro Histórico de Évora. Ó homem, porque é que não muda de marca de tabaco, talvez assim essa cabeça atine?
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 09:31


Pode-se trabalhar/viver no Barreiro e votar em LX.
Quanto à Embraer leia o que respondi ao Sr. Costa.
Vivi em Évora e sei das minudências de qualquer obra a realizar num prédio, situado no Centro Histórico, para obedecer aos critérios da Unesco e ser aprovado pela CME.
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De Luís Lavoura a 22.03.2017 às 09:32

Pavimentar o Saldanha e a Avenida da República não são obras de fachada, são obras que melhoram muito substancialmente a vida dos peões em Lisboa. O Saldanha, especialmente, era uma vergonha de classe mundial - uma das principais praças da cidade transformada num mero passadouro de carros, impossível de usufruir pelos peões.

Quanto às "crateras" no eixo Norte-Sul, creio que elas não são responsabilidade da Câmara Municipal (essa rodovia é da competência do governo central, creio), mas de qualquer forma não me fazem diferença nenhuma. Eu sou um peão, raramente ando de carro em Lisboa, pouca diferença me faz que as ruas estejam esburacadas. Mas faz-me muita diferença que os passeios o estejam.
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De Costa a 22.03.2017 às 15:05

"(...) mas de qualquer forma não me fazem diferença nenhuma. Eu sou um peão, raramente ando de carro em Lisboa, pouca diferença me faz que as ruas estejam esburacadas (...).

É uma visão mesquinha e egoísta muito típica entre nós, o "tuga" (essa horrível palavra) no seu melhor: da porta para dentro e naquilo que directamente nos interesse, tudo muito limpinho e arranjadinho. O resto é irrelevante, decrépito, subdimensionado, arruinado, inacabado, enlameado de Inverno, em permanente nuvem de poeira no Verão, erradamente concebido que esteja.

Ao Lavoura, "safo" o seu - a sua pacata, paroquial vidinha de couve tronchuda a saltar do carrinho de compras, em alegre marcha pela ciclovia até à horta urbana - isto tem até qualquer coisa de "pobrezinhos mas honrados" -, os outros que se lixem!

Pois se eles até são "forasteiros", gente de fora que vem estragar a pacatez da cidade... Quem lhes manda ter que trabalhar e estar a vida económica incrivelmente concentrada na cidade? Que se danem!

Costa

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De Luís Lavoura a 22.03.2017 às 15:30

Sabe, Costa, eu durante decénios vi a cidade onde vivo e trabalho (Lisboa) a ser gerida totalmente para os automobilistas e contra os peões. (A praça do Saldanha era um exemplo gritante disso.) Portanto, agora caí na posição oposta: quero que a cidade seja gerida totalmente em função dos peões, e os automobilistas que se fodam. Declararam-me guerra a mim, agora eu declaro guerra a eles. É assim...
Tenho em relação a este assunto psoição análoga à que tenho em relação ao tabaco. Durante décadas vi os fumadores a fumarem em todos os locais, sem qualquer respeito pelos não-fumadores que tinham que lhes gramar com o intoxicante. Então caí na posição oposta: quero que o fumar seja proibido em todos os locais, os fumadores que enfiem o cigarro no cu. É que, se queriam ser tratados com justiça, tivessem em primeiro lugar tratado com justiça os outros...
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De Costa a 22.03.2017 às 17:29

"(...) gerida totalmente para os automobilistas e contra os peões."

Para os automobilistas, uma cidade em que ao longo de décadas prédios e prédios foram construídos sem garagens ou espaços para parqueamento exterior, ou com garagens ridiculamente sub-dimensionadas ou em projecto e depois ocupadas em utilizações mais rentáveis, tudo isso em arruamentos, alguns com pouco mais de vinte anos, se tanto, e de largura mais oitocentista que outra coisa??... E não me venha falar dos "patos-bravos": eles só o foram e são porque quem devia, com poderes de autoridade, impedir essa sua actuação foi ou é na melhor hipótese passivo. Se não mesmo activo colaborador (ou mais do que isso) na tragédia urbanística da cidade.

Sei do que falo, nascido em Lisboa há mais de cinco décadas, criado em Lisboa, residindo em Lisboa, há quase trinta anos em Telheiras (e automobilista), sei bem, muito bem, o que é deixar arruinar uma zona onde a expansão da cidade tinha tudo para ser harmoniosa e é por estes tempos largamente um inferno de sobre-construção e insuficiência de estruturas: desde logo quanto ao estacionamento e transportes públicos, mais ainda quando muitos dos prédios - de habitação - têm o seu piso térreo (pelo menos) ocupado por lojas e escritórios, gerando tráfego não desprezível.

Uma cidade - ela e toda a Grande Lisboa - onde se construiriam complexos de escritórios, pomposamente designados "Parques Empresariais" e vacuidades afins, com acessos de ridícula, gritante, evidente (in)capacidade de escoamento de tráfego e estacionamento criminosamente insuficiente; ou edifícios de escritórios, em pleno coração da cidade, movimentando centenas ou milhares de pessoas e decerto centenas, pelo menos, de automóveis, dando para estreitas ruas residenciais - ou em todo o caso já saturadas - e sem estacionamento minimamente compatível. Onde se permite a subsistência de gigantescos estádios de futebol sem a menor capacidade de estacionamento atendendo ao tráfego que regular e religiosamente geram (e aí sim, estou de acordo consigo - mas não me espantava que aí tivesse você opinião diferente: criar um caos de trânsito e de estacionamento absolutamente indescritível a pretexto de um jogo de futebol - jogo de futebol!... - é coisa? que merecia actuação impiedosa da polícia; não merece, ela gere tolerante e pacientemente esse arrogante caos que se acha acima da lei).

Uma cidade onde as cargas e descargas se fazem a qualquer hora e seja onde tiver que ser, em perfeita impunidade, e onde a polícia usa de critérios muitíssimo peculiares para reprimir o estacionamento indevido: permitindo-o, indiferente e reiteradamente, onde ele causa grandes transtornos e castigando-o implacável, onde ele muitas vezes nenhum mal objectivamente produz.

Uma cidade onde o transporte público é uma revoltante anedota daquilo que deveria ser, sempre foi insuficiente e por estes tempos o parece ir sendo cada vez mais.

Você, pobre ingénuo, muito convenientemente aponta o dedo aos automobilistas. Que ergueu em seus inimigos e corja a abater. É precisamente o que o poder, com perene má consciência - se alguma tem - quer. O poder que tudo permitiu em nome da máxima obtenção de receitas, e cabe perguntar se todas elas lícitas (formalmente, pelo menos), e agora, perante o pesadelo que criou, ou deixou criar, trata de arranjar um bode expiatório, aponta-lhe histérico o dedo e atiça ódios contra ele.

Haverá, como se diz, uma "guerra civil" entre os automobilistas e os peões; já não estou tão certo - melhor, não aceito - é que nela uns sejam infinitamente maus e os outros infinitamente bons. E que se afirme que a cidade está pensada para o automóvel. É que nem isso está: está - é - um caos que não serve nem a uns nem a outros!

Você, com o seu raciocínio maniqueísta e egoísta (honra lhe seja, confessadamente) definiu o seu campo, identificou cristalinamente o inimigo e simplificou de forma assaz primitiva a questão. Eu não usarei o seu vocabulário, Lavoura. Por respeito (e pergunto-me se não haverá fundamentos, pegando no tema do dia, para o "demitir" do blogue; mas isso, evidentemente, transcende-me e se me sentir mal sou eu quem deve sair).

Mas você parece um perfeito idiota útil. E competentíssimo, na função.

Costa
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De JSC a 22.03.2017 às 19:25

Costa is on fire!
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De Luís Lavoura a 22.03.2017 às 10:05

Há de concordar que é muito diferente cuidar de Évora, uma cidade que basicamente só é utilizada pelos seus habitantes, de cuidar de Lisboa, uma cidade que diariamente é invadida por centenas de milhares de forasteiros. Fora aqueles que a atravessam sem sequer nela pararem.
Aliás, muitas das queixas que se vêem neste blogue referem-se às ruas e rodovias de Lisboa, as quais em grande parte servem para os carros dos forasteiros, não para os lisboetas.
(Por "forasteiros" entendo as pessoas que moram noutro concelho que não o de Lisboa.)
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 11:17

Há de concordar que é muito diferente cuidar de Évora, uma cidade que basicamente só é utilizada pelos seus habitantes

Engana-se. Todos os dias são autocarros carregados de espanhóis.
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De Pedro Correia a 22.03.2017 às 12:10

É verdade. E não só espanhóis. Évora - como tantas outras cidades portuguesas - está cheia de turistas. Até no Inverno vi lá brasileiros, franceses, alemães, italianos.
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De Luís Lavoura a 21.03.2017 às 14:42

um modelo de gestão em Lisboa que privilegia quem nos visita em desfavor de quem aqui vive

Bem, eu vivo em Lisboa e, com a atuação de Fernando Medina a minha vida melhorou substancialmente. Nas ruas mais inclinadas passei a ter passeios anti-derrapantes. Em bastantes ruas que percorro passei a ter passeios lisos em vez de calçada irregular e escorregadia. Em ruas que percorro deixei de ter tráfego e carros mal estacionados, porque foram (parcialmente) pedonalizadas. Em ruas onde ainda há calçada, passei a ter uma ciclovia na qual posso fazer deslizar facilmente o carrinho de compras.

Acho que tudo isto privilegia, não somente quem visita Lisboa, mas também, e sobretudo, quem nela vive.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 15:57

Você anda de carrinho de compras na ciclovia? Extraordinário. Está mesmo a pedir à Polícia Municipal para ser multado.
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De JPT a 22.03.2017 às 10:01

O Lavoura anda de carrinho de compras na ciclovia, porque o Lavoura é o protótipo do "tuga" que gasta tudo "em putas e vinho verde" (compradas aos amigos, claro!), como ciclovias para carrinhos de compras e passeios anti-derrapantes (porque já não há espaço para mais rotundas), aeroportos em Beja, autoestradas paralelas, escolas em mármore de Carrara, aumentos para gente que já não trabalha (mas vota!) - enquanto deixa ruir prédios e viadutos e abrirem-se crateras nas estradas. Depois, arrota, manda vir com quem diz que ele gasta tudo "em putas e vinho verde" e, claro, pede-lhe mais uns cobres para a sopinha.
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 13:48

"gente que já não trabalha (mas vota!) "

Uiiiiiiiiiiii.....o melhor é deixá-los morrer. Poupava-se uns tustos e forneciam-se, cadáveres, a bem da ciência, às faculdades de medicina. Se não nos serviram em vivos, sirvamo-nos dos mortos.

Qual cidadão e cidadania! Direitos políticos apenas para o consumidor e contribuinte, Já!. O futuro e progresso surgem, hoje, no séc.XVIII/XIX.
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De JPT a 22.03.2017 às 14:32

Eh pá, chateei o avatar gótico do Lavoura, que também anda de carrinho de compras na ciclovia, enquanto entope caixas de comentários a partir do seu Iphone7. Desta vez ele tem razão! O século XXI é eu esperar 16 minutos por um metro e subir escadas rolantes paradas para os reformados desta empresa falida receberem como se estivessem a trabalhar (que é bem mais do que os netos deles licenciados ganham ou ganharão, excepto se eles os conseguiram "meter" no metro, que é, aliás, o mais certo). O século XXI é eu ver o presidente da minha junta fraccionar repavimentações redundantes, rua a rua, por não sei quantas empresas da Mota-Engil, eliminar o sítio onde eu sempre arrumei o carro, e relembrar-me que abriu ali um parque jeitoso dos amigos da Empark. O Século XXI é acabarem carreiras para a Prior Velho ou Linda-a-Velha, que existem há 30 e tal anos, porque a Carris agora é do PS e quem se mete com o PS leva. O século XXI é ser eu a pagar o ordenado à Rueff, ao Nicolau, à Lourenço, ao Teixeira, ao Adão e Silva, ao Quadros e ao namorado para eles fazerem de cão da grafonola da Geringonça. O Século XXI é o regresso da camioneta fantasma, que agora já não leva à frente o Granjo e o Machado dos Santos, mas o viaduto de Alcântara... Confesso que, sim, prefiro o XIX ao XXI, mas só até 1834, que depois disso, só mudaram mesmo as moscas.
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 15:04

JPT, concordo consigo. Mas os males não estão nos desgraçados. Mas sim naqueles, outros, que os tornaram desgraçados e que pretendem fazer-nos crer que os desgraçados são os culpados da sua desgraça - o pobre é culpado da sua pobreza.

Assim podem perpetuar o sistema, fazendo 4 milhões/ano (10 salários mínimos nacionais por dia, mais coisa menos coisa), nas manobras de casino, trocas de influências, obras públicas para financiamento partidário/particular, etc

Mais que políticos inteligentes/tecnocratas, falta-nos Homens de Virtude à la Robespierre.

Não ando de carrinho de compras. Ando de coche!
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De JPT a 22.03.2017 às 15:08

... mas acertei no Iphone7!
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De Einstürzende Neubauten a 22.03.2017 às 16:44

JPT, pode não acreditar, mas detesto a tecnologia (telemóveis, carros, etc) - não vejo TV.
Penso que ela tem sido uma das causas do enfraquecimento do ocidente.
Quanto a telemóveis tenho de comprar um por questões laborais, mas penso ir comprar um bajolo da marca CAT (sempre serve também de arma)

https://www.wook.pt/livro/anti-tech-revolution-why-and-how-ted-kaczynski/18774809

There are many people today who see that modern society is heading toward disaster in one form or another, and who moreover recognize technology as the common thread linking the principal dangers that hang over us…

The purpose of this book is to show people how to begin thinking in practical, grand-strategic terms about what must be done in order to get our society off the road to destruction that it is now on.

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De Luís Lavoura a 21.03.2017 às 14:49

Eu só não entendo por que é que o Pedro Correia não se candidata ele. Se o PSD não lhe dá ouvidos (e não dará? Se calhar daria.), pode aliar-se ao Luís Menezes Leitão e ao Luís Naves e formar uma lista de cidadãos. Estou em crer que até poderiam dar luta à Teresa e à Assunção.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 15:53

Candidate-se você, Lavoura. Fica com o pelouro das hortas urbanas.
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De Luís Lavoura a 21.03.2017 às 15:55

Eu não preciso de me candidatar, estou satisfeito com Medina. O Pedro, que está insatisfeito, é que o deveria fazer.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 16:05

Mas acredito que as hortas urbanas ficariam mais bem cuidadas sob a sua tutela. Medina tem tudo a ganhar se fizer uma lista muito abrangente.
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De isa a 21.03.2017 às 17:13

O Lavoura contenta-se com pouco, até aceitou quem não foi eleito porque, eu ainda não me esqueci que quando Costa resolveu chutar Seguro por ter ganho por "poucochinho", ao sair da Câmara, em vez de haver novas eleições, ele é que a entregou ao Medina e, com Lavouras, ele está cada vez mais convencido que, tal como um rei, pode decidir tudo, até ter ajuda de "muletas" para os seus "poucochinhos" e que se lixe a vontade dos Lisboetas ou dos portugueses.
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De Fatima MP a 21.03.2017 às 16:57

E tb do estabelecimento de uma rede de acessos directos às hortas. Lisinhos e anti-derrapantes, para passearmos os carrinhos de frutas e legumes, bem como os cestinhos dos picniques … e o que é que o povo quer mais …???
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 18:26

Caminhar no passeio antiderrapante empurrando o carrinho de compras na ciclovia rumo às hortas urbanas.
Bué da fixe.
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De sampy a 21.03.2017 às 14:59

Falta o reflectir sobre as razões pelas quais o PSD não encontra gente disponível e com mínimas hipóteses de sucesso para candidatar a esse ninho de ratos que é a câmara de Lisboa.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 15:52

Medo. Temor. Receio.
Sempre ouvi dizer que quem tem medo compra um cão. Em política, quem tem medo não se estabelece: muda de ramo.
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De sampy a 21.03.2017 às 16:47

Medo a quê?
Ao cargo, à cadeira?
Ao Medina e sua corte?
Aos eleitores cada vez mais resignados com o modelo geringonça?
Ao próprio partido, extenuado e confundido?
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 18:36

Quando o coordenador autárquico do PSD já admite que a recém-apresentada candidata do partido fique atrás da candidata do CDS, todas as hipóteses se tornam possíveis.
https://www.publico.pt/2017/03/21/politica/noticia/carlos-carreiras-e-indiferente-se-leal-coelho-fica-a-frente-ou-atras-de-cristas-em-lisboa-1765981
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De sampy a 21.03.2017 às 19:24

"admite que a recém-apresentada candidata do partido fique atrás da candidata do CDS".
Estando incluído na mesma admissão que o CDS ganhe e o PSD fique em segundo.

O sujeito não está a falar de todas as hipóteses.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 20:53

Extraordinária admissão. Caso perguntar por que motivo, nesse caso, o PSD não optou antes pelo apoio à líder do CDS, que anunciou a candidatura há seis meses.
Há um precedente na capital que poderia funcionar como guião: a década em que o centrista Nuno Abecasis foi presidente da câmara, sempre com o apoio do PSD.
Em política nunca é necessário inventar nada. Já tudo foi inventado.
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De Luís Lavoura a 21.03.2017 às 15:01

o parque habitacional caríssimo

Vivemos numa economia de mercado. O preço das casas é determinado pela Lei da Oferta e da Procura, não pela política camarária.

O mais que a Câmara poderia fazer seria permitir mais construção (em altura ou em superfície), por forma a aumentar a oferta de casas. Mas, dada a especulação reinante, com muitas casas desocupadas, não estou bem certo de que tal política pudesse descer substancialmente os preços.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 15:51

Medina, neoliberal?
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De Luís Lavoura a 21.03.2017 às 15:04

as obras intermináveis

Boa parte delas já terminaram. De facto, aliás, a maior parte das obras terminaram, tanto quanto julgo saber, nos prazos previstos. Não houve obras de Santa Engrácia.

De qualquer forma, uma cidade necessita permanentemente de obras, ora num lado, ora noutro. Elas nunca acabam. A título de comparação, o Pedro nunca pode visitar a catedral de Colónia que não a veja em obras - ela está permanenetemente a sofrer obras de restauro e manutenção. Uma cidade é a mesma coisa.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 15:50

É como a Sagrada Família, em Barcelona: permanentemente em obras. Os turistas acham giro. Os residentes nem por isso.
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De Anónimo a 21.03.2017 às 15:47

Lisboa Culta e Bela...

No dia da Poesia

A CML homenageia o grande poeta Fernando Pessoa, lisboeta de gema gravando num dos novos bancos (de assento) da Praça de Corpo Santo o verso:

" Busca o oceano POS achar"...
...
Mais um Banco falido... por falta de supervisão! Talvez mereça uma ida da vereadora da Cultura ao Parlamento! Já lá foram por menos!
....
Quanto às eleições: Só mudam as moscas !!!
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 15:49

Mais um banco falido, sim. Desde logo esse banco da Praça de Corpo Santo.
(Até me custa a crer: não haverá uma foto disso?)
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De am a 21.03.2017 às 17:21

Banco Falido

A foto já está na sua caixa de correio.(perfil)

Cumptos
AM
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 18:27

Obrigado desde já.
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De Anónimo a 21.03.2017 às 19:14

Não sou de nem vivo em Lisboa.
Sou transmontano e vivo em Vila Real.
Mesmo assim, seria este o espaço do meu comentário, se os arranjinhos partidários não me desarranjassem as vísceras.
Isso mesmo, o meu problema não é viral - é visceral.
João de Brito
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 20:49

Compreendo-o bem.
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De JSC a 21.03.2017 às 20:28

Apesar de já não viver em Lisboa (ainda voto lá), não percebo como alguém que tornou viver na cidade muito pior (penso que é inegável) ganhou votos ou sequer manteve-os.
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De Pedro Correia a 21.03.2017 às 20:50

Há pelo menos uma década que o PSD voa baixinho em Lisboa. O resultado está à vista. Por vezes quase parece existir um plano deliberado de confiar a gestão da cidade ao PS.
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De Manuel Costa a 22.03.2017 às 17:15

Vivo no distrito de Lisboa e trabalho no concelho de Lisboa.
Estes últimos 8-10 anos, temos visto muitas melhorias na capital. Sim, muitos automobilistas e muitas lojas não gostam de obras nem de verem surgir ferros a impedir de estacionem em cima dos passeios. Nisso tem toda a razão.
No entanto, não é TLC que afecta a ideia. Todos os eleitores do concelho alfacinha sabe que o CDS e o PSD estão a concorrer coligados. A Dra Assunção Cristas avançou porque Carlos Barbosa (presidente do ACP) era o candidato já escolhido e patrocinado pelo PSD e CDS. Foram estes 2 partidos que organizaram mais de 200 manifestações entre Maio e Outubro de 2016 contra as obras na capital. Só que apareceram mais jornalistas do que manifestantes... Até a JSD se recusou a ir cortar o Marquês de Pombal na hora de ponta no final de Setembro para protestar contra as obras. Quando não viu apoio popular, o Dr Barbosa, saltou borda fora, deixando o PSD e CDS já com gastos muito avultados, ficarem sem cabeça de lista. Assunção Cristas lançou-se para que o PSD a apoiasse, aproveitando a falta de personagens.
Seguiram-se as promessas de 400km de novas estradas no centro da cidade, acabar com tudo o que é passeios com mais de 50cm de largura, acabar com as ciclovias e construir mais de 1/4 de milhão de lugares de estacionamento no centro da cidade, durante os 4 anos de mandato. (265000 segundo o programa eleitoral apresentado no congresso do CDS). Curiosamente, parte destas promessas foram feitas pela candidatura de 2013 dos dois partidos.
Agora, temos o PSD a atirar a Dra Teresa Leal Coelho, para chamar votos para ficarem entre os 2 partidos, roubando aos outros candidatos. E aqui é que há um problema: a Dra TLC tem estado a tempo, muito, parcial na Câmara. Tal como tem estado a tempo parcial na Assembleia da República. Em 3 anos e meio de cargo, nem em 10% das sessões usou da palavra... mesmo só tendo comparecido a 22% delas (fazendo-se representar por 1 dos 18 secretários que tem). Que programa eleitoral vai apresentar? Mais estradas e lugares de estacionamento, já a candidata do CDS prometeu.
Resumindo: CDS e PSD vão juntos (como o coordenador afirmou aquando da apresentação da candidatura) tendo 2 candidatas para dividir os votos e tentar impedir que o candidato do PS possa conseguir obter a maioria das vereações.

E há outro problema na capital que tem estado a passar ao lado. PSD e CDS ainda não tem 10% dos candidatos às juntas de freguesia. É que mais de metade das juntas que o PSD (ou a coligação) tem na capital, vão ter de mudar a pessoa que é primeira da lista e há guerrilhas internas nos partidos com muitas pessoas a quererem passar por cima de outros, para aproveitar o reconhecimento de um dos que estão de saída, devido à legislação de mandatos.
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De JSC a 22.03.2017 às 19:35

Meu caro, pode me explicar quais são essas melhorias de que fala?

Tentarei responder por si, Lisboa tem uma população idosa residente que não se desloca ao longo da cidade, ficando na sua Zona e Bairro. A população activa trabalha junto ao local onde vive. Só para estes dois casos de votantes ficou melhor. Para todas as outras pessoas ficou pior, não há como negar. Lembro-me bem de andar na Carris diariamente há 5 anos e do local onde vivia ao local de trabalho (todo dentro do concelho de Lisboa, 5 quilómetros) e demorava cerca de 30 minutos às vezes mais outras vezes menos. Neste momento (quando o faço, raras vezes), no mínimo 45 minutos, mas o habitual é 1 hora. De carro seria deslocação de 15/20 minutos agora 30 minutos.

Neste momento, Lisboa não é favorável a quem trabalha.
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De Pedro Correia a 31.03.2017 às 16:09

Plenamente de acordo consigo, JSC.

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