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Leituras

por Pedro Correia, em 11.08.17

 

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«Aprender a ouvir é mais difícil do que aprender a ler.»

Luís de Sttau MonteiroAngústia Para o Jantar (1961), p. 208

Ed. Ática, Lisboa, 1979 (8.ª edição)

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9 comentários

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De Maria Dulce Fernandes a 11.08.2017 às 22:35

Absolutamente, Pedro.
Para aprender a ler, basta conseguir juntar as letras . Para saber ouvir é preciso conseguir juntar preconceitos, intolerâncias, sectarismos, incompreensões, descriminações, opressão, tudo o que possa estrangular um livre pensamento, dentro de um saco e enterra-lo bem fundo, de modo a que não possa contaminar consciências sãs. Só assim, livres de toda e qualquer doutrinação, podemos ouvir a sério e sem qualquer tipo de estática perniciosa.
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De Zeus a 13.08.2017 às 05:43

Cá estou eu (a praga do costume) para discordar porque, "para aprender a Ler", Não "basta conseguir juntar as letras".

Saber ler e escrever mas, não ter a capacidade para entender uma mensagem ou elucidar questões simples, é ser, na mesma, um analfabeto.
Que interessa saber juntar letras e não saber como processar informação ou interpretar textos?

Naturalmente que convém fingir que o analfabetismo acabou, por todos saberem juntar letras porque, se fossem acrescentar os analfabetos Funcionais, analfabetos de Conteúdo, mais a variante do analfabeto Político, não ia ficar bem nas estatísticas que iriam pôr em causa falsas Reformas, programadas por governos, cada vez mais incompetentes que, assim, têm garantidos votantes que só sabem juntar letras e nunca questionarão coisa nenhuma porque "Em terra de cegos quem tem um olho é rei" e, pela Dívida que temos, 138.46% do PIB (actualizada), confirma que temos sido governados por "zarolhos"... com Agendas muito próprias que, de outra maneira, tinham que ir aprender outro métier... onde os "vendedores de banha da cobra" tivessem um impacto menos negativo, do que sobre 10.374.289 pessoas e, com sorte e menos analfabetos, nem conseguiriam enganar meia dúzia.
O grande sonho dos "zarolhos" é, na escola, só ensinarem a fazer cruzinhas dentro de quadradinhos
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De Maria Dulce Fernandes a 13.08.2017 às 12:13

Aprender a ler é apenas aprender a juntar as letras. É fantástico quando g-a-l-o afinal é GALO e corresponde a ligo que nos é familiar. Quase todos passamos por esse processo. Para conseguir decifrar o código que se obtém com a junção das letras em palavras, das palavras, em frases, das frases em textos é que é preciso ter algo mais do que saber apenas ler. É preciso ter gosto pela leitura e praticá-lo amiúde.
E no fundo, como sabe, interpretar o código de leitura, depende de N factores culturais, religiosos, etc. Por exemplo a Bíblia. Os católicas têm uma leitura completamente diferente da dos Mormóns, que têm uma leitura completamente diferente da das Tetemunhas de Jeová, etc. E sabe que isso é bom ? É bom porque é discutível, porque temos a liberdade de poder discutir tabus. Isso é a democracia na sua essência.
Quanto ao célebre ditado, é acertado. Sempre foi, desde que haja quem mande e quem obedeça. Ainda não vi fosse quem fosse em cargo de governação, que pensasse no País primeiro e em si depois é já ando nisto há algum tempo.
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De Vlad, o Emborcador a 11.08.2017 às 23:26

E mais dificil é aprender o que nos querem dizer para lá do que é dito
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De Anónimo a 12.08.2017 às 09:36

Não podemos exagerar.
Quem apenas ouve e/ou lê serve para quê?!
Vira um túmulo.
Há que interagir, partilhar, opinar, ter convicções próprias e defendê-las.
Sei que as duas coisas não são incompatíveis.
Mas, entre nós, o ouvir e o ler têm muito mais apaniguados.
Não é por acaso que somos gente muito passiva.
E manipulável.
João de Brito
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De Maria Dulce Fernandes a 12.08.2017 às 12:59

Viva João de Brito

Muitas vezes são as convicções próprias que defendemos acerrimamente que não nos deixam ouvir mais nada . Ouvir mesmo. Entender, tirar ilações. Aprender.
Casei há 37 anos com um rapaz que não perfilha os meus credos. Em nada. Desde a política ao futebol.
Sempre tivemos uma coabitação pacífica apesar de nenhum de nós ceder. Já não temos discussões acaloradas, mas nenhum de nós abdica dos seus pontos de vista. Garanto que se conversássemos sem condicionamentos de credos e cores, talvez entedêssemos que afinal as coisas podem não ser tão divergentes como pensamos à partida. Aprendemos a tirar o melhor partido das nossas discordâncias... afinal o sal da vida passa por aí...
Mas no fundo ambos sabemos que se ouvissemos um ao outro sem prenoções adquiridas, muito possivelmente concordaríamos amiúde. Que deixaria de ter graça ou interesse? Não tenho dúvida.
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De Beatriz Santos a 12.08.2017 às 15:02

Saber ouvir é uma virtude cada vez mais rara. Mesmo apenas quem nos oiça já rareia. Julgo que se aprenda por atenção e cuidado ao outro. Um cuidado em geral, não apenas o cuidado do nosso círculo mais próximo. Parece-me ter pouco em comum com a universalidade da aprendizagem da leitura.
Aprender a ler tem uma idade própria para acontecer consignada na lei; e ocorre na generalidade dos homens sem grande transtorno.
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De BELIAL a 15.08.2017 às 09:40

Um bom livro. E teve dramatização para a rtp - com bons actores.

Um autor livre. Fora da caixinha das opiniões feitas e politicamente correctas.
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De Pedro Correia a 15.08.2017 às 10:01

Um livro a que regresso sempre como leitor grato. Anda tão esquecido, o livro. Anda tão esquecido, o autor.
Gostava de saber porquê.

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