Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Leituras

por Pedro Correia, em 06.08.17

livro_830826363_1_622[1].jpg

 

«Envelhecer é um crime.»

Robert AlleyO Último Tango em Paris (1973), p. 95

Ed. Editores Associados (Portugália e Civilização Brasileira), s/d. Tradução de Fernando de Castro Ferro. Colecção Unibolso, n.º 73

Autoria e outros dados (tags, etc)


14 comentários

Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.08.2017 às 13:14

Não é verdade.
Posso ter saudades de mim há 30 anos, na altura em que era fisicamente leve, lépida, flexível e vigorosa, mas gosto mais de mim no presente.
Toda a elasticidade que o corpo possa perder pela erosão dos anos, ganhamos em contrapartida em sabedoria, calma, ponderação e argúcia. Tornamo-nos muito mais ágeis em perspicácia e raciocínio.
É o prémio supremo que compensa a decadência que antecede o cair do pano.
Tantas vezes cai o pano muito antes do final da peça... é por isso que devemos sempre deixar entrar toda a claridade enquanto temos luz.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 06.08.2017 às 14:28

Não será um crime mas é uma desgraça. D. Dulce: o que está a dizer é o que me dizem a mim (que já tenho bastante idade) para me consolar. Em que eu não acredito e nem acredito que quem me diz isso acredite no que diz. São banalidades que ouvi há muitos anos dirigidas à minha avó e que agora ouço dirigidas a mim. É claro que perder forças, mobilidade, capacidade sexual e intelectual não tem a menor graça. Mas devemos dizer que tem aos idosos, não é? Ou mesmo a nós próprios para disfarçar a decrepitude.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.08.2017 às 14:56

Também já tenho alguma idade.
Lamento que o Anónimo se sinta assim, tão amargo. Ninguém me conta histórias de embalar. Vivo e sinto exatamente como escrevi. Tive avós, mãe e pai, que perdi cedo demais, mas será por isso um exemplo de tenacidade que não excluo nunca.
Aceitar a derrota do corpo sem luta não é coisa que tome como perdido à partida. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e os hábitos. Desde que a centelha brilhe - e brilha agora mais, do que alguma vez brilhou - estarei cá, pronta para enfrentar todos os medos ( que são bastantes) e será então como eu quiser e Deus concordar.

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 07.08.2017 às 00:39

Não me sinto nada amargo, antes pelo contrário. O que digo acima não traduz amargura, é mesmo verdade. Espere que os anos passem e verá que é assim, o resto é conversa fiada.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 06.08.2017 às 16:42

Anónimo, nunca, enquanto houver vida há-de a velhice aparecer de surpresa. Tenho 40 anos e todos os dia me treino para ela.
Vejo na velhice, oxalá, o descanso merecido da vida.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.08.2017 às 17:13

Quero muito acreditar que será mesmo Vlad. Pelo menos é minha filosofia de vida que, depois de trabalhar insanamente tantos anos quantos os que tem de idade, tenho direito a um merecido "pote de ouro" no fim do arco iris, com alguma qualidade de vida também.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 06.08.2017 às 17:43

Lamento, Dulce! Mas vejo no "trabalhar insanamente" uma lamentável perda. Nunca acreditei que o único sacrifício merecido fosse ao Deus trabalho. Nem que os sacrifícios de hoje se justificassem pelos prémios de amanhã. Já vi a ironia da vida. Quando se espera pelo pote na recta da meta o destino, não raras vezes, prega-nos uma partida.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 06.08.2017 às 19:19

Eu sou uma pessoa estranha, Vlad. Isso do Deus trabalho não é para mim. Sempre gostei de trabalhar e de me dedicar a vencer todos os desafios ou obstáculos com que me deparei. Não deixei por isso de fazer quase sempre o que quis. Estudei até onde me apeteceu. Casei como e com quem quis. Tive os filhos que me apeteceu quando os quis ter. Vou onde me apetece ir, como o que me apetece comer, faço o que me apetece fazer, tudo isto sem nunca descorar o meu lado de trabalhadora briosa e reconhecidamente profissional.
Estou ansiosa pelo momento em que possa parar e ter tempo para só mim e para todas as minhas idiossincrasias mais íntimas. O meu grande problema, é que não me vejo parada... tem que ser por etapas e sem cotra-relógio, a começar lá para o final de 2018. É mais uma adaptação entre muitas, mas garntidamente uma das mais difíceis.
Nunca me considerei sacrificada a coisa alguma. O único "pote de ouro" que espero encontrar é a chamada idade dourada, o merecido descanso do guerreiro, antes da recta final
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 06.08.2017 às 23:41

Então Dulce, tudo há-de correr bem. O segredo, se o topei já , é mesmo o de não parar.Dobrar a vontade do corpo, cansado. Seguir sempre pelas escadas e nunca pelo elevador. Fazer do sacrificio uma boa vontade. Que tudo lhe corra bem!
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 06.08.2017 às 13:57

Crime é fazer da velhice não um motivo de orgulho mas de vergonha. E a vergonha maior surge dos dias inconsequentes somados e sonhados duma juventude perdida. E para perdê-la, basta que façamos em esquecimento a velhice que há-de chegar.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 06.08.2017 às 14:11

O maior crime é fazer da juventude o nosso maior desperdício, ao julgarmos que a velhice só acontece aos outros. Se os ouvissemos, aos velhos que não se fazem de novos, quão mais novos chegaríamos a velhos....
Sem imagem de perfil

De amendes a 06.08.2017 às 14:28

Caro P Correia

Não me diga ( como costuma) dizer que não " Vi o Filme"?


Boas Ferias
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 06.08.2017 às 14:39

Já vi o filme, sim, meu caro. Aliás muito antes de ter lido o livro.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ja-li-o-livro-e-vi-o-filme-182-9223106

Boas férias!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 06.08.2017 às 14:28

Contexto: a frase é dela.
Inocência/presunção juvenil.
Mulher-menina.

Comentar post



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D