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Jazz de 2017

por José António Abreu, em 17.12.17

Há neste blogue quem acompanhe muito mais o universo do jazz do que eu (estás aí, José Navarro de Andrade?). Seja como for, vou permitir-me a desfaçatez de salientar alguns álbuns lançados em 2017. Dentro de cada grupo, a ordem é alfabética.

 

 

ÁLBUNS INSTRUMENTAIS

 

Anouar BrahemBlue Maqams. Há quem não goste do «som ECM» (não é verdade, José Navarro?). Admitindo que os lançamentos por vezes se confundem uns com os outros, eu gosto. A música da ECM descontrai-me e eu preciso de ser descontraído com uma certa frequência. Blue Maqams é um álbum sublime do tunisino Brahem, um tudo-nada mais próximo do jazz do que muitos dos seus outros trabalhos (que diria mais ligados à música tradicional árabe). A colaboração de Dave Holland, Jack DeJohnette e Django Bates - todos excelentes - terá certamente algo a ver com o assunto.

(Vídeo promocional. Pequeno, que a ECM é um nadinha forreta nestas coisas.)

 

Dan Tepfer TrioEleven Cages. Todos os anos saem inúmeros álbuns de trios. De entre a minúscula fracção que ouvi, este, do trio liderado pelo pianista norte-americano (nascido em Paris) Dan Tepfer, é um dos meus favoritos.

 

Jaimie BranchFly or Die. Estou num meio-termo irritante no que respeita ao jazz (o que sou forçado a admitir por estes dias...): a minha paciência para a enésima gravação de clássicos é limitada, mas os sons mais experimentais raramente me atraem. Fly or Die, o primeiro álbum da trompetista norte-americana Branch, é razoavalmente experimental mas permanece melódico.

 

Mário Laginha, Julien Argüelles e Helge Andreas NorbakkenSetembro. Aqui com o auxílio do saxofonista inglês Julien Argüelles e do percussionista norueguês Helge Andreas Norbakken, Laginha continua a fazer excelente música, num registo leve e subtil. Quem desejar simultaneamente manter-se nos portugueses e um som mais vanguardista, pode experimentar The Attic, de Rodrigo Amado, Gonçalo Almeida e Marco Franco, um álbum ao vivo gravado na Parede em 2015, mas lançado apenas este ano.

 

Miles OkazakiThe Trickster. Tendo a fugir de álbuns baseados em guitarra eléctrica (detesto solos de guitarra eléctrica com mais de, vá lá, dez segundos). No entanto, gosto deste. Inspirados nos jogos a que os deuses clássicos se entregavam para espantar o ócio e conviver com os humanos, os temas mantêm uma faceta maliciosa, sugerindo brincadeiras ocasionalmente perversas (os deuses clássicos teriam muitos problemas na Hollywood dos dias actuais).

 

Nomade OrquestraEntreMundos. Dez brasileiros que fazem música de fusão com um cunho tipicamente carioca (e daí, carioca talvez não seja o termo mais adequado, uma vez que eles são de São Paulo).

 

The Comet is Coming, Death to the Planet. Um EP adequado ao sentimento dos tempos, com faixas intituladas Start Running e Final Eclipse. Estranhamente - ou talvez não -, revela-se bastante optimista, numa linha 'que se lixe isto tudo'.

 

Vijay Iyer SextetFar From Over. Expansivo, alternando harmonia e dissonância, Ocidente e Oriente, com os seis músicos (entre os quais o baterista Tyshawn Sorey, que também lançou um novo álbum em 2017) perfeitamente em sincronia.

(Vídeo de promoção. Pequeno, que a ECM, etc.)

 

Yazz AhmedLa Saboteuse. Provavelmente o álbum de jazz que mais ouvi este ano. Ahmed é uma trompetista britânica, que cresceu no Bahrain e já colaborou com os Radiohead. O álbum - o seu segundo - usa sonoridades árabes de modo absolutamente infeccioso (no bom sentido).

 

 

ÁLBUNS MISTOS 

 

Ahmad JamalMarseille. Uma declaração de amor à cidade, de um mestre do piano que completou 87 anos em 2017.

(Video de um dos temas.)

 

Linda May Han Oh, Walk Against Wind. Nasceu na Malásia, cresceu em Perth e toca contrabaixo em Nova Iorque. Walk Against Wind (bom título) inclui temas de uma elegância sombria, ligeiramente cinematográfica. 

 

Nate Smith, Kinfolk: Postcards from Everywhere. Outro álbum que ouvi bastante vezes em 2017, talvez porque se situa naquele registo que estabelece a ponte para o pop/rock.

 

 

ÁLBUNS VOCAIS

 

SomiPetite Afrique. Somi é uma nova-iorquina com raízes nigerianas. Os seus dois álbuns lembram-me os dois principais romances de Chimamanda Ngozi Adichie. O primeiro - The Lagos Music Salon - leva o ouvinte até à Nigéria (tal como Half a Yellow Sun); este segundo debruça-se sobre uma zona do Harlem nova-iorquino ocupada por imigrantes de origem africana (tal como Americanah foca a integração dos imigrantes africanos nos Estados Unidos).

Zara McFarlane, Arise. Se Somi vai beber directamente a África, McFarlane chega lá através das Caraíbas. Talvez a música de McFarlane não seja bem jazz, mas, como deixei claro no início, eu também não percebo grande coisa do assunto. (Já chegaste, José Navarro?)

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2 comentários

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De José Navarro de Andrade a 17.12.2017 às 13:19

A tua traiçoeira provocação não ficará sem resposta, caríssimo José António. Não embainhes já a espada, mas peço-te algum tempo. Fica porém sabendo que embora discorde em quase 90% da tua selecção , resigno-me a achá-la 100% certa. Um dos maiores mistérios e prazeres do jazz é que ninguém está de acordo nos gostos apesar de gostos como este teu serem irrefutáveis. Isto para os leigos é confuso, mas para quem aprecia navegar em águas tão turbulentas é motivo para amar ainda mais este género musical tão rico e variado.
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De José António Abreu a 17.12.2017 às 15:51

"A tua traiçoeira provocação"
"Traiçoeira" é bondade tua. Maliciosa, quando muito.

"não ficará sem resposta"
Óptimo. A ideia era mesmo essa, que no ano passado baldaste-te.

"discorde quase em 90% da tua selecção"
Fixe. Não havendo razões concretas para outro valor, o meu objectivo pessoal é ultrapassar sempre os 80%.

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