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Impressiona a quantidade de gente que das suas tribunas na televisão, na imprensa, ou nas infames redes sociais continua a não perceber ou a fingir não perceber que o problema político do desastre de Pedrógão Grande em Junho e do novo desastre da zona Centro-Norte em Outubro não foi a meteorologia ou a floresta mas a (des)protecção civil. A meteorologia, como é evidente, não é culpa de nenhum Governo (deixemos a discussão sobre as alterações climáticas para outra ocasião), e a floresta até será responsabilidade (ou irresponsabilidade) parcial de Governos passados, presentes, e futuros; mas a organização actual das estruturas de prevenção a incêndios, a preparação corrente dos meios de combate ao fogo, e a coordenação dos meios de socorro a pessoas e bens são competências da responsabilidade do Governo presente (como foram de Governos passados, e serão de Governos futuros). E nesse campo, tanto em Junho como em Outubro, o Governo presente falhou em toda a linha, demonstrando a cada momento uma impreparação assustadora e uma arrogância desmedida - as declarações proferidas nas últimas 24 horas pelo Secretário de Estado da Administração Interna, pela Ministra da Administração Interna e pelo Primeiro-Ministro são mais do que irresponsáveis e insensíveis; são inaceitáveis. Não, a demissão dos responsáveis políticos do MAI não resolve nada em termos práticos - não recupera o que se perdeu, não resolve problemas estruturais de décadas, nem soluciona agora o que falhou há pouco. Mas perante os colapsos sucessivos a que assistimos, parece-me imperativo  afastar quem demonstrou de forma cabal não só não estar à altura dos cargos que ocupa, como também não ser capaz de fazer o que for necessário fazer daqui para a frente. É uma questão de responsabilidade política, sim, e também de capacidade política. Ou, neste caso, de irresponsabilidade política e de incapacidade política.

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7 comentários

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De Anónimo a 16.10.2017 às 23:58

Salvo melhor opinião creio que tem bastante razão no que pondera. A sua conclusão é, para mim, correcta.
António Cabral
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De João Campos a 17.10.2017 às 19:21

É para mim bizarro ver tanta gente a defender a manutenção da ministra. Como se fossem mais exigentes com o treinador do clube de futebol de que são adeptos do que com os ministros que governam o país. E, bem vistas as coisas, se calhar até são, sim.
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De V. a 17.10.2017 às 01:01

É isso mesmo. Muito bem.

Por outras palavras, devemos manifestar-nos e exigir a demissão do PM. Suspeito que o PR não o vá fazer embora devesse.
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De João Campos a 17.10.2017 às 19:15

Devíamos, sim. Parece que há quem esteja já a marcar manifestações para o fim-de-semana.
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De Anónimo a 17.10.2017 às 08:27

A demissão da MAI não resolve nada. A manutenção também não trará soluções.
36 pessoas comprovaram com a vida que a MAI não tem soluções para o problema que afectou 64.
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De João Campos a 17.10.2017 às 19:19

Eu sei que não resolve nada - aliás, admito-o no texto. Mas há consequências políticas que têm de ser retiradas destes dois casos, e essas consequências terão de culminar pelo menos da MAI (será pouco, mas tem de se começar por algum lado). De resto, a ministra demonstrou tanto em Junho como em Outubro não estar à altura do cargo que ocupa e das responsabilidades que este acarreta - se não foi competente até aqui, vai ganhar competência daqui para a frente?
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De Luís Lavoura a 17.10.2017 às 09:23

Discordo.
O problema anteotem foi essencialmente a meteorologia (ventos ciclónicos, provocados por um furacão com centro perto da costa), acrescida de uma data de comportamentos irresponsáveis, quando não criminosos, que provocaram muitíssimas ignições.
Em Pedrógão houve certamente incompetência no combate, mas as mortes também foram provocadas por um fenómeno meteorológico anómalo, que provocou uma velocidade de propagação do incêndio nunca antes vista.

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