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Insensibilidade e mau gosto

por Pedro Correia, em 16.10.17

constanca_urbano_de_sousa_foto_manuel_de_almeida_l

 

Já não falo da ética da responsabilidade, a que alguns - de forma mais restritiva - preferem chamar ética republicana. Cada um faz a interpretação deste princípio de acordo com a sua formação e a sua consciência.

Até dentro da mesma maioria política há discrepâncias nesta matéria. Em 2001, por exemplo, Jorge Coelho renunciou dignamente à pasta ministerial que ocupava quando ocorreu a tragédia de Entre-os-Rios alegando que a culpa não podia morrer solteira. O País, mergulhado em estado de choque, compreendeu bem o que este gesto e estas palavras significavam.

 

Constança Urbano de Sousa, titular da Administração Interna, tem um entendimento muito diferente da ética da responsabilidade: a culpa, para esta ministra, é sempre de terceiros.

Foi assim na tragédia de Pedrógão, está a ser assim neste novo drama em que Portugal mergulhou desde ontem pela mesmíssima causa, agora alastrada a dois terços do País, como se nada tivéssemos aprendido com o que aconteceu há quatro meses e as 65 vítimas mortais desse fatídico 17 de Junho tivessem morrido em vão.

 

A ministra tem, pois, o direito de se manter agarrada ao umbral da porta do seu gabinete no Terreiro do Paço, por mais evidente que seja a sua falta de competência para o exercício do cargo que ainda ocupa. Não tem é o direito de insultar os portugueses - e, desde logo, os familiares das vítimas dos fogos - ao queixar-se publicamente, enquanto Portugal arde, de não ter gozado férias neste Verão. Por revelar uma insensibilidade chocante e um mau gosto inadmissível em qualquer titular de um cargo político.

Se o primeiro-ministro for incapaz de lhe transmitir isto, espero ao menos que o Presidente da República não perca a oportunidade de dizer com franqueza ao chefe do Governo que esta ministra está a mais no elenco governativo e deve portanto ir enfim de férias. Muito prolongadas.

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64 comentários

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De Paulo a 16.10.2017 às 16:30

Já escrevi isto antes: A única demissão que vamos ver será a do presidente do Instituto de Meteorologia caso não chova conforme estava previsto. O resto, temo que ficará na mesma. Aliás, depois da tragédia de Pedrógão, o partido do governo saiu reforçado nas eleições! Por isso, o que vai mudar? Nem a postura do Presidente da República face às declarações dos incêndios deste fim-de-semana. Tudo passa. E aguarda-se um novo relatório para dezembro.
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 19:56

Mais depressa o ministro da Agricultura anunciasse ter feito a maior reforma de sempre da floresta desde o reinado de D. Dinis, mais depressa arderia o pinhal de Leiria, mandado plantar pelo monarca e uma das maiores manchas de pinheiro bravo da Europa. Esta mata florestal não estaria seguramente "desorganizada", pois é propriedade do Estado.
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De jerry khan a 16.10.2017 às 16:45

PR
pm das graçolas
urbana
lembram-me 'os 3 da vida airada'

como dizia o bruxo em Namora
'estão presos pelo osso da rabadilha'
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:29

Comparar o Presidente da República à ministra Urbano é confundir o género humano com o Manuel Germano.
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De Anónimo a 16.10.2017 às 16:47

Por muitíssimo menos, há muitíssimos portugueses que nunca tiveram férias.
E, de uma maneira geral, não se queixam.
Esta gente da política, quando o País arde, lamenta não ter férias.
E, quando responsabilizados por corrupção ou abuso de poder, mais que surpreendidos, ficam escandalizados, porque se consideram impunes.
Há que os pôr no seu lugar.
E já ontem era tarde.
João de Brito
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:30

Enquanto o País arde, enquanto dezenas de portugueses voltam a morrer numa tragédia que está a ser notícia em todo o mundo, a ministra está preocupada com as férias tardias que terá este ano.
Esta frase define-a.
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De Anónimo a 16.10.2017 às 16:56

"!renunciou dignamente"!!! Pôs-se mas é a cavar e quem viesse a seguir que se amanhasse.
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:31

Se a atitude de Jorge Coelho não foi digna, então a ministra Urbano é um monumento à ética e à responsabilidade política.
Porque ela procedeu exactamente ao contrário de Jorge Coelho. Ao criticar um, elogia a outra.
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De Anónimo a 16.10.2017 às 17:12

Panaceia universal: em caso de dificuldades demite-se um Ministro. Ou dois. Em casos menos graves, um Secretário de Estado.
Aprendi esta receita em Vilar de Perdizes.
J. L.
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:33

Que eu saiba, os relatórios oficiais que falam em caos, descoordenação, falta de socorro, desorganização, falhas graves de avaliação e incumprimento de obrigações essenciais na cadeia de comando sob a tutela da ministra Urbana, em 17 de Junho, não foram produzidos em Vilar de Perdizes.
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De Vlad, o Emborcador a 16.10.2017 às 17:42

Pedro, a Dra. Constança Urbano vai demitir-se, ou ser demitida. Vê -se na cara que está psicologicamente no limite. Já deve andar a benzodiazepinas.

Querem apostar?

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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:34

Não aposto. Ela que vá de férias.
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De Anónimo a 16.10.2017 às 17:43

De vez em quando aparece alguém a elogiar branqueando o Coelhone. Morreram afogados 70 pessoas e o Coelhone pôs-se a milhas em vez de tratar do caso.Com exemplos destes não vamos lá.
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 18:26

Criticar Jorge Coelho equivale a elogiar Constança de Sousa, a ministra que procedeu ao contrário dele.
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De V. a 16.10.2017 às 20:20

Sinceramente, não sei... Pisgou-se do MAI mas continuou o tacho numa empresa de ... obras públicas — para as quais foi incompetente na causa pública, e aproveitando o seu poder e contactos no partido para criar um império esquisito por onde também deslizava Ricardo Salgado e outros répteis conhecidos.
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:36

Jorge Coelho era ministro do Equipamento Social. A demissão dele significou um pedido de desculpas público do Governo ao País. Algo sem paralelo neste Governo.
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De V. a 16.10.2017 às 21:07

Ok. Um pedido de desculpas complementado pelo abandono do PM de todas as responsabilidades que lhe foram confiadas pelo plebiscito, pouco tempo depois. Eu duvido muito da sensibilidade e das virtudes desta gente — não duvido de que agora é possível encontrar alguma honradez na proeza, mas na altura não fiquei totalmente convencido da honestidade emocional (digamos) dessa demissão.
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 21:19

Repare como em década e meia recuámos a grande velocidade em matéria de responsabilidade política e sentido de Estado.
Esta ministra da Administração Interna, aliás acompanhada pelo colega que ainda detém a pasta da Defesa, é prova viva e gritante disso mesmo.
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De V. a 17.10.2017 às 01:11

Ai disso não tenho dúvidas. Tenho a certeza de que nem Guterres ou Coelho se sentiriam confortáveis com coligações pós-eleitorais e a quebra de todas as convenções de cavalheiros na Assembleia só para saltar para o poleiro. Mesmo que duvide deles por uma questão de método, também não tenho dúvidas de que são de um calibre mais fiável do que o que veio depois.
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De Pedro Correia a 17.10.2017 às 08:15

Como ontem disse o Miguel Sousa Tavares na Jornal da Noite da SIC, "desde Pedrógão, cada hora ou cada dia que a ministra se mantém em funções demonstra a sua falta de brio e de sentido de Estado".
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De Anónimo a 16.10.2017 às 18:00

Tudo isto é tão ultrajante, que apontar o óbvio é absurdo.
Temos a cúpula da Protecção Civil alterada pouco antes da época de incêndios, para pessoas que aparentemente pouco sabem de combate a incêndios.
Temos carros de apoio à rede Siresp avariados e não se trata da reparação antes do início da fase Charlie.
Temos teatros (que oportuno) de operações, em zonas que se sabe que não têm rede/são sombra.
Temos a prevenção sobre a tutela de um ministério e o combate noutro.
Temos um responsável da protecção civil que deu ordens para colocar apenas o que este aprovasse na fita do tempo em Junho, a comandar as acções em Outubro.
Temos alertas colocados atempadamente no IPMA, mas aparentemente os decisores só usam o weather.com ou semelhante.
Alguém que faça chegar uma versão do relatório até às 19:50h, à residência oficial do PM, com as highlights (http://www.parlamento.pt/Documents/2017/Outubro/RelatorioCTI12Out2017.pdf)!

Já agora, a Mata Nacional de Leiria não é propriedade do estado?

http://observador.pt/2017/08/04/falta-de-limpeza-manutencao-e-tratamento-ameaca-pinhal-de-leiria/
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De Vlad, o Emborcador a 16.10.2017 às 18:48

Pelo que me dizem o problema da Protecção Civil é mais de cópulas e não de cúpulas.

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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:41

Sim, a mata nacional de Leiria é propriedade do Estado.
Ou ex-mata, para ser mais rigoroso.
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De Rão Arques a 16.10.2017 às 18:19

Prescindo de bater nesta senhora.
O Dr. Costa sabe porque escolheu muitos dos seus ministros.
Para serem saco de pancada e funcionarem como seu escudo avançado. Revelador da submissão a que se sujeitam são as declarações indecorosas que vão proferindo, bem alinhadas com as do próprio chefe para não lhe desagradar.
Da mesma trágica dimensão é adivinhar o que o próprio Costa diria perante este desastre se estivesse na oposição.
-O governo deve ser demitido de imediato para um novo executivo tomar medidas de modo a que situações desta gravidade não se voltem a repetir- ou algo muito parecido com isto.
Simplesmente revoltante.
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De Maria Dulce Fernandes a 16.10.2017 às 18:19

Hoje o José Gomes Ferreira classificou a actitude da Sra. Ministra de infantil.
Concordo plenamente, se tivermos em conta que a infantilidade é sinónimo de irresponsabilidade, sem-vergonhice e descaramento.
Obviamente, estamos fartos
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 18:25

Questiono-me se será assim tão difícil o primeiro-ministro encontrar alguém mais competente para a pasta da Administração Interna. Sou capaz de apostar que não.
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De Anónimo a 16.10.2017 às 19:55

Pois esse é o busílis da questão - deve haver gente mais competente mas que não quer fazer fretes ao Primeiro Ministro, tipo fretes socráticos...
Sobram as abeculas das Constanças e dos Azeredos que jamais teriam lugar numa empresa privada, a não ser nas do regime e como forma de pagamento doutros fretes, não menos socráticos...
ptc
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De Vlad, o Emborcador a 16.10.2017 às 20:06

Talvez seja alguma reminiscência do Sati? Hmmmm.....
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De Anónimo a 16.10.2017 às 18:56

Muito bem Dulce. Para tamanha responsabilidade que ponham um homem. Um de barba rija e mal encarado.
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De Pedro Correia a 16.10.2017 às 20:40

Basta encontrar alguém com bom senso. E um pouco mais competente.
Não é difícil.
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De sampy a 16.10.2017 às 21:50

Para se trabalhar com Costa, tem de se ser ou incompetente ou desonesto.
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De Maria Dulce Fernandes a 16.10.2017 às 22:34

Se for competente, até pode ser um cão, um sapo ou um anónimo.
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De Anónimo a 16.10.2017 às 22:47

Sim, cão ainda concordo agora cadela é que não dava
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De Maria Dulce Fernandes a 16.10.2017 às 23:56

Pois não.mDizem o números que esta Gerinconça já preencheu a quota de cadelas. De Anónimos é que ainda não.

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