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Injúria póstuma a Graça Moura

por Pedro Correia, em 29.08.16

368889[1].jpg

 Foto Nuno Ferreira Santos / Público

 

Mais do que uma desconsideração intelectual, constitui uma injúria que um organismo público como a Imprensa Nacional Casa da Moeda utilize o nome de Vasco Graça Moura para atribuir um  prémio literário destinado a distinguir uma obra forçosamente escrita em acordês.

 

O grande poeta, ensaísta, ficcionista e tradutor já cá não está para zurzir os responsáveis daquela instituição com a verve que todos lhe conhecíamos e a paixão que sempre colocou nesta batalha de ideias. Mas até por isso é dever de todos os seus amigos e admiradores insurgirem-se contra o abuso que constitui a associação de Graça Moura a um prémio que exige a utilização das normas ortográficas que ele sempre combateu.

Não há outra leitura possível do artigo 10.º do regulamento do concurso, escrito na ortografia que o autor de Naufrágio de Sepúlveda abominava: “O autor premiado aceita que a INCM execute uma revisão literária dos originais, na qual sejam eliminadas todas as incorreções [sic] ortográficas ou gramaticais, e resolvidas as inconsistências com as normas de estilo adotadas [sic] para a publicação do Prémio INCM/Vasco Graça Moura.”

Como alertou Octávio dos Santos, num artigo no Público que chamou pela primeira vez a atenção para o caso, a administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, por ele contactada, confirmou por correio electrónico: "O texto vencedor será publicado de acordo com a ortografia do Acordo Ortográfico de 1990."

De resto, a tocante preocupação da INCM pelas "incorreções" [sic] devia começar pela própria redacção deste regulamento: onde se lê "usa" em vez de "sua" no artigo 9.º, n.º1 (curioso lapso, daqueles que em linguagem freudiana costumam merecer o rótulo de acto falhado).

 

Além do inaceitável paternalismo que revela, só lhe faltando vir acompanhado da antiga "menina dos cinco olhos", o artigo 10.º impõe carácter obrigatório à escrita acordística, fazendo tábua rasa dos mais elementares princípios de liberdade intelectual.

Como Octávio dos Santos justamente questionou: "Será possível que na INCM não exista quem conheça e tenha lido o Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos nacional, que também reflecte e replica legislação e jurisprudência internacionais, e que dá inequivocamente a todos os artistas a prerrogativa de utilizarem e de verem respeitada a linguagem que eles quiserem?” 

Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Teixeira de Pascoaes, entre outros escritores que foram firmes adversários da reforma ortográfica de 1911, ficariam liminarmente excluídos deste concurso se por acaso cá estivessem e quisessem concorrer.

Autoria e outros dados (tags, etc)


80 comentários

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De M. S. a 29.08.2016 às 13:19

Caro Pedro:
«Todo o mundo é composto de mudança», disse outro grande poeta, o maior.
Portanto, a liberdade de criação também incorpora a mudança, desta vez ao sabor de gente sem escrúpulos e sem coluna vertebral.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 14:24

Suprema hipocrisia. Sob o pretexto de homenagear o grande escritor, um organismo oficial violenta a sua memória ao associá-lo a algo que ele sempre repudiou.
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De julia Moura Lopes a 29.08.2016 às 23:58


Caro Pedro, muito bem dito! Inconcebível!!

(há)braços
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De Pedro Correia a 30.08.2016 às 00:16

É mesmo. Viva, Júlia, gosto de revê-la por cá.
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De Sérgio de Almeida Correia a 29.08.2016 às 14:15

Seguramente que ele não autorizaria o seu nome associado a uma coisa destas. Era difícil desvirtuar mais o seu combate, mas pode ser que os herdeiros se manifestem perante esta ofensa à sua memória.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 14:21

Espero que sim e desejo que sim, Sérgio.
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De Costa a 29.08.2016 às 14:16

Essa gentalha escarra sonoramente na campa de Vasco Graça Moura. A única atitude decente seria a imediata retirada de todas as obras, escritas em português ou acordês, por decisão dos seus autores.

Mas não faltará quem faça o frete.

Vergonha de ser português. Eis, agora, o que sinto.

Costa

Ps.: pensemos, pensemos muito, antes de condescender com blogues, "sites", livros, jornais, o que seja, por submissão, inércia, indiferença ou convicção escritos nessa mistela tóxica.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 14:28

Merecem homenagem escritores como Abel Neves, que recusou vergar a cerviz, conforme é relatado aqui:
https://www.publico.pt/portugal/noticia/penalidade-de-expressao-1632965
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De V. a 31.08.2016 às 11:06

A única vergonha é ser-se republicano, comunista, maçon ou socialista. O resto é digno.
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De otto solano a 29.08.2016 às 14:52

Ler no blogue; O ALMADRAQUE FOFINHO:


2016 O ANO DA MORTE DO ABORTO ORTOGRÁFICO (TAMBÉM CHAMADO ACORDO ORTOGRÁFICO)

Confirma-se assim, mais uma vez, que a mediocridade é epidémica e que só pode ser combatida elevando o nível cultural dos cidadãos.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 15:21

Destaco desse blogue a seguinte observação, mais que pertinente:

«O que quer dizer em português:
"chairman"; "coffee break"; "science4you"; "CEO" - ou a mediocridade não permite utilizar o nosso idioma?»
http://anonimosecxxi.blogspot.pt/2016/07/o-futuro-de-que-sera-que-uniao-europeia.html
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De Luís Lavoura a 29.08.2016 às 16:40

Seria de facto curioso o INCM, que é uma editora pertencente ao Estado, violar a própria lei do Estado editando livros com uma ortografia à la carte.
Só mesmo cá em Portugal é que vigora este regime de amplas liberdades democráticas (na antiga expressão do PCP) em que as editoras se permitem editar livros com uma ortografia diferente da oficial. Em qualquer país civilizado e sério da Europa Central, isto seria proibido.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 17:08

Mandariam os elementares princípios éticos que um organismo, fosse qual fosse, se abstivesse de usar o nome de uma personalidade já falecida para difundir uma causa oposta àquela que essa personalidade sempre defendeu em vida.
Lamentavelmente, a INCM fez tábua rasa dessa ética. Que não é pública, nem é privada: está acima e para além desses considerandos. Substantiva, sem necessitar de adjectivos.
Alternativas para designar o prémio nunca faltariam. Prémio Malaca Casteleiro, por exemplo.
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De Costa a 29.08.2016 às 17:39

Qual lei, Lavoura? Faça o favor de me indicar que lei ou decreto-lei (os únicos diplomas que no ordenamemto jurídico português o poderiam fazer) impõe a ortografia conforme o AO90.

Aguardo sua resposta.

Costa
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 18:57

Ou muito me engano ou pode esperar sentado, Costa.
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De Luís Lavoura a 30.08.2016 às 09:13

Faça o favor de me indicar que lei ou decreto-lei impõe a ortografia conforme o AO90.

Não há lei nenhuma nem precisa de haver. Conforme Vital Moreira já repetidas vezes explicou no seu blogue, os acordos internacionais aplicam-se automaticamente na ordem jurídica interna, sem necessidade de qualquer lei suplementar. Ele é jurista e eu acredito nele.
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De Costa a 30.08.2016 às 11:38

Em consequência de um tratado internacional - que vigora na ordem interna quando todos os seus subscritores o tenham ratificado -, haverá que revogar a legislação nacional que com ele conflitue. Que eu saiba há duas resoluções, uma da AR outra do governo que impõem o AO90 no que caia na esfera de uma e outro. E nesse estrito âmbito aliás. Não revogam coisa alguma. Muito menos leis ou decretos-lei.

Resoluções. Resoluções, Lavoura.

Costa
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De M. S. a 29.08.2016 às 18:30

O Luís Lavoura tem todo o direito de ser um acérrimo defensor do Aborto Ortográfico.
Mas sempre que intervém, quando se discute este assunto, foge a 7 pés de justificar as vantagens do mesmo.
Muito menos a sua coerência, pois foi feito para uniformizar as grafias da Língua nos países lusófonos mas acabou por desuniformizá-la ainda mais.
É como se uma pessoa comprasse uma gabardina impermeável para se proteger da chuva e, ao usá-la, ficasse ainda mais molhada, pois a dita vinha cheia de poros que absorviam a água fazendo efeito de mata-borrão.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 19:04

O critério que LL advoga - em todo decalcado daquele que fez o ex-PM Cavaco Silva dar instruções ao seu subsecretário de Estado da Cultura, em 1989, para adaptar tanto quanto possível a grafia portuguesa à brasileira - é o critério demográfico.
Se fosse inglês, faria o mesmo em relação aos EUA. Pelo mesmíssimo motivo.
Em Inglaterra, no entanto, isso não colhe. Tal como em Espanha: a Academia Espanhola não abdica da prerrogativa de definir a ortografia da língua castelhana, indiferente ao facto de Espanha ter apenas cerca de 40 milhões de habitantes - muito menos do que o México, que tem 104 milhões.
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De Luís Lavoura a 30.08.2016 às 09:17

Falso. Já repetidas vezes disse aqui que me estou nas tintas para a forma como os brasileiros escrevem. Eles que escrevam como pronunciam. Nós, os portugueses, devemos escrever como nós pronunciamos.
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De M. S. a 31.08.2016 às 00:02

Luís Lavoura:
Os brasileiro escrevem dgia?
Quando se referem ao dia?
A Língua é um pouco mais complexa do que parece e não se compadece com opiniões de senso comum.
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De Luís Lavoura a 30.08.2016 às 10:35

em Espanha a Academia Espanhola não abdica da prerrogativa de definir a ortografia da língua castelhana

Portanto, o Pedro aceita que em Espanha - um grande país civilizado - a ortografia da língua é fixada por uma academia de sabichões e não está ao sabor da população em geral.
Isso deita por terra a teoria de alguns de que a ortografia deve ser livre e de que o Estado e os sabichões não têm que a fixar e de que é assim que se passa em todos os grandes países.
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De Luís Lavoura a 30.08.2016 às 09:15

foge a 7 pés de justificar as vantagens

Nunca fugi. As vantagens são a simplificação da escrita e da leitura pela eliminação de letras que não se lêem e a simplificação do ensino da escrita pela eliminação de exceções à regra geral (que é a escrita ser fonética).
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De M. S. a 31.08.2016 às 00:05

Luís:
Se assim fosse, porque se criaram mais de 700 novas grafias do que anteriormente?
Que uniformização.
Que simplificação.
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De M. S. a 31.08.2016 às 00:15

Luís:
Não é por repetir até à exaustão que o AO serviu para simplificar que isso aconteceu.
Foi precisamente o contrário.
Meta isso de uma vez por todas na sua cabeça.
Leia o estudo da Prof.ª Maria Regina Rocha, que inventariou as palavras que passaram a ter grafia única, que foram uniformizadas, e as que passaram a ter duas ou mais grafias diferentes, e que antes não tinham.
O saldo ultrapassa as 700 novas diferenças que eram inexistentes.
Não seja teimoso empedernido.
https://www.publico.pt/opiniao/jornal/a-falsa-unidade-ortografica-25921941
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De Luís Lavoura a 31.08.2016 às 09:36

As 700 grafias diferentes que você refere são entre a ortografia portuguesa e a brasileira.
Tal como já disse à exaustão, eu estou-me marimbando para a forma como os brasileiros pronunciam e escrevem o português. Tanto se me dá que o grafem de forma diferente, como igual.
O que me interessa é o português de Portugal. E esse tem uma grafia razoavelmente bem definida.
Aliás, se há livros escritos na nova grafia, é porque ela existe! Se ela é ensinada às crianças, é porque existe!
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De Costa a 31.08.2016 às 11:36

"Aliás, se há livros escritos na nova grafia, é porque ela existe! Se ela é ensinada às crianças, é porque existe!"

Belíssimo argumento! É então de concluir que porque existe é boa e inatacável. Não me posso esquecer, da próxima vez que adoecer, de recusar tratamento: "se a doença existe, é porque existe!" - louvando-me no seu raciocínio - donde é coisa boa, a acarinhar.

E temos agora o AO90/LL - Acordo Ortográfico de 1990, Luís Lavoura: o acordo tem por ambição confessada uniformizar a ortografia em todo o espaço lusófono, mas atenção que agora há uma variante lavourista que manda esse espaço às urtigas e diz que só lhe interessa Portugal. Mais uma variante da uniformização... (e que percurso o seu, neste assunto, Lavoura).

Está certo.

Costa
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De Octávio dos Santos a 29.08.2016 às 18:37

«Em qualquer país civilizado e sério da Europa Central», mas também da Europa Ocidental e Oriental, nos EUA, nos países de língua inglesa e língua francesa em geral, até mesmo nos hispânicos, enfim, no resto do Mundo, não acontece o que acontece(u) em Portugal: literalmente meia dúzia de pessoas decidirem alterar radicalmente a ortografia de um país, com o surpreendente colaboracionismo de muitos governantes, em violação flagrante dos mais elementares princípios culturais, legais e políticos (democráticos). Exemplo (entre outros) de que aquilo que é «oficial» nem sempre é legítimo.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 19:04

Tal e qual, Octávio. A propósito: parabéns pelo artigo.
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De Octávio dos Santos a 29.08.2016 às 19:17

Muito obrigado, Pedro.
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De Luís Lavoura a 30.08.2016 às 09:18

Disparate. Ainda há pouco tempo houve uma reforma ortográfica no francês, e há mais alguns anos no alemão.
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De Octávio dos Santos a 30.08.2016 às 13:41

Disparates é o que você não pára de expelir: o Alemão e o Francês não sofreram quaisquer «reformas ortográficas» - houve, sim, recomendações, sugestões de alterações, a uma escala muito menor do que em Portugal, que não eram (não são) «obrigatórias» e que foram recebidas com hostilidade, quando não com indiferença.
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De Paulo Ramos a 29.08.2016 às 22:49

O comentário do sôr Lavoura revela um espírito autoritário de açordo com os que engendraram o dito Açordo.
Felizmente, ainda há neste País MUITAS pessoas, editoras e órgãos de comunicação social que rejeitam liminarmente uma aberração sem qualquer fundamento linguístico-científico.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 23:21

Um açordo, sim. Excelente designação para este péssimo cozinhado.
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De jpt a 31.08.2016 às 05:39

Esta do "Açordo Ortográfico" é brilhante, é caso para passar a ser a denominação oficial. Quanto ao postal: o que se narra é uma vergonha. Que a oficialíssima editora queira açordar ok, mas que retire o nome. Não há família para obstar a isto?
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De Pedro Correia a 01.09.2016 às 15:48

Eu já sugeri aqui que atribuam ao tal prémio o nome do Professor Malaca Casteleiro: dificilmente haveria homenagem tão apropriada à personalidade em causa.
Quanto aos familiares, aguardo uma reacção. Por enquanto apenas perplexo.
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De Pedro Correia a 05.09.2016 às 10:49

Também podiam pôr-lhe o nome Cavaco Silva. Em "homenagem" ao primeiro-ministro que "implementou" o (des)acordo para "evitar o desaparecimento da língua portuguesa".
E que, no entanto, ainda hoje continua a escrever como sempre escreveu. Bem prega Frei Tomás...
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De V. a 29.08.2016 às 23:33

Em países civilizados não há ortografias oficiais nem cobardes submissos que não se envergonhem de "proibir" o que quer que seja.
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De Pedro Correia a 30.08.2016 às 00:20

Nem há exterminadores de consoantes. Podíamos exportá-los.
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De Teresa Costa a 30.08.2016 às 02:33

Acha, então, que deveria voltar a censura e o lápis azul? Iam ter muito que fazer! Há milhões de portugueses a desobedecer ao dito Acordo.Quando as leis são de lesa-pátria, o mínimo que se pede é a desobediência civil. Ainda bem que há tantos portugueses que não ficam cegos só porque lhes dizem que «está na lei». Os tempos mudaram.O país já não é de analfabetos, embora , agora, com este Acordo, queiram fazê-lo regredir para esses tempos de atraso. O que vemos escrito em textos oficiais, jornais e televisões é uma vergonha nacional. Não percebo como pode alguém com um mínimo de cultura suportar a ortografia proposta por este acordo. E fazer esta afronta a um escritor que sempre foi contra o Acordo ortográfico revela baixeza, cinismo e revanchismo contra os não-acordistas à custa de alguém que já cá não está para se defender.
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De Pedro Correia a 30.08.2016 às 10:27

Uma baixeza sem nome, de facto. Inacreditável.
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De Pedro a 30.08.2016 às 14:18

Teresa, como dizia o outro, much ado about nothing. Nunca ninguém foi preso ou censurado por escrever com a ortografia, sintaxe e pontuação que dá na gana. Invocar a "desobediência civil" a propósito disto, dá vontade de rir. De resto, já li maus textos na ortografia de antes do acordo e já li textos maravilhosos na ortografia do acordo. Já agora, qualquer pais, sem excepção, tem uma ortografia "oficial", que é aquela que se aprende na escola. Um dia destes, temos manifs de miúdos a invocar e desobediência civil, a propósito dos lápis azuis dos professores ;)
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De Pedro Correia a 30.08.2016 às 18:13

Artigo 42º da Constituição da República Portuguesa:

«Liberdade de criação cultural

1. É livre a criação intelectual, artística e científica.

2. Esta liberdade compreende o direito à invenção, produção e divulgação da obra científica, literária ou artística, incluindo a protecção legal dos direitos de autor.»

A INCM colide com este artigo da nossa lei fundamental.
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De lucklucky a 30.08.2016 às 22:33

"em que as editoras se permitem editar livros com uma ortografia diferente da oficial. Em qualquer país civilizado e sério da Europa Central, isto seria proibido."

País Totalitário.

Mas esta pérola é uma bela demonstração da necessidade que certas pessoas têm de proibir o que os outros escrevem e como escrevem.

Tem de se usar virgulas no sítio certo...brilhante!
Aí de quem escreva um poema e não respeite a rima.


Já agora quais são esses fantásticos países?
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De V. a 29.08.2016 às 17:05

Detestá-los é pouco.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 17:11

Ter chancela oficial, neste caso, não serve de atenuante. É agravante.
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De Anónimo a 29.08.2016 às 17:47

Caro Pedro Correia.
Este caso, que soube por quem está muito atento e é meu amigo, foi uma das últimas e variadas gotas dos nossos dias que me levaram a escrever no meu blogue umas breves palavras acerca da questão - falta de vergonha na cara- Cumprimentos.
António Cabral
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 18:57

Viva, António. Este caso é uma vergonha. Com os dados que foram tornados públicos, não consigo qualificá-lo de outra forma.
Se quiser deixe aqui a hiperligação para o texto do seu blogue. Julgo que os leitores do DELITO apreciarão.
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De Anónimo a 29.08.2016 às 20:07

Aproveito para dizer uma vez mais que o AO não justifica, de maneira nenhuma, tanta polémica, porque não tem nenhuma importância linguística.
Mas impor o AO em algo atribuível a Graça Moura, isso sim, tem muita importância, porque configura uma abjeta profanação da sua memória.
Subscrevo, portanto, o post.
João de Brito
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 20:11

"Uma abjecta profanação da sua memória": eis o nó do problema, no caso concreto que aqui trago.
E nisto julgo que quase todos estaremos de acordo, João de Brito.
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De Costa a 29.08.2016 às 20:48

Portanto reduzir ao mesmo "ótico" e "óptico" (dispense-me do "pára" e "para" e tudo o resto; desde logo e antes de tudo a abjecta submissão de tudo isso), não tem qualquer importância.

Agradeço-lhe a revelação. Não a posso, todavia, subscrever.

Costa
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 21:01

Para mim tem toda a relevância, como é evidente.
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De Costa a 30.08.2016 às 11:52

Mas não tem para o preclaro Lavoura, como se pode ler acima e já sabíamos.

O Lavoura não para para pensar, será? E depois dá nisto... Mas não é que se pronuncia "pára", Lavoura? Não é, para si, o critério fonético o que deve imperar? Então porque se pretende - e você acha muito bem - deixar de escrever assim?

Curvemo-nos perante a coerência e os ensinamentos preciosos do Lavoura.

Costa
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De Pedro Correia a 30.08.2016 às 18:17

Há pessoas cuja concepção de ortografia equivale à transcrição fonética. Suponho ser esse um dos tais casos.
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De Ivo Miguel Barroso a 29.08.2016 às 21:22

Muitos parabéns pelo texto, Caro PEDRO CORREIA!
O assunto foi discutido amplamente no Grupo do Facebook "Cidadãos contra o "Acordo Ortográfico" de 1990, em https://www.facebook.com/groups/acordoortograficocidadaoscontraao90/permalink/781202938649831/
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 21:57

Agradeço as palavras que aqui exprime e aproveito para felicitar o vosso grupo, meu caro Professor Ivo Barroso. Apesar de não ter conta no FB, mão amiga fez-me chegar entretanto cópia de alguns dos vossos indignados protestos, mais do que justificados.
Protestos aos quais me associo com idêntica indignação.
Como se costuma dizer em tantos sectores no nosso País, da política ao futebol, não pode valer tudo.
Reitero-lhe a minha admiração, que já vem de longe, pela sua determinação neste justo combate. Que era também, como sabemos, um combate do saudoso Vasco Graça Moura.
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De António Santos a 29.08.2016 às 21:41

Não é «escrito em acordês»; é escrito em português sem erros ortográficos.

António Santos
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 21:58

Acordês é português com erros ortográficos. Muitos.
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De Rui Miguel Duarte a 29.08.2016 às 22:18

Efectivamente, o ao90 é a imposição e oficialização do erro, desde logo pelos nulos fundamentos científicos do dito, e ainda pelas facultatividades (isto sim, à la carte) e pelos nefastos efeitos secundários que está a provocar desde há cinco anos, que só não vê quem não quer.
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De Pedro Correia a 29.08.2016 às 22:25

É bem verdade. O caos ortográfico - como se norma e erro se confundissem a todo o momento - instalou-se há cinco anos e não vislumbramos o menor indício de que possa desaparecer. Muito pelo contrário.

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