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Gentil Martins: opiniões ou bocas

por João André, em 17.07.17

Em 1955, Albert Einstein escreveu o prefácio para o livro de Charles Hapgood, o qual se dedicava a (tentar) destruir a teoria do movimento dos continentes [1]. Hapgood não gostava do conceito e parecia ser defensor da ideia de pontes terrestres entre continentes para explicar a existência de espécies semelhantes (quando não a mesma espécie) de animais terrestres e plantas em continentes diferentes e não adjacentes. Mais tarde, a teoria da deriva dos continentes (na realidade de placas, mas isso confirmou-se apenas mais tarde) acabou por se afirmar, devido ao trabalho de outros cientistas.

 

Em 2007 James Watson, um dos cientistas premiados com o Prémio Nobel da Química por terem descoberto a estrutura do ADN, fez declarações no sentido de os africanos serem menos inteligentes que "nós" (ocidentais brancos, presume-se). Apesar de este ser um tópico muito controverso, há cada vez mais indicações de os resultados do passado em que Watson se basearia serem muito devidos a condições socio-económicas (e ambientais) e também a questões de percepção (uma auto-percepção do grupo a que se pertence como menos inteligente foi positivamente correlacionado com resultados piores em testes de QI). O irónico foi que, pouco tempo depois das declarações de Watson, os resultados de análises ao seu ADN tenham indicado uma forte componente africana subsariana.

 

Esta introdução serve apenas para indicar que o argumento de autoridade é dos piores que existem em discussões sérias. Um especialista é, por definição, tal apenas e só no seu campo de especialidade. Quanto mais lato for o campo, menor será a sua competência. Quando terminei a minha tese de doutoramento eu poderia ser considerado o principal especialista mundial no tema (para quem tenha curiosidade: o uso de membranas de matriz mista para conversões enzimáticas), mas era um tema com um único especialista: eu próprio. Se eu começasse a expandir o campo (membranas de matriz mista, membranas em geral, membranas em conversões enzimáticas, etc, eu deixava rapidamente de ser um especialista e passava ser pouco mais que um leigo).

 

Isto veio-me à memória acerca da polémica sobre as declarações de Gentil Martins. Uma das defesas feitas (por outros) em seu nome foi o seu passado como médico, como alguém que sempre lutou por aquilo em que acreditou e que muito fez pela nossa sociedade. Tudo isto é verdade, mas não torna as suas declarações (quaisquer que sejam, mesmo que apenas sobre o tempo) mais ou menos válidas. Estas devem ser sustentadas por si mesmas.

 

Deixo então o argumento de autoridade de lado e olho apenas para as declarações proferidas por alguém a um jornal: «[A homossexualidade] é uma anomalia, é um desvio da personalidade». Ora esta visão está já mais que desmontada e demonstrada como falsa. Entrar por argumentos técnicos que podem ser encontrados por quem o deseje não adianta nada (ademais por alguém que, como eu, é apenas leigo). Deixo um único link, para alguém que já pegou neste assunto múltiplas vezes, a Ana Matos Pires, no jugular.

 

Vis também um outro argumento: que Gentil Martins tem direito à sua opinião. Aqui há duas perspectivas que devem ser analisadas. A primeira é a do direito à opinião, mas a existência de um direito não torna a pessoa imune ao dever. Aliás, o facto de existir um direito deveria estar sempre associada ao dever correspondente. Neste caso, o direito à opinião deve vir associado ao dever de apoiar essa opinião em factos, não preconceitos. Gentil Martins não o fez. Como deveria ser lembrado, toda a gente tem direito à sua opinião, mas não aos seus factos. Além disso há que lembrar que o direito à opinião não o escuda de ataques à mesma.

 

O outro lado do direito relaciona-se a quem profere a opinião. Nota: aqui contradigo-me quando aponto a importância da posição de Gentil Martins, mas faço-o conscientemente. Se a importância da opinião de Gentil Martins não deve ser sobrevalorizada apenas por vir de quem vem, já o alcance da mesma deve ser considerado. Gentil Martins é uma voz com peso e relevância, pelo que a sua contribuição, especialmente num debate feito com argumentos que poderão teoricamente tocar na sua área de especialidade, é importante. Por isso mesmo a opinão de Gentil Martins tem que vir apoiada por factos e sustentada por estudos actuais e deve reflectir, senão a opinião dominante (não tem que o fazer), pelo menos uma oposição a ela que tenha sustentação mínima.

 

Gentil Martins não deu, portanto, uma opinião. Transmitiu a sua preferência pessoal. Vindas de mim, se alguém me quisesse entrevistar, tais declarações seriam apenas "uma boca". Vindas de Gentil Martins, desta forma, não chegam a formar uma opinião.


-----------------------------------------------
[1] - A Short History of Nearly Everything, de Bill Bryson. Capítulo 12, "The Earth Moves", edição em pdf.

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17 comentários

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De Luís Lavoura a 17.07.2017 às 15:37

Discordo deste post. A opinião de Gentil Martins não passa disso mesmo: uma opinião. E uma opinião sem grande importância (eu diria mesmo que sem importância nenhuma), dado saber-se que Martins é um fundamentalista católico, portanto uma pessoa nas franjas da razoabilidade e da aceitabilidade social, e dado que Martins tem a provecta idade de 86 anos, na qual os neurónios já não se encontram em perfeito estado e na qual somente se espera que uma pessoa tenha opiniões que eram correntes há 50 anos atrás - opiniões do passado, não do futuro.
E, é claro, sempre se soube que as opiniões com fundamentos religiosos são, e sempre foram, impermeáveis aos factos. As convicções religiosas são dogmáticas e os factos são, para elas, irrelevantes. A opinião de Martins sobre os homossexuais tem tanto fundamento como a opinião de Joshua Ruah (outro reputado médico) sobre o toucinho.
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De Anónimo a 17.07.2017 às 18:11

Aceito como razoáveis o texto e o 1º comentário.
Sem receio de cair em contradição, atendendo ao comentário que pretendo fazer.
Acabo de ler uma reação indignada às declarações sobre os ciganos de André...
Não posso deixar de relacionar os dois casos.
Impressiona a rapidez e a impetuosidade com que certos meios reagem a declarações/opiniões desalinhadas por politicamente incorretas.
É óbvio que muitos ciganos (quiçá a grande maioria) vive do Rendimento Mínimo.
É óbvio que a espécie humana não chegou aqui à custa da homossexualidade, o que, no mínimo, justifica a tolerância relativamente a quem considera esta como um desvio.
Impressiona e revolta tanta agressividade.
Não há pior ditadura!
João de Brito
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De Paulo a 17.07.2017 às 19:30

Polémica. O que faz escrever, escrever...ter vida nas redes sociais, nos jornais, nas televisões...se não são as verdadeiras notícias, a polémica é o melhor meio para vender. E se não houver, procura-se arranjar. Veja-se o caso daquela manifestação de condenação do que se passa na Venezuela e, alguém levou um cartaz que referia "Venezuela livre" e logo deu polemica!!!
O "risco" de todas as pessoas poderem opiniar, escrevendo em blogs (como acontece neste momento) ou em outra rede social ou até mesmo em entrevista...é isso mesmo: um "risco" que deve ser analisado com olhos de liberdade. Se alguém se expressa e não for do acordo de alguém, é possível expressar a sua opinião, mas com educação, e não como tenho lido em alguns casos. Por outro lado, em primeiro, está a pessoa como ser que se expressa de forma escrita ou respondendo em entrevista. Não é importante nem determinante se é médico, merceeiro, lixeiro, trolha, padre, empregada de limpeza...para facultar uma opinião com educação. A não ser que se esteja a abordar um assunto muito específico e a pessoa em causa seja um especialista desse mesmo assunto.
Em Portugal, os meios de comunicação social, em particular as televisões, tem o hábito, quando recolhem declarações de alguém que não "sabem" como identificar colocam por exemplo ex-ministro...ex-presidente da república, ex-primeiro ministro...(nem que seja de à 40 anos) como se isso fosse importante ou determinante para o que estão a abordar. Aplicam esta "caganca" a uma certa classe que se presta também a isso e necessita para manter o ego que não cabe num pavilhão industrial. Conheço uma pessoa que ainda bem que a probalidade de ser entrevistado por esses meios de comunicação social é zero, pois tinham que escrever: ex-serralheiro, ex-gestor de recursos sexuais, ex-vendedor das paginas amarelas, ex-empregado de mesa, ex-membro de lista eleições junta freguesia, ex-guitarrista de grupo de baile, ex...atual vendedor de canais por cabo...
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De José M. Santos a 17.07.2017 às 19:32

"[A homossexualidade] é uma anomalia, é um desvio da personalidade»." Sim, mas quem nos diz que daqui a 200 (ou mais) anos não se pensará de outra maneira? Mas, quem sabe se um dia não se descobre qualquer coisa nos neurónios que torne possível transformar um homossexual num heterossexual (e vice-versa) repondo a ideia (hoje tão condenada) de que a homossexualidade pode ser "tratada" e a heterosexxualidade também? Já se ridicularizou a ideia de transformar um metal em ouro. Mas Rutherford provou que estavam enganados ao ridicularizar.
"Vis também um outro argumento: que Gentil Martins tem direito à sua opinião. " Eu diria de outro modo: Gentil Marques tem direito á asneira. Se ter direito à opinião significa ter direito a dizer coisas certas ... então batatas!! Ter direito à opinião tem de significar ter direito à asneira.
Resumindo e concluindo. Em vez de condenar Gentil Marques, acho preferível criticá-lo com argumentos. E é verdade que se levantou um histeria incrível sobre o que ele disse com o fim de o fritar mais do que demonstrar que está errado (pelo menos para os conceitos actuais).
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De Ventania a 17.07.2017 às 22:02

Penso que a questão é ainda mais simples. Toda a gente é livre de ter as opiniões que bem entender, e de as expressar livremente. Contudo, há um dever cívico, moral e ético de corrigir crenças que são, pura e simplesmente, erradas. Sendo Gentil Martins um homem da ciência, é ainda mais grave que cometa tamanha incorrecção. O que considera "uma anomalia" é algo que ocorre comummente na Natureza, como seguramente Gentil Martins sabe. Ainda que a questão fosse tão simples quanto a mera etologia de um animal - e não é - seria um equívoco. Não o criticar nem corrigir aberta e veementemente seria permitir a perpetuação e o fortalecimento do equívoco. Seria como dizer que um fulano crente que a Terra é plana ("flat earther") tem direito à sua opinião, sem nos preocuparmos com a correcção dos factos ou a amplitude dos estragos que uma "opinião" tão estapafúrdia possa ter. É que a ignorância tem consequências que ultrapassam em muito a esfera da discussão de café...
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De kika a 18.07.2017 às 12:57

.
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De Vento a 17.07.2017 às 22:22

Homosexual Parenting: Is It Time For Change?
American College of Pediatricians – July 2017
"ABSTRACT: Are children reared by two individuals of the same gender as well adjusted as children reared in families with a mother and a father? Until recently the unequivocal answer to this question was “no.” Within the last decade, however, professional health organizations,1 academics, social policymakers and the media have begun asserting that prohibitions on parenting by same-sex couples should be lifted. In making such far-reaching, generation-changing assertions, any responsible advocate would rely upon supporting evidence that is comprehensive and conclusive. Not only is this not the situation, but also there is sound evidence that children exposed to the homosexual lifestyle may be at increased risk for emotional, mental, and even physical harm."

Children need a mother and a father
"There are significant innate differences between male and female that are mediated by genes and hormones and go well beyond basic anatomy. These biochemical differences are evident in the development of male and female brain anatomy, psyche, and even learning styles.11Consequently, mothers and fathers parent differently and make unique contributions to the overall development of the child.11,12,13 Psychological theory of child development has always recognized the critical role that mothers play in the healthy development of children. More recent research reveals that when fathers are absent, children suffer as well. Girls without fathers perform more poorly in school, are more likely to be sexually active and become pregnant as teenagers. Boys without fathers have higher rates of delinquency, violence, and aggression.12,13"

Research on same-sex parenting
"Data on the long-term outcomes of children placed in same-sex households is sparse and gives reason for concern.17 This research has revealed that children reared in same-sex households are more likely to experience sexual confusion, engage in risky sexual experimentation, and later adopt a same-sex identity.18-22 This is concerning since adolescents and young adults who adopt the homosexual lifestyle are at increased risk for mental health problems, including major depression, anxiety disorders, conduct disorders, substance dependence, and especially suicidal ideation and suicide attempts.23 Recent studies confirm that children reared by same-sex couples fare worse in a multitude of outcome categories than those reared by heterosexual, married couples.24-27"

Risks of the homosexual lifestyle to children
"Finally, research has demonstrated considerable risks to children exposed to the homosexual lifestyle. Violence between same-sex partners is two to three times more common than among married heterosexual couples.28-32 Same-sex partnerships are significantly more prone to dissolution than heterosexual marriages with the average same-sex relationship lasting only two to three years.33-36 Homosexual men and women are reported to be promiscuous, with serial sex partners, even within what are loosely-termed “committed relationships.37-41 Individuals who practice a homosexual lifestyle are more likely than heterosexuals to experience mental illness,42-44 substance abuse,45 suicidal tendencies46,47 and shortened life spans.48 Although some would claim that these dysfunctions are a result of societal pressures in America, the same dysfunctions exist at inordinately high levels among homosexuals in cultures where the practice is more widely accepted"
Conclusion
"In summary, tradition and science agree that biological ties and dual gender parenting are protective for children..."
Aqui:
https://www.acpeds.org/wordpress/wp-content/uploads/7.7.17-Homosexual-Parenting-is-it-time-for-change.pdf
Aqui:https://www.acpeds.org/the-college-speaks/position-statements/parenting-issues/homosexual-parenting-is-it-time-for-change
e ainda aqui:http://www.acpeds.org/same-sex-marriage-not-best-for-children
aqui: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4887282/
Approaches to treatment A small number of studies have begun to test treatment approaches that address the the specific mental health needs of LGBT populations, including youth.
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De Vento a 17.07.2017 às 22:39

Como não havia mais espaço nas transcrições feitas e nos links que originaram essas transcrições para um comentário meu, gostaria que pedisse a Ana Matos Pires que viesse elucidar-nos, aos leitores deste blog, sobre os estudos, actualizados em Julho deste ano (2017), aí constantes.
Último comentário:
Gentil Martins deve ser mais respeitado quer pela sua envergadura científica, quer pela envergadura profissional, quer pela envergadura moral e social que o caracterizam.

Quanto ao termo "anomalia", anomalia significa anómalo, isto é, que não é comum, maioritário.
Nota: esta leitura é minha e vem no dicionário.
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De José M. Santos a 18.07.2017 às 14:20

"Gentil Martins deve ser mais respeitado quer pela sua envergadura científica, quer pela envergadura profissional, quer pela envergadura moral e social que o caracterizam."
Eu diria somente: "Gentil Martins deve ser mais respeitado". Ele tem de ter o direito à asneira como eu. Continuo a achar que deve ser criticada a opinião dele com argumentos racionais mas que não deve ser condenado nem vilipendiado.
Sem direito ao erro não há ciência.
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De Vento a 18.07.2017 às 21:01

Fez bem em corrigir-me. Não só ele tem direito ao erro. Todos têm. A ciência não é a deusa que pretendem fazer passar, e os cientistas também não são deuses. Mas Gentil Martins tem algo que deve ser apreciado: décadas de experiência e de evidências. A tradição e sua análise também faz parte da ciência.

"Conclusion
In summary, tradition and science agree that biological ties and dual gender parenting are protective for children. The family environment in which children are reared plays a critical role in forming a secure
gender identity, positive emotional well-being, and optimal academic achievement. Decades of social science research documents that children develop optimally when reared by their two biological parents in
a low conflict marriage. The limited research advocating childrearing by same-sex parents has severe methodological limitations. There is significant risk of harm inherent in exposing a child to the
homosexual lifestyle. Given the current body of evidence, the American College of Pediatricians believes
it is inappropriate, potentially hazardous to children, and dangerously irresponsible to change the age-old
prohibition on same-sex parenting, whether by adoption, foster care, or reproductive manipulation. This
position is rooted in the best available science."

For further information, visit this link to read New Lesbian Parenting Study Makes Claims Unsupported
by the Evidence, this article by Rick Fitzgibbons, MD, “Adoption Conundrums,” and this article by
Walter Schumm, “Not So Fast” at Mercatornet.com.

https://www.lifesitenews.com/news/opinion-new-lesbian-parenting-study-makes-claims-unsupported-by-the-evidenc
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De singularis alentejanus a 17.07.2017 às 23:33

Para já, não pratico nem tenho qualquer religão, e partilho da opinião do Dr. Gentil Martins. E de uma vez por todas e com todo o respeito pela maneira de ser e estar de cada um, deixem de chamar ao aparelhamento de duas pessoas do mesmo sexo, casamento, que tem origem em casal, que por sua vez se entende como a união entre pessoas de sexo diferente.
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De Manuel a 19.07.2017 às 14:01

Eu concordo com o doutor Gentil e não me considero homofóbico. Em primeiro lugar devo dizer que sou um ignorante como tantos outros, só que penso com a minha cabeça, portanto aqui vai a minha sentença:
Na natureza existem muiras espécies animais de reprodução sexuada com comportamentos homossexuais, mas exclusivamente homossexuais eu não conheço nem vejo como tal possa ser uma possibilidade natural. - E porquê?
Eu não percebo nada da poda, mas tenho noção de as espécies de reprodução sexuada geram vida através da mistura de material genético entre células chamadas de gâmetas. Ora, as gâmetas são diferentes, uma é o óvulo e a outra é o espermatozóide.
Vamos então lá ver o que se passa a seguir: o par de cromossomas X X define o sexo que vai assegurar a produção de gâmetas óvulos da espécie e por sua vez o par X Y vai assegurar a produção de gâmetas espermatozóides da espécie. A existência dos dois tipos de gâmetas assegura a reprodução e consequentemente a sobrevivência da espécie, caso assim não o fosse a homossexualidade teria de ter capacidade reprodutora ou então a espécie homossexual teria de ter alcançado a imortalidade para que de uma maneira ou de outra não se auto extinguisse.
Conclusão. Qualquer erro ou tentativa de alterar esta natureza é uma anomalia - uma anomalia da espécie.
Isto não deve ser utilizado para fazer política nem deve ser ofensivo para ninguém. Porque esta é a realidade e o restante é passa-tempo. Também realidade é que nenhum de nós é perfeito. Mas todos temos direito a viver felizes e em paz.
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De Vento a 20.07.2017 às 00:07

É uma perspectiva entre outras. Mas sejamos todos felizes.
No entanto é importante perceber como é que a suposta ciência determina situações (?), por vezes parecem ocorrer por votação.

Vejamos:
"According to the American Psychiatric Association, until 1974 homosexuality was a mental illness." (...)

"Then in 1970 gay activists protested against the APA convention in San Francisco. These scenes were repeated in 1971, and as people came out of the “closet” and felt empowered politically and socially, the APA directorate became increasingly uncomfortable with their stance. In 1973 the APA’s nomenclature task force recommended that homosexuality be declared normal. The trustees were not prepared to go that far, but they did vote to remove homosexuality from the list of mental illnesses by a vote of 13 to 0, with 2 abstentions. This decision was confirmed by a vote of the APA membership, and homosexuality was no longer listed in the seventh edition of DSM-II, which was issued in 1974."

"What’s noteworthy about this is that the removal of homosexuality from the list of mental illnesses was not triggered by some scientific breakthrough. There was no new fact or set of facts that stimulated this major change. Rather, it was the simple reality that gay people started to kick up a fuss. They gained a voice and began to make themselves heard. And the APA reacted with truly astonishing speed. And with good reason. They realized intuitively that a protracted battle would have drawn increasing attention to the spurious nature of their entire taxonomy. So they quickly “cut loose” the gay community and forestalled any radical scrutiny of the DSM system generally."

"The APA claimed that they made the change because new research showed that most homosexual people were content with their sexual orientation, and that as a group, they appeared to be as well-adjusted as heterosexual people. I suggest, however, that these research findings were simply the APA’s face-saver. For centuries, perhaps millennia, homosexual people had clung to their sexual orientation despite the most severe persecution and vilification, including imprisonment and death. Wouldn’t this suggest that they were happy with their orientation? Do we need research to confirm this? And if we do, shouldn’t we also need research to confirm that heterosexual people are happy with their orientation? And if poor adjustment is critical to a diagnosis of mental illness, where was the evidence of this that justified making homosexuality a mental illness in the first place?"


"So all the people who had this terrible “illness” were “cured” overnight – by a vote! I remember as a boy reading of the United Nations World Health Organization’s decision to eradicate smallpox. This was in 1967, and by 1977, after a truly staggering amount of work, the disease was a thing of the past. Why didn’t they just take a vote? Because smallpox is a real illness. The human problems listed in DSM are not. It’s that simple. You can say that geese are swans – but in reality they’re still geese."
Aqui:
http://behaviorismandmentalhealth.com/2011/10/08/homosexuality-the-mental-illness-that-went-away/

Tudo isto para dizer que a conclusão da APA (Associação Americana de Psiquiatria) em retirar a homossexualidade da lista de doenças mentais, segundo o autor, ocorre por votação e não por existência de novas evidências. Ela, a APA, segundo o autor do post, determina POR VOTAÇÃO a retirada da homossexualidade da lista de doenças mentais, mas não a considerou normal.

Estou em crer que esta matéria não pode ser deixada somente nas mãos da ciência, pois parece que ainda lhe falta autoridade.
Não obstante, o respeito pela dignidade da Pessoa Homossexual e Bissexual deve manter-se.
Nota: o post no Link foi publicado em 2011.

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De Anónimo a 20.07.2017 às 14:04

"retirar a homossexualidade da lista de doenças mentais, segundo o autor, ocorre por votação" E como é que havia de ser?
"sta matéria não pode ser deixada somente nas mãos da ciência, " E como é que fora das mãos da Ciência se decide sem ser por votação?
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De Vento a 20.07.2017 às 21:23

Por evidência e não por pressão. Não é isto que hoje clamam para abordar o tema da homossexualidade, a ciência? Mais acima mostrei um estudo científico, porque sistemático, sobre a questão da adopção e também sobre a homossexualidade.
A votação com a mudança overnight do que horas antes era uma doença para determinar que já não é mais, mas não a considerando normal, não ajuda a compreender e a estabelecer a relação com a diferença. A ter em conta como bom o que o autor refere retira credibilidade à ciência até mesmo para influenciar a relação amistosa entre as partes que compõe a sociedade.

Fora da ciência também não se decidir por votação, mas fazendo de várias maneiras para aproximar as pessoas. É o que pretendo fazer com a divulgação destas notícias. Outros terão outra metodologia.
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De Anónimo a 20.07.2017 às 11:32

Ser ignorante e pensar com a própria cabeça é mau. Convém primeiro informar-se do que pensam os outros.
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De Manuel a 20.07.2017 às 14:48

Sim, de acordo Anónimo. Mas pior é quem o é e não se toca (como dizem os brasileiros)
Agora, se me permitir, vamos nos tocar um pouco.
Este assunto é sem dúvida muito delicado e sensível, porque não vai muito longe o tempo em que o comportamento homossexual era considerado como sendo parafílico, ou que a homossexualidade fazia parte da lista de doenças mentais da OMS - creio que em 1990 ainda era assim - e daí para deixar de o ser, passar pelo casamento até à adopção foi tudo muito rápido.
A esta velocidade não estão dando tempo suficiente para sociedade sequer assimilar de maneira razoável todas estas mudanças culturais - como podem exigir que as aceitem?!
Há quem diga que a comunidade científica tem votado e aprovado estas matérias sem sequer as discutirem seriamente, que é uma hipótese que eu não descartararia caso quisesse abrandar o ritmo dos desenvolvimentos.
Seja como for, o facto é que uma parte da sociedade ainda não estava preparada para compreender estas novas convenções e, por aquilo que fui percebendo nas redes sociais nos últimos dias, ainda não está.
Mas agora há já outro fenómeno digno de registo. Acontece que todos os que não compreendem os novos alcances dos afectos da espécie estão sendo apontados, entre outras coisas, como homofóbicos (se calhar alguns até são). Ora, isto é quase o mesmo que dizer que todos os que ficaram retidos na educação que tiveram à luz das convenções e valores da época em que foram educados agora são os que possuem uma anomalia. E esta por sua vez parece já estar caminhando em via para ser transformada em crime.
Serei eu o único a achar que tudo isto está indo rápido demais?
De qualquer modo homofobia ainda não é crime, assim como qualquer outra convenção que só depois de estar consagrada na Lei é que passa a estar devidamente consumada.
Por outro lado, andarmos agora a discutir o tema homossexualidade e outros temos faturantes directamente relacionados é algo que me parece ser pouco ou nada edificante, pois teria sido muito mais produtivo se tivessem tido mais calma e tivessem discutido melhor estes assuntos antes de fazerem alterações desta natureza a este ritmo, como se as pessoas fossem máquinas modernas, sempre prontas para seu software estar em permanente actualização. Humano não é bicho irracional, mas também não é máquina.
O facto de andarmos agora a discutir o tema também nos diz que há muita gente desconfortável com as novas leis. Ou seja, deixamos de ter uma parte da sociedade desconfortável para outra passar a estar. De qualquer maneira, para os que agora estão desconfortáveis, já é tarde demais para se manifestarem, porque a roda da vida gira sempre no mesmo sentido.
Portanto agora o mais inteligente e sensato a fazer será todos aprenderem rapidamente a lição antes que um dia destes que comecam a levar a sério na cabeça.

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