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Fuga em massa

por Pedro Correia, em 12.10.17

 

Bimbo transfere sede espanhola de Barcelona para Madrid.

 

Freixenet prepara saída da Catalunha ainda este mês.

 

Cervejeira San Miguel ruma de Barcelona a Málaga.

 

Catala Occidente confirma transferência para Madrid.

 

Empresa proprietária da Cola Cao muda-se para Valência.

 

Grupo editorial Planeta instala-se em Madrid se houver independência.

 

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64 comentários

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De Nuno a 12.10.2017 às 12:01

Não esquecer que uma Catalunha independente sairá também de imediato do âmbito da Organização Mundial do Comércio.

Aliás, um estado que (no imediato) não será reconhecido por ninguém na comunidade internacional não será também parte de qualquer tratado internacional.

Os independentistas (ou melhor o grosso dos ingénuos apoiantes dos independentistas) ainda não perceberam umas quantas coisas.

A constituição não se aplica só ao governo regional, que aliás não a reconhece (e estará no seu direito, desde que seja consequente com isso). A constituição também (e sobretudo, porque é esse o objectivo primeiro das constituições democráticas) limita a margem de manobra do governo central. Não cabe a Rajoy aceitar ou negociar um referendo, ou a independência, porque a constituição não lho permite.

Mesmo que uma maioria dos espanhóis quisesse deixar a Catalunha sair, Espanha demoraria anos, talvez décadas, a poder reconhecer e digerir essa opção. E até a secessão ser encaixada no enquadramento jurídico espanhol qualquer cidadão contrário à mesma teria toda a legitimidade para a contestar judicialmente. E isto devia ser óbvio, nessa situação Espanha não pode assinar tratados de cooperação com o novo estado, etc.

O caminho para a independência até pode ser pacífico, mas nunca será fácil. E se o objectivo é estabelecer uma república democrática e não uma ditadura popular, é normal que àqueles que discordam dessa opção seja concedida, no mínimo dos mínimos, a oportunidade de sair.

Queixas de chantagem económica porque empresas e pessoas decidem livremente sair da Catalunha só demonstram a falta de espírito democrático dos apoiantes da independência.

A independência unilateral é isto: não espera nem conta com o apoio da outra parte. E, por isso, é naturalmente mais própria de povos que já não têm nada a perder.

Ambas as partes são responsáveis por pulverizar qualquer oportunidade de consenso. Só que dum lado está o status quo (que bem vistas as coisas, não é assim tão mau). Do outro está o abismo. Façam bom proveito.

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