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Fuga em massa

por Pedro Correia, em 12.10.17

 

Bimbo transfere sede espanhola de Barcelona para Madrid.

 

Freixenet prepara saída da Catalunha ainda este mês.

 

Cervejeira San Miguel ruma de Barcelona a Málaga.

 

Catala Occidente confirma transferência para Madrid.

 

Empresa proprietária da Cola Cao muda-se para Valência.

 

Grupo editorial Planeta instala-se em Madrid se houver independência.

 

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64 comentários

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De Pedro Correia a 12.10.2017 às 11:03

João, parece-me que terá menos a ver com a instabilidade política e social do que com o iminente corte umbilical entre a Catalunha e a União Europeia. Uma ruptura unilateral com Espanha condenará de imediato os catalães a permanecer largos anos fora da UE e da zona euro.
Terão de adoptar moeda própria: não é preciso ser vidente para prever, nesse cenário, uma gigantesca fuga de capitais. Cenário agravado pelo facto de o sector financeiro perder de imediato o acesso aos mecanismos de cooperação proporcionados pelo Banco Central Europeu. O que não sucederá se mantiver sede em território comunitário, o que serve para explicar por que motivo os bancos foram os primeiros a deslocar-se da Catalunha para outras regiões de Espanha.
Chamas - bem - a atenção para o porto de Barcelona, o terceiro maior da Europa em movimentação de mercadorias. A economia catalã depende em larga medida do sector exportador - e exporta 60% dos bens e serviços para a União Europeia.
A perda dos mercados comunitários é um pesadelo para qualquer responsável catalão, tanto ao nível empresarial como ao nível político. Isto explica as clivagens e fracturas que já se verificam na ala independentista, que está longe de ser um grupo homogéneo, ao contrário do que alguns por cá imaginam.
Outro pesadelo seria o do pagamento na nova divisa das dívidas e dos empréstimos contraídos em euros - o que não augura nada de bom para os contribuintes catalães.
Quem tanto se queixa agora de "subsidiar" os pobres da Andaluzia ou da Extremadura não tardaria a ter motivos muitos mais sérios para queixar-se.
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De Nuno a 12.10.2017 às 12:01

Não esquecer que uma Catalunha independente sairá também de imediato do âmbito da Organização Mundial do Comércio.

Aliás, um estado que (no imediato) não será reconhecido por ninguém na comunidade internacional não será também parte de qualquer tratado internacional.

Os independentistas (ou melhor o grosso dos ingénuos apoiantes dos independentistas) ainda não perceberam umas quantas coisas.

A constituição não se aplica só ao governo regional, que aliás não a reconhece (e estará no seu direito, desde que seja consequente com isso). A constituição também (e sobretudo, porque é esse o objectivo primeiro das constituições democráticas) limita a margem de manobra do governo central. Não cabe a Rajoy aceitar ou negociar um referendo, ou a independência, porque a constituição não lho permite.

Mesmo que uma maioria dos espanhóis quisesse deixar a Catalunha sair, Espanha demoraria anos, talvez décadas, a poder reconhecer e digerir essa opção. E até a secessão ser encaixada no enquadramento jurídico espanhol qualquer cidadão contrário à mesma teria toda a legitimidade para a contestar judicialmente. E isto devia ser óbvio, nessa situação Espanha não pode assinar tratados de cooperação com o novo estado, etc.

O caminho para a independência até pode ser pacífico, mas nunca será fácil. E se o objectivo é estabelecer uma república democrática e não uma ditadura popular, é normal que àqueles que discordam dessa opção seja concedida, no mínimo dos mínimos, a oportunidade de sair.

Queixas de chantagem económica porque empresas e pessoas decidem livremente sair da Catalunha só demonstram a falta de espírito democrático dos apoiantes da independência.

A independência unilateral é isto: não espera nem conta com o apoio da outra parte. E, por isso, é naturalmente mais própria de povos que já não têm nada a perder.

Ambas as partes são responsáveis por pulverizar qualquer oportunidade de consenso. Só que dum lado está o status quo (que bem vistas as coisas, não é assim tão mau). Do outro está o abismo. Façam bom proveito.
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De André Miguel a 12.10.2017 às 12:02

Pedro, só uma correcção: o Porto de Barcelona é o 3º maior de Espanha, não da Europa.
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De Pedro Correia a 12.10.2017 às 12:17

Especifico, André: é o terceiro porto mais produtivo da Europa.
http://news.portdebarcelona.cat/esp/noticia.php?id=253&p=

Em termos de carga movimentada, figura no 'top ten' da Europa:
http://damex.es/top-10-puertos-europa/
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De Vlad, o Emborcador a 12.10.2017 às 13:20

"A economia catalã depende em larga medida do sector exportador - e exporta 60% dos bens e serviços para a União Europeia.
A perda dos mercados comunitários é um pesadelo para qualquer responsável catalão, tanto ao nível empresarial como ao nível político."

Este mesmo argumento poderia ser usado contra a Inglaterra/BREXIT. Mas onde andam essas fugas massivas na City? Onde andam essas críticas dos fazedores de opinião contra o nacionalismo inglês? Talvez seja uma questão de tamanho. Só se bate nos mais pequenos.

Se a Catalunha gerar atractivos económicos os investidores estarão -se nas tintas se a Catalunha é República ou não. Assim como na Inglaterra.

Perda de atracção tem tido a UE, talvez devido à idade . A idade traz destas coisas. Impotência
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De João André a 13.10.2017 às 09:00

Quando estou a falar da estabilidade refiro-me ao momento actual. Se a Catalunha decidisse que declarava independência com efeito para daqui a 2 anos (por exemplo) para poder negociar a saída, isso significaria que ainda teria acesso à UE (por ser parte de Espanha) por esse período e todas essas empresas poderiam preparar a saída. Penso que aquilo que estão neste momento a fazer é sair já por causa do risco de instabilidade social, mais que uma saída real da UE por a Catalunha o fazer.

Há muito que vejo os calimeros catalães como os calimeros alemães que se queixam das transferências para a UE. Dizem que pagam mais do que recebem mas preferem ignorar activamente os benefícios que a incorporação lhes traz. A diferença é que os calimeros alemães são menos e, mesmo que aceitemos serem 12,6% (os votos na AfD, não traduzíveis dessa forma dado que muitos são anti-imigração e não reflectem necessariamente sentimentos anti-UE), não chegam aos 40% (mais ou menos) que existirão na Catalunha.

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