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Fuga em massa

por Pedro Correia, em 12.10.17

 

Bimbo transfere sede espanhola de Barcelona para Madrid.

 

Freixenet prepara saída da Catalunha ainda este mês.

 

Cervejeira San Miguel ruma de Barcelona a Málaga.

 

Catala Occidente confirma transferência para Madrid.

 

Empresa proprietária da Cola Cao muda-se para Valência.

 

Grupo editorial Planeta instala-se em Madrid se houver independência.

 

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64 comentários

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De Pedro Correia a 12.10.2017 às 09:20

É uma lei da física: quando a extrema-esquerda surge em cena, o capital ruma na direcção oposta.
É uma lei da geografia: não há Estado sem capital.
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De Vlad, o Emborcador a 12.10.2017 às 10:05

Fala de capital humano?
Quando o capital entra em cena a democracia sai de cena. O paraíso do capital são os regimes autoritários, sem greves e sindicatos nem salários mínimos ou direitos laborais. O quê também sucede o mesmo nos países ditos comunistas? Sim, sucede. Mas isso não implica a inverdade da primeira asserção.
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De Vlad, o Emborcador a 12.10.2017 às 10:06

A questão resume-se assim:

Podemos optar entre a ditadura do capital e a ditadura do proletariado . Cada um optará conforme o peso da sua carteira.
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De Pedro Correia a 12.10.2017 às 10:32

Você pode optar sempre pela ditadura do proletariado. Há voos diários para Pequim. Se acha muito mole a ditadura chinesa, há voos diários entre Pequim e Pyongyang.
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De Vlad, o Emborcador a 12.10.2017 às 10:43

Quem gosta de viajar para Pequim são os empresários. Parece que por lá o mercado é muito apetecível e a mão de obra pouco piegas
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De João André a 12.10.2017 às 10:44

Nem só Pedro. Aqui nem se pode dizer que seja só por isso. É o mesmo efeito que vai fazer muitas empresas fugirem de Londres e não se pode dizer que o Brexit seja a pedido de um descendente bastardo de Engels ou Marx.

É simples lógica: há instabilidade aqui, procuremos estabilidade noutro lado. E torna-se tanto mais fácil quanto, por enquanto, mudar de sede para outro lado de Espanha é mudar dentro do mesmo país (no caso do Brexit seria mudar para outro).

E ainda estou para ver as reacções se isto continuar e os navios começarem a não atracar no porto de Barcelona...
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De Pedro Correia a 12.10.2017 às 11:03

João, parece-me que terá menos a ver com a instabilidade política e social do que com o iminente corte umbilical entre a Catalunha e a União Europeia. Uma ruptura unilateral com Espanha condenará de imediato os catalães a permanecer largos anos fora da UE e da zona euro.
Terão de adoptar moeda própria: não é preciso ser vidente para prever, nesse cenário, uma gigantesca fuga de capitais. Cenário agravado pelo facto de o sector financeiro perder de imediato o acesso aos mecanismos de cooperação proporcionados pelo Banco Central Europeu. O que não sucederá se mantiver sede em território comunitário, o que serve para explicar por que motivo os bancos foram os primeiros a deslocar-se da Catalunha para outras regiões de Espanha.
Chamas - bem - a atenção para o porto de Barcelona, o terceiro maior da Europa em movimentação de mercadorias. A economia catalã depende em larga medida do sector exportador - e exporta 60% dos bens e serviços para a União Europeia.
A perda dos mercados comunitários é um pesadelo para qualquer responsável catalão, tanto ao nível empresarial como ao nível político. Isto explica as clivagens e fracturas que já se verificam na ala independentista, que está longe de ser um grupo homogéneo, ao contrário do que alguns por cá imaginam.
Outro pesadelo seria o do pagamento na nova divisa das dívidas e dos empréstimos contraídos em euros - o que não augura nada de bom para os contribuintes catalães.
Quem tanto se queixa agora de "subsidiar" os pobres da Andaluzia ou da Extremadura não tardaria a ter motivos muitos mais sérios para queixar-se.
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De Nuno a 12.10.2017 às 12:01

Não esquecer que uma Catalunha independente sairá também de imediato do âmbito da Organização Mundial do Comércio.

Aliás, um estado que (no imediato) não será reconhecido por ninguém na comunidade internacional não será também parte de qualquer tratado internacional.

Os independentistas (ou melhor o grosso dos ingénuos apoiantes dos independentistas) ainda não perceberam umas quantas coisas.

A constituição não se aplica só ao governo regional, que aliás não a reconhece (e estará no seu direito, desde que seja consequente com isso). A constituição também (e sobretudo, porque é esse o objectivo primeiro das constituições democráticas) limita a margem de manobra do governo central. Não cabe a Rajoy aceitar ou negociar um referendo, ou a independência, porque a constituição não lho permite.

Mesmo que uma maioria dos espanhóis quisesse deixar a Catalunha sair, Espanha demoraria anos, talvez décadas, a poder reconhecer e digerir essa opção. E até a secessão ser encaixada no enquadramento jurídico espanhol qualquer cidadão contrário à mesma teria toda a legitimidade para a contestar judicialmente. E isto devia ser óbvio, nessa situação Espanha não pode assinar tratados de cooperação com o novo estado, etc.

O caminho para a independência até pode ser pacífico, mas nunca será fácil. E se o objectivo é estabelecer uma república democrática e não uma ditadura popular, é normal que àqueles que discordam dessa opção seja concedida, no mínimo dos mínimos, a oportunidade de sair.

Queixas de chantagem económica porque empresas e pessoas decidem livremente sair da Catalunha só demonstram a falta de espírito democrático dos apoiantes da independência.

A independência unilateral é isto: não espera nem conta com o apoio da outra parte. E, por isso, é naturalmente mais própria de povos que já não têm nada a perder.

Ambas as partes são responsáveis por pulverizar qualquer oportunidade de consenso. Só que dum lado está o status quo (que bem vistas as coisas, não é assim tão mau). Do outro está o abismo. Façam bom proveito.
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De André Miguel a 12.10.2017 às 12:02

Pedro, só uma correcção: o Porto de Barcelona é o 3º maior de Espanha, não da Europa.
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De Pedro Correia a 12.10.2017 às 12:17

Especifico, André: é o terceiro porto mais produtivo da Europa.
http://news.portdebarcelona.cat/esp/noticia.php?id=253&p=

Em termos de carga movimentada, figura no 'top ten' da Europa:
http://damex.es/top-10-puertos-europa/
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De Vlad, o Emborcador a 12.10.2017 às 13:20

"A economia catalã depende em larga medida do sector exportador - e exporta 60% dos bens e serviços para a União Europeia.
A perda dos mercados comunitários é um pesadelo para qualquer responsável catalão, tanto ao nível empresarial como ao nível político."

Este mesmo argumento poderia ser usado contra a Inglaterra/BREXIT. Mas onde andam essas fugas massivas na City? Onde andam essas críticas dos fazedores de opinião contra o nacionalismo inglês? Talvez seja uma questão de tamanho. Só se bate nos mais pequenos.

Se a Catalunha gerar atractivos económicos os investidores estarão -se nas tintas se a Catalunha é República ou não. Assim como na Inglaterra.

Perda de atracção tem tido a UE, talvez devido à idade . A idade traz destas coisas. Impotência
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De João André a 13.10.2017 às 09:00

Quando estou a falar da estabilidade refiro-me ao momento actual. Se a Catalunha decidisse que declarava independência com efeito para daqui a 2 anos (por exemplo) para poder negociar a saída, isso significaria que ainda teria acesso à UE (por ser parte de Espanha) por esse período e todas essas empresas poderiam preparar a saída. Penso que aquilo que estão neste momento a fazer é sair já por causa do risco de instabilidade social, mais que uma saída real da UE por a Catalunha o fazer.

Há muito que vejo os calimeros catalães como os calimeros alemães que se queixam das transferências para a UE. Dizem que pagam mais do que recebem mas preferem ignorar activamente os benefícios que a incorporação lhes traz. A diferença é que os calimeros alemães são menos e, mesmo que aceitemos serem 12,6% (os votos na AfD, não traduzíveis dessa forma dado que muitos são anti-imigração e não reflectem necessariamente sentimentos anti-UE), não chegam aos 40% (mais ou menos) que existirão na Catalunha.
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De Vlad, o Emborcador a 12.10.2017 às 12:34

A/C João

Umas das curiosidades da democracia é que são economicamente menos eficientes do que as ditaduras. Há sindicatos, leis de proteção no trabalho, segurança social, leis de proteção do ambiente, acordos de concertação social. ...Ou seja os conflitos são permitidos .
É por isso que em nome da economia se assiste a uma "chinesização " do mundo. A explicação é sempre a mesma. "Ou mudam, ou nós mudamos. Vejam a Índia e a China "

E para a autodeterminação de um povo a independência económica não é critério, segundo a carta de Direitos Humanos das NU.

"Em todo o caso, é óbvio que nunca poderá ser uma qualquer ideia de auto-suficiência económica a determinar um qualquer “direito à independência” - o que seria de grande parte dos estados no Mundo se assim fosse, num contexto de quase absoluta interdependência? Ainda não chegámos ao ponto de fazer depender a independência de um sólido estatuto de credor avalizado pelas agências de rating..."
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De João André a 13.10.2017 às 09:04

Não vejo como retira essa opinião. O crescimento da China pode dar essa impressão, mas estavam numa base tão baixa quando decidiram aceitar o "um país dois sistemas" de Xiaoping que ainda estão longe de grandes eficiências. Tanto quanto vejo, as democracias continuam a ser mais eficientes que qualquer ditadura. Basta olhar para EUA, Alemanha, Reino Unido, etc. Não são perfeitas, claro, mas nem me vou dar ao trabalho de citar Churchill. Tenho a certeza que me compreende.

Nunca advoguei que a independência económica seja necessária para decidir a independência real. Apenas advogo que convém olhar para as consequências da independência. Se as pessoas não estão informadas nem compreendem as consequências reais da independência como é possível que decidam em verdadeira liberdade?
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De Vlad, o Emborcador a 13.10.2017 às 14:10

"nem me vou dar ao trabalho de citar Churchill. Tenho a certeza que me compreende."

Refere-se a esta citação :
The best argument against democracy is a five-minute conversation with the average voter.

Ou a esta:

Churchill has been criticised for advocating the use of chemical weapons - primarily against Kurds and Afghans.
"I cannot understand this squeamishness about the use of gas," he wrote in a memo during his role as minister for war and air in 1919.
"I am strongly in favour of using poisoned gas against uncivilised tribes," he continued.


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