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Figura internacional de 2017

por Pedro Correia, em 04.01.18

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DONALD TRUMP 

É a chamada figura incontornável. Pelo segundo ano consecutivo, o magnata nova-iorquino foi eleito Figura Internacional do Ano. Em 2016, o destaque deveu-se ao facto de ter sido eleito para a Casa Branca, derrotando a favorita, Hillary Clinton, e surpreendendo a grande maioria dos analistas políticos. Desta vez justifica-se por ter iniciado o mandato, a 20 de Janeiro.

Um mandato muito polémico desde o primeiro dia, marcado por um cortejo de demissões de figuras relevantes na administração Trump. A 21 de Julho demitiu-se o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer. Dez dias depois, saía o recém-entrado director de comunicação, Anthony Scaramucci. O anterior, Mike Dubke, abandonara funções em Maio. Também em Julho, o Presidente perdeu o seu chefe de gabinete, Reince Priebus, e viu partir o director do gabinete de ética, Walter Shaub. Em Fevereiro, exonerara o conselheiro de segurança, Michael Flynn, que só esteve um mês em funções. Outro conselheiro, Ezra Cohen-Watnick, foi demitido em Agosto. O secretário da Saúde, Tom Price, viu-se forçado a resignar em Setembro. No fim do ano, anunciava-se a saída de Omarosa Manigault-Newman, directora de comunicação com o público da Casa Branca e a mais destacada afro-americana do Executivo.

Também na frente legislativa Trump encontrou dificuldades. Só em Dezembro conseguiu a primeira vitória no Congresso, apesar de contar com maioria republicana nas duas câmaras do Capitólio, ao ver aprovada a prometida reforma tributária - primeira em 30 anos. Mas enfrentou oposição firme à reversão da reforma sanitária realizada pelo antecessor, Barack Obama. Em compensação, a economia continuou na rota do crescimento: 3,2%, no terceiro trimestre de 2017, com o desemprego a registar os números mais baixos em 17 anos.

Na frente externa, Trump desencadeou coros de críticas ao anunciar o fim da vinculação dos EUA ao acordo de Paris sobre as alterações climáticas, acentuou o isolacionismo da sua administração ao retirar o país da Unesco e enfureceu o mundo árabe ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em flagrante colisão nesta matéria com os parceiros europeus de Washington e os restantes membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Rússia e China.

Tudo isto num ano marcado por intensas disputas verbais entre o inquilino da Casa Branca - activíssimo no Twitter, rede social onde funciona como cabeça de cartaz à escala global - e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un. «É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos EUA. Vai enfrentar fogo e fúria como o mundo nunca viu», assegurou Trump, em Agosto. Agindo cada vez mais como um elefante nessa vasta loja de porcelana que é a cena política internacional.

 

O líder norte-americano recebeu dez dos 24 votos nesta eleição do DELITO. Na segunda posição, com seis votos, ficou o Presidente francês, Emmanuel Macron, que em 2017 se impôs aos candidatos da esquerda e da direita clássicas na primeira volta da corrida ao Palácio do Eliseu, esmagando na segunda volta, a 7 de Maio, a sua opositora, Marine Le Pen, representante da Frente Nacional. Recolheu dois terços dos sufrágios nas presidenciais e não tardou a fundar um movimento, a República em Marcha, que em Junho conquistou 350 dos 577 assentos parlamentares.

O terceiro lugar do pódio, com cinco votos, coube ao Presidente chinês, Xi JInping, que em 2017 reforçou consideravelmente o seu poder, consolidando a posição da China na cena mundial.

Houve ainda votos solitários no deposto ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, no movimento feminista #metoo e na ucraniana Anna Muzychuk, que perdeu o estatuto de dupla campeã mundial de xadrez ao recusar a participação no campeonato do mundo da modalidade, disputado em 2017 na Arábia Saudita. Em nome da defesa dos direitos das mulheres, reprimidos neste país.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

Figura internacional de 2016: Donald Trump

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20 comentários

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De Beatriz Santos a 04.01.2018 às 07:38

Julgo que tenho até vergonha desta figura. E que ela ombreie com o papa Francisco ainda mais. Destacar sem valor humanitário não me merece aplauso. Mas é fora de dúvida que a personagem se destaca. Quase diariamente.
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De Pedro Correia a 04.01.2018 às 11:48

A chamada figura incontornável.
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De Luís Lavoura a 04.01.2018 às 09:38

Escolhas erradas nos dois primeiros lugares, fruto de uma visão centrada no "Ocidente". Trump não fez nada e Macron fez muito pouco. A pessoa do ano foi o presidente chinês.
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De Pedro Correia a 04.01.2018 às 11:47

Erro seu. O sistema chinês, em função da sua cultura milenar e da ideologia comunista dominante no país desde 1949, é colectivista: o indivíduo tem sempre um papel muito menos relevante do que no Ocidente.
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De lucklucky a 04.01.2018 às 10:18

Mais uma vez temos a linguagem como obstáculo.

"Enfrentou dificuldades" "oposição firme"

com Obama a narrativa seria :

Obstrução dos Republicanos.


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De Pedro Correia a 04.01.2018 às 11:48

Nem um assessor do próprio Trump faria as observações que você faz.
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De lucklucky a 04.01.2018 às 13:24

Uma pena.

Quando se lê jornais desde criança e se passava as tardes depois da escola a ler todos os jornais vespertinos e depois os outros os truques da linguagem saltam à vista.

Esqueci-me da palavra "Intransigência" também ela muito em voga até há pouco .

seria: Obstrução e Intransigência dos Republicanos.

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De lucklucky a 04.01.2018 às 13:31

Já agora:
https://danieljmitchell.wordpress.com/2018/01/02/restricting-the-deduction-for-state-and-local-taxes-is-a-big-expletive-deleted-deal/

É uma pena que Trump só conseguiu parcialmente parar a jogada.
Em Portugal é aliás condição natural só com mínima responsabilidade local pelos impostos.
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De Pedro Correia a 04.01.2018 às 15:10

Se nem os republicanos estão com o Presidente republicano, como você reconhece, o fracasso da administração Trump neste primeiro ano é ainda mais notório.
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De lucklucky a 04.01.2018 às 17:18

Leia o link antes de dizer isso - o artigo tem também outros links bem interessantes. E pergunte-se porque o Governador Cuomo de Nova Iorque e muitos outros Democratas estão muito inconfortáveis.

Republican state Sen. Jeff Stone of Temecula put it this way after Trump unveiled his proposal last week: “For years, the Democrats who raise our taxes in California have said, ‘Don’t worry. The increase won’t matter all that much because tax increases are deductible.’” Trump’s plan, Stone continued, “seems to finally force states to be transparent about how much they actually tax their own residents.”

ou
During the recession in 2008, for example, a 3.7% dip in the California economy resulted in a 23% nosedive in state revenue. The revenue stream has become unreliable because it depends too heavily on high-income earners, especially their capital gains.



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De Vlad, o Emborcador a 04.01.2018 às 20:05

"seems to finally force states to be transparent about how much they actually tax their own residents.”

Trump Says His Tax Plan Won't Benefit the Rich—He's Exactly Wrong

https://www.google.pt/amp/s/www.theatlantic.com/amp/article/541584/

Clarinho.

"The revenue stream has become unreliable because it depends too heavily on high-income earners, especially their capital gains."

Quem provocou a crise? Precisamente os high income earnres



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De Vlad, o Emborcador a 04.01.2018 às 22:04

O antigo conselheiro e estratega do presidente dos Estados Unidos, Steve Bannon, diz que a reunião do filho de Donald Trump com russos foi uma "traição anti-patriótica". Steve Bannon acusa ainda o filho e o genro do presidente de lavagem de dinheiro

Como é mesmo aquele adagio popular?!!

....high-income earners, especially their capital gains (os ganhos em produtos estruturados, como os créditos subprime)
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De Maria Dulce Fernandes a 04.01.2018 às 12:28

E de um dia para o outro os USA passaram a ser o maior reality-show do Mundo, com o prepotente apresentador a uma cabeça de dedo de distância dos botõezinhos que podem rebentar connosco. O "you're fired" tornou-se uma realidade e aprendemos que alternative facts podem fazer parte de uma dimensão paralela onde vivem os sTrumpers e explicam tudo o que nós, os comuns mortais que não ascendemos à deidade, não conseguimos perceber , devido aos padrões morais pelos quais nos regemos. Deviam ter-lhe dado um Emmy para brincar e nada disto teria acontecido.
Podemos voltar a falar de bipolarização nuclear ? Pois, talvez, pois nunca se saberá verdadeiramente o que o poderio bélico que o outro Trump, o do reino do espelho em que tudo está às avessas, poderá alcançar.
Dois fedelhos poderosos a medir tamanhos e o resto do mundo a assistir arrepiado e com o credo na boca.
E de um dia para o outro os americanos apesar dos números positivos para alguns, viram-se a braços com uma crise anunciada , mas a contricção veio tarde e foi sufocada. Usou-se o terror externo como arma quando , quanto a terror, se impõe a maior introspecção de sempre.
Pode ser que a história ainda venha a reconhecer Trump como um grande presidente, mas tenho para mim que será o George III dos USA.
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De Vlad, o Emborcador a 04.01.2018 às 12:50

"3,2%, no terceiro trimestre de 2017, com o desemprego a registar os números mais baixos em 17 anos."

Contudo com os cortes nos apoios sociais e com o tipo de emprego criado por via da nova fiscalidade o risco de pobreza paradoxalmente subiu.

"One of the overriding concerns however is the enormous impetus given to income and wealth inequality by the proposed reforms. While most other nations, and all of the major international institutions such as the OECD, the World Bank, and the IMF have acknowledged that extreme inequalities in wealth and income are economically inefficient and socially damaging, the tax reform package is essentially a bid to make the US the world champion of extreme inequality. As noted in the World Inequality Report 2018, in both Europe and the US the top 1% of adults earned around 10% of national income in 1980. In Europe that has risen today to 12%, but in the US it has reached 20%. In the same time period in the US annual income earnings for the top 1% have risen by 205%, while for the top 0.001% the figure is 636%."

http://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=22533&LangID=E

Trump apenas mudou o tipo de pobres. De desempregados passaram a empregados.
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De Pedro Correia a 04.01.2018 às 15:07

Isso equivale às críticas da oposição portuguesa às cativações do ministro Centeno, pondo em causa os dados macroeconómicos do País em 2017.
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De Vlad, o Emborcador a 04.01.2018 às 16:06

Pedro, isso dos dados macro, do Orçamento português, são tudo números cozinhados....Veja a Parpublica e as vendas que o Estado faz a si próprio, para mascarar deficits (como os fundos privados de pensões)....e outras manigâncias do mesmo género (Swaps, que não entram como divida orçamental)....a acabar com as PPP´s (com rendas crescentes até 2020)....tudo aldrabices....ninguém sabe o deficit real das empresas publicas municipais....ninguém sabe o real valor da divida....

Não sei o critério de não estar desempregado, mas na UE esse critério é de fazer chorar...basta trabalhar um par de horas/semana para não estar desempregado....não é sério!!....come-se o quê? Vive-se como?

Estar empregado é ser economicamente independente - em Portugal é ganhar 642€/mês (mínimo de sobrevivência)...qualquer pessoa que ganhe menos que isto "não" está empregado.
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De Vlad, o Emborcador a 04.01.2018 às 16:20

Pedro, não são só as cativações....aumento do azeite, pão, ovos... (cabaz alimentar), energia....

Isto tudo bem apertado, não representa quaisquer tipo de aumentos líquidos salariais...contudo esta estratégia é mais inteligente do que ir aos ordenados/IRS...nota-se menos. Ou nota-se apenas no final/meio do mês---"olha, já não tenho guito!!! Não dei conta!!!"
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De Octávio dos Santos a 05.01.2018 às 12:29

Os comentários que deixei no texto do João André...

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-ano-de-trumpismo-9800613?thread=74740389#t74740389

... também podem servir neste - que, porém e felizmente, não tem as... «inexactidões» do de JA. Embora, Pedro, tenha algumas dúvidas quanto à expressão «reforma sanitária», apesar de não ser incorrecta... ;-)
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De Pedro Correia a 08.01.2018 às 23:48

"Reforma sanitária" não me parece mal.

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