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Facto internacional de 2017

por Pedro Correia, em 09.01.18

CATALUNYA[1].jpg

 

 

CRISE SEPARATISTA NA CATALUNHA

Catalunha dominou grande parte do ano informativo em termos internacionais, sobretudo a partir de Setembro, quando o Parlamento autonómico catalão aprovou a "lei da desconexão", com os votos favoráveis das forças separatistas regionais, num arco ideológico que ia da direita nacionalista à extrema-esquerda anticapitalista, apenas unidas na necessidade de acelerar o corte dos laços políticos com Madrid.

O processo desembocou na convocação de um referendo ilegal para validar o processo de independência unilateral, convocado pelos separatistas à margem da Constituição e contra o parecer expresso de todas as instituições do Estado espanhol - Rei, Governo, Senado, Câmara dos Deputados, Tribunal Constitucional e tribunal comuns. Realizada a 1 de Outubro, sem campanha eleitoral, sem cadernos eleitorais credíveis e sem mecanismos independentes de verificação dos resultados, a consulta não foi reconhecida pela comunidade internacional.

As semanas que se seguiram foram alucinantes: declaração unilateral da independência em Barcelona (10 de Outubro), logo seguida da suspensão dos efeitos do acto separatista, aprovação por ampla maioria no Senado espanhol do artigo 155.º da Constituição que revogou a autonomia, convocação de eleições antecipadas na Catalunha para 21 de Dezembro, fuga para Bruxelas do presidente cessante do Governo regional, Carlos Puigdemont, acusado - tal como outros ex-membros do executivo - de rebelião, sedição e peculato pela justiça espanhola.

As eleições de Dezembro deram pela primeira vez a vitória a uma força não-nacionalista, o Cidadãos. Os separatistas, sem maioria do voto popular, mantiveram no entanto a maioria dos lugares no Parlamento autonómico. Mas nenhum dos seus dirigentes máximos tem condições para formar Governo: Puigdemont, líder do Juntos Pela Catalunha, permanece refugiado na Bélgica e Oriol Junqueras, líder da Esquerda Republica, encontra-se detido às ordens da justiça espanhola.

 

A crise catalã, muito longe de estar resolvida, foi o acontecimento do ano para o DELITO DE OPINIÃO, merecendo 11 dos 21 votos referentes ao Facto Internacional de 2017.

Em segundo lugar, com seis votos, ficou o início da presidência Trump, outro dos factos mais relevantes do ano que passou em termos internacionais.

Registaram-se ainda votos isolados na fundação do movimento #metoo, no êxodo forçado do povo roínguia na Birmânia, no puritanismo macartista travestido de "progresso" e nos sinais de esperança na luta contra a corrupção, o nepotismo e o branqueamento de capitais.

Perspectivas plurais num mundo sempre turbulento.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do "Estado Islâmico"

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados

Facto internacional de 2016: Brexit 

 

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7 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 10.01.2018 às 08:43

Agora é sério :

Facto Propagandístico de 2017 :

Catalunha.

Facto internacional de 2017:

Coreia do Norte como potência nuclear.
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De Pedro Correia a 10.01.2018 às 10:56

Facto internacional de 2017: o movimento independentista da Tabárnia. Contra o jugo opressor catalão.
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De Anónimo a 10.01.2018 às 13:09

Se o Luxemburgo do Sr. Juncker é independente, não sei porque é que "Tabarnia" não poderá ser. Desde que essa seja a vontade dos seus cidadãos.
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De Pedro Correia a 10.01.2018 às 16:21

Livre e independente. Soberania nacional para a Tabárnia. Já!
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De Vlad, o Emborcador a 10.01.2018 às 08:53

sinais de esperança na luta contra a corrupção, o nepotismo e o branqueamento de capitais.

Parole, parole.....

Os lucros das maiores empresas triplicaram em termos reais entre 1980 e 2013, de 2 biliões para 7.1 biliões de dólares, afirma a Oxfam, citando números do McKinsey Global Institute, para em seguida acusar os offshores de serem responsáveis pelo facto de esse aumento não se ter traduzido na correspondente subida da receita fiscal paga pelas empresas no mesmo período. - a malta paga! !

Lista encabeçada pelas ilhas Bermudas, as ilhas Caimão, a Holanda, Suíça, Luxemburgo, Irlanda, Malta, Ilhas Virgens. Ou seja, para além de quatro países da União Europeia, outros quatro territórios da lista estão sob domínio britânico, embora o Reino Unido não figure na lista.
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De Anónimo a 11.01.2018 às 13:11

No entanto, o Reino Unido pode para lá caminhar no futuro. Um dos principais motivos pelo qual boa parte da direita britânica apoiou o Brexit foi para transformar o Reino Unido num paraíso fiscal.
Só que a jogada de Theresa May de convocar eleições antecipadas correu mal e acabou a perder a maioria absoluta.

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