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Exemplo de ser português

por Luís Naves, em 07.06.17

Li na imprensa que um homem foi detido e levado a tribunal por furtar um saco de morangos no valor de 2,5 euros. Isto aconteceu no mesmo país onde se reclamam inocentes todos os banqueiros que estoiraram com bancos inteiros e ainda governantes que se governaram em contas bancárias de milhões que não estavam em seu nome, sem falar nos gestores cujas empresas têm lucros garantidos à custa do bolso de todos, mediante leis devidamente fabricadas para o efeito, pois esfolar legalmente um país inteiro não é crime.

Este é o mesmo país onde vão presos ladrões de morangos e ficam à solta os benfeitores que nos roubem a valer; um país que se habituou aos grandes ladrões a quem chama doutores, mas que não tolera o pequeno furto de morangos feito por amadores; boa pátria para quem a desfruta, mas de mão pesada para quem cobiçar fruta, ou neste caso, o fruto acessório agregado, o que a botânica diz que um morango é.

Pois neste país tudo pode ser, no fundo, acessório agregado, se visto do ponto de vista das elites que nos sacam, retirando as partes carnudas do corpo da nação sem que isso constitua furto ou delito, o mesmo não se dizendo para quem de repente, saltando uma simples vedação, levar um saco com morangos que, sendo propriedade privada, merece exemplar repressão, enfim, para dar o exemplo sem explicar os porquês. O exemplo de quem pode mandar e o exemplo de quem deve obedecer, de quem tem e de quem deve. Um exemplo, enfim, de ser português.

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6 comentários

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De Einstürzende Neubauten a 07.06.2017 às 12:23

"Justiça é como uma teia de aranha,
os pequenos insetos ficam presos,
os grandes atravessam-na"

Sarkozy, ilibado de abuso de confiança no caso Bettencourt
Nicolas Sarkozy fora acusado em março 2010 por abuso de confiança em relação à herdeira do gigante dos cosméticos L'Oreal, no quadro de uma investigação sobre o possível financiamento ilegal do seu partido, a UMP

O caso foi desencadeado pela ex-contabilista da família Bettencourt, que declarou à polícia em julho de 2010 que Patrice Maistre, antigo homem de confiança dos Bettencourt, lhe tinha pedido 150 mil euros em dinheiro para entregar a Eric Woerth, na altura tesoureiro da campanha de Nicolas Sarkozy.
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De Justiniano a 07.06.2017 às 15:26

Depende do crivo, ò meu caro Eins.!! Se a malha for, assim, mais larga, passa a sardinha e só se apanha a pescada de calibre, claro está!!

Eu tenho um cisma de princípio com as bagatelas penais!! Não aprecio a doutrina! A reacção contra-fáctica da lei penal é essencial na reafirmação dos bens jurídicos, ainda que a agressão seja de baixa intensidade!! Deixadas incólumes, facilmente se converteriam em subversão ética, transformando a vida em comunidade num inferno, especialmente quanto aos crimes contra o património!! Dir-me-á que, por vezes, a mera presença, do autor, perante o sistema formal de justiça assegura as necessidades de prevenção geral! É possível que em certa medida, mas a valoração fundamental queda-se um tanto ou quanto desarmada!!
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De Julianna a 07.06.2017 às 12:46

Enquanto as elites tomam parte na vanguarda dos acontecimentos, o povo toma na retaguarda.
(frase do livro "desaforismos" de Georges Najjar Jr)
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De JSP a 07.06.2017 às 13:15

Para queimar "étapes" : percebo perfeitamente que Isaltino de Morais volte a candidatar-se por Oeiras...
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De Vento a 07.06.2017 às 14:08

Precisamente pela lei ser cega, e fazer cegos todos os demais, eu defendo que se crie uma corporação de pessoas dedicadas aos pequenos delitos quer de bens perecíveis quer de não perecíveis.
Vamos lá ver o porquê de eu defender isto.

Portugal indica ser um país de megalómanos, aplicando-se esta megalomania à percepção sobre a democracia.
Explico:
O regime salazarista era afectivamente e efectivamente corporativista. E também se sabe que Portugal é muito ligado às suas tradições, onde se inclui o comer bem, melhor dito, comer muito.
Portanto, a transição que se operou com o 25 de Abril revelou-nos, no seguimento da boa tradição, que houve um significativo aumento das corporações. E precisamente por se ter aumentado esse número fica-se com a percepção que a democracia existe.

Ora bem, tudo isto para dizer que ao defender a constituição de uma corporação de pessoas dedicadas aos pequenos delitos estou a pensar na criação da possibilidade de existir uma força que em concertação social pudesse transformar em legal o que é ilegal. Concomitantemente este poder reivindicativo permitiria uma significativa redução da criminalidade, pois estes outrora delituosos estariam somente a aplicar a lei e a agir em função da legalidade.
Assim sim, estou de acordo que se cumpra com a lei: a igualdade de oportunidades para todos e o cumprimento da lei Universal de acesso a uma boa alimentação. Poderia dar-se a esta nova oportunidade o nome de Lei da Alavancagem Social.
Ficaria assim cumprido o caminho para a Paz Social e ninguém poderia afirmar que o sentimento de poder exerce-se a todos os níveis, pois tudo passaria por uma boa negociação. Onde há negociação e acordo não há poder.
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De rão arques a 07.06.2017 às 14:51

Leis à medida feita por deputados que não elegemos. A prioridade habilidosa é fazerem leis que protejam os interesses ainda que obscuros de grupos a que continuam grudados.

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