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Europa, Europa

por Luís Naves, em 03.03.17

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A Comissão Europeia (o seu presidente, Jean-Claude Juncker) publicou esta semana um documento de reflexão sobre o futuro da Europa a 27, o chamado Livro Branco, que pretende balizar a discussão sobre o formato da UE em 2025. É um relatório muito relevante e recomendo a sua leitura. Infelizmente, os dirigentes que levaram a Europa a uma situação periclitante são os mesmos que querem agora controlar o debate sobre o que deve acontecer dentro de nove anos, questão que seria conveniente deixar para a próxima geração de políticos.

No documento do presidente da Comissão são incluídos cinco cenários de futuro: um de continuidade (como se fosse possível); outro de recuo para o mercado único (defendido pelos britânicos, está excluído pelo Brexit); o terceiro, de avanço mais rápido para uma vanguarda de países (possível); o quarto, visando a definição de ambições e o reforço da integração nesse núcleo central de problemas; o quinto, claramente federalista, prevendo, entre outras inovações, a união europeia de defesa, expansão significativa do orçamento comunitário e coordenação em questões sociais.

O que se pode criticar no documento não é a definição de cinco cenários, mas o que a Comissão decidiu escrever sobre cada um deles. Leia-se com atenção o texto, sobretudo a tabela da página 29, e percebemos o que Bruxelas pretende defender, ou seja, o cenário cinco, que lhe dará mais poder, do qual se pode recuar para o quatro, e deste para o três, se for impossível convencer a opinião pública. Os outros dois cenários estão lá só para decoração.

Na hipótese federal, com título inócuo de ‘fazer muito mais todos juntos’, o resultado é fantástico ou, na pior das hipóteses, idêntico ao cenário 4, à excepção da capacidade de realização, que é afinal uma função da vontade política. Se caminhar para o cenário 5 ou 4, a UE manterá o exclusivo dos acordos comerciais e terá normas europeias nas áreas onde estas ainda não existam (energia, trabalho, serviços); haverá uma agência comum para gerir os pedidos de asilo e um fundo monetário europeu controlado pelo parlamento; a união económica e monetária será concluída (acabando de vez com a autonomia orçamental dos países), o orçamento da UE será reforçado; enfim, teremos uma só voz na política externa, guardas de fronteira europeus, até talvez defesa comum.

Não sei em que bolha habitam estes políticos, mas não devem estar atentos às eleições francesas. Considerando as sondagens sobre a primeira volta, 40% do eleitorado prepara-se para votar em candidatos (Le Pen e Mélenchon) que defendem a saída do euro; na Holanda, a proporção não é muito inferior.

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9 comentários

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De lucklucky a 03.03.2017 às 20:18

Os Unionistas continuam a usurpar a palavra Europa para os seus propósitos de manipularem a narrativa.
E da União que se fala não da Europa.
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De JS a 04.03.2017 às 09:22

Esta construção não resultou, nem podia resultar. Por um lado funcionários burocratas, em roda livre, obviamente interessados nas suas carreiras e reformas.
Por outro políticos apenas preocupados em sobreviver às suas díspares agendas eleitorais.
Frizar esta evidência, há uns anos atráz, era uma blasfémia.
Por fim o merdoso estretor de Juncker é a demonstração do por ali ainda se passa.
Circunstâncias que não propiciaram uma minimamente razoável construção irão auto-corregir-se ?. Lirismo.
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De lucklucky a 04.03.2017 às 12:15

Com regimes populistas e governos populistas como o nosso que vivem da dívida que substitui em parte a especulação financeira das desvalorizações obviamente que a coisa iria falhar.
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De isa a 03.03.2017 às 20:31

"Não sei em que bolha habitam estes políticos"
Não acredito que não saiba

Eu então não percebo como é que ainda há cidadãos neste Mundo que ainda acreditam em políticos
Escravos que gostam de ser escravos vitaliciamente, o pior é quererem que os outros também o sejam, uma mais valia que sai de borla para os dos triliões escravos a controlarem escravos, não vão alguns, ter ideias "fora da caixa" e, assim, têm mantido o Mundo debaixo de guerras, medo, rédea curta, cada vez mais impostos, não só maiores mas, daqui a nada sobre Tudo (qualquer dia até pagamos para respirar) ou seja, imprimem dinheiro do ar e passam a ter bens reais a nível global porque, depois de terem acabado com o padrão ouro, tem sido um autêntico "farrabadó", basta inventar onde mais cobrar, o tempo passa e, com mais bens reais, temos uma elite que controla países e vai concentrando o seu Poder, com capatazes, em tempo de saldos e, outros que até fazem o serviço de borla porque até gostam de mandar e controlar a vida dos outros.

Continuamos como há séculos, a não ser donos de nada, depois de bem espremidos com os juros bancários, basta não pagar os "alugueres"(impostos) para, aquilo que pensamos ser nosso, deixar de o ser e, nem pensar em não colaborar com o Sistema, controlam polícias e exércitos e, pela força legislativa ou física, podem matar, enclausurar e fazer tudo o que está interdito a qualquer outro cidadão deste Mundo.

Mal nascemos, levamos com um número identificativo (como gado) e o World Bank quer que seja a nível global. Todos ensinados a obedecer, ser subservientes e a pagar-lhes o que lhes apetecer. Séculos onde tudo continua igual, só as nomenclaturas mudaram. Todos convencidos que são livres, a melhor maneira de nos pôr a produzir mais, para pagar mais, no fundo, sempre os mesmos fazendeiros, respectivos capatazes e os escravos (uma elite de 10 famílias a nível global, políticos e, cidadãos que já nem têm voto em nenhuma matéria e aqui explico outra vez, Dívida propositadamente criada, para os países obedecerem a Bruxelas onde euro-deputados não podem propor nem vetar leis ou seja, NADA). Podem gastar milhões em alcatrão mas, o cidadão, tem de pagar imposto numa mera batata que coma. Faltava só os EUA, tirar-lhes as armas e, pôr-lhes iva na comida porque, por aqui, já estávamos praticamente domesticados... vamos ver, se o Brexit acontece ou outros xit's

Vão usando a técnica mais velha do mundo, dividir para reinar e, vale tudo, até um George Soros pagar a manifestantes para causar o caos, gente com os neurônios tão lavados que já nem pensa, apenas reage a estímulos externos, como autênticos carneirinhos. Caos para terem a desculpa de nos controlar ainda mais, até na privacidade das nossas vidas e, os carneiros acham muito bem precisarem de mais segurança no redil. Criam os problemas para os escravos quererem, precisamente, o que eles querem, psicologia aplicada a idiotas.

No entanto, como temos visto, os capatazes, até podem estar a discutir assuntos com implicações no futuro dos escravos mas, a esses assuntos, chamam de privados como se fossem, apenas, da sua vida pessoal e, há sempre escravos com ADN de ovelha, prontos a concordar.

Quantos já nasceram e morreram sem sequer imaginar que não passaram de escravos. Quantos saberão que quem subsidia as guerras, subsidia os dois lados?
Não é não saber, será mais não querer saber porque, com a net já não há desculpa, informação e documentos não faltam.
Bastaria ver que começaram a legislar e a tentar censurar a net, daqui a nada estávamos como os chineses onde quem pesquise certos assuntos, tem links para páginas em branco. Hoje, na Europa, quando pesquisamos certos assuntos, o Google, todo prestável, informa que certos artigos foram retirados conforme as novas leis europeias e, quem não quer perceber o que isto significa... das duas uma, vive nas "bolhas" deste Sistema, financeiramente proveitoso, acomodados que não gostam de mudanças e quem vier atrás que feche a porta ou, por vontade própria ou preguiça, gostam de viver na ignorância.

Quanto a "estarem atentos", até estão mas, nem querem acreditar que não vão conseguir fazer tudo, antes de alguns cidadãos deste mundo terem começado a pensar que, afinal, não lhes apetece entrar no redil.
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De Anónimo a 03.03.2017 às 20:32

Obg, L.N.
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De V. a 04.03.2017 às 01:52

Suspeito que já nem o cenário 2 (claramente o mais saudável deles todos) será possível. O cenário do federalismo só será aceitável se pudermos dispensar toda a ordem política do regime: políticos a nível nacional, regional, câmaras, juntas e casas do Benfica e a sua estatuária benzida pelos autarcas socialistas.
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De Miguel a 04.03.2017 às 18:20

Mélenchon nāo defende a saída do euro; defende a renegociação dos tratados (plano A).
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De Luís Naves a 04.03.2017 às 19:11

Li que o candidato quer 'Sair dos Tratados'. Corresponde ao que escrevi: quer sair da UE actual, da moeda única, da Europa financeira. São maneiras de dizer a mesma coisa, de embrulhar o conceito. O candidato é contra o euro tal como ele existe, o que significa que é contra o euro. Não há qualquer ambiguidade. Quem votar Mélenchon estará a votar contra a moeda única, entre outras coisas, estará a votar contra o federalismo de Juncker.
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De Miguel a 05.03.2017 às 14:07

Quer sair dos tratados. Correcto. Não quer sair da UE. E eu estou de acordo, sendo pessoalmente favorável em principio à moeda única e ao projecto federal. Creio que do seu programa de Mélenchon faz também parte aquilo que ele chama proteccionismo solidário a aplicar nas fronteiras da UE.

Ser contra os tratados não corresponde necessariamente a ser contra a moeda única e contra a UE. Exemplificando: se eu for pela possibilidade dos estados se financiarem directamente junto do BCE, sem terem de pagar juros exorbitantes no "mercado", isso não faz de mim um opositor ao euro ou ao federalismo europeu.

Estas são questōes políticas que, em condições normais, em democracia, seriam decididas por deliberação democrática nos parlamentos nacionais e europeu. Infelizmente não foi, nem é, assim; desse facto resulta a falta de legitimidade democrática dos actuais tratados -- todos negociados à porta fechada e impostos contra a vontade expressa democraticamente em vários países incluindo a Framça, facto não despiciendo para o que se discute. Face à inexistência de mecanismos e instituições políticas capazes de mediar a luta política ligada a estes temas, não restam senão as relações de força entre os governos nacionais. Sendo assim, a única posição credível para os renegociar é estar disposto a pô-los em causa renunciando-os unilateralmente.

É triste, mas é o resultado daquilo que se pode chamar sem exagero a deriva não-democrática europeia, e da arrogância de um certo poder político e económico hoje representado pela direita europeia. Só que a UE não lhes pertence, e hoje é isso que está em causa.

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