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Enquanto discutem se há congresso

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.06.14

Estando feito o "mal", no sentido de que a partir do momento em que foi lançado o repto só havia dois caminhos, ou aceitá-lo e discutir as suas razões de forma rápida e o mais indolor possível, ou recusar e abrir a via da discussão prolongada em praça pública, sem que daí resultassem ganhos para quem defende os seus pontos de vista, nem para quem do lado de fora assiste, assim se transformando uma discussão necessária e que devia processar-se de forma elevada numa verdadeira bagarre, gostava de aqui recordar uma máxima desenvolvida por Harold Clarke e outros autores e a que Patrick Seyd e Paul Whiteley se referem, máxima que é aplicável a qualquer partido (pela tradução respondo eu):

"Numa época em que a velocidade da resposta política é uma constante, as notícias vinte e quatro horas por dia são um traço distintivo dos media. Além disso, o debate intrapartidário e a discussão serão muitas vezes apresentados pelos media como uma guerra interna do partido. O equilíbrio entre o debate e a divisão é difícil de conseguir, e a percepção de um partido dividido pode ser eleitoralmente perniciosa. Um partido dividido é muitas vezes visto como um partido eleitoralmente inelegível" (British Party members, An Overview, in Party Politics, 2004, vol. 10, n. 4, 363). 

Ao ler os últimos títulos dos jornais, e ao ouvir as mais recentes declarações de Seguro e Costa, lembrei-me disto.

Até podem estar os dois carregados de razões para terem elevado a voz, mas de uma coisa começo a não duvidar: os portugueses nunca compreenderão a extensão do conflito, a subida de tom e o prolongamento da sangria. Como não compreenderão um processo de primárias a trouxe-mouxe ou uma proposta de redução de deputados nesta altura em que o que está em causa é a discussão da liderança e a construção de uma alternativa de governo credível.

Quando o fim é bom, nem sempre serão todos os meios para lá chegar, mesmo quando se afirme a perenidade dos princípios e das convicções. Talvez pudessem meditar nisto antes de estraçalharem o que ainda resta de confiança e de esperança na opinião pública. Os militantes são neste momento o que menos interessa. 

 

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