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Em Portugal a culpa morre sempre solteira.

por Luís Menezes Leitão, em 19.06.17

Se há alguma coisa que caracteriza Portugal é o facto de neste país a culpa morrer sempre solteira. Não é por isso de estranhar que, perante a tragédia de Pedrógão Grande, o Presidente diga que se fez "o máximo que se poderia ter feito" e que "não era possível fazer mais". Em Portugal nunca é possível fazer nada para prevenir tragédias e por isso não vale a pena procurar responsáveis. Se uma ponte cair em Portugal, matando 59 pessoas, a culpa nunca é de quem tirou abusivamente areia do rio junto à ponte, de quem não vigiou o estado da ponte, ou de quem não ordenou a sua reparação, apesar de ter sido avisado para o efeito. Não! A culpa é de o leito do rio estar demasiado baixo e de ter ocorrido uma cheia grande.

 

Da mesma forma, se um incêndio em Pedrógão Grande matar 62 pessoas, sendo que algumas delas morreram presas numa estrada, a culpa não é de quem não tomou providências perante o alastrar da tragédia, designadamente cortando a estrada. Não, a culpa é do raio que destruiu a árvore seca, causando o incêndio. Que em pleno séc. XXI, com os meios de vigilância por satélite que existem, um raio seja susceptível de causar tantos danos, é algo que não impressiona. As tragédias são sempre inevitáveis, e só nos resta aguardar que não venha outra ainda pior.

 

É por isso que ao contrário do Rui Rocha, eu só posso aplaudir as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa. Afinal de contas, há que salvaguardar a estabilidade política a todo o custo. Não nos devemos esquecer de que há 16 anos houve um Ministro que, perante a tragédia de Entre-os-Rios, teve o acto impensado de se demitir. Felizmente que desta vez estamos livres de que aconteça algo semelhante. 

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7 comentários

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De Carlos Faria a 19.06.2017 às 09:07

Nos momentos tristes, a ironia dói mesmo muito mais
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De Luís Lavoura a 19.06.2017 às 09:38

Que post mais asneirento!!!

a culpa não é de quem não tomou providências perante o alastrar da tragédia, designadamente cortando a estrada

Se se tivesse cortado a estrada as pessoas teriam morrido queimadas nas suas aldeias, em vez de terem morrido queimadas na estrada.

Além disso, os militares da GNR que tivessem cortado a estrada teriam também eles morrido queimados.

em pleno séc. XXI, com os meios de vigilância por satélite que existem, um raio seja susceptível de causar tantos danos, é algo que não impressiona

Nos Estados Unidos da América, mais concretamente na Califórnia, coisas similares (aliás, piores) acontecem regularmente: incêndios gigantescos que devoram casas, causados por raios. Apesar de todos os satélites que vigiam a Califórnia em pleno século 21.
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De Einstürzende Neubauten a 19.06.2017 às 11:54

"Se se tivesse cortado a estrada as pessoas teriam morrido queimadas nas suas aldeias, em vez de terem morrido queimadas na estrada."

E toda a gente sabe que morrer queimado na estrada é melhor que morrer queimado na aldeia....

Que raio de raciocínio de dedo grande do pé

"Nos Estados Unidos da América, mais concretamente na Califórnia, coisas similares (aliás, piores) acontecem regularmente: incêndios gigantescos que devoram casas, causados por raios. Apesar de todos os satélites que vigiam a Califórnia em pleno século 21."

E toda a gente sabe que o coberto florestal nos EUA é igual em dimensão ao de Portugal, assim como o clima, fenómenos atmosféricos e dimensão territorial.

Nestas coisas das comparações convêm faze-lo em termos relativos e não absolutos, ou a bota não baterá com a perdigota.

Anda a fraquejar no pensar, Luís! Olhe os níveis de Vitamina B12




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De Costa a 19.06.2017 às 18:17

Louve-se a atenção e sentido de serviço à causa do Lavoura. "Quem se mete com o PS...", bem se sabe, e o homem está sempre alerta para denodadamente servir a sua dama. Pouco importa a fragilidade, ou mesmo o absurdo, do argumento. Menos ainda a grosseria empregue (aliás, é de crer, uma parte significativa do fascínio de "malhar na direita").

Costa
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De Maria Dulce Fernandes a 19.06.2017 às 09:39

Obrigada. Ler esta sua publicação devia ser obrigatório.
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De Einstürzende Neubauten a 19.06.2017 às 11:47

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=fogopedrogaogrande17
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De jo a 19.06.2017 às 22:34

O ministro de Entre-os-Rios saiu das Obras Públicas para a maior construtora nacional. Visto à distância há nobrezas que cheiram a outras coisas.

Será sempre necessário averiguar o que aconteceu ao certo. Neste momento apontar dedos parece tão estúpido como dizer que não há culpados.

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