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É isto

por José António Abreu, em 19.10.17

[...]

O que se está a passar na nossa vida enquanto comunidade é assustadoramente preocupante. A grande massa de eleitorado urbano satisfaz-se com um bodo aos pobres, na dimensão suficiente para ir fazendo uns fins-de-semana prolongados e uns jantares fora. Dentro desse grupo merecem um tratamento especial os funcionários públicos, pela sua dimensão, e os pensionistas, com especial relevo para os que ganham mais e têm acesso ao espaço público. A estratégia é tão simples e fria quanto a de uma empresa que define um objectivo de mercado. Tudo o resto, como não faz mexer o ponteiro das vitórias eleitorais, não existe.

Os últimos orçamentos do Estado foram pensados nessa lógica. Se o país fosse uma empresa podia dizer-se que na era da troika fomos geridos pelo administrador financeiro e nestes últimos dois anos pelos responsáveis da área comercial e do marketing. Tudo o que não se vê ou que esteja protegido dos olhares externos pode ficar com menos dinheiro. E assim se faz dinheiro para acabar com os cortes dos salários da função pública rapidamente, ao mesmo tempo que se reduz o défice público.

São escolhas políticas apresentadas como uma opção pelas pessoas, pela coesão social, pelo combate à  pobreza e pela promoção da igualdade. Quem o diz assume-se até como tendo o monopólio destes objectivos, como se todos os outros fossem contra valores que são (ou deviam ser) os alicerces da nossa sociedade.

O problema vem ao de cima quando tentamos ver os actos dessas palavras. É enorme a distância entre aquilo que se diz que se faz e aquilo que realmente é concretizado. A coesão social, o combate à pobreza e a promoção da igualdade limitam-se ao segmento do mercado eleitoral urbano que faz mexer o ponteiro dos votos. Os outros ficam ao abandono, como dolorosamente vimos na morte e na vida de quem esteve dentro dos incêndios do fim-de-semana.

[...]

Um texto dolorosamente certeiro de Helena Garrido, no Observador. Convém lê-lo na íntegra

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5 comentários

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De jerry khan a 19.10.2017 às 18:28

F... e mal pagos
sou apenas contribuinte
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De Vlad, o Emborcador a 19.10.2017 às 19:07

"a estratégia é tão simples e fria quanto a de uma empresa que define um objectivo de mercado. Tudo o resto, como não faz mexer o ponteiro das vitórias eleitorais, não existe."

Gerir um país assemelha-se à gestão de uma empresa no sentido de ser o mercado a ditar as regras (o governo satisfaz o que os eleitores exigem. Reciprocamente estes , se satisfeitos , dão -lhe novo mandato ).

"Se o país fosse uma empresa podia dizer-se que na era da troika fomos geridos pelo administrador financeiro"

Diria antes que fomos geridos por um administrador de falências. Hipotecou-se , a médio - longo prazo, a capacidade do Estado gerar receitas, pela imposição, incompreensível , de vender, ao desbarato , Empresas Públicas que operavam em monopólio natural e geravam milhões de euros em lucros.

"Dentro desse grupo merecem um tratamento especial os funcionários públicos,"

Foram os funcionários públicos e os pensionistas que pagaram a crise. Estes, ao contrário das empresas , e dos trabalhadores por conta própria/ outrem não conseguem fugir ao fisco ( quantas empresas declaram no recibo de vencimento do trabalhador um valor inferior ao efectivamente pago )

"Os últimos orçamentos do Estado foram pensados nessa lógica"

Helena Garido enganou-se e não dá o braço a torcer, como muitos dos jornalistas de economia que vaticinavam o descalabro precoce deste governo -ex António Costa.


Ouçamos Wolfgang Schäuble:
Há doze meses, era tudo tão diferente. Portugal estava à beira das sanções económicas da União Europeia e o sucesso do seu novo Governo de coligação de esquerda estava longe de ser assegurado. Hoje, já não viola as regras orçamentais da UE e espera entregar antecipadamente 10 mil milhões de euros ao FMI”

Bruxelas gosta. Temos pena, Helena.

Quanto à responsabilidade dos portugueses e dos eleitores, relembro que muitos Bancos continuam com operações de marketing telefonando a clientes, alguns desempregados, ou com capacidade financeira reduzida, dizendo-lhes que têm um crédito aprovado de milhares de euros. E esta hemmmm? Very typical




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De Costa a 20.10.2017 às 19:46

"Foram os funcionários públicos e os pensionistas que pagaram a crise. Estes, ao contrário das empresas , e dos trabalhadores por conta própria/ outrem não conseguem fugir ao fisco ( quantas empresas declaram no recibo de vencimento do trabalhador um valor inferior ao efectivamente pago )".

Os funcionários públicos não enfrentam o desemprego. São essencialmente inamovíveis. Não progridem por competência, não regridem por incompetência, desde logo. Os que trabalham por conta de outrem no sector privado ou, horror, cedem - decerto por insaciável sede de acumular riqueza indevida; fumando charuto e trajando chapéu alto e casaca preta cobrindo rotundo ventre - à suprema perversão capitalista de se tornarem empresários (quantas vezes não por vocação, antes como unica saída perante um irreversível desemprego; acabando falidos ou insolventes e furiosamente perseguidos pelas tropas especiais da função pública - fisco e justiça - fracas com os fortes, mas fortes com os fracos), esses conheceram e conhecem o desemprego, a ruína, a perda do bom nome e da honra.

Mas que interessa? São "do privado". Todos - todos, está visto - presumidos autores de fraude fiscal (pelo menos). Merecem isso e pior. E vai de espremê-los, pois como bem sabemos há que ir buscar o dinheiro onde ele (cada vez menos) existe.

Costa
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De Vlad, o Emborcador a 20.10.2017 às 23:48

A economia paralela em Portugal vale perto de 46 mil milhões de euros, mais de 26% do PIB. É o mesmo que dizer que quase cinco orçamentos destinados à Saúde circulam à margem do fisco.

Funcionários públicos pagam "a dobrar" crise das contas públicas
Ao agravamento dos impostos, os funcionários públicos têm ainda de somar um corte nos seus salários.

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/funcionaacuterios-puacuteblicos-pagam-quota-dobrarquot-crise-das-contas-puacuteblicas


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De Trigueiros a 21.10.2017 às 08:58

Este tipo de comentários já enervam... Este tem a vantagem de ter sido dito de uma maneira diferente, mas mesmo assim tenta politizar o tema dos incêndios.

Perguntinhas:

E o administrador financeiro preocupou-se com os outros que não estão na zona urbana?
E nós, precoupamo-nos com a zona rural?
Quantas pessoas moram em Lisboa ou arredores e têm terrenos dos pais e avós na zona rural e nunca se preocuparam e nunca se vão preocupar com eles?

Podem dizer que a culpa é dos políticos, e de certa maneira a afirmação está correcta. Mas têm culpa pela pouca fiscalização das leis, más leis de ordenamento do território, compadrios, etc... Não por tudo!

Todos nós temos uma parte da culpa pelo abandono total tanto da zona rural como da zona circundante das grandes cidades, mas nunca gostamos de olhar para a nossa quinta...

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