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E depois de votar

por Patrícia Reis, em 25.05.14

 

O  meu filho mais velho votou hoje pela primeira. Consciente do que fazia. Informado. A escola onde votámos estava vazia. A abstenção parece que vai vencer, mais uma vez, estas eleições. É muito triste. Depois pergunto-me: será que a minha avó sabe exactamente o que faz um deputado europeu? Que responsabilidades tem? Que diferença faz? Talvez não. Como ela, existirão muitos, digo eu. Culpa dos partidos e, mea culpa solidária com quem é da profissão, dos jornalistas. Os americanos aprenderam o sistema político que têm com uma série televisiva, "Os Homens do Presidente". Os europeus também agradeceram essa oportunidade. Cá quem explica o quê? Neste dias, apesar de me saber longe das redacções, penso que gostaria de voltar ao jornalismo. É um sentimento que dura um nanosegundo. Vejo os jornais e tenho pena. Vejo os jornais na televisão - começam com o Palito (um caso triste, claro, mas há destes todos os dias no CM e no JN) e depois as malas dos jogadores do país vizinho. As grelhas televisivas são iguais, é a contra-programação e o serviço público está nas mãos de comentadores que, há anos, vivem disso: comentar. À saída da escola onde votámos estavam dois bombeiros, um homem, uma mulher. Tinham uma maca e estavam a fazer um peditório para os Bombeiros de Moscavide. Eu tirei uma nota do bolso. A maca estava cheia de moedas. Tive vergonha de ter uma nota para dar. É triste? Sim, é a minha tristeza. 

 

(Sérgio, desculpa repetir a tua imagem, mas é tão certeira que não resisto)

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13 comentários

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De Eu ispilico a 25.05.2014 às 14:38

Um deputado europeu ganha bem, está permanentemente por aqui, não faz nada de relevante. E a maior parte deles estão lá numa prateleira dourada, em fim de carreira política ou em paga de favores ou porque convém mantê-los longe.
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De Eu ilucido a 25.05.2014 às 15:34

Onde está "longe" devia estar "mansos". Porque longe estão de segunda a quinta, e agarrados via "novas tecnologias" ao que aqui se passa.
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De c. a 25.05.2014 às 17:42

O seu filho conhecia os deputados em quem ia votar? Conhece o 3º da lista, elegível se votou num partido grande? Sabe o que esse deputado pensa e sobre que assuntos europeus? Os deputados do partido onde votou prestaram contas do seu mandato? Se sim, como? Se não: e considera admissível caucionar tal comportamento? De algum modo, mesmo que sucinto, publicitaram os deputados do partido em que votou as votações e o porquê do sentido do voto de cada um deles?
Etc, etc.
Sim, já votei, mas em nenhum desses.
Para a Europa, ou em Portugal, acabaram os votos no escuro.
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De Patrícia Reis a 25.05.2014 às 17:52

De C., desejando já que tenha um resto de bom domingo, posso apenas dizer que o meu filho, por acaso, sabe quem é o terceiro da lista dos partidos mais importantes. É um miúdo que se interessa por estas coisas da política e que se interroga sobre quem nos irá governar daqui a dez anos. Como não é burro, também tem a noção de que a democracia é, de certa forma, virtual, já que votamos nos mesmos 200 mil filiados (os independentes, já sabemos, são cilindrados pelas máquinas dos partidos). Quanto às outras questões, posso dizer que o que ele pensa não é muito diferente do que eu penso, pese termos 24 anos de distância. Lemos os programas dos partidos? As propostas? Sim. Vimos debates? Não. Vimos telejornais com as descidas do Chiado e afins? Não. Seja como for, cada um de nós votou consciente do que fazia no momento em que votou. No meu caso, 40 anos depois da Revolução, posso votar, ter conta bancária, sair do país sem autorização do meu marido e ter privacidade ao nível da minha correspondência. São frutos da democracia? São. Não é perfeita? Nunca foi. Bom domingo:)
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De rmg a 25.05.2014 às 18:32


Belíssima (e delicadíssima) resposta a um "inquérito" digno de outros tempos disfarçado de uma "cidadania" que ficou toda por provar no texto de "c." .

Ao ler certos textos dirigidos a outras pessoas fico sempre com a sensação (que é quase uma certeza) que os seus autores acham que somos todos uns atrasados mentais excepto eles próprios .

Obrigado , Patrícia .
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De Patrícia Reis a 25.05.2014 às 18:41

A delicadeza é sempre bem vinda, digo eu. E em democracia as pessoas têm o direito a dizer o que querem, não é? Eu acredito que podemos conversar, discutir, analisar, concordar que discordamos. E acredito piamente que este país precisa de aprender a festejar, a ser positivo. É cá uma mania minha:) Bom domingo
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De rmg a 25.05.2014 às 18:58


O "obrigado" era fundamentalmente pelo texto original mas veio a calhar para o resto ...

Boa semana para si
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De c. a 25.05.2014 às 20:12

As perguntas eram retoricamente menos dirigidas a seu filho do que a todos nós, que temos pactuado com uma democracia diminuída e esperando que a geração dele deixe de consentir nos cheques em branco.

Permita um pequeno esclarecimento: uma coisa são direitos civis e outra direitos políticos e relação entre ele tudo menos linear. A necessidade de autorização do marido para sair do país (ou para exercer uma profissão) existiu em todos os países europeus independemente de serem ditaduras ou democracias. Conta bancária, em Portugal, podia ter desde 1867 e a correspondência era sua.
Já agora, as mulheres portuguesas tiveram direito de voto antes das francesas (que até aos anos 40 do séc. XX, no casamento tinham um estatuto equivalente ao dos menores, sendo a França uma democracia).
Em Portugal, a 1ª República não lhes reconheceu o direito de voto, que lhes foi dado pelo Estado Novo, podendo votar logo em 1933 - e 2 ou 3 anos depois já havia mulheres na Câmara Corporativa e, pelo menos uma delas divorciada. A realidade é sempre mais interessante do que se pensa.
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De Vou lá sempre a 25.05.2014 às 19:16

Eu já podia votar quando houve as primeiras eleições pós 25 de Abril.

Votei sempre que pude durante cerca de 20 anos, cada vez com menos entusiasmo e mais consciente do que são as máquinas partidárias que por aqui medraram.

Depois passei cerca de uma década praticamente sem lá ir.

Finalmente, fez-se luz na minha cabeça. Os amigos de aberrações como Cuba ou a Coreia do Norte vão lá todos, de modo que há que lá ir também. Por maus que sejam aqueles em quem voto, os outros são infinitamente piores, anti-democráticos e não têm cura do saudosismo de josé estaline.

Hoje obviamemente não faltei, até porque a juntar a esses apareceram, como cogumelos, nacionalismos demenciais.
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De c. a 25.05.2014 às 20:17

Também vou lá sempre e voto desde 1975.
Em branco, desde há muito.
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De Carlos Cunha a 25.05.2014 às 20:36

essa ideia expressa nessa frase desse bédege é um asco, inventada pelos consultores&assessores dos aparelhos partidários para levar o pessoal a votar só porque ele há que votar. afinal o que é isso de "good people", implicando que entre os eleitores eles há os bons os maus e os vilões, tal qual o filme do sergio leone, tal qual o tal presidente da câmara de não sei de onde que queira que os eleitores que votassem "mal" fossem criminalmente responsabilizados juntamente com os políticos em quem votaram. afinal desde quando é que, em democracia, um bom político perde para um mau político porque o pessoal prefere ir passear ou ficar em casa, em vez de votar, sabendo que do seu voto depende o seu futuro?!
tretas&tretas e mais tretas.





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De Patrícia Reis a 25.05.2014 às 21:40

C, concordamos que discordamos e depois de ver o nível de abstenção tire as suas ilações e fique bem, sim? Boa semana.

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