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E as reformas, pá?

por Rui Herbon, em 03.06.14

Ainda que costume reputar-se o FMI como um organismo criado para fomentar o avanço do liberalismo mais radical, o certo é que as suas intervenções nos países que o solicitam (por vezes omite-se ou esquece-se que o fundo só entra onde é chamado) têm sempre uma forte carga estatizante. A sua missão original, quando ainda vigoravam as taxas de câmbio fixadas em Bretton Woods, era relentar o processo de ajustamento dos países com graves desequilíbrios externos oferecendo-lhes empréstimos mais suaves em moedas fortes; actualmente, quando já não existem taxas de câmbio fixas, é relentar o processo de ajustamento de países com intensos desequilíbrios internos oferecendo-lhes créditos igualmente suaves e promovendo a adopção de políticas keynesianas de esbanjamento. 

 

Fazendo gala desta tradição, o FMI publicou há pouco as conclusões preliminares da sua última avaliação sobre a economia alemã. A principal recomendação voltou a ser que a Alemanha deve incrementar o investimento público em infra-estruturas (mais um exemplo do ultra-liberalismo do fundo) para impulsionar a sua procura interna e, com ela, as importações do resto da debilitada Zona Euro. Segundo parece, o vício dos alemães é a poupança, o que impossibilita que os países periféricos cresçam pela via exportadora. A nossa única esperança é pois, segundo os economistas do fundo, que os alemães sejam invadidos por um tresloucado impulso gastador e que parte do pilim desembolsado aterre nas economias do sul. 

 

Certamente a correcção dos desequilíbrios dentro da Zona Euro requer uma redução do superávit alemão e do défice dos periféricos. Mas essa correcção não pode conseguir-se de qualquer forma e a qualquer preço: não deve o governo germânico obrigar os seus cidadãos a consumir qualquer coisa que seja fabricada nos periféricos; pelo contrário, esses países devem esforçar-se por converter economias viciadas no cimento e na dívida em economias capazes de gerar bens transaccionáveis com procura internacional. O sul da Europa não devia procurar mendicante os subsídios no norte, mas ambicionar o dinamismo interno que lhe permita gerar riqueza. Não é algo impossível: desde o início do programa de ajustamento as nossas exportações aumentaram significativamente e o défice da nossa balança comercial tem vindo a reduzir-se. E isso não ocorreu porque os consumidores dos outros países tenham sido obrigados a comprar massivamente as nossas mercadorias, mas porque os empresários portugueses conseguiram encontrar novos mercados para os seus produtos (os tradicionais e os novos e inovadores).

  

O inimigo da recuperação europeia jamais foi a exagerada austeridade alemã, mas a prodigalidade dos periféricos cujos governos têm tentado perpetuar por todos os meios ao seu alcance — e quando não são eles lá estão as respectivas constituições a assegurar o statu quo. Em vez de baixar impostos libertando rendimento disponível para famílias e empresas, os governos do sul aumentaram-nos até níveis inimagináveis para assim consolidarem o seu idolatrado Estado; longe de cortar os gastos públicos para deixarem de fagocitar a nossa escassa poupança interna no financiamento do seu monstruoso défice, os governos do sul reduziram o orçamento o mínimo indispensável para evitar uma eminente bancarrota e continuar a gastar sem controlo; longe de liberalizar a economia para não obstaculizar o engenho empresarial, limitaram-se a retocar alguns pontos da legislação laboral com a esperança de que uma certa deflação salarial permita manter todas as restantes regulações; longe de fazer recair as perdas das entidades financeiras sobre os seus accionistas e credores através de um justo bail-in, optaram por socializar as perdas através de um desonesto bailout.

 

Resumindo: uma despropositada política económica destinada a travar o rápido reajustamento interno necessário para corrigir os nossos desequilíbrios externos, que contou não só com o apoio das instituições europeias e dos governos que a aplicaram, como com o aplauso entusiasta do supostamente liberal FMI. Mas sim, o nosso problema é que Merkel não gasta o suficiente em estradas.

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19 comentários

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De da Maia a 03.06.2014 às 10:09

Estas coisas da UE podem ser vistas na sua semelhança com o funcionamento interno de um país.
Todos os países têm desequilíbrios económicos nas suas regiões. Umas mais industrializadas do que outras, umas que souberam retirar dividendos pelo turismo, pelos serviços, etc.
A Alemanha não é excepção, e o norte recebe muitas transferências de fundos pela zona mais produtiva a sul, tal como o leste ainda recebe do oeste.

As regiões só têm que ser economicamente equilibradas quando se querem completamente independentes. Com independência, essa região pode controlar os desequilíbrios naturais, usando mecanismos pouco liberais e mais proteccionistas, com restrições ou estímulos direccionados.
Por exemplo, em Portugal, ninguém espera que Trás-os-Montes tenha uma balança equilibrada, e ninguém no seu correcto juízo achará que os transmontanos tenham um defeito congénito ou cultural.

O processo de formação da união europeia teve esse carácter federalista, de aceitar regiões em diferente grau de desenvolvimento, e de patrocinar o fim dos seus equilíbrios económicos produtivos, estimulando o fim dessa produção independente, com a ideia de concentrar a produção no centro da Europa, mais em particular na França/Alemanha, onde já era dominante.

Assistimos assim ao fenómeno das zonas industriais, que em Portugal estão centradas na costa litoral de Lisboa ao Porto, e que na Europa estão na zona central, circundante aos Alpes.
Não passaria pela cabeça de ninguém fazer uma regionalização de Portugal e dizer que as zonas interiores tinham que se "amanhar" para serem economicamente equilibradas, e sem lhes dar sequer mecanismos de independência económica.

Pois bem, depois de promoverem essa ideia de federalização que destruiu sectores produtivos a sul, a UE mudou de ideias e fez justamente isso... disse que as regiões a sul tinham que ter contas certas, sem independência económica.

Ora isso é quase impossível de se conseguir, por se parte de bases desiguais.
Por muito queijo da Serra que se produzisse nas Beiras, não iria haver equilíbrio. E se os beirões se lembrassem de produzir a sua própria cerveja, apanhavam com a Unicer e a Centralcer em cima. Para evitar os desequilíbrios teria que haver um proteccionismo mínimo.

Nós pagamos a autonomia de Açores e Madeira, e ninguém deve ter problemas com isso. É assim que funciona uma economia ligada num objectivo comum.
Se Açores e Madeira se tornassem independentes arranjariam maneira de equilibrar as suas contas... mas não seria a deixar entrar os produtos do continente como se fossem os grandes amigos de antes. Não, teriam que colocar barreiras, sob pena de estarem sob constante défice.

Por isso se a UE quer brincar a esse jogo... só há uma resposta em bom português:
- Puta que os pariu!
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De William Wallace a 03.06.2014 às 19:02

Mais simples é difícil !
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De Carlos Duarte a 03.06.2014 às 22:07

Caro da Maia,

Olhe que ainda fica espantado - o que não falta por aí é pessoal novo (ok, da minha idade), com gravata azul eléctrico e nó de palma de largo a advogar isso mesmo: cada qual que se amanhe que o Estado só está cá por causa dos tribunais (com excepção do TC, que é "persona non grata"), da polícia e das forças armadas.
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De da Maia a 04.06.2014 às 10:00

Caro Carlos,
isso é a perspectiva liberal dos mariquinhas.
Quando é liberal a sério, é tudo livre.
Pois bem, foi daí que partimos, da selva, da macacada.
A selva está sempre presente pois todas as sociedades podem colapsar.
Por alguma razão, ao fim de milénios, criámos civilizações que não se limitavam à sobrevivência dos Rambos da esquina.
Usando um lugar comum, podemos tirar o homem da selva, mas não conseguimos tirar a selvajaria das bestas, com ou sem gravata.
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De Carlos Duarte a 04.06.2014 às 14:14

Caro da Maia,

Mas eu concordo consigo! O principal problema do liberalismo anglo-saxónico está na incapacidade dos mesmos entenderem que o indíviduo, apesar de ter (e bem) todos os direitos e garantias, só as tem porque se encontra inserido em Sociedade. Fossemos nós uma espécie sociopática (e não somos, somos gregários por natureza) e não havia civilização. O homem perfeito para o verdadeiro "liberal" será algo que se aproxime do übermensch nieztcheano.
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De da Maia a 05.06.2014 às 12:45

Sim, eu entendi, só complementei.
O super-homem do neoliberal é o tal Rambo da esquina, mas não constrói armadilhas na floresta, constrói armadilhas socio-económicas, e por isso é um bicho que só vive bem na selva dos mercados. É um animal feroz numa selva a fingir...
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De Manuel a 04.06.2014 às 10:49

Caro da Maia,
eu acho o proteccionismo uma jogada de defesa, própria de jogadores sem argumentos, ou seja, sem estratégia, ou sem trunfos.
Depois, a comunidade distribuiu riqueza durante pelo menos 25 anos. Esses fundos deviam ter sido empregues com rigor e empenho numa estratégia de desenvolvimento industrial. Digo isto mesmo estando pouco por dentro de assuntos do foro económico e financeiro, mas é que durante anos assisti a corridas desenfreadas ao subsidio da CEE e sei que muito desse pilim foi parar ás contas pessoais daqueles que corriam por esses fundos comunitários, enquanto que a parte até regressava aos países de origem, trocado por BMW Audi e Mercedes. Acho que o maior erro da Europa foi o de dar dinheiro e confiar que os países o iriam aplicar bem.
Por outro lado, em termos macroeconómicos, eu acho que o quadro não é muito favorável ao € nem ao dólar enquanto a China conseguir manter o Yuan tão baixo, asfixiando assim a economia ocidental que não pode desvalorizar o dólar sob a ameaça da especulação em torno do petróleo e com o € a não poder desvalorizar face ao dólar, pois de nada serve desvalorizar o € com o intuito de estimular a economia europeia quando a consequência directa é aumentar o custo da energia, ou seja, o € está refém do petróleo que é cotado e comercializado em dólar, por sinal os mesmo dólar que a China compra para poder continuar a emitir moeda a todo o gás. Por isso a crise europeia é uma crise de energia, logo a solução para sair desta crise tem de passar obrigatoriamente pela redução da dependência do petróleo com recurso a energias alternativas. Com jogadas feias de tempera neoconservadora americana, como a que assistimos agora na Ucrânia, é que não vamos lá.
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De da Maia a 04.06.2014 às 15:43

Caro Sid,
em qualquer confronto há defesa e ataque. O ataque é menos nobre que a defesa, como é regra de cavalaria. Por isso os ataques são lançados com argumento de defesa de algo, normalmente uma desculpa qualquer.
Quando não se considera uma defesa é porque se é parvo, ou não há nada a perder. Só peças insignificantes não são alvos de ataques, porque qualquer peça importante é vista como um poder que ameaça o já existente.
A CEE teria distribuído riqueza sendo esse o seu dever federalista, mas ao abandonar esse compromisso, a riqueza que distribuiu deve ser vista como ataque à economia.
Porquê?
Porque eu tenho duas maneiras de destruir a agricultura de um país: 1º) gasto milhões de euros em armamento que destrói o sector produtivo. 2º) dou milhões de euros para a corrupção interna para destruir o sector produtivo.
Séculos de guerras e colonização, mostraram que a 2ª opção é muito mais eficaz. Porquê? Porque na 2ª opção ganha o atacante ganha colaboradores e mina a estrutura interna.
Isso foi aplicado pelos portugueses na sua gestão da Índia durante o Séc. XVI.
Quem tentou evitar essas manobras, porque não eram parvos, foram os chineses e especialmente japoneses, que usaram proteccionismo - defesa elementar contra agressão económica.
Depois, claro está, como recusavam as benesses dos traficantes de droga (nessa altura os britânicos traficavam ópio, na tentativa de drogar os chineses), apanharam com as Guerras do Ópio no caso chinês, e com a marinha americana da Madama Butterfly no caso japonês.

É claro que a opção de aceitar continuar drogado é a de qualquer junky.
Para sair do vício, é preciso desintoxicação, força de vontade e custa muito... isso também se sabe.
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De Manuel a 05.06.2014 às 02:08

Caro da Maia,
a única defesa que lhe considero é a mesma dos xuxas-da-lista que andam com sintomas de direita radical. Porquê? -Talvez porque lhes estão a ir à xuxa, ou à lista.
Depois não é xadrez é mesmo cartas. E compadre, você deve estar todo baralhado desse juízo é que Sid não é trunfo, é carta fora do baralho.
Até mais ver.
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De da Maia a 06.06.2014 às 00:00

Meu caro,
o que lhe faz pensar que me interessa se você assina Sid umas vezes e Manel das outras? Para mim você é apenas uma voz no escuro... e o escuro é apenas isso, escuro, até que emita luz própria.
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De Manuel a 06.06.2014 às 10:56

Bem sei que você é grandioso, mas nem por isso imortal. Não deixe que toda essa luz que emana cegue o olho da sua alma, deixando-o assim prisioneiro na sua própria beleza.
Cumprimentos.
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De da Maia a 07.06.2014 às 17:15

( eh eh eh! )

Meu caro, o facto de eu não aceitar ser diminuído não me dá grandeza, dá-me a minha dimensão. Foi essa que procurei e não vejo como a redução de cada um, ou dos outros, traga algo mais que não seja o desconforto pessoal de usar uma roupa que não lhe assenta. E sendo eu ninguém, identificável por si, sou afinal qualquer um. O nome pouco significa, e as ideias, essas, podem ser ignoradas, abafadas, esquecidas, mas não podem ser mortas. Quando fazem sentido renascem, noutras pessoas, noutros tempos, porque são um património intemporal e não um matrimónio circunstancial.
Fique bem.
Cumprimentos,
da Maia
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De JgMenos a 04.06.2014 às 11:18

Temos muitos problemas com a Madeira e nenhum com Trás-os-Montes, porque na Madeira existe uma associação de cretinos que decidem quanto querem pôr o país a pagar!
O mesmo na CEE, os cretinos do Sul resolveram viver à grande sem terem meios para isso!
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De da Maia a 04.06.2014 às 16:04

Não se preocupe.
Se a sua ideia é forçar a imigração da população portuguesa para os centros produtivos externos e desertificar o país, isso está a ser conseguido.
Da mesma maneira que isso foi conseguido em Trás-os-Montes e em todo o interior, que foram desertificados pelos centros de produção na zona litoral, em sucessivos êxodos.
A sua queixa da corrupção é a mesma que os alfacinhas usam contra a corrupção autárquica, como se ela fosse significativa face à corrupção da capital.
Não é.
Mesmo com muita corrupção têm mais a mostrar os autarcas de obra local, do que têm os governos de obra nacional. Se os autarcas fizeram rotundas úteis, os governos fizeram auto-estradas inúteis.

Estamos de acordo que os governos regionais devem ser controlados nos seus gastos, mas isso não significa o fim de subsídios, a ponto de se pretender um total equilíbrio de contas. Não. A cedência de independência para Europa traz encargos de responsabilidade para a Europa, pelos desequilíbrios feitos.
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De JgMenos a 04.06.2014 às 23:38

Os desiquilíbrios gerados pela associação à CEE existem e supostamente justificaram compensações que competia aos governos nacionais avaliar se bastantes ou consentâneos com as políticas nacionais.
Na falta de vetos e claros sinais de oposição às políticas europeias, toda a responsabilidade é dos governos nacionais.
Suspeito que apostaram em que a Europa haveria de ser encostada à parede perante factos consumados, enganaram-se!
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De da Maia a 06.06.2014 às 00:16

Certíssimo. Houve erro de cálculo, ou melhor, calculismo "privado".
Seja como for, o descalabro da dívida pública, e a súbita fragilidade da economia só apareceram a público quando Sócrates já não conseguiu esconder mais.
A população votante só pode ser responsabilizada pelos factos que conhece, e que são usados para eleições, e não pelos acordos de bastidores que desconhece, e que os próprios órgãos de comunicação se esforçam em ocultar.
Esse é ponto negocial com novos actores políticos, mas não pode ser com os partidos do costume, porque esses sabiam bem das negociatas que faziam.
Essa é a crise deste regime.
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De cristof a 03.06.2014 às 19:26

Vale a pena aos que diabolizam os outros das culpas proprias que se raciocine como e porquê na Alemanha as centrais termicas estão a falir por causa das expansao das eolicas e em Portugal alem da electrecidade ser exageradamante cara o defice tarifario vai engrossando ano apos ano por causa das renovaveis -(menti no paragrafo anterior não é por causa das renovaveis é por causa da corrupção instalada no aparelho do estado) .Continuem os cidadãos a votar nos mesmos e queixem-se dos impostos altos!!
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De Manuel a 04.06.2014 às 04:49

Gostei.
Alguém sabe qual é a actual percentagem de empresas certificadas em Portugal?
Dei uma googlada e encontrei um estudo com data de 2008, portanto já desactualizado, mas segundo apurei, somente 5% das empresas nacionais eram certificadas, o que é igual a dizer que 95% das empresas portuguesas não possuíam qualquer tipo de certificação.
Ora isto é uma lastima, pois normalizar e regular os processos laborais permite aumentar o rendimento e reduzir os custos de uma empresa, logo torna-a mais competitiva. Além disso, as empresas certificadas cada vez mais exigem fornecedores de produtos e serviços igualmente certificados.
Parece-me que neste nosso país os empresários não se interessem muito por competir entre os melhores do mundo industrial, quando qualquer dia os melhores serão todos os restantes, menos nós. Futebol e renegociar ou não pagar é que é...losers.

Fonte: http://qualiwork.pt/newsletters/newsletter11/artigo_opiniao.html
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De lucklucky a 04.06.2014 às 22:16

Escreveu mesmo isto? Empresas certificadas permitem diminuir os custos?
Vai de ter de ser à bruta...você julga que os outros são parvos ou é só um sarcasmo - desculpas minhas nesse caso-?

Quer mais uma mama à conta de quem cria e produz?
Certificação é mais uma camada de burocratas que se expande cada vez mais e mais e que só é comportável nas grandes empresas - aumentando o preço dos produtos destas por troca de alguma segurança -.
Na grandes empresas bem geridas quem faz a certificação/definição de requisitos são elas próprias internamente.

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