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Dois pesos, duas medidas

por Pedro Correia, em 14.07.17

Leio na última edição do Expresso uma pequena notícia que parece ter passado totalmente despercebida. Diz, em poucas linhas, que o director de comunicação do gabinete do primeiro-ministro cessou estas funções trocando o Governo por um "novo projecto numa empresa privada" em que prestará serviço já a partir do próximo mês. Este responsável - que segundo o mesmo jornal assegurava o planeamento da comunicação institucional do Executivo, a gestão das redes sociais e a organização de eventos de propaganda do Governo - diz ter "chegado ao fim de um ciclo" profissional, o que o levou a abandonar São Bento. É estranho que o fim do "ciclo" tenha chegado tão depressa num Executivo empossado apenas há vinte meses.

Leio esta lacónica notícia e interrogo-me como reagiriam certos moralistas cá do burgo se algo semelhante tivesse ocorrido noutro ciclo político, com um governo muito diferente do actual. E espero que os verdadeiros jornalistas de investigação - partindo do princípio de que ainda restam alguns nas redacções - não deixem de nos esclarecer qual é o grupo empresarial para o qual, a meio de um ciclo governativo e sem respeitar o menor período de nojo, vai já trabalhar o até agora director de comunicação do gabinete do primeiro-ministro.

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8 comentários

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De am a 14.07.2017 às 11:23

Deve ir depressa para a nova da TVI da ALTRI.... antes que aquilo vire....

Para ao Comunicação Social não existe períodos "nojo" ele é automático.
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De Luís Lavoura a 14.07.2017 às 11:32

Gostemos desta prática ou não, hoje em dia ela está perfeitamente institucionalizada na generalidade das democracias: estar ao serviço do Estado é uma profissõa como outra qualquer, na qual as pessoas entram a determinado momento e da qual saem mais tarde, para imediatamente irem servir algures no setor privado.
Salazar tinha um entendimento diferente das coisas. Para ele, um "servidor do Estado" deveria sê-lo por toda a vida. Um funcionário público nunca deveria transitar para uma empresa privada, porque se o fizesse transportaria para essa empresa privada alguns segredos da máquina estatal. Por isso, Salazar assegurou aos funcionários públicos algumas regalias, para que eles nunca se sentissem tentados a "fugir" para o setor privado.
Mas hoje em dia já não é assim. As pessoas deixam o setor público e vão livremente para outro emprego qualquer. Não é bonito, mas é o que se faz.
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De Luís Lavoura a 14.07.2017 às 11:35

É estranho que o fim do "ciclo" tenha chegado tão depressa num Executivo empossado apenas há vinte meses.

Não vejo nisso nada de estranho. Se a empresa privada lhe oferecer salário e perspetivas de carreira melhores, o indivíduo larga o serviço público. O certo é que o funcionário em questão tinha atualmente uma perspetiva de emprego de apenas mais dois anos - até às eleições de 2019. Se calhar a empresa privada ofereceu-lhe perspetivas de emprego melhores (mais duradouras) que essas.
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De Anónimo a 14.07.2017 às 11:58

À medida do peso bruto do ciclo.
O Costa das emboscadas em fuga descontrolada.
Há quem ainda lhe vá deixando no caminho poças de água turva salpicadas com sal de refugo.
Mas já a arte da fuga estala e os ratos de encosto miam.
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De rão arques a 14.07.2017 às 15:20

rão arques
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De Maria Dulce Fernandes a 14.07.2017 às 14:35

São os efeitos da bolha.
Não me refiro à especulação criada sobre a nova bolha do mercado imobiliário que poderá estar ou não a rebentar por aí, mas pela bolha do mercado de trabalho, que tem em ser ex-governante (como em membro do governo no activo e não um mero funcionário público que, trabalhando directamente para o governo, não vê os seus rendimentos inflacionados pela sua situação laboral) uma vantagem exponencial de se valorizar, talvez não tanto a nível pessoal , mas mais a nível financeiro . Pertencer a um governo, qualquer governo, faz nome nas praças e sair para trabalhar noutro lado, seja na União Europeia, em empresas nacionais, internacionais ou multinacionais, tem que trazer agregadas contrapartidas supimpa, porque um governante que se governou bem, só sai para se governar melhor.
A este Senhor poderá ter sido a ALTICE que o passou para o outro lado do espelho.
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De Luís Lavoura a 14.07.2017 às 15:53

Temos que ver que, das duas uma:
1) Se o director de comunicação do gabinete do primeiro-ministro é um funcionário público de carreira, isto é, com emprego permanente, então ele passa de um primeiro-ministro para o seguinte, tanto serve Passos Coelho como serve António Costa ou o que vier a seguir. Nesse caso, não se trata de um emprego de "confiança política". Ele faz parte da máquina administrativa do Estado, tal como, por exemplo, um funcionário de uma Repartição de Finanças.
2) Se o director de comunicação do gabinete do primeiro-ministro é um cargo de confiança política, então ele só tem emprego no Estado enquanto o primeiro-ministro fôr António Costa, ou seja, somente durante quatro anos. É normal que essa pessoa queira assegurar as suas perspetivas de carreira durante mais tempo do que isso e, portanto, se uma empresa privada lhe oferecer um emprego permanente, ele abandonará o serviço de António Costa.
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De rão arques a 14.07.2017 às 18:33

Temos que ver entre todas uma:
Costa denota comprometedora precipitação e indisfarçável pânico, tal é a intensidade com que o verniz lhe está a cair sempre que se agita. O homem mostra-se de tal maneira atrapalhado que nem consegue aliviar-se sem espalhar o mau ambiente pelas redondezas.

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