Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Do jornalismo ao jornalixo

por Pedro Correia, em 31.08.17

As chamadas "redes sociais" são hoje a maior rede de amplificação de mentiras no quotidiano português. Qualquer aldrabice ali posta a circular ganha eco imediato, com opiniões definitivas cavadas em trincheiras, sem ninguém cuidar da verdade dos factos.

Nos últimos dias isto ficou bem evidente na absurda polémica dos caderninhos de apontamentos pré-escolares com capas a azul e cor-de-rosa, com centenas de pessoas a pronunciar-se sobre algo que nunca tinham visto nem faziam a menor ideia do que era. Bastaram uns bitaites no Twitter para logo a bola de neve engrossar. Da "rede social" a estória saltou para todos os media e destes para um obscuro organismo oficial pomposamente designado Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, e daqui para o gabinete do ministro adjunto do primeiro-ministro, que fez um inédito apelo público à retirada desses cadernos do mercado - onde se encontravam, sem qualquer polémica, desde Julho de 2016!

 

Tudo isto em apenas 24 horas e sem que se estabelecesse uma versão contraditória: estava em curso um linchamento colectivo e ululante, passatempo favorito das "redes". Ninguém fez caso do que disse  Susana Baptista, responsável pelas publicações infanto-juvenis da Porto Editora, ninguém ouviu a autora, Catarina Águas - licenciada em Educação de Infância na Escola Superior de Educação de Lisboa -, ou as ilustradoras dos tais cadernos, Ana Valente e Rita Duque. Todas do "genero" feminino, todas profissionais respeitáveis, todas ignoradas. Como se estivesse em causa uma empresa de vão de escada e não a maior editora portuguesa, com uma reputação alicerçada em sete décadas nos domínios da pedagogia e da didáctica.

Foi preciso um humorista - neste caso Ricardo Araújo Pereira - repor a verdade dos factos para a polémica se esvaziar quase tão depressa como tinha começado. Sem carteira profissional de jornalista, ele fez o que qualquer bom jornalista deveria ter feito: apurar o que realmente se passava, sem emprenhar de ouvido.

Este episódio envergonha os jornalistas portugueses. E ajuda a explicar por que motivo todos os títulos da imprensa continuam a cair a pique, como demonstram os calamitosos números referentes ao primeiro semestre de 2017 agora divulgados pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação.

 

maxresdefault[1].jpg

 

Anteontem, embora com menos destaque, aconteceu uma história semelhante, também iniciada nas redes sociais. Sobre os supostos maus-tratos dados a um galo numa remota aldeia do concelho de Seia: o bicho, garantiam os arautos da pós-verdade refastelados nos seus sofás lisboetas sem nunca terem posto os pés na referida povoação, seria morto à paulada, com requintes de sadismo. Com a ave "agonizando lentamente fruto da malvadez".

Foi quanto bastou para que o PAN salivasse de indignação. A coisa meteu comunicado oficial do partido animalista, denúncias ao Ministério Público e à Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária. De imediato os órgãos de informação reproduziram tudo isto - uma vez mais, sem apurarem os factos, como mandaria a deontologia profissional.

Parecia um filme de terror. Com o ligeiro problema de ser mentira. Como a Câmara Municipal de Seia, presidida pelo socialista Carlos Filipe Camelo, se encarregou de esclarecer, desfazendo o boato. Entretanto, lamentavelmente, apenas o Jornal de Notícias tinha cumprido o dever jornalístico, estabelecendo o contraditório ao ouvir as pessoas daquela aldeia que desmentiram a atoarda sem rodeios numa peça escrita pela jornalista Madalena Ferreira (infelizmente não disponível em versão digital no momento em que escrevo estas linhas).

 

Galo-galinhas-e-pintos-20170212010236[1].jpg

 

Acontece que as redes estão-se nas tintas para a verdade. Essa "turba inorgânica", como bem lhe chama Francisco Mendes da Silva, quer indignar-se o tempo todo contra não importa o quê. Tal como os viciados em drogas duras, os junkies das caixas de comentários dos jornais - os mesmos que espalham qualquer atoarda no Twitter e no Facebook - fazem prova de vida berrando por escrito sobre assuntos acerca dos quais nada percebem, nada querem perceber e têm raiva a quem perceba.

Isto explica que as putativas agressões ao tal galo só existente na delirante imaginação do PAN tenham dado azo à habitual javardice histérica, com dezenas de pessoas disparando contra um alvo afinal inexistente.

 

Uma vez sem exemplo, aqui transcrevo algumas dessas opiniões, colhidas ao longo de 24 horas na caixa de comentários da edição electrónica do JN, para se avaliar bem o nível intelectual desta gente:

«Haja vergonha! Haja respeito por seres que sentem como nós!»

«Quais são as origens dessa barbaridade? Religião ou vudu?»

«Voltamos à idade da pedra mas da pior forma. É que nessa época matava-se para comer, agora mata-se por diversão.»

«É uma tradição de merda e já devia ter acabado.»

«Outra tradição para atrasados mentais... já não basta os doentes de Barrancos...»

«Que façam tradição com os seus familiares. Não têm que o fazer a seres inofensivos que estão ali por obrigação.»

«E que tal serem eles e a sua "tradição de caca" a levarem paulada?»

«Estes divertimentos de merda à custa do sofrimento dos animais pôem-me doente. Que tal substituir o galo pela besta (humana) lá da aldeia?»

«Sugiro para as pessoas que são a favor deste tipo de tradições seguirem a minha nova tradição: amarrar um de vocês e bater-lhes com um barrote até morrerem.»

«Podem substituir o galo pelo António Costa?»

 

fake-news[1].jpg

 

No meio deste vendaval de imbecilidades, uma  leitora ainda tentou repor a verdade: «Se há uma coisa que abomino é a falta de profissionalismo jornalístico e a política suja que se pratica no nosso pais. Para aqueles que gostam de opinar sem o devido conhecimento, informo que morte do galo é na verdade a morte do ovo: não andam à palauda ao galo mas ao ovo .»

Como era de calcular, ninguém fez caso: os "factos alternativos" são muito mais sedutores do que a verdade nua e crua.

Assim vamos andando: dispara-se primeiro e reflecte-se depois. Com o genuíno jornalismo praticamente em vias de extinção, entretanto absorvido pelas "redes". Cada vez mais travestido de jornalixo: vociferante, acéfalo, populista, irresponsável e mentiroso.

Autoria e outros dados (tags, etc)


74 comentários

Imagem de perfil

De Psicogata a 31.08.2017 às 11:52

Passou-me ao lado a polémica do galo e ainda bem que a dos cadernos foi suficiente!
Quando vi a imagem do labirinto nas redes sociais fui investigar e bastou ler uma notícia que dava a versão da Porto Editora e que mostrava mais páginas dos ditos livros para perceber que afinal a história estava não só mal contada como inflamada.
Não me enganei, li ontem o relatório e sinceramente é vergonhoso que o Estado tenha de gastar tempo e recursos com temas como este.
O que me irrita mais é que estes indignados teriam tantas coisas interessantes para se indignarem, mas preferem alarmar-se por coisas insignificantes.
Um espelho da nossa sociedade sem dúvida, cada vez mais sinto vergonha alheia.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 31.08.2017 às 13:19

http://dezanove.pt/o-que-retive-do-caso-dos-livros-de-1111292

Felizmente já há muitas vozes a dizer isso mesmo: "estes indignados teriam tantas coisas interessantes para se indignarem, mas preferem alarmar-se por coisas insignificantes". Este texto, ainda para mais num site gay, é exemplar a denunciar a estupidez e a histeria de "meninas burguesas e mimadas e com complexos frustracionais". E, sobretudo, o prejuízo causado por essas idiotas.
Imagem de perfil

De Psicogata a 31.08.2017 às 14:27

Obrigada pelo link, o texto está fantástico.
Felizmente dentro dos blogs foram muito os que não se limitaram a ir na onda, mas também houve quem fizesse o contrário.
Faz falta a capacidade de as pessoas investigarem e analisarem as questões como um todo sem se precipitarem a julgar e a sentenciar.
No fundo, a nossa sociedade esta a perder o bom senso.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 22:05

É cada vez mais importante, de facto, não andarmos a surfar qualquer onda nem nos deixarmos confundir com manadas. Por vezes o mais importante é isto mesmo: remar contra a corrente.
Imagem de perfil

De Psicogata a 01.09.2017 às 09:14

Estamos num tempo em que as ovelhas tresmalhadas são frequentemente as que seguem o caminho certo.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.09.2017 às 09:15

Ora bem. Grande frase.
Imagem de perfil

De Psicogata a 01.09.2017 às 09:30

Levei para o meu blog ;)
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 31.08.2017 às 11:56

Um jornalixo para uma socielixo. Destila -se ódio, procura-se a desgraça alheia como antídoto da nossa própria miséria.
Instila-se também o medo -fogos, bombas, mísseis -como forma de tornar mais mansa a populassa. Fica sem referências estáveis o que permite um passivismo abjecto em nome de um amanhã radioso que chegará em eclipse
Curioso como aquando da privatização dos órgãos de comunicação social se augurava uma melhoria do tipo de informação prestada, justificada pelas leis do mercado que nos dizem, serem as concorrências livres - competição selvagem entre pares - benéficas para o consumidor. Vê -se isso no jornalismo, Vê -se isso na energia, vê-se isso na administração aeroportuária, vê -se isso no mercado retalhista alimentar, na banca, nas telecomunicações ...a fé neste sistema é uma crença sem evidência. O capitalismo como religião. O único sistema "científico "que não têm evoluído no sentido do bem estar da população
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 31.08.2017 às 13:49

O sistema que tem evoluído é o sistema socialista, como se pode ver na Venezuela. Todos os outros são uma desgraça.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 31.08.2017 às 14:47

Não acertou! Não me venha com essas categorizacões rascas. Apenas afirmo que a culpa da degradação da vida em geral - doenças de incompatibilidade, stress ambiental, etc- resulta de tomarmos o capitalismo como um sistema acabado. E em ciências todos os sistemas evoluem conforme as novas evidências. Vou-lhe dar uma achega : como vamos abordar o desemprego tecnológico?Porque não acabamos com um sistema baseado em hidrocarbonetos -energia geotermal, teconoligia maglev,etc- como se pode defender o ambiente e a gestão de recursos com base numa economia que assenta o seu crescimento no consumo/dívida.? ....e por aí fora...o mal da comunicação social foi terem-na posto nas mãos de corporações cujo única lógica é o lucro e não a qualidade jornalística. E como todos seguem esta lógica não há possibilidade de escolha por parte dos leitores, bem dos directores de redação. Há que pagar aos accionista...pão e circo é o que resta.
Sem imagem de perfil

De V. a 01.09.2017 às 00:18

Essa ideia de "capitalismo" como o Papão também é antiquada. Substituir a livre iniciativa e o engenho humano pelo controlo e a estatização apenas porque se receia os efeitos perversos de um sistema livre apenas leva à miséria, à estatização, ao funcionalismo medíocre que não vê para além do fim do mês. As sociedades humanas definham quando as pessoas com jeito para chefe controlam as pessoas criativas e empreendedoras (e estão sempre com medo deles). Sem estas pessoas o mundo acaba. Sem capitalismo (entendido aqui como livre iniciativa e liberdade para trocar e fazer dinheiro) o mundo implode. Não é possível voltar à caça-recolecção e à troca directa: era giro mas já não é possível (minto: não tinha piada nenhuma). Mais nenhum sistema fez progredir a espécie, e as mudanças no sentido da ecologia e da qualidade de vida têm sido feitas a seu tempo — quando esse conhecimento adquire um formato económico que possa ser utilizado.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 01.09.2017 às 08:19

Apenas afirmo que o capitalismo necessita de ser reformado,e isso não quer dizer que defenda o socialismo. O capitalismo actual é ineficiente - veja-se a quantidade de recursos gastos com o hiperconsumismo e a obsolescência programada- inimigo do ser humano - os indicadores de saúde pública assim o indicam ( stress crônico, perturbações psicológicos, enfartes de miocárdio, obesidade... )- inibe o avanço tecnológico - a investigação de energias alternativas como as baterias eléctricas estão nas mãos de companhias petrolíferas que atrasam a sua aplicabilidade a larga escala- o desperdício alimentar....
Baseia a sua politica num crescimento contínuo que assenta no crédito /dívida. Desligou-se dos setores produtivos e concentrou-se nos sectores financeiros /especulativos.....
O capitalismo/livre mercado baseava-se numa ideia de natureza humana "inventada"no séc. XVIII que é hoje completamente desmentida pelos estudos da biologia evolutiva e antropologia - não somos naturalmente agressivos, competitivos, egoístas, racionais, desempenhando o ambiente e os valores culturais uma influência tremenda na maneira de sermos - veja como os indicadores de violência têm aumentado. Veja as guerras-300 biliões de mortos durante o secXX.
Os grandes grupos bloqueiam a livre concorrência quer por políticas agressivas de consertação de preços, quer pelas fusões que limitam a capacidade de escolha do consumidor. Dominam o sistema político pelos financiamentos partidários e ofertas de emprego. Socializam os prejuízos e privatizando os lucros. E cada vez mais instituições não democráticas decidem as politicas dos países sem ter em consideração a escolha dos seus cidadãos.....é isto o melhor possível?
Sem imagem de perfil

De V. a 01.09.2017 às 11:10

Sinceramente não sei.
Sem imagem de perfil

De José Manuel a 31.08.2017 às 12:25

As redes sociais? A notícia começou por ser divulgada no jornal Público e só depois foi partilhada pelas redes sociais.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 16:08

Sim, as redes sociais. Segundo disse na SIC a própria presidente da CIG (organismo com 59 funcionários), a decisão foi tomada devido à "pressão das redes sociais".
Não pode haver melhor fonte.
Sem imagem de perfil

De João Espinho a 31.08.2017 às 12:28

Muito bem.
Desatento, não me apercebi da morte do galo. Com o tempo vou melhorando os filtros da atenção e há muita coisa que vai directamente para o lixo não reciclável.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 12:40

Mais uma cena ridícula do partido animalista, sempre pronto a estigmatizar o país rural.
Contra este preconceito ninguém se indigna.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 31.08.2017 às 13:04

Infelizmente os números calamitosos das vendas dos jornais só vão piorar ainda mais este cenário, pois para inverter a queda de vendas, a estratégia tem sido, invariavelmente, baixar ainda mais a qualidade da informação que se veicula, com notícias da treta a substituir trabalho jornalístico sério. Estratégia que, diga-se de passagem, nunca resulta. Mas é no que se insiste, uma e outra vez, como se enveredar por uma política de informação séria fosse algo impensável, fora de questão.
Sem imagem de perfil

De P.I. a 31.08.2017 às 14:13

Então tome atenção porque jornais com "notícias da treta a substituir trabalho jornalístico sério" serão os que vão subsistir ou não reparou naquela pergunta que alguém lhe fez que, com a globalização a todo o vapor, se ainda acreditava em mídia independente.

Money money money money
It makes the world go round!

Se quiser, realmente, saber alguma coisa:
Follow the Money

Continuando no dinheiro também há outra pergunta interessante, sobre a nossa Dívida que, em relação ao PIB, continua a subir praticamente todos os dias e já vai nos 138,70% mesmo, com Juros Negativos de 0,086%.
Nada que se compare com a Alemanha com Juros Negativos de 0,736% no entanto, com 19 países com juros negativos ou seja, "até pagam para emprestar dinheiro" (palavras do Presidente) mas, na mesma, com todas as Dívidas a Subir, como convém a Quem e para implementar o Quê?
Mais especificamente, para implementar não Um mas, vários "Quês" em "Várias Áreas" ou também não se lembra do aviso que recebemos ao sair do Procedimento por Défice Excessivo?
Sem imagem de perfil

De João Marques a 31.08.2017 às 23:49

São os computadores quânticos. Já tomaram conta disto. E andam a enganar-nos, afirmando que será apenas dentro de dez anos.

Lê poucos jornais. Ainda há esperança.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 02.09.2017 às 14:40

O ano jornalístico começou com um Congresso de Jornalistas, Teresa. O primeiro do século XXI, o primeiro em 19 anos. Nada de nada se avançou nesse congresso. Nem sequer uma tímida proposta de auto-regulação da classe, constituída em Ordem de Jornalistas (com um quarto de século de atraso).
O resultado está à vista. Novas ondas de despedimentos, novos encerramentos de títulos - alguns muito prestigiados. Ontem mesmo, segundo me informaram, o director de um dos principais jornais recebeu instruções da administração para organizar uma lista de despedimentos.
Mais uma, a somar a tantas outras. Enquanto os jornalistas que restam no activo continuam mergulhados na bolha do Twitter e do FB, extraindo de lá as principais "notícias". Verdadeiras ou falsas, tanto faz.
E com isso vão cavando ainda mais fundo a sepultura da profissão.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 31.08.2017 às 14:17

O mundo rural, caro Pedro Correia, representa para os jovens progressistas, e velhos jacobinos, a resistência mais sólida ao programa de extirpação da alma e da história de um determinado povo. A vivência cotidiana dos costumes, dos usos e das tradições que espelham simultaneamente o afecto ao religioso cristão e pagão assim como, e por outro lado, ao tangível e telúrico. Estes jovens turcos vêm nesse mundo rural a resistência inultrapassável à imposição da sua nova mundividencia!
Lá conseguem, de quando em quando, enganar uns poucos, por apelo à cupidez, das almas mais fracas, ou insidiosamente, à laia das runas, apontando um qualquer cristo que urge decepar (Este verão foram os eucaliptos. E com os eucaliptos lá conseguiram enganar alguns incautos. Pró ano será, talvez, o pinheiro bravo)
A media de referencia vai a jogo, julgando-se a vanguarda doutrinadora.
Não se apercebendo que insta, com a nóvel farsa e censura, à verdadeira farsa que se segue à tragédia! E que tragédias se anunciam se o tino não regressa às mentes desta gente!!
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 31.08.2017 às 14:51

Olhe, quem tem tornado impossível a vida no campo são os tecnocratas de Bruxelas com as suas leis ridículas sobre o tamanho dos caroços. O objetivo dos anafados de Bruxelas é abafarem a independência dos que escolhem ser livres no Campo, para que sirvam de mão de obra obrigada nas Cidades, com os seus empregosinhos de gaita.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.09.2017 às 09:06

Pois, no tempo do doutor Salazar - antes da integração europeia, quando vivíamos "orgulhosamente sós" - é que as gentes do campo viviam felizes e prósperas.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 01.09.2017 às 13:02

Não, Pedro!
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 01.09.2017 às 21:16

Qual o espanto? Quer que diga, sim? A única coisa que admirava em Salazar era ele gostar de vinhos tintos do Dão (na altura dele deveriam ser uma mixórdia. Hoje não...mas nada comparados com os do Douro e Alentejo)

Já ouviu falar num vinho Quinta de ...(qualquer coisa) Coleção familiar? Cada garrafa são 900€ (li na Revista dos Vinhos)....até a urina, depois de bebido, deve valer alguma coisa
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 01.09.2017 às 21:18

Quinta do Piloto...que raio de nome!!

http://boacamaboamesa.expresso.sapo.pt/vinhos/2017-08-01-Quinta-do-Piloto-a-casa-dos-moscateis-raros-e-de-luxo

"O Quinta do Piloto Coleção da Família Moscatel de Setúbal está disponível por €900, o Quinta do Piloto Coleção da Família Moscatel Roxo vai chegar às lojas da especialidade a €650"

Até o vidro da garrafa se deve comer....
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 31.08.2017 às 14:44

Algumas questões:

-Triste o país onde se dá mais importância à palavra de um "humorista" (pouco imparcial, convenhamos) do que a quem está envolvido no assunto ou é especialista no mesmo. Também não será de admirar, quando o Presidente é um comentador de televisão. A minha opinião está no meu blog, se me for permitido partilhar a ligação para não me repetir, terei todo o gosto.

-Triste país onde um partido com um deputado defende o fim das touradas mas depois bate-se por cobrar impostos nessa mesma área - mais receita, mais receita, nem que venha do diabo...

-Triste país onde o partido dito das pessoas, dos animais e da natureza não fala e varre para debaixo do tapete uma das piores épocas de incêndios de sempre em Portugal e onde critica o Governo que apoia (vi eu na AR) mas depois quase como diz "mas está bem assim por isso contem com o nosso apoio";

-País da verborreia, segundo alguém... Alguém esse que se esqueceu de dizer que muita verborreia se deve, por norma, a inacção.

(não tenho qualquer simpatia partidária)

Um abraço e vou ver se ainda consigo rever o "E Tudo o Vento Levou" antes que por cá se censure também...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 22:03

Subscrevo, em particular este seu parágrafo:
«Triste país onde o partido dito das pessoas, dos animais e da natureza não fala e varre para debaixo do tapete uma das piores épocas de incêndios de sempre em Portugal e onde critica o Governo que apoia (vi eu na AR) mas depois quase como diz "mas está bem assim por isso contem com o nosso apoio.»

Abraço.

P. S. - Vou continuar a batalhar nesta questão da nova censura. É muito mais preocupante do que alguns julgam.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 31.08.2017 às 22:17

Temos tendência a não aprender com a história... É crónico. Estou consigo nesse caminho.

Um abraço,

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 22:19

É isso. Muito bem. Abraço.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.09.2017 às 15:11

Diria mais que triste é o país onde a palavra de humorista (que não tem de ser imparcial, pois é um humorista e não jornalista!) é mais fiel à realidade que qualquer outro órgão noticioso, conseguindo expor o óbvio quando quem está "envolvido no assunto ou é especialista no mesmo" pelos vistos já não é capaz de ver.

A mim não me surpreende, nem devia surpreender a quem tem de lidar com o flagelo a que o comum dos mortais chama de "notícias" e media (tradicionais) portugueses. Noutra "notícia" António Costa reforça as intenções de voto (como o fazia antes da "grande vitória" nas últimas eleições), Altice é má (desde que souberam que ia comprar a TVI falha tudo e mais alguma coisa); mais um bocado e elogiam Costa pelo número de mortos em Barrancos, seria certamente muito pior se fosse num governo "neo-liberal" de "direita".

A banda toca e o povo dança e aplaude; menos uns humoristas...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.09.2017 às 15:20

Gralha: substituir Barrancos --> Pedrógão
Sem imagem de perfil

De V. a 31.08.2017 às 15:17

«Podem substituir o galo pelo António Costa?»

Alto lá, este comentário não é assim tão mau quanto isso.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 31.08.2017 às 15:48

Para ser justo e dar a medida das coisas, há que ver que tudo isto se passa em agosto. É a silly season, as pessoas têm poucos assuntos sérios com que se preocupar e muito tempo livre para passear nas redes sociais. O calor também estimula uma certa perturbação do cérebro. Os jornalistas nada têm que noticiar.

Foi o mesmo com os tourinhos de Barrancos.
Sem imagem de perfil

De V. a 31.08.2017 às 16:21

A excepção de Barrancos foi a prova de que o PS é o partido mais reles e ordinário da política portuguesa — e que a mentalidade dos políticos em Portugal é fazer leis com mais excepções do que regras.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 31.08.2017 às 19:22

Bem escrito

http://observador.pt/opiniao/viciados-em-proibir/
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 22:00

Parece-me haver um largo consenso nesta matéria. Se fosse um jogo de futebol o resultado era este: RAP, 10 - CIG, 0.
Sem imagem de perfil

De maria Dulce Fernandes a 31.08.2017 às 22:58

Estava para aqui a pensar com os meus botões se o comunicado do CIG não seria prolixo... Creio bem que sim. Em todas as vertentes.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 23:23

Podemos adjectivá-lo dessa forma, Dulce.
Imagem de perfil

De Paulo Sousa a 31.08.2017 às 19:41

Depois do desmentido os anteriormente defensores do aborto deveriam dizer:
"É um ovo, mas poderia vir a tornar-se um galo!! Bestas sem coração!!"
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 21:59

Parecem baratas tontas.
(Sem ofensa: não quero melindrar o PAN com esta referência às baratas.)
Sem imagem de perfil

De João Marques a 31.08.2017 às 23:18

Os factos são cada vez menos relevantes no simulacro em que se tornou parte da "comunicação social", que privilegia já há bastante tempo a "opinião de rua" e o seu moderno sucedâneo "a opinião rápida e diagonal dos zelotas das redes sociais", a "legião de imbecis [sic]", com opinião sobre tudo e fundamento sobre nada.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 31.08.2017 às 23:25

"Com opinião sobre tudo e fundamento sobre nada". Excelente fórmula, concisa e certeira.

Comentar post


Pág. 1/3





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D