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Do estar desempregado

por Marta Spínola, em 10.06.14

Eu já não estou, é a primeira novidade. Apareceu finalmente o meu emprego e eu acredito com alguma força que vai correr bem. Mas não é disso que venho falar. Tentarei em poucos posts descrever alguns aspectos do lado de quem está nessa terrível posição.

Enquanto se está desempregado passa-se pelas mais diversas situações, observações e opiniões. Mas o pior de tudo é quando o telefone toca, é um contacto para uma eventual entrevista, um teste de idioma, uma hipótese "que pode vir a acontecer, mas ainda sem certezas". Não me interpretem mal, não é o interlocutor ou o que/quem nos levou até ele que está mal, as pessoas fazem o que podem ou está ao seu alcance, e eu tenho algumas a agradecer por terem ajudado na minha busca de trabalho, ainda que sem sucesso.

O pior é mesmo o outro lado, o nosso. O que procura, tenta, ouve e espera uma oportunidade e uma segunda chamada. Sabe que é capaz, pode fazer aquele trabalho sem problemas ou se lho explicarem, deixa-me lá pensar o que levo vestido para a entrevista. E o novo contacto tarda, e acaba por não chegar. Mas sempre que há um novo, toda a esperança se renova e recomeça, vai ser bom, aquela zona até é boa e eu não me vou atrapalhar, eu faço o que for preciso. É como se o que está para trás não importasse já, deixa lá, alguma coisa havia de haver para ti caramba, já chega de esperar. E foram algumas vezes em que afinal ainda não era desta.

Comigo foram dois anos. Não estive parada e tive experiencias enriquecedoras, estive em lugares onde não me imaginei, vi o lado bom de muita gente. O mais difícil foi mesmo esse jogo esgotante da energia para começar de novo e a desilusão de ainda não ser dessa vez.

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15 comentários

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De António Barreto* a 11.06.2014 às 00:20

Parabéns e boa sorte. Há algo errado em tudo isto!
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De Marta Spínola a 11.06.2014 às 09:45

Obrigada. Espero que outros vejam a luz ao fundo do túnel como eu vi, mesmo não dependendo só de nós.
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De Sérgio de Almeida Correia a 11.06.2014 às 03:02

Fico satisfeito por saber, Marta. Nas situações mais difíceis também se aprende alguma coisa. Boa sorte e bons posts.
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De Marta Spínola a 11.06.2014 às 09:45

Verdade, aprendi bastante nestes dois anos. Sou uma pessoa diferente e mais certa do que tem ou não realmente importância. Obrigada.
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De da Maia a 11.06.2014 às 10:46

Numa sociedade minimamente evoluída, o desemprego não é um problema individual, é um problema de desequilíbrios económicos.
Cada vez mais, a economia precisará de menos mão-de-obra para as actividades económicas clássicas, e outras actividades, não sendo remuneradas, não entram na economia, nem sequer despertam.

Há poucas soluções para o excedente de mão-de-obra:
- a versão liberalóide - desenrasquem-se, peçam esmola...
(algo semelhante à Inglaterra de Charles Dickens)
- a versão estatalóide - subsídios de desemprego
(a solução escandinava, que teve que ser corrigida)
- a versão nova economia... que tarda em aparecer, e que não sendo criada espontaneamente, tem que ser patrocinada pelo estado... como foi toda a economia do pós-crises. Algo semelhante ao New Deal de Roosevelt...

Essa nova-economia deveria ter aparecido pela bolha informática no início de 2000, mas não se repôs do ataque financeiro ao Nasdaq em 2002.
A Google é uma plataforma económica que deveria ter uma importância económica muito maior do que a que tem.
Há inúmeros serviços gratuitos na internet que representam economia não contabilizada. O valor desses serviços está a ser explorado pelos providers, e não chega aos produtores de conteúdos. Tudo isso é um problema que não se resolve com simples publicidade. A publicidade está apenas a dar relevo à velha economia.
Há toda uma legislação que falta criar, para dar relevo à nova economia.
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De Marta Spínola a 11.06.2014 às 16:11

Sim. No entretanto há que sobreviver.
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De da Maia a 11.06.2014 às 20:56

Tem razão. Isto é na teoria, mas na prática ninguém muda nada enquanto a pressão social não atinge um ponto limite.
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De Pedro Correia a 11.06.2014 às 12:07

Muito bem, Marta. Parabéns. É importante partilharmos estas experiências. O desemprego é demasiadas vezes referido como algo abstracto, para efeitos estatísticos, quando é um drama muito premente e muito concreto. Pessoal e transmissível.
Sei do que falo: já estive três vezes desempregado. Em conjunto, totalizou dois anos. E de todas as vezes senti precisamente o mesmo que tu: que isso me fazia valorizar ainda mais aquilo que merece ser valorizado. E de cada vez que recomeçamos estamos mais frágeis por um lado mas mais fortes por outro.
Um dia destes sou capaz também de escrever sobre isso aqui.
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De Marta Spínola a 11.06.2014 às 16:12

Verdade, Pedro. Não escrevi antes porque também desenvolvi um lado mais popular e não queria "agoirar" a minha sorte antes de ter emprego. Agora as memórias vão ficando menos claras, mas tentarei cá deixar mais um ou dois aspectos característicos dessa fase.
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De atento a 11.06.2014 às 15:12

como a compreendo ...
2a e 3 meses a tentar
a tentar ... a tentar...
boa sorte.
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De Marta Spínola a 11.06.2014 às 16:16

Boa sorte, tendo uma rede de contactos use-a, é o melhor conselho que posso dar.
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De H a 11.06.2014 às 16:15

Cara Marta,

Parabéns, e as maiores felicidades. Li na sua experiência a minha, a sucessão de sobressaltos de esperança com sensações de irrelevância. É realmente um jogo esgotante, que até amachuca quando sabemos que aquela oportunidade era a tal, e as coisas não acontecem sem se perceber porquê...

Cumprimentos,
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De Marta Spínola a 11.06.2014 às 19:51

É mesmo isso. Um perigo para a auto-estima e a forma como se encara o amanhã.
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De William Wallace a 11.06.2014 às 20:49

A sua frase diz tudo , nos dias que correm um emprego ou trabalho que seja remunerado tem como (pelo menos para mim) segunda remuneração um elevar da auto-estima e a forma diferente (+ positiva) como se encara cada dia.

Desejo-lhe felicidades neste novo desafio e saiba também que eu todos os dias vou aprendendo muito com essa situação, infelizmente mais do que aquilo que pensava ser possível.

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De Marta Spínola a 11.06.2014 às 22:05

Obrigada e boa sorte.

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