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Dez livros para comprar na Feira

por Pedro Correia, em 08.06.17

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 Livro oito: Prantos, Amores e Outros Desvarios, de Teolinda Gersão

Edição Porto Editora, 2016

140 páginas

 

O conto volta a estar na moda entre nós? Se for assim, todos quantos apreciamos este género literário devemos congratular-nos. A satisfação redobra ao verificarmos que esta aposta das editoras distingue obras de indiscutível qualidade. Falei de uma há dias, falo desta hoje. São 14 histórias em que Teolinda Gersão se confirma como uma exímia cultora da ficção em formato curto. Sem uma palavra em excesso, com pleno domínio da técnica da escrita e uma gama larga de registos estilísticos que nunca deixa de surpreender o leitor.

“O que Teolinda faz é escrever a vida”, sublinha Maria Alzira Seixo, leitora atenta desta ficcionista que se estreou em 1981 com a publicação do romance O Silêncio, logo distinguido com o Prémio do Pen Club. É uma síntese certeira desta obra que nunca se compraz com a excelência formal ou o culto narcísico de quem tão bem domina o idioma: a prosa de Teolinda Gersão faz questão de nos conduzir a temas e variações da natureza humana, confrontando-nos com situações emblemáticas da nossa fragilidade existencial. Situações quase sem referências cronológicas ou geográficas, como se pudessem ocorrer em qualquer lugar e em épocas imprecisas das últimas décadas, despojadas de afectos na razão inversa da acumulação de bens materiais.

Alguns destes contos são autênticas peças de filigrana. “O Meu Semelhante” – delicioso preâmbulo à luta de classes num condomínio fechado, repassado de terna ironia. “Uma Tarde de Verão” – reencontro entre dois antigos amantes confrontados com a irreversível erosão do tempo no mesmo cenário de outrora. “As mimosas” – magoado exercício de nostalgia, com as flores simbolizando a frágil e fugaz matéria de que são feitos os sonhos. Ou a magistral autenticidade que emana de histórias escritas na primeira pessoa do singular, como “Pranto da Mãe Mentirosa” e “A Mulher Cabra e a Mulher Peixe”.

"É tudo um equívoco, nunca deixamos de estar sós. A vida não é fácil, nem feliz." Palavras de uma personagem que Teolinda aqui nos traz. Podemos escutar nela os ecos mais profundos da nossa própria voz.

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