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Depois do fogo

por Tiago Mota Saraiva, em 23.10.17

Captura de ecrã 2017-10-23, às 17.27.58.png

 

Também publicado no jornal i

 
Não lerão, da minha parte, qualquer ataque a quem decide manifestar-se ou expressar a sua indignação das mais diversas formas perante a devastação e a tragédia que tem vindo a assolar o país, apesar da forma ignóbil como os dirigentes dos partidos de direita se têm tentado aproveitar destas manifestações contra uma desgraça pela qual são, tão ou mais, responsáveis que o actual governo. O posicionamento político de cada um não pode servir para normalizar ou desvalorizar a indignação perante a tragédia humana tal como a sua exploração partidária deve ser motivo de repúdio em qualquer sociedade decente.

Anseio para que esta discussão se afaste rapidamente dos salões protocolares de Lisboa, em que pululam Conselheiros Acácio com pouca vida além deles, para que se ganhe novos construtores e activistas pelo direito ao território, à floresta, ao ambiente e a viver em paz.

Esta semana, mais uma vez, estive em vários locais da área ardida. O que se passou entre 15 e 16 de Outubro é um desastre de maiores proporções do que o que está a ser descrito. Uma semana passada há aldeias que ainda não foram visitadas pelas autoridades, há construções e árvores em risco de queda, entulhos por limpar, infraestruturas (água, luz e comunicações) por restabelecer e pessoas à espera de ajuda. 48 horas após a passagem do fogo vi gente que ainda usava a roupa com que o tinha combatido, com escoriações por tratar e com medo do futuro. O desastre pode ser ainda maior se nada se fizer antes das primeiras chuvas de intensidade própria da época. Há muito trabalho por fazer e os recursos existentes não chegam para o levar a cabo.

Evitando voluntarismos vãos, tantas vezes vampirizados por quem vive da miséria alheia ou traduzidos em acções pouco mais que inglórias, importa mobilizar e organizar a sociedade civil para reforçar o apoio às vítimas e ao território. Há dias uma amiga perguntava-me como podia ajudar, sendo que disponibilizava uma semana de trabalho para estar no terreno. Não soube o que responder.

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7 comentários

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De maria a 23.10.2017 às 17:49

Foi mais correto o PC e BE em2015 acusar o governo de culpado de 2 mortes e 1/10 de área ardida? Pediam demissão total e não à peça.
Demagogia pura!
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De jerry khan a 23.10.2017 às 18:36

está tudo numa boa ...merda
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De Anónimo a 23.10.2017 às 20:24

Os adjectivos usados não são uma assinatura ?
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De Beatriz Santos a 23.10.2017 às 20:28

creio que teria - como tanta gente, que os portugueses são generosos - matéria para doar: loiças, roupa de cama, talheres, atoalhados...Também poderia ajudar in loco. Mas não há quem informe. E quem é do sul está longe demais. Seria necessária uma entidade ou um conjunto de particulares próximos e conhecedores das carências maiores para montar um esquema de recepção e distribuição de bens em locais assinalados e difundidos. Quem faça um levantamento de mão de obra prioritária e distribua serviço. Não sei por exemplo se os bombeiros fazem o trabalho de recolha e entrega de bens. Após o fogo de Pedrógão, sim, fizeram. Mas desconhecemos se o que doámos lá chegou...neste rectângulo tudo parece longe. Como se entre norte e sul haja uma incomensurável distância. E possamos ser alheios a quem é como nós, igual; e sejamos tão descompadecidos que os abandonemos à desgraça. É tempo de acompanhar e remediar, já que mais não sabemos. De fazer saber que não estão sozinhos nesta provação. Por exemplo, como ajudar quem perdeu casa e bens. Vivem de amigos e família, não têm um lugar onde deitar a cabeça e a que chamem seu. Que tristeza tamanha...
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De campus a 23.10.2017 às 22:07

Caro Tiago, grande confusão o seu artigo. Começa por dizer que todos têm direito á indignação para a seguir afirmar que a direita não tem direito pois vindo deles é aproveitamento ignóbil, prosseguindo a deitar as culpas das tragédias com mais de cem mortos aos partidos da direita e não ao PS que governa e mais largamente tem sido o responsável da governação do País desde o 25 de abril. É obra e faciosismo descarado.
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De Jorg a 24.10.2017 às 13:14

A sério? Depois de tudo, incluíndo a sua estadia em vários locais da area ardida, o seu desabafo a isto se resume? O substantivo mais saliente é o de "ignóbil" para as direitas? Não viu, ouviu, leu mais nada ignóbil nestes passeios por cinzas?
Não admira pois que não soubesse o que responder á sua amiga.
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De Octávio dos Santos a 24.10.2017 às 19:36

«… Forma ignóbil como os dirigentes dos partidos de direita se têm tentado aproveitar destas manifestações contra uma desgraça pela qual são, tão ou mais, responsáveis que o actual governo.»

Deduzo que os «partidos de direita» mencionados sejam o PSD e o CDS, embora de direita pouco ou nada tenham… Porém, não é isso o que de mais inacreditável, e estúpido, esta «posta» tem, mas sim que aqueles «são, tão ou mais, responsáveis que o actual governo» pelos incêndios deste ano que causaram mais de 100 mortos! Óbvia, pura e simples, ridícula, mentira… e como que uma «cuspidela» nas covas das vítimas.

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