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Delito de opinião.

por Luís Menezes Leitão, em 02.11.17

Não consigo compreender como é possível mandar para a prisão os governantes de um governo deposto pelo simples facto de terem executado o programa com que se apresentaram a eleições, as quais lhes deram a maioria no parlamento. Em Espanha neste momento há processos com acusações por penas gravíssimas e medidas de coacção desproporcionadas apenas por simples delito de opinião. Estes governantes estão presos porque não se consideram espanhóis e quiseram que a sua região fosse independente. E já agora, alguém acredita que as eleições convocadas ao abrigo do art. 155 vão ser realizadas adequadamente quando os líderes independentistas são previamente sujeitos à prisão ou ao exílio? Fala-se tanto nos regimes ditatoriais do leste da Europa e assiste-se sem uma palavra a estas coisas aqui mesmo ao lado.

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33 comentários

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De Vento a 02.11.2017 às 17:50

O governo belga também não quer que se fala muito a propósito da Catalunha, por causa da questão da Flandres e da Valónia. Talvez Espanha também receie que os bascos iniciem uma luta à Puigdemont, sem armas e sem sangue.
Puigdemont introduziu o conceito da resistência sem sangue. Espero que a Europa atente a isto.
A prisão desses elementos vem revelar-nos que os conceitos e preceitos fascistas/estalinistas continuam a ter uma face legalista.
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De Anónimo a 02.11.2017 às 19:37

Puigdemont introduziu o conceito da resistência sem sangue. Espero que a Europa atente a isto.

Vento menos emoção ( ? ) e mais razão.

Penso que quem introduziu esse conceito foi Gandhi.

Querer obrigar 70% da população de uma suposta entidade territorial que nem tem fronteiras que se possam definir facilmente a aceitar o que meia duzia de lunáticos querem não cabe na cabeça de ninguém a não ser das mentes daqueles que são a favor de estados fantoche como o Kosovo ou estados falhados como a Líbia e a Síria .
Querer embarcar nestas fantochadas dá sempre mau resultado para os do costume além de que a maioria dos que por cá defendem os supostos catalães puros são os 1ºs a renegar os legítimos anseios da população do Donbass e da Crimeia que não querem ser governados por um governo fantoche imposto pela oligarquia que domina a Europa.

Quanto á Hungria, Polônia e Inglaterra ( que também fica no leste da Europa - lol ) e demais estados e populações que não querem sucumbir debaixo da bota da UE só têm é de ser vistos como exemplo.

WW
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De Vlad, o Emborcador a 02.11.2017 às 20:18

Se Madrid continuar assim os independentistas vão ter absolutamente maioria absoluta.

Quanto a Estados fantoches/falhados , isso é o quê? Serão porventura todos os Estados do Centro e Leste Europeu? Países que têm menos de 300 anos ....ou o Luxemburgo? Mónaco? San Marino? Vaticano? Chipre? Israel? Timor? Angola? Iraque? Índia? Paquistão? ....a lista é interminável
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De Anónimo a 03.11.2017 às 09:26

Vlad você sabe perfeitamente o que quis dizer com estados falhados.
A Siria, o Iraque ( que me esqueci de referir) e a Libia eram estados viáveis e ordenados quer se gostasse ou não.
Já o Kosovo é um estado fantoche criado unicamente para subjugar ainda mais a Sérvia e irritar Moscovo que felizmente agora não é governado por bananas mas por pessoas que põem o interesse da sua Pátria acima de tudo.

WW
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De Vento a 02.11.2017 às 22:06

WW,
Ghandi fez isso na India. Conhece alguma resistência na Europa em que não tivesse havido sangue. Por exemplo, recorda-se da Irlanda (IRA) e do país Basco (ETA)?
Eu não estou nada emocionado. Fantochada foi terem boicotado um referendo. O meu caro faz um périplo por vários países cujo problema em nada se compara com a Catalunha.
Escreva sobre o Curdistão.
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De Anónimo a 03.11.2017 às 09:30

O Vento agora parece o Pedro Correia.
Tem razão esqueci-me do Curdistão, problema que só existe porque o Iraque foi transformado num estado falhado.

WW
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De Vento a 03.11.2017 às 10:10

Mas os curdos já combatiam antes mesmo do Iraque ser transformado nesse Estado falhado. Ainda se recorda do PKK?
A semelhança ao Pedro deve ser algo relacionado com o direccionamento de seu pensamento.
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De Vlad, o Emborcador a 02.11.2017 às 17:53

Uma estupidez do camandro. Até parece que andam com vontade de criar mártires políticos. A lançar gasolina no fogo independentista.

Foram cometidos crimes da sangue?

Burrice!

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De Beatriz Santos a 02.11.2017 às 18:42

Espero bem que seja só barulho para assustar e dê em nada. Mas também não sei como fica a face do governo espanhol se tudo resulta em fogo de vista.
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De Rui Henrique Levira a 02.11.2017 às 19:00

O que se não compreende é que alguém que tenha o mínimo conhecimento do que é a Espanha dos dias que correm escreva tais barbaridades.
Atribuir intenções políticas à Justiça de um Estado onde existe e se pratica a separação de poderes (alguém se atreveu a, em Portugal, chamar "presos políticos" a Sócrates ou a Isaltino? Ou quem, em Espanha, apodar como tal os políticos do PP que são condenados por corrupção?) é algo que sai de qualquer lógica e de qualquer leitura da realidade que se reclame minimamente informada.
O pior, no entanto, não é tal olímpico disparate: o pior mesmo é o inacreditável e muito inteligente pulo (i)lógico do apontar para a ilegitimidade das futuras eleições autonómicas de 21-D, visto que quem é acusado de cometer reiterados atropelos à Lei e, sendo por ela convocado, se não apresenta, está... na prisão.
Causa-me verdadeira perplexidade a sanha com que alguns muito democráticos comentadores defendem, uma e outra vez e de forma cada vez mais irracional, a destruição do edifício que, aqui ou em Espanha, a todos nos protege: o Estado de Direito.
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De Vlad, o Emborcador a 02.11.2017 às 19:44

Um pouco mais de humildade. Menos soberba. Parta do princípio que do Direito o Professor Doutor Luís Menezes Leitão provêm as suas razões.

Quanto à independência do Poder Judicial do Poder político deixo-lhe esta.

Candidatos do PS e do PSD ao Tribunal Constitucional são da maçonaria.

José Conde Rodrigues e Paulo Saragoça da Matta, indicados pelo PS e pelo PSD, respectivamente, para ocuparem as funções de juízes do Tribunal Constitucional (TC) pertencem ao Grande Oriente Lusitano, a corrente maçónica mais influente em Portugal.

Indicados por Partidos Políticos e irmãos maçons. A quem devem lealdade? Conhece o juramento maçon?

'O Supremo Tribunal Administrativo é uma loja maçónica criada, instalada, dirigida e presidida por maçons – como, aliás, o Supremo Tribunal de Justiça é uma loja maçónica, criada e instalada por maçons'. A afirmação é feita por José Costa Pimenta, juiz de Direito

“Eu, (nome), juro e prometo, de minha livre e espontânea vontade, pela minha honra e pala minha fé, em presença do Supremo Arquiteto do Universo, que é Deus perante esta assembléia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que sempre ocultarei e nunca revelarei qualquer uma das artes secretas, partes ou pontos dos mistérios ocultos da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um bom e legítimo irmão ou em loja regularmente constituída, nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Juro também ajudar e defender meus irmãos em tudo o que puder e for necessário, e reconhecer como Potência Maçônica regular e legal em Portugal o Grande Oriente Lusitano, ao qual prestarei obediência. Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado, e meu corpo enterrado nas areias do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus, e desonrado para com todos os homens. Amém”.

Amém também para o trolha
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De Rui Henrique Levira a 02.11.2017 às 20:51

Eis que a Maçonaria é metida ao barulho... E, quando falamos de decisões de uma juíza espanhola, rapa o atentíssimo Vlad das alegadas congeminações maçónicas de juízes... portugueses. Quer-me cá parecer que o prezado Vlad é que denodadamente busca a secessão de Espanha, porquanto nessa sua cabeça, no que toca a poder judicial, a União Ibérica é já uma sólida realidade... Decididamente, só falta o pão...
Gostei sobremaneira desse seu puxar pelos galões... alheios. Devo depreender que as asneiras - facilmente comprováveis como sendo asneiras, aliás - com que o autor do "post" nos tem brindado recorrentemente no tratar do caso catalão são um dogma a não violar porque o excelentíssimo Luís Menezes Leitão, na sua magnífica sabedoria jurídica, ensina o que é um Estado de Direito a toda a magistratura espanhola? É já a seguir, meu caro...
Soberba, prezado Vlad? Se soberba eu tenho, que devo eu chamar a quem insiste em fazer da atual Espanha um qualquer El Salvador dos anos 80 e, com isso, dar lições de democracia a 40 milhões de espanhóis que, como bons carneiros que são (ui,ui!!!), vivem obedientemente sob cruel ditadura? Gente humilde?
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De Vento a 02.11.2017 às 22:16

Henrique, por vezes os problemas dos Estados de Direito é terem leis tortas e mal interpretadas e aplicadas. Quando isto acontece, perde-se o direito em favor da lei.
Só conheço uma Justiça que liberta: a Divina. É esta que dá oportunidade à pessoa em se transformar e reiniciar. A outra só procura regular, mas não liberta. Por isto mesmo as libertações costumam ser sangrentas. Espero que não venha a ocorrer isto na Catalunha.
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De Rui Henrique Levira a 03.11.2017 às 13:21

Tem toda a razão, meu caro Vento. Contudo, essa Lei pode não libertar, mas é ela que torna civilizada e viável qualquer grei que por viável e civilizada se tome. E isso aqui ou na Catalunha.
Já, por outro lado, convém tomar com o devido grão de sal certos protestos de opressão que, recorrentemente se ouvem. No caso curdo, ele há que lembrar que o pai do Sr. Massoud Barzani foi financiado, treinado e armado pelo Estado de Israel para desestabilizar o Iraque. E isto muito antes de entrar em cena o Sr. Saddam Hussein. O que nos faz compreender o entusiasmo israelita perante a perspetiva de um Grande Curdistão. Não esquecer também que o suposto Curdistão independente do Sr. Barzani é um feudo do seu clã (o outro grande clã é o dos Talabani), clã esse corrupto até à medula e ditatorial até ao tutano. Independência para melhor roubar e oprimir? Só se for isso...
Se voltarmos ao caso catalão, e fazendo uma breve revista dos nomes de família de certos corifeus do secessionismo em (pífio) curso, chegaremos à conclusão que não poucos dentre eles são filhos e netos de proeminentes franquistas catalães. O que nos leva a uma pergunta: quando essa muito democrática gente apoda os espanhóis de "fachas", o suposto crime desses espanhóis foi (e, surrealmente, segundo eles continua a ser) o de serem franquistas (como o foram os seus avós Cambó e Conde Godó) ou o de não serem catalães de rija cepa cuja catalanidade é a água benta que lava todo o pretérito pecado?
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De Vento a 03.11.2017 às 19:20

Aponta questões interessantes, Henrique, que importa olhar no seu contexto. As vindimas ocorrem até ao lavar dos cestos, e só depois das uvas pisadas é que se pode determinar a qualidade da colheita.
Vem isto a propósito para dizer que em torno da questão curda os interesses são muitos, e que a cada nova situação se lhes acrescem outros tantos. Quem tem um propósito e ainda não possui organização estável não olha para quem lhe oferece o cavalo, mas ao que pode fazer com o bicho que lhe é oferecido.

Significa isto que a ética só pode ser invocada quando, por suas legitimas reivindicações, é dada a possibilidade de se estabelecer as características dessa mesma Lei que refere no primeiro parágrafo de seu texto. E acrescento: isto aqui, na Catalunha e lá mais para a zona onde também há desertos de todo o tipo.

O restante de seu texto lembra-me, como exemplo, o argumento que se usa para atacar os Santos que a Igreja olha como exemplo, exemplo vindo do Alto. Claro está que aproveito para reforçar o conceito da Lei que Liberta que lhe dava conta em outro comentário.
Serei mais preciso. Muitos e muitas afirmam que alguns desses Santos tinham sido uns pecadores, e quiçá promíscuos.
Porém a Glória de Deus, e a Justiça Divina, tem destas coisas, isto é: mostrar que não existe Santo sem passado nem pecador sem futuro. Eis aqui a santidade que é conferida pela Justiça, pois só Deus é bom..
Qual delas agora escolhe, Henrique?
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De Rui Henrique Levira a 03.11.2017 às 21:45

Vamos lá a pôr os pés na Terra, prezadíssimo Vento, e deixar as santidades fora da política, onde elas foram, são e serão raríssimas (até o bom do Gandhi, essa santidade manchou ao declarar-se admirador da utopia agrária de Benito Mussolini, imagine-se).
Agradeço, desde já, a sua amável análise ao que eu anteriormente escrevi.
Devo dizer-lhe que esse não olhar aos dentes do cavalo dado sempre foi o cavalo-de-Tróia de insignes assassinos. Assim de repente, lembro-me de um senhor chamado Jonas Sidónio Malheiro Savimbi, o tal que, enquanto despachava pela bala, pelo cacete, pela catana ou pelo fogo todo aquele que lhe parecesse um empecilho, reclamava as suas credenciais independentistas aliando-se ao Exército Português na caça aos membros do MPLA e puxava o lustro aos seus galões democráticos e pan-africanistas dormindo na mesma cama com a África do Sul do Apartheid. O Sr. Barzani é farinha do mesmo saco.
Devemos não esquecer o contexto de certos discursos independentistas. O pai do Sr. Barzani prestou-se ao papel de marioneta de Israel e pretendia chegar, dessa forma, a uma independência apoiada por um Estado que ilegalmente (é a ONU que o diz) outro Estado ocupa e recorrentemente massacra o povo desse Estado. Por sua vez, o seu filho tem em Israel o único apoiante do seu suposto Estado independente. Há nisto uma coerência? Há, certamente: a coerência de quem não olha a meios para atingir os seus fins. E tal postura, meu prezado Vento, não augura nada de bom até, quanto mais não seja, para os próprios curdos que sob o mando corrupto e ditatorial de Massoud Barzani se encontram.
Saudações cordiais, meu caro Vento.
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De Vento a 03.11.2017 às 22:49

Eu continuo na terra com os olhos postos no reino, neste que aqui se inicia. A santidade é uma espécie de provocação para quem dispara tão forte sobre as misérias que são comuns, somente são diferentes as circunstâncias.

Não é correcto o que o Henrique afirma. Se tem andado atento às questões do médio-oriente reparou que os ataques da Turquia aos curdos praticamente cessaram com a entrada da Rússia no terreno. Por um outro lado, permita que deixe aqui a tradução publicada pelo Público de uma entrevista a Massoud Barzani para que possa ter a percepção dos apoios e interesses que giram em torno dos curdos e também na região:
https://www.publico.pt/2017/10/05/mundo/noticia/com-massoud-barzani-no-dia-seguinte-ao-referendo-1787682

Por outro lado, eu não afirmei sobre os dentes do cavalo, mas sobre o cavalo que até tem dentes sãos, e todos eles caminham muito bem e não se importam de levar outros no lombo, neste caso os curdos. O interesse é tão vasto e as forças no terreno são tantas que importa gerir a situação com luvas de pelica:
https://www.youtube.com/watch?v=1W_f_Azs5D4
https://www.youtube.com/watch?v=-4gUzgmAuPM
Com calma analise as reportagens e extraia as suas conclusões sobre o que pretendo dizer.

Eu também me lembro do Savimbi, do Neto, do Holden Roberto, do Chipenda (com quem estive pouco antes de ter falecido), do Nito Alves e outros mais. Mas os que recordo com simpatia são os irmãos Pinto de Andrade.
O Henrique acredita mesmo que Savimbi foi morto pelo tal batedor? E também acredita que Luanda, em 75, não caiu por causa do contra-ofensiva das tropas cubanas?
Mas também recordo operações com indígenas, os Flechas que recebiam treinos de forças especiais e também da PIDE, e que serviam de anjos da guarda aos rapazes nacionais que se encontravam no teatro de operações. A palavra PIDE provavelmente causar-lhe-á arrepios. Mas em África fizeram o papel de anjos da guarda; e se muitos saíram de lá com vida a estes devem. Depende da perspectiva, não é?
Mau caro Henrique, as circunstâncias são diversas. E nas guerras também se sacrificam situações com o olhar na meta.

Penso que nestas matérias o Henrique necessita abrir-se mais ao todo e não ver somente a parte.
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De Rui Henrique Levira a 04.11.2017 às 15:59

Caro Vento, que me interessa se Savimbi foi morto pelo batedor ou não? O que a mim interessa é que Savimbi já deveria ter experimentado aquele fim há muitíssimos anos. Tal morte teria poupado a vida a centenas de milhares de angolanos. Por outro lado, muito me alegro que ao senhor sobre matéria para tais académicas cogitações, pois a mim, infelizmente, nenhuma dúvida sobra acerca de quem, quando e porquê exterminou Tito Chingunji, Wilson dos Santos e respetivas famílias.
Quanto ao tal cavalo, pouco me importa se ele é louvado por ser cavalo ou por ser burro que nos carregue, pois o que a mim importa (a si também?) é se ele faz o caminho até uma suposta liberdade pisando centenas de milhares de cadáveres ou não.
Agradecendo sinceramente as suas leituras da situação, convirá o caro Vento que eu, previamente a escrever o que quer que seja, também fiz as minhas aturadas leituras e tirei as minhas conclusões.
O Sr. Barzani fez, na parte do território iraquiano que ilegalmente tomou por sua, uma limpeza étnica por mão alheia: os curdos desarmaram e deixaram à mercê do Estado Islâmico os Yazidis e os Cristãos Assírios e fizeram-no com a esperança de, no virar da maré da guerra, encontrarem o território por eles ancestralmente ocupado totalmente despovoado e pronto a ser "curdificado". Os fins justificam os meios, meu caro Vento?
Mais: o bom do Barzani, nessa sua jogada de limpeza étnica por interposta força, jogou nesciamente com o fogo. O EI depressa quis tomar aquilo que estava na posse do Sr. Massoud. Quem foi que impediu o total massacre das forças do astuto líder curdo? Pois foram esses mesmos iranianos (sim, iranianos) a quem ele espetou a faca nas costas com a sua declaração de "independência". Os fins justificam os meios, meu caro Vento? Se sim, chamemos às coisas o nome que têm: os fins (a constituição de um feudo pessoal corrupto e totalitário) justificam os meios (a limpeza étnica por mãos alheias e a constante traição).
Por falar em brincar com o fogo, e voltando um pouco atrás, esses "Flechas" (obrigado pela informação que eu, obviamente, desconhecia, meu caro Vento) serão os mesmos que, segundo militares portugueses no terreno, se bandearam para a UNITA e, um dia após o 25 de Abril de 1974, massacraram uma coluna de militares portugueses em descontraído trânsito, rematando os feridos à catanada? O que, segundo esses mesmos militares portugueses no terreno, correspondeu a uma fria jogada de Savimbi que lhe proporcionasse aparecer nas mesas de negociações com as credenciais de "lutador independentista".
Os fins (o atingir do poder por um psicopata megalómano) justificam os meios (o assassínio a sangue frio de 19 compatriotas seus)?
Cumprimentos, meu caro Vento.
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De Vento a 04.11.2017 às 22:20

Começo pelo fim. Esses Flechas não são o que o Henrique diz: são maioritariamente, mas não só, indivíduos ostracizados por outras tribos e que, por serem excelentes batedores e guerreiros (bosquímanos), associaram-se a quem também os protegeu. Eles não estiveram ligados a essa situação O caso dos Flechas veio à colação para lhe mostrar que o facto de terem colaborado com as forças portuguesas não transforma ninguém em vil traidor. Eles também salvaram vidas.
Geralmente quem faz a guerra, tendo também seus ideais, possibilita a legitima liberdade de outros idealistas comentarem as acções por um outro plano, mas sem nunca se terem confrontado com aqueles momentos em que é necessário decidir e sacrificar alguns princípios. É e foi esta a tese de meu comentário.

Quando rebentou o denominado terrorismo, decapitaram-se pessoas, brancos e negros, espetaram-se varas em vaginas de mulheres grávidas, brancas e negras, e outras atrocidades que ferem certamente também a sua sensibilidade; e estas também foram levadas a efeito por guerrilheiros de um movimento de libertação, que até nem têm que ver com o movimento de Savimbi, que não existia, contra os seus próprios irmãos, por pertencerem a outras tribos. Será que a sua memória é selectiva ou também lhe causa horror esta situação?

Após o 25 de Abril as populações foram entregues à sua sorte sem que as forças portuguesas tivessem avançado para sua protecção.
https://www.jn.pt/sociedade/interior/ficheiros-secretos-sobre-desaparecidos-em-angola-1327020.html
https://www.publico.pt/2009/08/05/politica/noticia/ficheiros-secretos-da-descolonizacao-relatam-abandono-de-portugueses-presos-pelo-mpla-1394793
http://cangue.blogspot.pt/2009/07/quiseram-correr-com-os-brancos-de.html

Quando o MPLA atacou um elemento das forças especiais portuguesas, a resposta foi esta em Luanda, tendo-se registado 14 mortes e mais de duas dezenas de feridos do lado das FAPLA, forças armadas do MPLA (todos os elementos das forças especiais que participaram nesta acção saíram ilesos):
https://www.youtube.com/watch?v=tVLqC98i2RE

Foi um acto isolado de um comandante, que os tinha no sítio, das Forças Portuguesas que devia ter sido seguido em muitas outras situações, até mesmo para defender os cidadãos, negros e brancos, que desprotegidos foram perseguidos e pilhados. E a partir daqui (Julho de 1975) acabou-se a "tosse" contra elementos das Forças Portuguesas.

Sobre Barzani:
http://pt.euronews.com/2017/10/29/massoud-barzani-abandona-presidencia-do-curdistao-iraquiano
Barzani mantém-se no activo, será o povo curdo que decidirá sobre se ele deve ou não representá-lo em outras esferas.

Certamente pretende referir isto:
http://www.voltairenet.org/article198556.html

Aqui chegados, uma questão se impõe colocar ao Henrique: é contra ou a favor da autonomia, e posterior independência, do povo curdo?
Parece-me que o Henrique procura desviar o olhar para uma questão pessoal, que tem contornos que ainda não foram totalmente esclarecidos (mas que admito ser como o Henrique diz. Nota: A ONU ainda não se pronunciou sobre esta situação), quando está em causa a legitimidade de um povo.

Henrique, a guerra não é uma tertúlia de tricô.
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De Rui Henrique Levira a 05.11.2017 às 00:24

Pois não, meu caro vento. Mas não se esqueça de juntar a esses "Flechas" bosquímanos os desertores da FNLA e da UNITA (e alguns do MPLA, como é sabido) que lhes fizeram companhia. Chamar a estes últimos o nome de traidores é toda uma infâmia na qual eu convictamente incorro e chamo minha. E, já agora, eu jamais disse que os "Flechas" alguma coisa eram; o que eu disse foi o que eles fizeram naquele 26 de Abril de 1974: bandearam-se para o lado da UNITA e, em conjunto com ela, massacraram uma descontraída coluna portuguesa em trânsito.
Gostava que o meu caro Vento apontasse nos meus anteriores comentários o parágrafo onde defendo eu os massacres racistas e tribalistas de 1961 da UPA, bem como gostaria que me explicasse o que liga os confrontos de Vila Alice com o massacre premeditado e inclemente de 19 militares portugueses pela UNITA, um dia após o 25 de Abril de 1974. Quanto a esse comandante português - o tal que "os tinha no sítio" - que pena não ter ele estado em Sá da Bandeira - e em outros locais de Angola - quando os homens de Savimbi fizeram o gosto ao dedo assassinando cidadãos portugueses.
Quanto ao Barzani, pouco me interessa se esse senhor, depois de constatar que o seu "independente" país de um chefe só estava sozinho na cena política local e internacional, abandonou o poleiro. O que me interessa muitíssimo é o que o referido senhor fez enquanto no poleiro esteve. Sobre o assunto - e eu expliquei-lhe o que sobre o assunto achava - o caro Vento não me deu a sua opinião.
Dou-lhe eu, agora, meu prezado Vento, a resposta que me pediu: eu não sou a favor da atomização de países ao gosto de locais elites megalómanas e mais ou menos corruptas (e dos seus padrinhos das elites económicas supranacionais), que aproveitam a agressão externa aos países onde se integram para criarem os seus particulares feudos, feudos esses dos quais aqueles que lhe são etnicamente estranhos seriam inexoravelmente expulsos. A isso, por mais que o prezado Vento lhe chame aproveitamento da oportunidade histórica, chamo-lhe eu traição e crime (os Yazidis e os Cristãos Assírios sabem umas coisitas acerca do assunto, como atrás lhe referi). Muito simplesmente e só para dar um exemplo: os curdos sempre poderão viver como cidadãos do Iraque; o mesmo já não se poderá dizer dos árabes (xiitas ou sunitas) e das mais diversas minorias no Curdistão "independente".
Por outro lado, quer-me parecer que o caro Vento não está muito por dentro do que é a ideologia do PKK (e não, não estou a dizer que o PKK e o movimento do Sr. Barzani são uma e a mesma coisa): é uma espécie de anarquismo tribal com laivos vagamente marxistas, tudo envolto pelas idiossincráticas revelações privadas do Sr. Oçalan , que está - parece-me (corrija-me, por favor, se enganado estiver) - nos antípodas das crenças ideológicas que depreendo serem as suas, meu caro Vento. Ou, confesso, as minhas.
Comecei esta interessante troca de opiniões com o meu prezado Vento preconizando a drenagem de toda a santidade daquilo que é a terrenal ação política; o senhor foi mais longe e - glosando esse "os fins justificam os meios" escondido no Cavalo-de-Troia a que se não enxerga o dente - resolveu, para grande espanto meu, secar essa terrenal ação política da mínima gota daquilo que vagamente se aproxime de honra e de verticalidade. E se honra e verticalidade não nos fazem mais santos, meu estimado Vento, penso eu que nos tornam elas mais humanos. Mas, enfim, são isto opiniões, e opiniões, cada um tem as suas, não é verdade?
Por fim, meu prezado Vento, tem toda a razão: "a guerra não é uma tertúlia de tricô". Contudo, esqueceu-se o meu distinto interlocutor de acrescentar que nela, e ao contrário do que diz o velho adágio ser extensivo ao amor, não vale tudo. Como bem o ficaram a saber aqueles senhores que se sentaram no banco dos réus, em Nuremberga.
Saudações cordiais, meu prezado vento.
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De Vento a 05.11.2017 às 11:57

Meu caro Henrique, os Flechas, bosquímanos, não se juntaram a qualquer movimento de libertação angolano. Os que se juntaram foram os anteriores guerrilheiros dos movimentos de libertação que tinham sido convertidos pela PIDE para combater os grupos a que pertenciam.
Se conhece a história dos bosquímanos verificará que associa estes erradamente à sua visão também emocional sobre um acontecimento em que não participaram. Por vezes a memória tem destas coisas.

As contendas que se travaram entre os diferentes movimentos de libertação, que Portugal durante a guerra soube aproveitar, deve-se precisamente à questão tribalista da realidade africana. Como não existe coesão cultural, com excepção para aquela pacifica tolerância que Portugal conseguiu estabelecer entre eles, nesses grupos vincadamente tribais, não se pode falar de traição.

Traição foi aquilo que as chefias políticas e militares do Portugal de então fizeram com as populações que viviam em África.

A associação dos confrontos da Vila Alice com o massacre que reporta em seu comentário serviram para fazer a distinção entre as reacções adoptadas pelos comandos militares. A honra também faz parte da atitude de um militar. E quando se ataca um dos seus também se atacam todos os demais. A resposta tem de ocorrer. Era o que devia ter acontecido logo após o massacre que reportou.
Quando a UPA levou a efeito essas chacinas, a resposta ocorreu. Após o 25 de Abril as populações africanas, brancas e negras, foram cobardemente abandonadas. Envergonhou-se a farda que os militares portugueses vestiam e humilhou-se a honra de uma nação que tinha o dever de proteger todos aqueles que além-mar também lhe vestiram a honra e lhe proporcionaram o pão.

Eu procurei demonstrar que a santidade é um estado de graça, é um caminho e não uma prévia condição humana. O Homem a ela está predestinado, mas necessita aceitar a graça.
Em circunstância alguma referi que os fins justificam os meios. Se isto fosse assim os julgamentos em Nuremberga, muito associados à questão judaica, não teriam sentido.
Massacres sempre existiram. O que nem sempre existiu foi uma agenda programada com o fim de se exterminar uma raça.

O Henrique acabou por escrever o que eu já tinha observado, isto é: o meu caro é contra essa dita "atomização", isto é, contra a autonomia e independência dos curdos. Mas a sua timidez não lhe permitia dizer isto de forma explicita; e procurava revelar características pessoais, de Barzani, para negar ao todo esse direito e a legitimidade de suas reivindicações.

Concluindo, ao referir as características tribais na região do oriente médio o Henrique deixou-me a pensar que tem dois pesos e duas medidas em suas análises, pois essas características também se encontram em Angola e outras partes da África subsa(a)riana.
Por esta referência, talvez, compreenderá agora a dificuldade em obrigar populações, mesmo que enquadradas em nações aparentemente homogéneas, a comportamentos que não são os seus. Quero com isto dizer que também nos comportamentos de guerra dessas populações se expressam os valores culturais.
Valores esses que no mundo dito livre levaram séculos a ser mudados, e ainda não se alcançou o desejável e o que é de direito. Como se pode verificar nos comportamentos sobre o povo catalão.
As agressão não possuem somente características físicas.
Saudações cordiais também para si.
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De Rui Henrique Levira a 05.11.2017 às 15:43

Concordemos, então, amigo Vento, em discordar. Pelo menos nisso, julgo eu, convergimos.
Saudações cordiais, meu prezado Vento.
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De charneca a 02.11.2017 às 19:02

muito pior é o GULAG de antónio das mortes que nem sequer foi o politico mais votado
é um artifício do be+ pcp que diariamente endividam o rectângulo.
Daniel Bessa calcula serem necessário 500 anos para saldar a dívida.
os juizes não são eleitos, mas são órgãos de soberania e exigen ser respeitados

por mim não aceito a democracia representativa
e respondo aos políticos que destroem o património
como o pirata Rakham ao juiz que o condenou
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De Anónimo a 02.11.2017 às 19:46

Políticos presos - e não presos políticos...
Fica-se com a leve impressão de que Roures & Ca. têm terreno fértil nalgumas "ingenuidades" que por aqui circulam...
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De SemioZeus a 02.11.2017 às 20:08

Tanto rigor em seguir o que está escrito nos papeis, quando o povo quer qualquer coisa mas, quando convém, como foi para entrar na U.E., por cá, nem foi preciso Referendo para ter o consentimento do povo (não convinha os Debates) e, bastou ver em certos países, repetirem Referendos até dar o resultado "conveniente".
Quanto ao resultado do Bréxit, reuniões uma vez por mês durante dois anos e ainda a hipótese de prolongamento, dá para ver a importância que dão à vontade das populações.
A quem convém centralizar o Poder, nem que seja à força?

Não quero provocar Dissonâncias Cognitivas mas, basta ler o que os próprios escrevem nos seus livros de memórias. Não lhes bastou ter o monopólio do fabrico do dinheiro a custo zero, querem o controlo total e absoluto sobre Tudo mas, muitos, continuam a acreditar na fantasia de que é tudo para o bem da Humanidade... e aqui só há duas alternativas, ingenuidade ou andar a aproveitar a maré...

“We are grateful to the Washington Post, the New York Times, Time Magazine and other great publications whose directors have attended our meetings and respected their promises of discretion for almost 40 years......It would have been impossible for us to develop our plan for the world if we had been subjected to the lights of publicity during those years. But, the world is more sophisticated and prepared to march towards a world government. The supernational sovereignty of an intellectual elite and world bankers is surely preferable to the national autodetermination practiced in past centuries.”
― David Rockefeller

Quantas vezes vou precisar de me repetir?
... a world government ?
... supernational sovereignty of an intellectual elite and world bankers?

Por ser a nível global, este centralizar de Poder por uma elite não eleita, se não se pode dar o nome de regime ditatorial, dá-se o nome de quê?

Se alguém acredita que as eleições convocadas ao abrigo do art. 155 vão ser realizadas adequadamente quando os líderes independentistas são previamente sujeitos à prisão ou ao exílio?

Sabendo o caminho para onde nos estão a levar, nem precisa fazer a pergunta e isto já devia estar tudo "embrulhadinho", só está a ser difícil rasgar a Constituição Americana e desarmar os americanos, os únicos onde a Constituição especifica poderem possuir armas para se defenderem do próprio Governo... por cá, os europeus já foram bem treinadinhos, só têm de obedecer ou vão direitinhos para a prisão e, como se começa a ver, daqui para a frente só vai piorar.
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De Anónimo a 02.11.2017 às 20:27

prisão!!! não cumpriram a Lei agora andam armados em vitimas...delito de opinião!!!?? um gangue independentista usaram as instituições e o dinheiro da Região Autonoma da Catalunha para violarem a Constituição do Reino Católico de Espanha...delito de opinião!!!?? prisão com eles...delito de opinião...tadinhos...
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De Marina Molares a 02.11.2017 às 20:30

Os códigos não são para enfeitar estantes , são para cumprir. Os senhores não sabiam os riscos que corriam ? Consultassem um advogado antes das tonterias. Catalunha é Espanha , a lei que vigora é a espanhola.
E o Puigdemente não inagurou nada , imitou foi a fuga activa
Vai ser o próximo caganet do presépio :)
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De Anónimo a 02.11.2017 às 21:28

"terem executado o programa com que se apresentaram a eleições, as quais lhes deram a maioria no parlamento".

Houve eleições em 1 de Setembro? Quais as "sem-regras" ?

Não compreendi.......

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