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Da falta de decência

por João André, em 27.03.14

«O problema é as pessoas estarem a consumir medicamentos a mais»

via José Simões.

 

Tempos houve quando o nosso primeiro-primeiro era o actual avisador-prefaciador e o país era mal gerido mas havia dinheiro a fundo perdido vindo dos confres europeus que acabou nos bolsos da Mercedes e BMW e afins e das construtoras europeias, tempos houve dizia eu em que um ministro (ou secretário de estado, perdoem-me a idade) disse uma piadita acerca de doentes de hemodiálise, uma piada que foi de mau gosto mas que toda a gente sabia ser uma piada e foi despedido. Nesses tempos em que já éramos mal governados (ou desgovernados) e já andávamos enganados pela propaganda europeia chegada pela agência de S. Bento da altura a gastar acima das nossas possibilidades, ainda havia uma aparência de decência que os membros do governo tinham que respeitar e ai de quem não o fizesse.

 

Hoje, com o cantador mentiroso a primeiro-segundo e o primeiro-vice-primeiro irrevogável no governo, temos os tipos vindos dos seguros de saúde com o objectivo de desmantelar tornar mais eficiente o serviço nacional de saúde a mandar bojardas para o ar e a dispararem conversas do tipo de andar a viver acima das suas possibilidades o que no caso dos medicamentos só pode querer dizer andar a viver e ponto final. Em tempos passados e nem assim há tanto tempo esta criatura teria sido despachada para de onde veio e provavelmente a seguir viria outra igualzinha nos objectivos e pensamento (heheh, piada) mas com mais decência fingir que se preocupava com as aparências. Assim sabemos de forma clara que sua excelência o ministro da saúde privada tem como úbico pbjectivo tratar-nos da saúde mas com a expressão a ser usada no seu sentido puramente figurativo e nunca literal porque para tratar da saúde no sentido liberal já existe a médis.

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15 comentários

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De rmg a 27.03.2014 às 19:31


1º) Chamar piadita à história do ministro só prova ou que V. não a conhece ou que não tem sensibilidade suficiente a estas coisas .

Aqui vai (retirado do "Dinheiro Vivo" de 15/12/2011) :
“Sabem o que é que no Alentejo – em Évora melhor dizendo – fazem aos cadáveres das pessoas que morreram ultimamente? Levam-nos para reciclar, para aproveitar o alumínio”. Tudo no auge da crise da poluição por alumínio nas águas fornecidas aos serviços de hemodiálise que causaram várias mortes em Évora. Demitiu-se.

Talvez por ter um filho nisto da hemodiálise eu seja mais sensível , deixo as conclusões ao seu critério .

2º) Retirar do contexto o que o actual ministro disse (que ainda assim é o único que escapa no meio disto tudo , o que não é desculpa) também tem que se lhe diga .
O que está em causa é que o excesso de remédios é contraproducente , levando por vezes a situações em que os efeitos se sobrepõem negativamente.
E os médicos nem têm culpa nisso , pois os portugueses adoram auto-medicar-se e continuar a tomar o remédio que já lhes foi retirado juntamente com o novo , exemplos à minha volta não me faltam , uma prima minha toma 15 (quinze) por dia , uns porque o médico diz e outros porque ela acha que sim .
Também tenho um irmão que vai a um médico que lhe receita não sei o quê mas , como ele acha que o médico não lhe deu atenção , vai a outro que lhe receita outra coisa e , não vá o diabo tecê-las , toma os remédios prescritos pelos dois .
O caso dos antibióticos é sintomático , metade do país já não lhes é sensível .

E como moro num bairro "antigo" é ouvir as pessoas de idade (eu também sou mas já vai ver que não dou para esse peditório) a comentar-me que o médico novo ali do posto não presta porque só lhes passou 3 remédios ...

Assim , e à força de ter tantos hipocondríacos marados à volta , eu nunca estive doente e passados os 68 anos não tomo nada , a família vacinou-me (não contribuo portanto para as estatísticas até ver) .
O caso dos antibióticos é sintomático , "metade" do país já não lhes é sensível .

Diga mal , que eu também digo , mas diga mal bem sff , que é a isso que nos habituou .

Uma boa tarde para si

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De rmg a 27.03.2014 às 23:26


Peço desculpa de ter deixado repetida uma frase , é o que dá escrever nesta caixinha sem estar a ver o texto todo e ír acima e vir abaixo .

Mas penso que se percebe ter sido falta de releitura , puro desleixo meu .
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De João André a 28.03.2014 às 09:06

Antes de mais não disse que o governante em causa não devesse ser demitido (ou que não se deveria ter demitido). Depois de tal piada, a única solução era a demissão.

Aquilo que tento referir é que num caso havia falta de sensibilidade por parte de alguém que a deveria ter e neste caso a situação é semelhante. Pode haver consumo excessivo de medicamentos, não digo que não, mas o ministro atribui a culpa aos pacientes.

Ora, sabendo que muitos dos medicamentos (que eu saiba) só podem ser adquiridos com receita, então não se pode atribuir a culpa aos pacientes. Se um paciente vai a dois médicos que lhe receitam medicamentos diferentes para o mesmo mal ou para males diferentes mas que não devem ser tomados em conjunto, será a culpa do paciente? Não será uma boa parte da culpa dos médicos que passam o que lhes pedem sem consultarem fichas clínicas ou colegas? Não será também parte disso culpa dos laboratórios que fazem pressões inacreditáveis sobre os médicos para que estes passem medicamentos que talvez não sejam necessários?

Refere o caso da resistência aos antibióticos. Ora, aquilo que vou lndo é que esta tem como origem pacientes que não tomam até ao fim os seus medicamentos e no uso de antibióticos como aditivos em rações de animais. Se há pessoas que tomam antibióticos sem necessidade isso será culpa dos médicos (eu pelo menos não faço ideia de como arranjar antibióticos sem receita médica).

Há pouca cultura entre os portugueses no que diz respeito a medicamentos? Sem dúvida, mas isso não é necessariamente culpa deles. Num país que despreza a ciência como cultura geral isso não é de estranhar. Num país onde os pacientes são vistos como gente estúpida ou números pelos médicos e tratados a pontapé; ou como clientes e é-lhes dado tudo o que pedem, então não podemos estranhar a situação. Falta educação: à população, aos médicos e aos laboratórios. Quando o ministro escolhe a população na sua afirmação está a fazer o mesmo que os colegas das finanças: o problema são sempre esses malandros dos reformados/desempregados/remediados/eteceterados.
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De rmg a 28.03.2014 às 17:34


João André

Muito agradeço o seu comentário .

Eu também não disse que o João André tinha dito isso , portanto nesse ponto o que agora me diz não é resposta ao que eu disse e que se cingía à sua apreciação da gravidade relativa da situação em causa .

Esta história passou-se em 1993 , tinham acabado de morrer 25 pessoas por aquela razão concreta , eu tinha 47 anos fresquinhos (faço anos a 10 de Junho , dia da tal "piada") e o João André teria 16 anos pois eu sei que tem menos uns meses que a minha filha mais nova .
Só invoquei a idade não para "puxar dos galões" pois na vida a idade não é um posto mas para referir aquilo que lhe disse de que não conheceria bem a história , mais nada .

Puxar por galões é dizer-lhe que , tal como o João André (segundo creio saber)
sou engenheiro químico e acompanhei esta história muito de perto porque trabalhava no Alentejo , na altura não houve neste país quem não achasse isto inconcebível e o próprio "Dinheiro Vivo" que referi a tem num artigo com o título "10 frases que nunca deveriam ter sido ditas" .

Não vejo onde é que o ministro atribua a culpa só aos pacientes .
Mas claro que os pacientes alguma têm , creio saber que o João André - pelo que aqui tenho lido - vive longe e não anda aí na rua todos os dias como eu (3 a 4 horas , faça chuva ou faça sol) .
E mesmo que vivesse cá tinha que ír trabalhar todos os dias e eu , felizmente numas ocasiões e infelizmente noutras , já não o faço com horários obrigatórios .

Só para lhe dar um exemplo começamos pelos hábitos alimentares , dispensa-se fácilmente a sopa ou a fruta mas dificílmente o doce (em casa , não falo de restaurantes).
A voltinha de 1/2 hora a pé ao quarteirão é substituída pelo ressonar no sofá , com a digestão por fazer .
Quem tem carro e pode andar com ele - e são muitos decerto , havia mais de 4,873 milhões de ligeiros registados com seguro pelo ISP em 2012 - não faz 1 km a pé se puder levar o carro .

Claro que os médicos , as farmácias e os laboratórios têm também muita culpa , mas conheço bem alguns países europeus (Espanha , Bélgica flamenga de gingeira e até certo ponto a Alemanha) e até no Japão trabalhei .
E estou de acordo com o Sérgio Godinho quando canta que "só neste país é que se diz só neste país" .

Mas isso está nas declarações do ministro : quantos jornais consultou o João André para achar que ele só criticou os pacientes (valha lá isso do que dizem os jornais o que valha nestas matérias em que valores mais altos se levantam ...)?
De resto não me parece que não haja por esta Europa fora situações semelhantes à nossa , ainda que menos graves na sua dimensão relativa .

Eu faço ideia de como se arranjam remédios sem receita médica , toda a gente faz , mas não vou por aí , isto é como tudo na vida .
De resto o problema não é só as pessoas tomarem ou não tomarem até ao fim (que também é verdade) .
Aqui lhe envio um link com quase 10 anos e com um último parágrafo muito interessante :

http://desabafosdeummedico.blogspot.pt/2005/07/viroses.html

Como tenho netos entre os 8 e os 14 , tenho amigos com netos dessas idades e os meus netos também têm lógicamente amigos da idade deles e portanto tudo isto é um filme "baseado numa história verdadeira" e não algo que li ou ouvi por aí .

Estou de acordo com algumas coisas do seu último parágrafo .
Mas como insiste numa afirmação que eu não consigo confirmar e me vem com a conversa do país desprezar a ciência como cultura geral sem especificar se são os governos , se são os habitantes ou se são os dois é difícil írmos além disto aqui nesta conversa.

As pessoas (e não só os governos) desprezam a ciência porque quem a tem não faz o mínimo esforço para se tornar compreensível para os não "iniciados"nem a humildade de perceber que os que não tiveram a oportunidade de aprender são muito capazes de compreender .

Trabalhei em 5 distritos diferentes em Portugal e ainda andei pelas "estranjas" em 42 anos de vida profissional e culpo inteiramente a "arrogância" das nossas elites "corporativas" por essa situação que descreve .
Muitos colegas meus me criticaram ao longo da vida porque um director de produção não podia explicar aos operários os porquês das coisas , acho que tinham medo de deixarem de ser precisos ...

Uma boa tarde para si
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De João André a 01.04.2014 às 12:57

Caro rmg,

compreendo que não quisesse puxar dos galões. Quando eu referi a idade fi-lo pelo lado oposto, a brincar com o facto de estar a ficar velho e já não me recordar. Tinha de facto 17 (16, 17, é questão de meses) em 1993 e lembro-me do essencial da história: pacientes de (hemo)diálise morreram devido a contaminações com metais na água (na altura nem sabia que fazia a água na história). O ministro fora demitido (ou demitira-se) devido a fazer uma piada com o assunto. Não me recordava de exactamente onde no Alentejo, não me recordava do número de mortes, da piada específica ou de qual o metal. São no entanto detalhes. O meu ponto era, mesmo sem eles, este: um ministro demonstrara insensibilidade para o cargo que tinha. A demissão era a única solução. Se não se pode comparar com o caso apontado acima - admito que não - não é por desconhecimento do caso de 1993, antes será por (eu) fazer uma leitura simplificada das declarações de Paulo Macedo.

Refiro os seus pontos. Tem razão: os hábitos dos portugueses são péssimos. Não fazem exercício, comem mal e a más horas, nem sequer se preocupam com isso. São de facto diferentes de muitos outros europeus. Se melhorassem os seus hábitos certamente que a qualidade de vida (e de saúde) melhoraria.

Depois a cultura científica: é problema de décadas (senão mais) que pode ser dividida entre governos e população. Mas não é só português, embora eu o veja de forma mais intensa em Portugal que em alguns ouros países. C.P. Snow dedicou-lhe toda uma reflexão, como certamente saberá. Uma das formas de resolver (ou pelo menos minimizar) o problema seria manter matemática e ciências nos currículos pelo menos até ao fim do ensino obrigatório (e o mesmo no que diz respeito ao português e filosofia, por exemplo, nas vertentes de ciência). Isso competeria aos governos. O resto teria de passar pela população em geral e por iniciativas de grupos de cidadãos.

Voltemos à questão das receitas. Aqui (no caso, "aqui" refere-se a Alemanha e Holanda, os países onde vivo) não conheço forma de obter certos medicamentos sem receita. Nem sequer um paracetamol genérico acima de 500 mg. Também sei que os médicos fogem aos antibióticos como o diabo da cruz (de forma frequentemente exagerada, também lhe poderia dar casos concretos, especialmente na Holanda). Estou então equivocado, em Portugal é (relativamente) fácil obter medicamentos sem receita médica.

Será isso, no entanto, culpa minha? Se eu for a um stand de automóveis e exigir receber um carro sem cintos de segurança, não mos irão retirar, certamente. Repito: um paciente é, à partida, um não-especialista. Um farmacêutico ou um médico são especialistas. A primeira culpa no consumo excessivo de medicamentos passará por eles. Em parte passará então por laboratórios, governo e pela própria população. Mas apenas numa segunda linha de atribuição de responsabilidades.

A declaração de Macedo, como a leio na notícia que aponto, dá a entender que a culpa é atribuída essencialmente à população. É-me fácil de crer nessa linha de pensamento do ministro porque é a mesma que o governo segue na questão económica - os malandros gastam a mais. Talvez a minha interpretação seja abusiva. Até eu ler a entrevista verbatim na íntegra, não acreditarei nisso, mas é possível.

Seja como for, obrigado pelos seus comentários. Ajudam-me a compreender alguns aspectos que não sabia precisamente por não "andar na rua" em Portugal (compreendo que é uma expressão para designar o contacto com a população real).
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De rmg a 01.04.2014 às 17:43


Caro João André

Gostei muito de o ler pois é muito raro os autores terem a franqueza de vir admitir que algo lhes falhou , ou se remetem ao silêncio ou insistem na deles , por vezes com alguma sobranceria (não digo arrogância) .
Não será um caso frequente aqui no DO mas também os há .

Estou genéricamente de acordo com muito do que disse pelo que não vou óbviamente listar isso , nada mais irritante do que comentadores cujo comentário é repetir o que o autor disse .

Um ponto de que não falámos é que o ministro em questão não era da Saúde mas sim Ministro do Ambiente e Recursos Naturais do XII Governo Constitucional e já tinha transitado nesse cargo do anterior , é um respeitado professor universitário com vasto currículo e eu próprio , que estive alguns anos ligado a empresas do Ambiente , o respeito como tal .
Isto para lhe dizer que no que toca àquela situação não há nem desculpa nem leituras diferentes que nos valham e que , portanto , não acho que seja de modo algum um detalhe .
Vindo de um político formado em direito ou filosofia poderíamos dizer que alguém lhe tinha soprado aquilo e ele nem se deu conta da gravidade do que dizía . Mas dali não .

Falei-lhe de outros europeus pois namorei e fui casado com uma belga tudo por junto quase 20 anos (mas entretanto estou casado com uma portuguesa há quase 30).
E tenho um filho e uma filha que são meio isto e meio aquilo , mas vivem e sempre viveram em Portugal .
Para além disso dirigi durante 2 anos um projecto de grande dimensão (que acabou por não se concretizar) em conjunto com espanhóis , belgas e alemães , o que me fez passar mais tempo pelas paragens deles do que pelas minhas.

Como tenho netos talvez lhe possa dar uma achega porque está tudo fresco.
Matemática e Português são a total catástrofe junto da miudagem e não vem de agora , Governo que implementasse as ideias que propõe (e com as quais concordo totalmente) atiraria para fora das escolas uma quantidade enorme de gente , nenhum se vai meter nisso .

A população não me parece que se mobilizasse em torno dessas "lutas" , ninguém as vê como próprias , a maioria até se diverte com as barbaridades que diz e diz que para fazer contas tem as máquinas de calcular das lojas dos chineses .
Há uma "cultura" geral do "isso é com os professores" , uma demissão da maioria dos pais , que não sei se está a acontecer também por aí , à respectiva escala reduzida .

Não sei se não lhe retiram os cintos ...
Estou a caricaturar mas se num carro novo não acredito que o façam já não garanto nada num em 2ª mão , no fundo é um problema entre o João André e a polícia e o stand diz que o carro saíu de lá inteiro .
Um pouco como os remédios , a menos que esteja um fiscal a ver não se sabe se não levou uma receita que , não sendo comparticipada , não tem que ficar lá .

Se alguma vez ler a entrevista (sem parti-pris!) agradeço que me diga .
Há por cá alguma boa vontade para com a actuação deste ministro (talvez porque com os outros todos não haja nenhuma) , pois ele tem enfrentado melhor ou pior os lobbies variados que se movem no sector .

O "andar na rua" é isso mesmo , uso-o muitas vezes , talvez porque de facto hoje em dia eu ando muito , tanto em Lisboa como numa cidade do interior onde tenho uma casa .

Mas no seu caso é mais que compreensível que não se aperceba de tantas
destas coisas.
O problema são os autores ou comentadores que , à força de só andarem de carro uns ou de não saírem do sofá os outros , vêem o mundo através de vidraças e acham que o compreendem .

Mais uma vez muito agradeço a sua resposta e o diálogo mantido

Um abraço para si

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De lucklucky a 27.03.2014 às 20:31

Todos os sistemas socialistas se queixam de consumo a mais dos seus habitantes.

http://www.independent.co.uk/news/world/americas/president-nicolas-maduro-seeks-to-rule-venezuela-by-decree-8869844.html

"Last month, Mr Maduro sent the army into a toilet paper production plant and said supermarket shelves were empty because Venezuelans eat too much. "

http://www.portugal.gov.pt/pt/o-governo/arquivo-historico/governos-provisorios/gp05/programa-do-governo/programa-do-v-governo-provisorio.aspx

b) Eliminação progressiva de padrões de consumo típicos das sociedades burguesas desadaptados às possibilidades materiais da economia portuguesa;

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De Miguel R a 27.03.2014 às 21:39

Decência? Bem vejo, à minha volta, como toda a gente se auto-medica. Em Portugal a prevenção é uma falha aguda e não é só na saúde. Há outras formas de evitar as doenças, altere-se alguns hábitos. Parece-me óbvio que o ministro não falava para casos específicos. Sim, consumir medicamentos a mais é prejudicial e, sim, isso acontece em vários casos.

Não conheço bem a área em causa para saber o que o ministério faz ou deixa de fazer como estratégia de ataque às doenças. Vá por aí.

Quando temos o dedo constantemente no gatilho por vezes não fazemos a melhor análise da situação.
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De João André a 28.03.2014 às 09:10

Sim, há muita auto-medicação. Mas não conheço formas de obter medicamentos "de receita" sem a dita receita. Consigo tomar o meu paracetamol ou a minha aspirina, mas não faço ideia de como arranjar um antibiótico. Talvez seja falha minha.

Tenho de facto o dedo no gatilho, é verdade, mas apenas porque tenho a sensação que este governo também o tem. Qualquer mal vem dos portugueses. Vivem acima das suas possibilidades, não querem trabalhar, são parasitas do estado, habituaram-se mal, etc. Agora é porque tomam medicamentos a mais. Não me parece que seja só eu com comichão no dedo.
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De Anónimo a 28.03.2014 às 09:29

Caro João André,

Desculpe-me e com todo o genuíno respeito que tenho por si, este foi um tiro ao lado (pelos motivos apontados por outros comentadores, que subscrevo).

Quanto ao onde pode adquirir medicamentos, vá a uma farmácia. Se não conseguir na primeira, consegue na segunda. Mas asseguro-lhe que lhe vendem medicamentos (como antibióticos) sem prescrição médica, a chamada "venda suspensa" (não tem é "direito" à comparticipação, paga-los por inteiro).

Mais, e sem estar a atribuir culpas excessivas aos médicos, muitas vezes eles passam medicamentos inúteis porque os doentes o exigem. Então se estivermos a falar de prática clínica privada, em que "desagradar o cliente" não é tão aceitável como no público, é muito, mas muito fácil conseguir receitas (e no caso específico dos antibióticos, penicilina para a gripe é mato).
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De João André a 28.03.2014 às 11:46

Pode sempre apontar os tiros ao lado, não precisa de pedir desculpa. Não sou infalível. Neste aspecto um erro meu torna-se aparentemente óbvio do seu comentário: sempre pensei que não fosse possível adquirir antobióticos (entre outros) sem receita. Ir a médicos e chateá-los até passarem a receita sei que se faz e sempre se fez. Mas obter os medicamentos sem a dita cuja é que não sabia ser possível. Problemas de estar há tempo a mais fora do país.

Deixe-me é explicar porque razão, mesmo com essa falha minha, não considero que tenha sido um tiro assim tão ao lado.

Se eu for ao médico estou a consultar um especialista, alguém que saberá mais sobre a minha saúde do que eu. O mesmo se for a uma farmácia, tenho que falar com alguém que sabe mais sobre o medicamento do que eu. Independentemente do que eu pense, esses especialistas nunca podem ir contra a sua opinião profissional. Essa indica que um médico não pode passar uma medicação que entenda não ser necessária (seja porque não faz nada, seja porque pode fazer pior) ou que o farmacêutico não a pode vender sem uma ordem do outro especialista (médico) porque sabe que aquela medicação só pode ser tomada quando é necessária.

Passar as culpas para os consumidores (pacientes) é inverter o ónus. É o equivalente médico a dizer que um acusado é culpado até ser provado inocente. Seria o equivalente a dizer que se podem vender carros sem quaisquer medidas de segurança só porque o comprador assim o deseja. no limite poder-se-ia dizer que o médico poderia a pedido operar um paciente à perna só porque ele tem uma enxaqueca.

Que o ministro da saúde indique que há excessiva auto-medicação e que isso é mau, terá razão. Que diga que os médicos não cumprem a sua função (que não é igual à de um empregado de mesa ou uma costureira) faz muito bem. Que acuse as farmácias de venderem medicamentos sem receita médico, está correcto. Que aponte até o dedo aos laboratórios que fazem pressão sobre esses profissionais para passarem receitas desnecessárias, estou com ele. Que, sem mais, acuse os portugueses de "consumirem medicamentos a mais", isso é abusivo.

Falta muita educação à população portuguesa, especialmente no que diz respeito à ciência. Isso reflecte-se também neste ponto. Vemos tantas campanhas contra o tabagismo que se têm mostrado eficazes (entre outras acções) a diminuir o consumo, porque razão não fazer o mesmo relativamente aos medicamentos?
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De Cento e Doze a 27.03.2014 às 22:28

Encharque-se de antibióticos e/ou de antidepressivos e boa sorte.
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De João André a 28.03.2014 às 09:10

Você sabe como os obter sem receita? Eu não. E se for ao médico ele não mas passa. Talvez se eu for à médis...
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De Tinoni a 28.03.2014 às 12:46

É muito fácil. Vai-se à farmácia e eles aviam. Anti-inflamatórios também são porreiros e fazem muito bem ao bandulho.
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De João a 28.03.2014 às 17:04

Hoje não há vergonha, não há políticos, o que há, são aprendizes a políticos que são tão maus que jamais chegarão a políticos na verdadeira acepção da palavra. Hoje temos gente que se auto proclama de políticos que defendem este ou aquele partido, mas que usam esses partidos para atingirem os seus fins. Hoje não há moral, pudor, nem ética. Não entendo, nem conseguirei entender, como um senhor ministro, tem a ousadia de dizer que se tomam medicamentos a mais. Se se tomam, talvez hajam culpados e esses serão certamente o governo que com as suas medidas de austeridade, conseguem a proeza de pôr as pessoas, sem razão para viver o amanhã e aí, resta-lhes o medicamento para lhes levantar o animo. Em relação a irem à farmácia sem receita médica, provavelmente optam pelo mais acessível. Entre pagar consulta e medicamento, se calhar optam por não pagar consulta, é que poupam mais esse. Ao ponto a que chegámos.......... É dramático!

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