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Da corrupção

por Rui Herbon, em 16.05.14

Os casos de corrupção vão desfilando pelos meios de comunicação com uma normalidade absoluta. Fazem parte da vida quotidiana. Rebenta um escândalo, aparece a Polícia Judiciária, há detenções em massa, instruções sumárias que não acabam, relatos pormenorizados em jornais; e de vez em quando conhecemos sentenças cujo cumprimento se perde numa memória confusa e distante. Não é nada de novo: os sistemas políticos livres difundem as irregularidades cometidas. Conhecemos poucos escândalos políticos em Cuba, na China ou na Rússia.

 

No nosso país há casos conhecidos de corrupção em todos os partidos que exercem algum tipo de poder, seja central ou local. Quanto mais poder e mais anos de governo, maior perigo há de que a corrupção se converta num fenómeno estrutural. Não é uma questão de direita ou esquerda. E não se trata de fazer a corrupção desaparecer para sempre. É impossível. Aqui e em qualquer país democrático. O que se pede é que quando um político seja objecto de uma investigação da qual resulte a sua acusação, tenha o decoro de retirar-se até que os factos sejam esclarecidos. A presunção de inocência é um critério judicial, não político.

 

Se a política não é moralismo, tão pouco se pode fazer política desde a imoralidade. A política é a arbitragem de interesses distantes e contrapostos. E muitas coisas mais. Mas também é o compromisso de servir o bem comum a partir de princípios e categorias éticas. Uma sociedade que vive insensivelmente com a corrupção não pode prosperar, perde quotas importantes de liberdade e fomenta as desigualdades. Uma das diferenças entre a cultura política da Europa do norte e do sul não é que sejam mais ou menos corruptos, senão que, ao descobrirem-se irregularidades, têm consequências imediatas, normalmente demissões. Ao contrário de cá, onde por norma fica tudo na mesma até a situação ser absolutamente insustentável (recordo-me de Dias Loureiro e Isaltino Morais, por exemplo), com os danos entretanto causados à confiança dos cidadãos nos políticos, que não são todos corruptos, e nas instituições.

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4 comentários

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De leigo a 16.05.2014 às 14:18

No caso de Loureiro, não houve qualquer acusação. Quanto ao Isaltino, teve de se esperar pela autorização da loja (houve uma juiz que, talvez por ignorância, se esqueceu desse facto e o mandou prender, como mandava a lei, mas foi, de imediato, mandado libertar - sem qualquer fundamento legal).
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De William Wallace a 16.05.2014 às 20:15

"há detenções em massa"

Bem no BPN foi só uma e até já dá para passeios matinais !

Você queria talvez dizer é prescrições em massa !

Ou talvez expedientes dilatórios em massa !




O que eu sei é que se gamar um quilo de massa ou não pagar uma pizza vou dentro.
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De Vento a 16.05.2014 às 22:53

Rui,

somente para pedir que chame a atenção para esta situação:

http://oglobo.globo.com/sociedade/sudanesa-crista-condenada-morte-por-traicao-ao-isla-12504221
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De Rui Herbon a 17.05.2014 às 09:37

Era tema para eu pegar, mas infelizmente não há tempo para tudo.

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