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Da arte de furtar

por Pedro Correia, em 14.09.17

quadro4 111[1].jpg

 

Há uma diferença entre plágio e roubo. O plagiador "inspira-se" na criação alheia. Por vezes para citá-la de forma explícita, como quando Maurício de Souza põe a inconfundível cara da sua Mônica no corpo da Mona Lisa.

O ladrão apropria-se disso sem prestar vénia nem pedir licença.

 

Os ladrões, por sua vez, dividem-se entre os lamurientos e os restantes.

Os lamurientos são aqueles que, sem o menor vertígio de vergonha, surgem à boca do palco no papel de abusados na expectativa de deixarem de ser apontados a dedo enquanto abusadores. Chegam ao ponto de lamentarem sofrer "danos de imagem" quando surge a notícia de que andaram anos - às vezes décadas - a assaltar propriedade intelectual. Ou a "furtar", para usar o delicado verbo a que algum jornalismo servil recorreu para noticiar a impune pilhagem aos paióis de Tancos.

 

Aqui chegados, cumpre reconhecer o talento de Tony Carreira, que pode invocar Picasso como caução intelectual. Dizia o criador da Guernica que "os bons artistas copiam e os grandes artistas roubam".

Nesta acepção, Carreira é indiscutivelmente um grande artista.

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38 comentários

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De Luís Lavoura a 14.09.2017 às 10:59

Eu o que acho curioso é que, se Tony Carreira é um ladrão, não são os roubados quem o acusa!
De facto, não são os autores das músicas originais quem o está a acusar de roubo, mas sim uma editora que nada tem a ver (creio) com esses autores, nem os representa.
Ou seja, se Tony Carreira fôr um ladrão, parece que no entanto não prejudicou ninguém, ou, pelo menos, que quem foi prejudicado não deu por isso!
Isto cheira-me portanto a uma queixa feita por uma editora com o fim de lixar o Tony Carreira.
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De sampy a 14.09.2017 às 13:59

Aleluia, Lavoura! Tendo a concordar contigo nesta. Até porque, ao que parece, os representantes do Tony já há algum tempo entraram em acordo com os autores lesados.

Também, ao que parece, a editora queixosa tratou de obter a autorização de edição das músicas em questão propositadamente para tentar extorquir ao Tony alguma massaroca.

Mas se o Tony pensava que se escaparia por entre os pingos da chuva com a sua honra intacta, a esta hora já estará certamente desenganado. Por muito que o queiram lixar, quem fez a borrada foi ele.
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De Miguel Ribeiro a 16.09.2017 às 13:18

O que o Tony fez foi mais ou menos assaltar o banco, roubou 100 milhões, com os 100 milhões fez 200 milhões e devolveu anos depois ao banco os 100 que tinha roubado.
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De Luís Lavoura a 14.09.2017 às 11:01

"furtar", para usar o delicado verbo a que algum jornalismo servil recorreu para noticiar a impune pilhagem aos paióis de Tancos

O jornalismo servil usa a palavra "furtar", o joranalista agressivo usa a palavra "pilhagem". Ambos brincam com as palavras para os seus fins.
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De am a 14.09.2017 às 11:13

Se fossemos a contabilizar todos " los plagiadores... "qui andate per via e usáte lanterna nel corno...oh mamã mia , la noche seria djorno....( segundo o novo acordo ortográfico latino)

Anda por aí uma nova investigação sobre um novo (na época e idade) plagiador de Sócrates. ( o filosofo, nada de confusões)!!!

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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 11:31

Só sei que nada sei.
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De Vlad, o Emborcador a 14.09.2017 às 14:34

Pedro, isso é já saber o que importa ....deixe-se ficar onde está
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 14:49

Tenciono manter-me nesta pose socrática.
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De jj.amarante a 14.09.2017 às 11:35

Há tempos estive para comentar um post seu em que se referia ao termo "furto" como um eufemismo usado por pessoas afectas ao governo para designar o desaparecimento de armas e munições das instalações militares de Tancos.

É possível que essa intenção estivesse presente mas também se pode tratar de pessoas com formação jurídica que gostem de usar termos exactos e, no caso de Tancos, face às informações existentes, a situação mais provável é ter-se tratado de um ou mais furtos.

No ciberduvidas (https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/diferenca-entre-roubar-e-furtar/33041) fazem considerações sobre os significados legais de roubo e de furto que terminam com esta frase:

«Em resumo, no roubo há uma subtração com constrangimento ou violência; no furto a subtração não comporta constrangimento ou violência. »

Neste caso do Tony Carreira, a ter havido, deve ter sido um ou mais furtos.
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 12:00

Não me interessa o juridiquês: interessa-me a linguagem jornalística.
Quando se diz, e se escreve, e se propaga nos meios de informação, que o ministro X "é ladrão" ou o Governo Y "rouba", nada disto implica violência concreta - apenas uma violência simbólica.
Anotei entretanto que os mesmos meios que usam e abusam do verbo "roubar" passaram a empregar no caso de Tancos o mais delicado e algo pudibundo verbo "furtar".
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De jj.amarante a 14.09.2017 às 12:50

Engraçada essa sua figura de retórica de designar distinção entre o significado de palavras como um dialecto reservado a especialistas, neste caso "juridiquês". Outras vezes refere-se "computês". Claro que os jornalistas também usam "jornaliquês" que, ao contrário dos outros dialectos acabados em "ês" é um dialecto onde predomina a imprecisão do sentido das palavras usadas, aproximando-se assim do "politiquês".
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 14:06

Conversa da treta.
"Jornaliquês" não sei o que é. Você esqueceu-se de apontar exemplos que sustentassem tão original tese.

Se lhe roubarem o carro, você anuncia aos quatro ventos: "A minha viatura foi furtada!"
Se lhe assaltarem a casa, lamenta-se: "Vieram furtar-me no domicílio!"

Coisa linda. Tal linguagem. Não o furto, que é feio.
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De jo a 14.09.2017 às 11:45

Tecnicamente um furto dá-se quando não há violência envolvida. Não implica que o objeto subtraído tenha pouco valor.

Assim, em Tancos houve um furto. Se tivessem dado por isso e tentassem parar os ladrões seria um roubo.

Dizer que é possível furtar armas de um paiol do exército parece-me mais desprestigioso para quem o guarda do que dizer que é possível roubar. O roubo seria sempre possível com os meios suficientes, já o furto só foi possível porque ninguém estava a guardar.
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 11:55

"Tecnicamente", ninguém sabe o que se passou em Tancos. A começar pelo ministro, confessadamente ignorante na matéria.
O armamento pode até ter-se volatilizado. Ou podia até nem haver lá armamento algum.
Começo a questionar-me se Tancos existe.
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De João Marques a 14.09.2017 às 11:53

Curiosamente não me pareceu tão grave quanto aparentava. Enfim, responsabilizo os nossos célebres políticos pela redução de exigência dos meus critérios.
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 12:02

A mim parecer-me-ia gravíssimo que um chico esperto munido de microfone me pirateasse propriedade intelectual.
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De João Marques a 14.09.2017 às 12:05

E é, para os lesados.
Confesso não ter acompanhado o assunto com atenção, mas fiquei com a impressão, vagamente cómica, de "já não haver lesados".
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 12:12

Não ouvi nenhum lesado. Até agora os meios, reverentes, só escutaram quem lesou.
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De Luís Lavoura a 14.09.2017 às 12:32

Pois, o que é muito interessante neste caso é que não há lesados.
(E, de facto, qual é o mal para um cantor francês que um outro cantor português lhe roube a música? Provavelmente, estão a cantar para públicos diferentes.)
É o Ministério Público a acusar Tony Carreira porque ele terá cometido um crime público, isto é, um crime em que não há lesados.
Isto a mim parece-me uma manobra para lixar o Tony Carreira. Ele não fez mal a ninguém, pelo menos ninguém se queixa, mas fica coberto de lama.
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De Anónimo a 14.09.2017 às 12:41

10 Anos depois?... Será?
Excelente manobra de diversão, todos a assobiar as músicas do Tony por favor, de Pedrogão e Tancos?
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 14:07

Levados levados sim. Pela voz do som tremendo.
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De Vlad, o Emborcador a 14.09.2017 às 13:19

O Cid de tanto rir já lhe deve ter saltado o olho
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 14:08

Abraçado ao Marco Paulo.
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De Vlad, o Emborcador a 14.09.2017 às 14:27

Abraçado em amplexo?
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 14:38

Amplexo de Édipo.
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De anonima a 14.09.2017 às 15:45

Neste caso eu prefiro não utilizar as palavras sábias de Picasso e usar uma minha...menos artística: "roubo".
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 17:24

Nada cubista, tal palavra. Linear.
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De Maria Dulce Fernandes a 14.09.2017 às 15:51

Portugal sempre teve grandes hits comerciais, como quase todos os do Marco Paulo , por exemplo os Dois Amores, a Anita, Ninguém Ninguém, que foram adaptados de grandes sucessos internacionais dentro do género musical.
Provavelmente as royalties compensaram largamente, porque os originais não tiveram o impacto internacional das versões portuguesas, para o que muito contribuíram os nossos imigrantes por esse mundo fora.
É perfeitamente natural algumas músicas do Tony Carreira coincidirem em não sei quantos acordes com outras anteriores : há músicas que nos ficam facilmente no ouvido, porque provavelmente já por lá andavam. É idiota só agora levantarem a lebre.
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 16:26

No mundo contemporâneo, em que nos habituámos a obter quase tudo "de borla", o esbulho de propriedade intelectual é geralmente encarado como um delito menoríssimo.
Acontece que ao assumir-se como "criadora", auferindo os direitos autorais inerentes, a dupla Carreira-Landum terá praticado algo equivalente a furto qualificado.
Por ironia, um dos membros deste duo já accionou terceiros por usurpação de direitos de autor, o que não deixa de ter imensa graça:
http://www.dn.pt/artes/interior/ricardo-landum-exige-indemnizacao-a-cantor-brasileiro-5760323.html
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De fatima MP a 14.09.2017 às 17:37

Eu acredito que todo este sururu com os "lesados do Tony" se deve à aproximação do acto eleitoral. Só pode. Já agora, a que Câmara concorre o Tony Carreira ??
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De Pedro Correia a 14.09.2017 às 21:31

Para já, "concorre" a uma pena de três anos de prisão.
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De Anónimo a 14.09.2017 às 23:07

" isso " no máximo só dá suspensa !
por cá, o crime sempre compensou ...
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De Anónimo a 14.09.2017 às 23:01

Coerentemente, o Tony apoia a fraude do Medina.
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De JPT a 15.09.2017 às 11:11

O "Anita", cantado pelo Costas Cordalis em 1976, é, talvez - e juntamente com o "Griechischer Wein" do Udo Jürgens, que deu o célebre "Vinho Verde" do Paulo Alexandre - o mais famoso êxito da "Schlagermusik" (música "pimba" alemã). Nos países de língua alemã, não há festa de Carnaval ou reveillon que se preze em não sejam tocadas. Nem o Marco Paulo, nem o Paulo Alexandre, roubaram os autores daquelas músicas, nem tentaram aldrabar quem as ouviu, invocando que as tinham escrito. Mas, mais do que o plágio, o que confrange nesta história é a nossa tolerância com ladrões e aldrabões que, quando apanhados a roubar e aldrabar - e ainda com a mão no frasco, como é caso, em que apenas um surdo pode qualificar o plágio de "alegado" - em vez de pedirem desculpa e cumprirem a sua pena, se dizem vítimas de invejosos e ressabiados. Por estranho que pareça, partilhamos com os alemães o gosto por canções "pimba". Já quanto a esta última característica, é só "googlar" Uli Hoeness.
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De Maria Dulce Fernandes a 15.09.2017 às 12:35

Não compactuo moralmente com qualquer tipo de roubos, se bem que , como já disse anteriormente quem nunca fez um download ilegal, que atire a primeira pedra.
É tão fácil criticar quando tantas e tantas vezes se tem telhados de vidro.
O Sonho de Menino foi lançado em 1997, como é que o tipo foi agora apanhado " ainda com a mão no frasco" ?
Mais uma manobra de distração com 20 anos de atraso. O costume. Não dá em nada e abduziu-nos de algo importante que nos passou praticamente ao lado...
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De JPT a 15.09.2017 às 15:15

Quanto ao primeiro reparo posso "atirar a primeira pedra". Não é por honestidade, é porque gosto de olhar e mexer nas minhas colecções de DVDs, álbuns e CDs. O facto de o Sr. Carreira ter a mão no frasco há dez anos é tão inegável como confrangedor e revelador do país que somos: os plágios são grosseiros, nalguns casos incluem letras, e de canções nem todas obscuras, pelo que só o temor reverencial de ofender um "campeão nacional" e de ser apelidado de "invejoso" e "ressabiado" (como os que apontaram os plágios do também "grande artista" Sousa Tavares) pode explicar a demora na acusação e a escassa divulgação do fenómeno. Quanto ao mais, creio que temos noticiários suficientemente longos para divulgar a"criatividade" de dois "grandes artistas", o músico e o edil, simultaneamente. Assim houvesse vontade.
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De Maria Dulce Fernandes a 15.09.2017 às 16:03

Nem uma fotografiazinha ? Ena, devia fundar uma ordem religiosa. Torquemada era dominicano, mas aquilo por lá ficou um bocado abalado depois da passagem do Irma.
Mas primeiro leia bem as coisas: a mão no alheio já anda por aí não há cinco anos, não há 10 anos, mas há VINTE anos (1997-2017). Aritmética básica. Subtração. Em ambos os aspectos.
BFS.

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