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Convidado: JOSÉ MANUEL FARIA

por Pedro Correia, em 31.10.17

 

Medidas urgentes de combate aos fogos

 

Dezenas de anos de políticas de abandono das florestas. Dezenas de anos de subordinação dos governos de direita e de esquerda às celuloses.
  
O povo está chocado e indignado com as tragédias que se abateram sobre diversos concelhos do interior do País a 17 de Junho e 15 de Outubro, e que horrorizaram e enlutaram o País. É o resultado de dezenas de anos de políticas de abandono das florestas e de desprezo pelas populações rurais, de políticas de desordenamento e desertificação do interior, de políticas de desmantelamento dos serviços públicos (Serviços Florestais), de políticas de floresta “desenhadas” à medida e no interesse das celuloses — por parte dos sucessivos governos.
Estes sucessivos governos, de direita e de esquerda, são os principais responsáveis.
 
Pode-se aceitar que se subordine o património florestal, aos interesses das celuloses, colocando, inclusivamente, em risco os bens e a vida das pessoas? Não. Os interesses das populações e a vida das pessoas estão em primeiro lugar!
O que se espera dos deputados é que, com carácter de urgência, deliberem no sentido de exigir ao Governo de António Costa que assuma o compromisso escrito, visando:
‣ Suprir, até ao final de 2017, os recursos financeiros, a todas as populações atingidas, que lhes permitam reconstituir, integralmente, o respectivo património, total ou parcialmente, destruído;
‣ Reabertura dos serviços públicos encerrados, nas cidades e vilas do interior;
‣ Medidas que garantam o escoamento dos produtos agrícolas e florestais a preços justos, nomeadamente do material lenhoso queimado;
‣ Revogação da lei que liberaliza a plantação de eucaliptos;
‣ Proibição do aumento da área de eucaliptal; 
‣ Atribuição da propriedade e gestão, tanto dos baldios como dos terrenos abandonados, às comunidades locais, para seu usufruto exclusivo;
‣ Proibição da permuta de eucaliptais ou de qualquer outra forma de concentração;
‣ Criação de incentivos compensatórios aos produtores florestais que plantem espécies autóctones, resistentes ao fogo, para protecção dos bens e da vida das populações; 
‣ Abertura de corredores de acesso às florestas e criação de faixas de protecção entre a floresta, as estradas e o meio urbano;
‣ Reactivação dos Serviços Florestais, repondo os efectivos do corpo de guardas florestais, recolocando-os no terreno em acções de prevenção, fiscalização e vigilância;
‣ Criação das equipas de sapadores florestais em falta e construção/reparação das redes viárias primárias e secundárias que garantam, às populações, acessibilidades em segurança.

 

 

José Manuel Faria

(blogue RUPTURA VIZELA)

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7 comentários

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De Anónimo a 31.10.2017 às 10:51

• No Verão Quente dos idos anos 1974/1975, pululavam Iluminados que afiançavam que os Guardas Florestais eram a PIDE das Florestas...

• Para arregimentar mais crentes estipulavam: «A Floresta é do POVO»...

Desorganizando - pensa-se que a Organização continua... E a culpa morre sempre solteira neste casamento do Sistema Oligárquico...
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De am a 31.10.2017 às 10:58

Foi aterrador, comovente ver o Eucaliptal de Leiria arder 80%!

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De Pedro Correia a 31.10.2017 às 11:08

Agradeço-lhe a participação - uma vez mais - aqui no DELITO, meu caro José Manuel. Você que acompanha este blogue desde o primeiro dia. Felicidades para a sua "Ruptura Vizela", que também sigo com atenção.
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De José Manuel Faria a 31.10.2017 às 18:44

Digo mais, Pedro. O vosso blogue neste momento é o melhor do país.
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De Vlad, o Emborcador a 31.10.2017 às 12:54

Segundo as estatísticas o eucaliptal contribuí numa ínfima parte para a área ardida. Sabendo que em média ocorre um incêndio a cada 15 anos, numa dada área florestal, o eucaliptal é das poucas culturas arbóreas que pode dar algum retorno ao produtor. Quanto ao eucalipto ser um sorvedouro de água mais são as culturas de tomate, e o sector agropecuário.

Que os produtores florestais sejam pró activos e ponham as desconfianças de parte e organizem-se em Cooperativas de modo a que consigam fazer uma boa gestão Florestal - limpeza do mato, vigilância, etc - diluíndo as despesas fixas entre eles, ao mesmo tempo que reduzem o risco de incêndio pelo aproveitamento da biomassa.

Quanto ao eucalipto secar os solos :

Ele retém menos água que as matas nativas, permite que a água chegue ao solo mais rapidamente por ter menos folhagem, o que também diminui a evaporação para atmosfera, tendo uma capacidade de absorver mais água na época das chuvas e menos na época da seca. As suas raízes não ultrapassam dois metros e meio, portanto não chegam aos lençóis freáticos.

Estudos recentes revelam que o eucalipto é muito eficiente no aproveitamento da água. Enquanto um litro produz 2,9 gramas de madeira, a mesma quantidade de água produz apenas 1,8 gramas de açúcar, 0,9 gramas de grãos de trigo e 0,5 gramas de grãos de feijão.

A afirmação de que o eucalipto empobrece o solo também é falsa, pois quase tudo que ele retira ele devolve. Após a colheita, cascas, folhas e galhos que possuem 70 por cento de nutrientes da árvore, permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica, além de contribuir para o controle da erosão.

O eucalipto, como o trovão seco, é um bode expiatório ideal. Não se defende.

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De jerry khan a 31.10.2017 às 22:03

nunca vi uma defesa do eucalipto tão bem documentada
os analfas que escrevem por aí não distinguem uma couve dum eucalipto que só viram na tv
os ministros actuais são uma desgraça igual à dos cumentadores
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De Vlad, o Emborcador a 01.11.2017 às 00:11

Agradeça -me sob a forma de poema bocageano!

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