Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Convidado: JOÃO AFONSO MACHADO

por Pedro Correia, em 28.09.17

 

António Costa - o governo que merecemos

 

Aquelas duas entrevistas a Ferro Rodrigues em que, pressurosamente, ele alertava para o calendário pós-eleitoral e lembrava «primeiro se escolheria o presidente da AR», já diziam tudo. Costa, depois da sua tribunícia punhalada em Seguro, ou subia ao Poder ou, em definitivo, morria para a política.

Depois foi a pobreza dos debates, semanas a fio, confundindo a legitimidade política com a legitimidade jurídica (como antes a revolucionária ccom a democrática), e Costa a negociar os seus acordos à esquerda, enquanto ordenava às suas milícias pelejassem e calassem os argumentos contestatários da Direita.

E a Direita, incapaz de se reconhecer na Oposição, lamurienta, premonitória – qual Velho do Restelo – invocando até a vinda próxima do Diabo, tornava-se alvo fácil da chacota da Esquerda e do eleitorado em geral.

Tudo porque António Costa é o maior político português. No mais biltre sentido que ao termo se possa atribuir, claro. Não lhe foi dificil, portanto, congeminar o esquema pelo qual se colocou à cabeceira do Conselho de Ministros.

Costa sabe que a Esquerda leninista-trotskista não transige na sua missão dialéctica de votar o oposto da Direita. Por muito pouco, assim, consegue um qualquer desaguisado parlamentar para, em permanência, ter contra si o PSD/CDS e, a favor, a CDU/BE. Palhaçadas e encenações à parte – incondicionalmente.

Sabe também que somos um País virado para o futebol (e, entretanto, até para o Eurofestival), muito mais do que para a política. Ama-se Pinto da Costa, Bruno Carvalho, Luis Filipe Vieira, como se acredita piamente na inocência de Sócrates. É tudo uma questão clubística... Algo muito importante do ponto de vista eleitoral, tão importante que Costa não teme a desconfiança de quem vota, eventuais comparações com o seu antecessor, de quem, aliás, foi ministro.

Não há de que nos queixarmos, pois.

 

A política portuguesa já se fez de meritocratas, geralmente recrutados no sector privado, que partiam para a governação no mais puro espírito de missão. Agora ela é monopólio dos funcionários dos partidos, desses que faltavam às aulas para dactilografar comunicados lá na sede, a rapaziada das comissões e dos relatórios e do “aparelho”. Uns incontornáveis desempregados se afastados da burocracia e das tricas intestinas.

Costa nasceu assim. Alguém o imaginará a advogar, por exemplo?

É tal a sua percepção e o seu à-vontade neste estranho mundo português que Costa jamais perde o sorriso, por muito comprometedora que seja a situação. Nem uma faúlha o tocou na mortandade e no braseiro florestal deste Verão.

Não há, realmente, de que nos queixarmos.

 

antc3b3nio-costa[1].jpg

 

Até porque – e Costa está atento a isso – metade dos eleitores sequer vota. E se passar a votar fá-lo-á em Costa e na Esquerda Unida, nas poucas patacas que supostamente auferem a mais, por troca com uma subida da tributação indirecta – que não sabem, nem pretendem saber, o que é.

O mesmo se diga do agravamento da dívida pública (que foi uma das principais armas de arremesso de Costa conra a PaF nas pretéritas eleições) e das famigeradas “cativações”. A Saúde e o Ensino em Portugal deterioraram-se por completo. Mas quantos perceberão porquê? Não fora a insegurança que corre os tradicionais paraísos de lazer, não fora o ocasional boom turístico com que a sorte nos contemplou, por que baixos andariam as optimistas contas públicas do Governo?

Mas tudo são conexões que a maioria dos portugueses não alcança. Por isso Costa permanece, e permanecerá, no seu estado de graça. O tempo cavalga, as próximas eleições já não tardam, e ele é o provável vencedor.

 

Merecêmo-lo.

Merecêmo-lo ainda porque a Direita não sabe fazer oposição. Ocorrem-me Eça e Ramalho e o seu contributo para a desmistificação do caduco Rotativismo. E, no passado recente e no presente, Medina Carreira, Pulido Valente, Caiado Guerreiro, António Barreto... Portugal necessita urgentemente de uma IV República (a antecâmara da Monarquia, mas isso é uma história a guardar para outro dia) e ela só é possível mediante a análise crítica destes e doutros e de uma seta – a ironia - apontada ao calcanhar do Aquiles Costa – o próprio Costa, ele e a sua atrapalhação quando é enfrentado a sério. Tudo a deixar bem exposto o ridículo em que vivemos sob o comando dos partidocratas e o paternal encorajamento da Europa rica.

 

 

João Afonso Machado

(blogue CORTA-FITAS)

Autoria e outros dados (tags, etc)


18 comentários

Sem imagem de perfil

De sampy a 28.09.2017 às 10:57

"E, no passado recente e no presente, Medina Carreira, Pulido Valente, Caiado Guerreiro, António Barreto..."

E qual deles (ou de outros como eles) poderia aspirar algum dia a ganhar eleições em Portugal?
Perfil Facebook

De Marques Aarão a 28.09.2017 às 13:54

Se nenhuma das personalidades que refere provavelmente nunca ganharia eleições, seguramente que nunca teriam a ousadia de através de golpe miserável tomar o poder de indecoroso assalto.
Sem imagem de perfil

De sampy a 28.09.2017 às 22:48

A ideia de fair play em política é muito romântica e nobre. E bastante perigosa. As vitórias morais significam apenas uma coisa: foste derrotado. Get over it.
Sem imagem de perfil

De Alain Bick a 28.09.2017 às 11:24

O maior bem do homem pensante é ter explorado o explorável e serenamente venerar o inexplorável.
(J. W. v. Goethe — Escritos naturalistas)
Perfil Facebook

De Marques Aarão a 28.09.2017 às 12:27

A propósito da acusação a Passos Coelho dizendo que este PSD não é digno de um Estado democrático, é preciso gritar-lhe aos ouvidos o que poucos, por hábito de rastejar ou pura cobardia não lhes convém lembrar:
Em exemplos de dignidade se Costa estivesse calado faria bem melhor.
Tem um histórico de ações e contradições que fala por si.
Quem não conhece ou faz que não sabe, é só fazer um repositório dos contos e ditos deste repulsivo personagem.
Após empurrão a Seguro e derrota em legislativas conseguiu em pirueta tão elástica como abjeta fazer figura grotesca de 1º ministro.
Que a história não lhe seja leve e o venha a tratar na exata medida do seu encolhido caráter.
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 28.09.2017 às 16:40

Deve ser bom naquilo que faz...até fiz duas pinguinhas....

https://www.youtube.com/watch?v=Ux8NwQZp3sk
Sem imagem de perfil

De Vlad, o Emborcador a 28.09.2017 às 16:36

Confesso que só li:
E, no passado recente e no presente, Medina Carreira, Pulido Valente, Caiado Guerreiro, António Barreto... Portugal necessita urgentemente de uma IV República (a antecâmara da Monarquia, mas isso é uma história a guardar para outro dia) .....

Medina, em vez de sangue, fel....Pulido, um alcoólico misantropo....Barreto, um travesti de jesuíta....Caiado, ora dispara para um lado, ora para outro, deve ser da graduação...

E chegou-me!

As botas de Cristas nos bairros sociais

https://www.youtube.com/watch?v=xAZwFL62r-A

D.Duarte
https://www.youtube.com/watch?v=9z1rsMxUado

Ainda há gente que suspira por D. Miguel!!

Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 28.09.2017 às 22:47

Perdão: por D. Carlos.
Sem imagem de perfil

De JgMenos a 28.09.2017 às 19:27

Sendo a criatura bastante abjecta, o seu séquito complementa-o em tudo que pode pensar-se de descarado caceteirismo e intriga.
Num país em que se espanta o Diabo com cativações e perdões fiscais e é possível fazer passar um descarado aplauso porque não se rectificou o orçamento, pode esperar-se tudo o que de vil pode ser levado à política.

Do vómito que alimenta os muitos Vlad deste país há que esperar piores dias.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.09.2017 às 22:12

Meu caro, agradeço-lhe ter correspondido ao nosso convite, juntando-se a nós nesta quinta-feira pré-eleitoral.
Um abraço.
Imagem de perfil

De João-Afonso Machado a 28.09.2017 às 22:46

Obrigado sou eu, pelo honroso convite.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.09.2017 às 23:01

Uma pergunta, colocada ao Pedro Correia:

- porquê convidados, a passadeira vermelha, e jamais (que eu tenha visto, claro) um comentário em blogue alheio?


A pergunta é séria, bastante mais do que a imagem da passadeira (compreendo a a imagem, mas venho de educação humilde e sou demasiado assertiva para passadeiras, cresci praticamente descalça, pelo prazer de sentir o chão...)
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.09.2017 às 23:08

Gostaria de responder. Mas, sinceramente, não percebi a sua pergunta.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 28.09.2017 às 23:24

a pergunta foi colocada pela convidada anterior na passadeira, mas estranhamente não apareceram os dados do cartão de cidadã.

a pergunta é fácil demais para não a ter percebido :)

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.09.2017 às 23:35

Está a perguntar-me porque é que eu não comento noutros blogues? Se a pergunta é essa, tem resposta muito fácil.

Nuns não comento porque os autores jamais se dão ao trabalho de entrar em diálogo com quem comenta - algo ao invés do que eu pratico aqui. Para o peditório do diálogo de surdos não dou, obrigado.

Noutros não comento porque levantam tantas barreiras aos leitores que qualquer um desiste de lá comentar. Ainda na semana passada tentei entrar duas vezes numa caixa de comentários de um desses blogues, que quis comprovar primeiro se eu não seria um "robot". Parece que preferem que ninguém comente.
Mandei-os bugiar, claro.

Felizmente aqui não temos nada disto. E que aqui não falta diálogo de todo o género com os leitores, de manhã à noite. Todos os dias.
Sem imagem de perfil

De alexandra g. a 28.09.2017 às 23:54

ó Sr. Leão,

basta ignorar a pergunta do robot, é só publicar, é fácil (aprendi na bloga :)

quanto a moi e a outros, não levantamos barreiras, o que me parece é que este é o seu reduto, e publicar outros em passadeira é uma gentileza que camufla, de certa forma, a renitência do comentário em "zoo" alheio.

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 28.09.2017 às 23:57

Lamento, mas não frequento blogues que me barrem a entrada mal eu bato à porta.
E há muitos assim. Devem ter muito sucesso. Ou talvez não.
Sem imagem de perfil

De alexandra g. a 29.09.2017 às 00:07

?

o sucesso não me assiste, jamais assistiu, nunca barrei a entrada a ninguém lá na hospedaria, como lhe chamo.

a falta de vontade é sua, admita, o desconforto de não se ver rodeado dos seus convidados, sempre no seu espaço :)

__________
give it a try, post a comment somewhere else (proponho - ah, a lata!, - no http://pinta-amores.blogspot.pt/, a ver se lhe barram a entrada)

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D