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Convidado: HENRIQUE P. SANTOS

por Pedro Correia, em 22.06.17

 

"Mas isso dos eucaliptos vais ter de me explicar melhor"

 

Quando me disseram, a rir, que eu parecia um novo consenso nacional, a propósito das reacções que fui tendo ao que escrevi sobre fogos, confesso que pensei na reacção dos que me conhecem há mais tempo e sabem da minha maneira abrasiva e excessiva de discutir.

Quando Pedro Correia me pediu para escrever um texto para aqui, sobre o que quisesse, resolvi que era a altura de repor as coisas no seu devido lugar e aproveitar para responder à frase final de um elogio que fizeram a uma das minhas intervenções e que serve de título ao post.

Há pessoas que até me dizem que compreendem essa coisa da propensão do país para o fogo, dadas as suas características geográficas, percebem isso das cabras, entendem que realmente talvez seja mais importante discutir porque não para um fogo que saber como começa, mas lá eu dizer que para gerir os fogos é irrelevante plantar eucalipto ou não, isso é que já não pode ser.

 

Em primeiro lugar gostaria de dizer que nem sempre pensei como penso hoje: como qualquer conservacionista clássico, como é o meu caso, o eucalipto estava para lá da ideia que um muçulmano tem do toucinho.

Depois comecei a olhar para o assunto com mais atenção, e a questão pode sistematizar-se nos seguintes pontos:

  1. O relevante para a evolução do fogo não é a lenha grossa mas os combustíveis finos, aquilo que, ardendo rapidamente, faz progredir o fogo. No fundo, pelas mesmas razões que ninguém acende uma lareira com tronco grossos, mas com gravetos, pinhas, carumas e coisas que tal. Esta é a base teórica;
  2. Quem estudou empiricamente o assunto (Paulo Fernandes, sobretudo, mas também José Miguel Cardoso Pereira), verifica que não há qualquer preferência relevante do fogo pelas áreas de eucalipto, pelo contrário, por ordem de preferência do fogo, temos os matos, os carvalhais, os pinhais e só depois os eucaliptais. Deve ter-se cuidado com a interpretação dos resultados no que diz respeito aos carvalhais já que a amostra é pequena e, muito provavelmente (aí a especulação é minha), boa parte dos carvalhais são carvalhais jovens que se comportam como matos altos, e não carvalhais maduros cujo ensombramento permite o controlo dos matos;
  3. Dentro dos eucaliptais há uma grande gama de situações, desde eucaliptais intensamente geridos até eucaliptais sem gestão, e o seu comportamento face ao fogo é muito mais uma função da estrutura dos matos e folhada do sub-bosque, que propriamente das árvores;
  4. Estritamente do ponto de vista económico, a fileira do eucalipto é das mais prejudicadas pelos fogos, embora largamente ultrapassada pela fileira do pinho, não havendo qualquer racionalidade económica, nem para o produtor, nem para o comprador, em queimar (isto é, fazer a mercadoria perder valor) para a vender (ou comprar, no caso do madeireiro): o preço da madeira ardida é mais baixo porque a mercadoria vale menos;
  5. A alternativa real, não a idealizada, ao eucalipto, em muitas regiões, é o abandono, não é nada de substancialmente útil para a gestão do fogo (pelo contrário, são os matos que mais ardem).

 

Dito isto, dizem-me que eu deveria defender os carvalhos com unhas e dentes, porque a sua sombra permite o controlo de matos e tudo seria mais simples. O problema com esta ideia é que raramente me explicam como se pretende passar de matos para carvalhais sem que pelo meio haja fogos que atrasem o processo.

Portanto, e pedindo desculpa aos que fiquem abalados nas suas convicções, infelizmente não é o eucalipto a desculpa mais convincente para os fogos.

Se fosse, para além da consciência tranquila, seria fácil acabar com os fogos eliminando os eucaliptos. Mas infelizmente a vida não é assim tão simples.

 

 

Henrique Pereira dos Santos

(blogue CORTA-FITAS)

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45 comentários

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De Luís Lavoura a 22.06.2017 às 11:12

Excelente post, em particular o ponto 5.
A minha experiência (prática) de plantar carvalhos é que eles necessitam de muita gestão durante, pelo menos, os primeiros dez anos de vida (provavelmente, de facto, durante os primeiros vinte ou até trinta anos de vida). Durante esses dez primeiros anos, cresce mato infindávelmente e continuamente por baixo dos carvalhos, e esse mato precisa de todos os anos ser limpo - o que dá trabalho e despesa. (É também preciso podar os carvalhos uma vez ou outra, mas isso é o menos.)
Os eucaliptos, pelo contrário, são muito higiénicos: combatem muito eficazmente os matos, pelo que só é preciso limpar o terreno para aí de três em três anos. Além disso, a partir dos seis anos de idade já basicamente não crescem matos nenhuns num eucaliptal.
Um carvalhal talvez seja impermeável ao fogo a partir dos trinta anos de idade. O problema é o trabalho e a despesa que ele dá durante esses trinta anos. Isto, num país em que os proprietários florestais estão frequentemente curtos em dinheiro, e em que os braços para trabalhar são cada vez menos.
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De Luís Lavoura a 22.06.2017 às 11:17

a ideia que um muçulmano tem do toucinho

É curioso que, embora a ideia que um muçulmano tem do toucinho seja exatamente a mesma que um judeu tem do toucinho, na expressão popular se fale do muçulmano e não do judeu.
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De V. a 22.06.2017 às 15:28

É curioso que, embora os muçulmanos também sejam agiotas e traficantes, na expressão popular se fale do judeu e não do muçulmano.
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De xico a 23.06.2017 às 11:07

Muçulmanos agiotas? Convém refazer as suas leituras. A proibição de porco é igual para judeus e muçulmanos, mas a agiotagem está proibida aos muçulmanos.
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De Einsturzende neubauten a 22.06.2017 às 12:12

Tenho 20 hectares de eucaliptal nas Sarnadas do Rodão. E todos os anos o mato é limpo e os eucaliptos desbastados e adubados. Nao vivendo por lá e com a falta de mão de obra foi a única cultura numas terras que herdei. O rendimento é reduzido uma vez que temos de contratar mão de obra local - penso que ronda os 700 € anuais.
Quanto à questão dos incêndios relacionam-se não com o eucaliptal, julgo eu, mas sim com o descuido/abandono das terras. E sou da opinião que toda a propriedade abandonada deveria ser nacionalizada (embora existem propriedades rurais estatais muito mal cuidadas), podendo o Estado posteriormente vendê-las/arrenda-las em leilão.

Outra coisa que defendo é a profissionalização do corpo de Bombeiros e da Protecção civil ( não deveriam ser militares a ocupar as chefias). Na Islândia penso que os bombeiros podem ser todos voluntários, em Portugal não. Os tempos são de especialização e não de amadorismos
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De Luís Lavoura a 22.06.2017 às 14:31

todos os anos o mato é limpo e os eucaliptos desbastados e adubados

!!!

Adubar os eucaliptos anualmente?! Que exagero! Basta adubá-los duas ou três vezes num ciclo de crescimento (12 anos).

Desbastar os eucaliptos? O que é isso?

Limpar o mato todos os anos? Num eucaliptal basta limpá-lo de 3 em 3 anos, na pior das hipóteses.

Quanto à questão dos incêndios relacionam-se não com o eucaliptal, julgo eu, mas sim com o descuido/abandono das terras.

É em boa parte verdade, mas olhe que um eucaliptal, mesmo bem tratadinho, também arde. No ano passado arderam-me dois eucaliptais que eu tinha limpado de matos ainda há menos de seis meses. O fogo veio de propriedades vizinhas e queimou os meus eucaliptais num instante. As árvores não arderam, mas o calor provocado pela queima dos poucos matos que havia por baixo chegou para lhes para o crescimento e me obrigar a cortá-las (com grande prejuízo).
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De Neubauten a 22.06.2017 às 15:07

Meu caro, faz com os seus o que quiser. Desbastar é podá-los, quando são pequenos e limpá-los . Mas a questão é apenas esta. Pelo dinheiro posto e pelo que de lá tiro só mantenho o eucaliptal por desamor ao metálico e por paixão ao torrão.

Já pensei no pinhão, o problema é depois arranjar mão de obra. Teria que ir para lá viver. Mas esse dia ainda não chegou. Há -de chegar, espero. Ou então fico no Douro e pelas vinhas, isso sim que dá bago. O problema é que com tanta pipa dava cabo de mim em 3 dias.
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De Luís Lavoura a 22.06.2017 às 16:13

Claro que cada um faz do seu dinheiro e da sua propriedade o que quiser. Mas se você está dispost@ (como parece estar) a gastar dinheiro anualmente a limpar uma terra sem dela esperar lucro imediato, então sugiro-lhe que arranque o eucaliptal e plante antes um carvalhal (ou, quem sabe, outra espécie - já pensou em alfarrobeiras?). Sempre gasta o seu dinheiro numa coisa que tem mais futuro e dá mais gosto.
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De Einsturzende neubauten a 22.06.2017 às 18:15

Naquela terra tem duas opções:
Estevas ou eucaliptos...ou então uma tasca onde os velhos gastem guito com brasileiras
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De Rodrigues a 22.06.2017 às 13:25

No livrinho "O futuro da floresta em Portugal" de um dos especialistas nacionais (João Santos Pereira) podem-se consultar duas tabelas (pgs 45 e 53) onde constam

- as áreas ocupadas pelas diferentes espécies (tabela 4): pinheiro-bravo (~22,7%), eucalipto (~25,8%), sobreiro (~23,4%)

- as áreas ardidas anualmente por espécie também (tabela 5): pinheiro-bravo (26,3%), eucalipto (~44,8%), sobreiro (~10%)

Tomando estes dados pelo seu valor facial, parece que o eucalipto é, grosso modo, duas vezes mais susceptível aos incêndios do que as outras duas espécies consideradas (pinheiro e sobreiro). Alguma coisa me está a escapar?
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De henrique pereira dos santos a 22.06.2017 às 16:08

Sim, informação mais atualizada e fidedigna. Paulo Fernandes tem avaliado isso e não consigo por aqui o quadro que resume a coisa.
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De Rodrigues a 22.06.2017 às 17:11

O livrinho é de 2014, os dados relativos aos incêndios correspondem ao período 2000-2009, o autor era investigador e professor catedrático no ISA...

Imagino que existem variados factores que têm de ser tomados em conta para interpretar os dados com proveito, mas essa desqualificação (dados não fidedignos) não me tinha sequer passado pela cabeça.
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De henrique pereira dos santos a 22.06.2017 às 17:25

Não se trata de desqualificar coisa nenhuma, mas de uma constatação sobre essa informação em concreto (como não sei a fonte e os métodos não sei explicar como se chega à sua conclusão).
Num comentário mais abaixo está um link para investigação específica sobre o assunto onde pode ter acesso a informação mais actualizada e mais fidedigna, ou seja, que traduz melhor a realidade.
Se quiser ficar com uma análise de dados entre 2000 e 2009 (que estranhamente atribui uma área de distribuição para o eucalipto maior que a do pinheiro e do sobreiro, situação que só há muito poucos anos ocorreu) por mim faça como quiser.
Mas vou tentar saber melhor que números são esses que apresenta, sugerindo que, no entretanto, leia o que está no link abaixo.
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De Rodrigues a 22.06.2017 às 19:17

Obrigado pelas respostas. Transcrevo aqui as legendas das tabelas 4 e 5 incluídas na monografia sobre a floresta portuguesa e mencionadas no comentário acima para ajudar a identificar as fontes. Por curiosidade: não conhece o ISA, nem o trabalho de João Santos Pereira?

Tabela 4:
Área de floresta por espécie dominante de acordo com o inventário florestal (IFN de 2005/2006).

Tabela 5:
Área florestal por espécie e por ano entre 2000 e 2008 (Rosa et al 2009, Estimativa das emissōes de gases com efeitos de estufa resultantes de fogos de vegetação em Portugal, UTL; Rosa et al 2011 Atmospheric Chemistry and Physics 11: 2625-2640
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De Rodrigues a 22.06.2017 às 19:20

Correcção à minha transcrição da legenda da tabela 5 (onde se lê florestal devia estar *ardida*)

Tabela 5:
Área *ardida* por espécie e por ano entre 2000 e 2008 (Rosa et al 2009, Estimativa das emissōes de gases com efeitos de estufa resultantes de fogos de vegetação em Portugal, UTL; Rosa et al 2011 Atmospheric Chemistry and Physics 11: 2625-2640
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De henrique pereira dos santos a 23.06.2017 às 00:17

Sim, conheço o ISA, o professor João Santos Pereira, o seu trabalho mas queria ter a certeza do que parece ser a explicação para os números estranhos da tabela: diz respeito a um período curto (estas coisas têm variações anuais relevantes) e 2003 influencia excessivamente os resultados.
Mas não tive oportunidade de ver o livro para verificar, embora as suas referências pareçam corroborar esta hipótese.
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De Pedro Correia a 22.06.2017 às 13:59

Meu caro Henrique, venho agradecer-lhe publicamente esta sua colaboração no DELITO, na linha das suas excelentes intervenções dos últimos dias, nomeadamente no jornal 'Público' e na SIC Notícias.
São intervenções informadas e fundamentadas, que contrastam com o ruído mediático dos tudólogos de turno. Parabéns.
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De sampy a 22.06.2017 às 14:18

"para gerir os fogos é irrelevante plantar eucalipto ou não"

Discordo da frase. A tese seria aceitável se fosse dito que não é o factor determinante ou decisivo. Mas irrelevante? Não.

Vários aspectos que não são tidos em conta na análise supra: o combustível produzido pela própria espécie, com biomassa de lenta degradação e, portanto, fácil acumulação; o comportamento da espécie em situação de fogo, sobretudo no que diz respeito às projecções (aerodinámica das folhas); o comportamento da espécie no pós-fogo (de forte resposta vegetativa) potenciando recorrências a curto prazo (4-5 anos).
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De IsabelPS a 22.06.2017 às 15:40

Se calhar é melhor ler directamente os resultados da investigação:
https://link.springer.com/article/10.1007/s10021-016-0010-2
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De sampy a 22.06.2017 às 23:12

"Fire size was essentially indifferent to land-cover composition, including forest type, and increased with high fuel connectivity and low pyrodiversity."

Os autores parecem não equacionar o tipo de combustível gerado pelas diferentes espécies arbóreas, nem o facto de algumas estarem associadas directamente a uma baixa pirodiversidade por serem predominantemente objecto de plantação intensiva.
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De IsabelPS a 23.06.2017 às 00:06

O tipo de combustível gerado pelas diferentes espécies arbóreas equacionam de certeza, porque se se trata de dados obtidos da cobertura florestal real. Pela mesma razão, não fazem distinção entre plantações intensivas ou outras.

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De Miguel Madeira a 23.06.2017 às 11:38

Não sei é se esse estudo não terá o problema "ser judeu na Alemanha nazi não implicava um aumento substancial de mortalidade, contralando para o factor «ser levado para um campo de concentração»"; isto, controlando para a pirodiversidade, o tipo da floresta não faz efeito, mas isso (e guiando-me apenas pelo abstract) não me parece invalidar que diferentes tipos de floresta tenham diferentes pirodiversidades.
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De henrique pereira dos santos a 22.06.2017 às 16:13

Pois, mas na prática, nada disse se reflecte na "preferência" do fogo que se verifica na realidade.
E a rebentação implicar maior recorrência de fogos é uma ideia sem qualquer base: o que interessa num fogo não são as árvores mas a estrutura de combustíveis no terreno, e com quatro cinco anos, com qualquer espécie, os matos já se encarregaram de uma boa regeneração (embora o risco de fogo só comece verdadeiramente a ser outra vez preocupante a partir dos oito anos de intervalo e, sobretudo, a partir dos doze anos.
Independentemente da espécie de árvores dominante, o que é coerente com o facto do relevante num fogo não serem tanto as árvores mas a estrutura do sub bosque.
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De António Pinheiro a 22.06.2017 às 17:01

Concordo com o que é escrito no Post.
Convidava a quem queira a visitar alguns concelhos do distrito de Leiria, concelhos ainda com Floresta por arder o "olhar" de perto e inloco qual é estado da Floresta e que tipo vegetação existe.

Eu durante a minha adolescência vivi no interior no Distrito de Leiria
e lembro de como eram a vidas naquelas aldeias e lembro da vida de meus Avós
Lembro de meu avô, todos os anos fazia limpeza da floresta do qual ele era proprietário
lembro de ele por exemplo nos pinhais “Apanhava Munha” que depois era usada no inverno para aceder e usar na Lareira
Lembro de meu Avô ‘Cortar o Mato’ e usar esse mato para a ‘Cama dos Animais’
e lembro de que a maioria dos habitantes da aldeia fazerem o mesmo
e vendo à distância, era uma sensação de natureza em equilíbrio com a vida humana

Nessa altura, lembro muito pouco de haver incêndios
lembro dos dias serem quentes no verão e até lembro de serem mais quentes que hoje…

Hoje o que vejo quando visito essas aldeias?
é desertificação
A Floresta não é mais cuidada como era no tempo de meu avô, vejo uma floresta selvagem e sinceramente até acho ‘milagre’ como não há mais ‘tragédias’ devido a incêndios, tal é a condição em que estão as florestas.

Julgo que a maioria dos proprietários destas florestas vivem nas cidades e muitos deles nem sabem que são proprietários desses terrenos, pois, herdaram e como as vidas estão nas cidades não ligam a essas propriedades rurais.

Julgo que o problema essencial reside aqui
de como resolver o problema da “Limpeza constante” de todos estes terrenos de floresta
e não será fácil se não houver coragem política e também consciência da comunidade e da sociedade.

Como se podia resolver?
Exigir aos proprietários a limpeza dos terrenos não vai resolver
porque mesmo que alguns limpem, a maioria não limpa e não têm condições para o fazer.
Agora as Entidades locais em coordenação com entidades nacionais, podiam fazer um levantamento desses terrenos e se os proprietários não tiverem condições de limpeza, haver alguma forma das entidades assumirem esses terrenos e responsabilidade pela limpeza e colocar por exemplo presos a limpar e com isso reduzirem as suas penas, colocarem soluções onde possa haver intervenção da sociedade com voluntários, com criação de emprego para esse fim. Isto é, havendo vontade política tudo seria mais fácil de resolver
Agora fingir que o problema não existe e que se resolve com o combate aos incêndios e pseudo prevenção é erro grave e não tenho qualquer dúvida, se não for feito nada na raiz do problema, muitas mais tragédias irão acontecer…
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De Einsturzende neubauten a 22.06.2017 às 18:22

Presos? Hmmmm e a seguir às florestas já imagino como o Estado e os Privados esfregariam as mãos de contente com uma inesgotável fonte de mão de obra barata - sapatos, palitos, algodão, etc .
Criem-se mas é empresas para o efeito e empregue-se gente dessas terras. Se os proprietários não tiverem dinheiro tribute--se o salário/património através de uma taxa.
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De Anónimo a 22.06.2017 às 20:11

Ensinam os Australianos às crianças nas escolas, sobre os eucaliptos que:
"In fact, many species are not only adapted to fire, but actually have features that help to promote it."
Isto porque segundo eles os eucaliptos dependem do fogo.

Mas se calhar os australianos não percebem nada de eucaliptos.

http://www.forest-education.com/sites/forest-education/files/explore_category/files/eucalypt_adaptations.pdf


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De henrique pereira dos santos a 23.06.2017 às 00:20

Se quiser adaptar isso para Portugal substitua eucaliptos por carvalhos que continua a ter uma frase certa.
Só que passar da adaptabilidade de uma espécie ao fogo (como acontece com quase todas as nossas espécies, o que não admira face aos milhares de anos de convivência com o fogo) para concluir que elas são a causa de fogos, é uma salto lógico estratosférico.
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De Anónimo a 24.06.2017 às 14:00

Os Carvalhos protegem-se do fogo, os eucaliptos desenvolveram estratégias para o estimular ( o termo é promote: promover, fumentar estimular, impulsionar)
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De henrique pereira dos santos a 24.06.2017 às 16:57

Então os eucaliptos são bastante incompetentes nessa matéria, pelo menos em Portugal, porque na hierarquia do que mais arde em proporção da respetiva ocupação do solo estão, veja lá, em quarto, depois dos matos, dos carvalhais, dos pinhais.
Em qualquer caso penso que ainda não terá interiorizado uma questão central: da mesma maneira que numa lareira não são os troncos grossos que espevitam o lume, também na paisagem não são as árvores que "promote" o fogo, mas sim os combustíveis finos, se quiser, a estrutura de combustíveis junto ao solo, ervas e mato, para usar uma linguagem mais chã.
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De Rodrigues a 25.06.2017 às 11:55

"na hierarquia do que mais arde em proporção da respetiva ocupação do solo estão, veja lá, em quarto, depois dos matos, dos carvalhais, dos pinhais."

Perdoe a minha insistência, mas não consigo compreender como ė que isso se encaixa - excluindo os matos - nos dados que encontro. Podia apresentar-nos as suas fontes? Obrigado.

Além dos dados do livro do professor Santos Pereira que aqui apresentei (já os conseguiu consultar?), acrescento o seguinte.

Consultando o site do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas parece-me que os dados não apontam no mesmo sentido. Ver aqui:

http://inesvasc4.wixsite.com/dcif2013/estatisticas-2016?lightbox=dataItem-ivje2l9x

Além desse gráfico, os relatórios anuais das áreas ardidas e incêndios florestais em Portugal (também no site do ICNF) relativos a 2013 e 2014 mostram que os eucaliptos foram 40% em ambos os anos enquanto o pinheiro-bravo foi de 41% e 24% respectivamente (percentagens por espécie florestal), enquanto as outras espécies vêm abaixo.
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De henrique pereira dos santos a 25.06.2017 às 12:58

Tenho ideia de ter comprado o livro, mas não o encontro. No Pingo Doce que frequento não o encontrei. Tenho ali um aparelho que a FFMS me deu com todas as publicações, mas nunca o liguei (um dia destes peço ajuda a um dos meus filhos).
Quanto ao resto. Não pode ver isso em períodos curtos.
Os fogos, dependendo essencialmente da meteorologia, têm variações regionais importantes de ano para ano. Se estiver a arder em Águeda, seguramente os eucaliptos representam uma fracção muito grande. Se estiver a arder em Idanha, seguramente representam uma fracção menor.
Portanto tem de ver isso em períodos longos e quer o José Miguel Cardoso Pereira, quer o Paulo Fernandes têm artigos onde isso está claro (os dados que tenho usado são de comentários informais, sobretudo do Paulo (desde que o Zé Miguel saiu do facebook há muitos meses), nestes dias.
Confesso que poderia procurar mas se não se importa, se procurar por Paulo Fernandes, UTAD, rapidamente chega ao que ele publicou e depois tem é de ver pelos títulos porque ele publica muito (e de boa qualidade).
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De Anónimo a 24.06.2017 às 14:07

E para quê adaptar, não há porventura em Portugal mais eucaliptos do que carvalhos? Não é sobre eles o seu texto? Os eucaliptos em Portugal não têm o mesmo comportamento que na Austrália?
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De henrique pereira dos santos a 24.06.2017 às 16:59

Adaptar a frase para explicar que a frase não diz nada sobre o que interessa: ela é verdadeira quer seja para carvalhos, quer seja para eucaliptos (tal como, aliás, para a generalidade da nossa flora que evolui num ambiente pirófilo há milhares de anos).
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De Anónimo a 22.06.2017 às 23:23

"A alternativa real, não a idealizada, ao eucalipto, em muitas regiões, é o abandono, não é nada de substancialmente útil para a gestão do fogo (pelo contrário, são os matos que mais ardem)". Não percebo. Se a estratégia do Henrique, com a qual concordo, é a de queimar matos no inverno para mitigar combustível e haver zonas tampão, transformando os matos em eucaliptos depois vai queimar o quê no inverno?
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De henrique pereira dos santos a 23.06.2017 às 00:21

Os matos do sub-bosque do eucalipto.
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De Anónimo a 23.06.2017 às 10:32

Essa não, Henrique. Assim não leva medalha nenhuma :-) comparando a eficácia anti-fogo de uma zona tampão carequinha de todo devido à queima de matos, com a mesmíssima zona transformada num eucaliptal gerido cientificamente por uma empresa de celulose.
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De henrique pereira dos santos a 23.06.2017 às 17:34

Tem aqui fotografias de uma área sujeita a um fogo controlado, tiradas três meses depois do fogo.
Como vê, os seus preconceitos sobre os efeitos do fogo controlado estão desfasados da realidade e o que resulta de um fogo controlado não é uma área carequinha:
http://montisacn.blogspot.pt/2017/04/formacao-trabalho-e-boa-disposicao.html
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De Anónimo a 13.07.2017 às 11:01

Está carequinha de todo relativamente à função. A função é servir de tampão aos incêndios, não é para ir ao cabeleireiro fazer uma mise. Os gravetos que se vêem no chão são menos combustíveis que as pedras. Não tenho preconceitos contra as florestas científicas de eucaliptos. Não gosto é de ver fazer parvos os outros.
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De henrique pereira dos santos a 14.07.2017 às 00:09

Pelo que vejo pelos seus comentários, acho que não ganharia nada em fazer de si parvo, o que aliás não tencionei nem tenciono fazer
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De Anónimo a 22.06.2017 às 23:48

Os estudos que revelam as preferências do fogo pela espécie A ou B também me deixam algo confuso. Em primeiro lugar porque os cientistas não se entendem e lançam palpites conforme as suas preferência. Depois, neste fogo de Pedrógão-Góis, e este e outros como este é que interessam, os tais 1/100 que consomem 95/100 da área ardida, foi tudo a eito. Eucaliptos ou pinheiros, jovens ou de meia idade, florestas geridas cientificamente ou plantadas a la balda, o fogo não se mostrou esquisito. É pena esta "teimosia" do Henrique em defender os eucaliptos geridos cientificamente como uma opção para a floresta nacional. Só ardem menos se tiverem helicópteros, aviões e mangueiras a despejarem água, algo que conseguem com certa facilidade relativamente à concorrência. Caso contrário ardem violentamente e ganham a tudo e todos nas projeções à distância. No resto da Europa serão assim tão burros por não os quererem?
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De henrique pereira dos santos a 23.06.2017 às 00:24

Não os quererem? Devem ser pelas mesmas razões que não querem sobreiros e nos deixam ser o maior produtor mundial de cortiça.
De resto, em lado nenhum eu defendi os eucaliptos, limitei-me a explicar que têm pouca relação com os fogos: o facto de eu dizer que está de noite não quer dizer que eu esteja a defender a noite contra o dia, estou simplesmente a constatar factos.
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De zelisonda a 23.06.2017 às 17:46

"Desta maneira, as nossas montanhas passaram a estar cobertas por florestas mono-específicas, com árvores altamente inflamáveis (o pinheiro por ser resinoso e o eucalipto por ter produtos químicos aromáticos, arremessando ramada inflamada à distância, por esses produtos serem voláteis e explosivos). Por isso, designo este tipo de floresta por ignisliva (do latim ignis=fogo e silva=floresta), ou melhor, por sugestão da Prof. Maria de Fátima Silva, hilépiros (do grego hyle=floresta e pyr=fogo) ou xilópiros (do grego xylon=madeira e pyr=fogo). Como estamos habituados ao termo laurisilva, talvez seja melhor adoptar ignisliva para a floresta que agora temos. Mas, como há muito designo por piroverões os Verões que temos tido há umas décadas, talvez prefira o termo xilópiros, pois temos estado a plantar floresta para termos madeira para arder."
https://www.publico.pt/2017/06/20/sociedade/noticia/como-passamos-a-ter-estradas-onde-corremos-o-risco-de-ser-incinerados-1776261
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De henrique pereira dos santos a 23.06.2017 às 18:47

Infelizmente esse artigo está cheio de fábulas que contrariam o conhecimento existente.
1) "Os Descobrimentos e respectiva Expansão provocaram uma tremenda devastação da fagosilva, completada, mais tarde, com a construção da rede de caminho-de-ferro, cujas travessas das vias férreas eram de madeira de carvalho". O professor Jorge Paiva repete este disparate há anos, mesmo depois de lhe ser demonstrado que as coisas pura e simplesmente não podem ter sido assim. Por um lado no tempo dos descobrimentos já as matas estavam praticamente acantonadas pela agricultura e pastorícia, as dificuldades de transporte impediam o uso de grandes árvores que não proviessem das proximidades dos arsenais e, mais importante que isso, somando toda a madeira necessária para todas as embarcações durante 200 anos, ainda assim estamos a falar de uma exploração de uma árvore por hectare, se se considerasse a totalidade do país. É ridículo atribuir a deflorestação do país à retirada de uma árvore por hectare em 200 anos. Mais grave, e completamente incompreensível, é a referência ao caminho de ferro porque o relatório geral da arborização do país, de Filipe Folque, de 1868 (se não me engano) é suficientemente claro na demonstração de que praticamente não existem arvoredos em Portugal. Para além do volume ridiculamente pequeno que é necessário para todas as linhas de caminho de ferro do país, incompatível com a atribuição de alguma importância a esse processo para a deflorestação do país, sobretudo quando comparado com a necessidade de manter a fertilidade dos campos (por cada hectare cultivado são necessários 4 a 8 hectares pastoreados para manter a fertilidade).
2) "Com as montanhas desarborizadas, a população passou a viver do pastoreio." É absolutamente inacreditável que Jorge Paiva pretenda dizer que até ao fim da idade média e depois no século XIX é que as pessoas passaram a viver do pastoreio, como se desconhecesse quer a história da humanidade (já Viriato era pastor) e desconhecendo por completo o papel do pastoreio na manutenção da fertilidade dos campos agrícolas;
3) "A partir de meados do século passado (XX), muitos pinhais foram substituídos por eucaliptais e eucaliptaram-se muitíssimas outras áreas." A expansão do eucaliptal é muito limitada até aos anos 80 do século XX;
4) "Com as montanhas ocupadas por eucaliptais, deu-se o êxodo rural pois, como os eucaliptos são cortados periodicamente de dez em dez anos, o povo não fica dez anos a olhar para as árvores em crescimento sem ter mais nada que fazer." O êxodo rural dá-se do fim dos anos 50 até meados dos anos setenta de forma muito rápida e depois de forma mais lenta, a expansão do eucaliptal é dos anos 80, portanto este parágrafo não só não faz sentido nenhum, como pressupõe que o eucaliptal elimina as áreas de produção agrícola, o que é uma ideia sem a menor base.
5) Penso que não vale a pena continuar porque o nível de rigor do resto do artigo é semelhante.
Lamentável.

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