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Convidado: EDUARDO SARAIVA

por Pedro Correia, em 09.06.17

 

O Fundão está em festa

 

Hoje, o Fundão comemora 270 anos da criação do Concelho. Por isso, o Fundão está em festa.

Não sendo possível, com precisão, indicar em que época o Fundão teve a sua existência de povoação, com vida própria, o mais antigo texto que refere a aldeia do Fundão é “a inquirição de D. Diniz, de cerca de 1314.

Também o Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarve, no respeitante à diocese da Guarda, refere que em 1321, a igreja de S. Martinho do Fundão era taxada em 50 libras.

O Catálogo que testava as rendas eclesiásticas, um dos mais seguros indicadores da importância das povoações, refere que entre as localidades do termo da Covilhã, o lugar do Fundão, só se lhe avantajando Aldeia de Joanne, lugar tão próximo que é quasi o prolongamento daquele, e Castelo Novo, vila com foral e porventura alguma igreja das Ordem de Cristo taxadas em conjunto”.

Podemos afirmar que o Fundão já existia, em condições de desenvolvimento, no reinado de D. Dinis.

O Alvará de 15 de Janeiro de 1569, que destaca a pretensão dos fundanenses, regista a importância que a terra continuava a ter no século XVI.

Ali se refere que os oficiais do lugar do Fundão apresentavam, como fundamento, o que ao Rei pediam, ser o mesmo lugar “mui grande de mais de 500 vizinhos” e de muito grande trato e a mais honrada aldeia que no reino há”.

Pelas transcrições, constatamos que os fundanenses não deixavam os seus créditos por mãos alheias, ao procurarem a emancipação da sua vizinha Covilhã, como vieram a conseguir em Carta Régia, de 23 de Dezembro de 1746, da Chancelaria de D. João V, que refere sou servido mandar se crie de novo em vila ao lugar de Fundão”.

Não admira que os fundanenses, como sempre o mostraram, se orgulhem da sua linda terra. Por isso, não surpreende que o Vilão, no Auto da Festa de Gil Vicente, ao apresentar-se ante a Verdade, a auscultá-la sobre a sua apelação se apressasse a declarar-lhe:

Eu sou de cima da Beira

lá de junto do Fundão

 

Em 10 de Maio de 1747, é publicada Nova Carta Régia, a Carta de erecção e criação do dito lugar em Vila.

Em sequência da Nova Carta Régia, no dia 9 de Junho, desse ano, realiza-se a primeira reunião dos Vereadores da Câmara.

Neste aniversário, é de inteira justiça recordarmos e homenagearmos os homens que deram corpo à primeira Vereação – o Presidente, Dr. Henrique Rozalles Barreiros e os Vereadores Diogo de Brito Homem; João Filipe Pereira da Câmara e Oliveira e Manuel Alvares Palhou, assim como todos os cidadãos que integraram as vereações seguintes, até aos dias de hoje.

 Camara 1.jpg

PF9.JPG

 Edifício da Câmara Municipal do Fundão em épocas diferentes

 

O Fundão está em festa. É importante comemorarmos e recordarmos esta efeméride, numa altura em que as comunidades assumem um papel decisivo na nossa Sociedade. Uma sociedade, cada vez mais globalizada onde, o tempo presente, temos que reconhecer, é um tempo de mudança, onde tudo se altera a um ritmo vertiginoso que, não raras vezes deixa perturbado os indivíduos, os grupos e as instituições.

Neste tempo de mudança, há que reconhecer que essa mutação tem uma dimensão civilizacional profunda, com origem na revolução que a ciência, a técnica e a tecnologia vêm, sucessivamente, assumindo.

E, porventura, a principal referência desta mudança civilizacional é a exaltação do conhecimento, convertido em base única do progresso individual, comunitário e regional.

Por tudo isto, ao comemorarmos os 270 anos do Concelho do Fundão, envolvo todos os homens e mulheres da nossa terra num abraço fraterno e formulo votos para que todos os cidadãos, que desempenham funções nos mais diversos órgãos da Comunidade, continuem a pugnar pelo desenvolvimento da nossa região.

Temos que saber agir. Quem não agir a tempo, atrasa-se, irremediavelmente, na caminhada para o futuro. Não podemos perder o futuro e o Fundão tem que saber estar no futuro.

É uma exigência dos nossos antepassados e dos nossos filhos.

 

 

António Eduardo Correia Saraiva

(blogue O ANDARILHO)

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2 comentários

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De Pedro Correia a 10.06.2017 às 18:47

Caríssimo: gosto muito de te (re)ver aqui, com um texto tão oportuno sobre esta efeméride do nosso Fundão. Bem hajas. Um forte abraço.
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De Eduardo Saraiva a 12.06.2017 às 00:37

Bem Hajas.
Se for permitido, vou voltar.
Abraço

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