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Convidado: BRUNO SANTOS

por Pedro Correia, em 13.09.17

 

Rosas do abismo

  

Parece que a nova moda entre uma certa inteligência nacional é espalhar a ideia, não só de que Portugal é um país racista, mas também que toda a sua História é uma expressão antiga, intemporal, desse racismo.

Este ataque ao carácter da Nação e ao seu legado é uma forma de revisionismo, de falsificação histórica e ocultação, que pretende apagar da memória colectiva, principalmente da que servirá as novas gerações, o verdadeiro sentido do projecto Português no mundo e os pilares da sua identidade. Pretende, no fundo, armadilhar o futuro, esvaziando o céu de uma terra que há muito perdeu o chão.

Nenhuma das grandes nações da História está isenta de erro e a evolução da Humanidade sobre o planeta tem sido feita à custa de conquistas, de desastres, de luta pela sobrevivência ou pelo poder, de busca da Paz ou da guerra. Mas o contributo dado por Portugal, ao longo de toda a sua História, para a aproximação dos povos, para o conhecimento do Homem pela descoberta do Outro, ficou bem expresso na saga dos Descobrimentos, quando o nosso país liderou um movimento civilizacional de amplitude global, que permitiu a expansão do mundo sobre si mesmo e a abertura de horizontes com os quais a humanidade não sonhava.

O Projecto Áureo português foi bem mais do que a construção de um simples império colonial. Ele representou a expressão plena de um universalismo afectivo e de uma Alma infinita que se contemplava a si própria em qualquer lugar da Terra, do Brasil à Índia, do Tibete a Timor. E ainda que a força do poder e o poder da força tenham muitas vezes sido usados nos diferentes alhures onde chegou a ânsia de conquista - que mais do que do outro, foi a ânsia de conquista de si próprio - o que nesses lugares deixámos de mais importante, porque mais vivo e vivificante, foi a marca indelével de uma comunidade de afectos reunida em torno de uma utopia espiritual. Por isso há hoje portugueses espalhados por todo o mundo. Portugueses de todas as cores, de todas as raças e línguas, de todos os credos e nações. Por isso hoje a Esfera Armilar permanece na bandeira que nos representa, como símbolo de uma vocação fraternal perene e tradução oculta de um lema que fez de Portugal e dos portugueses dignos capitães de uma saga maior, em busca da Verdade, da Justiça e da Paz (Aleph, Daleth, Shin).

 

8046170_vsZNY[1].jpg

 

Por isso também resiste nos atlânticos Açores a Ave encimando a esfera do Mundo, sobre a Coroa do seu Imperador - a Criança ou o Pobre - trazidos como luz eterna à noite escura do século pela Rainha da Rosa e pelo Rei que nos lavrou na Alma um destino tanto mais belo quanto incompreensível e sofrido. Sabeis novas do meu amigo? Ai Deus e o é?

Vive em todos os povos, porque é constitutivo do humano, a chaga do preconceito, da ignorância e do temor ao outro. Mas poucos foram esses povos, ao longo de séculos e séculos de desventuras, que como os portugueses buscaram nesse outro a razão de si próprios, vendo neles, reflectida como num espelho, a inocência de um Império intraduzível, sem espaço nem tempo, cujo monarca único é o Amor.

Não. Portugal não foi, não é e não será, por muito que os seus detractores o tentem impor, um país racista. Dorme, é verdade, um sono de morte. Um sono fundo, comatoso, povoado de sonhos lúgubres e dantescos, onde ladrões e necromantes dançam e riem em torno dos círculos infernais. É verdade que Portugal é hoje um espectro, uma sombra, um esquecimento. Mas brilha teimosamente no peito desse espectro "uma pequenina luz bruxuleante", um vestígio tenaz da sua Alma Eterna que será, se assim Deus o quiser, quem iluminará o caminho da noite e encherá de rosas o abismo.

 

 

Bruno Santos

(blogue AVENTAR)

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13 comentários

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De Justiniano a 13.09.2017 às 10:24

Apenas para enaltecer o brilhante texto de Bruno Santos! Magnífico e esplendoroso murro na mesa! Quando as palavras não são falhas e de inspiração venturosa, animada pela vergasta da verdade contra a insídia, temos o texto de Bruno Santos!
Um grande bem haja,
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De Luís Lavoura a 13.09.2017 às 11:17

Este inqualificável texto parece retirado de um livro qualquer de instrução do tempo de Salazar.
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De amendes a 13.09.2017 às 14:48

Este lavoura é um verdadeiro aborto da natureza... um auto-convencido e atrevido ...

Se o conhecesse pessoalmente dava-lhe 345 bengaladas...Sacrista!
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De Anónimo a 13.09.2017 às 12:18

" Ele representou a expressão plena de um universalismo afectivo e de uma Alma infinita que se contemplava a si própria em qualquer lugar da Terra, do Brasil à Índia, do Tibete a Timor. " Concordo consigo e direi mais, a expansão ultramarina vou uma verdadeira missão de espalhar a civilização e levar a palavra de Cristo.
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De Vlad, o Emborcador a 13.09.2017 às 12:55

Só não percebi se todo o texto é uma alegoria, ou uma ironia!!

Que falem os Ameríndios brasileiros , os negros, da Costa dos Escravos, ou os Indianos:

As the Portuguese crew plunder the ship and transfer its cargo, it quickly becomes evident that Gama intends to burn the ship with all its passengers - men, women and children - on board. When Gama proves deaf to their pleas for mercy, the passengers frantically attack the Portuguese men-at-arms with their bare hands. To no avail.

A yewitness Thomé Lopes states, "I will never forget for the rest of my days".The pilgrim ship thoroughly plundered, on Gama's orders, the passengers are locked in the hold and the ship burnt and sunk by artillery. It takes several days to finally go down completely. Portuguese soldiers row around the waters on longboats mercilessly spearing survivors.

Ou então, mais recentemente:

Na Revista Civil Wars “Cutting Heads or Winning Hearts: Late Colonial Portuguese Counterinsurgency and the Wiriamu Massacre of 1972

https://www.youtube.com/watch?v=efCHkaGFt6I

Tudo Paz e Amor....um 5ºImperio de Fraternidade e Amor Cristão, o nosso colonialismo tropical....deveria constar nos programas escolares da disciplina de História

Razão tinha o Jorge Palma:

https://www.youtube.com/watch?v=fh8vtMmh7F8



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De Pedro Correia a 13.09.2017 às 13:03

É um gosto receber aqui autores do Aventar, um blogue de que sou leitor atento. Não foi o primeiro nem será o último.
Um abraço, Bruno.
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De Bruno Santos a 13.09.2017 às 13:51

Obrigado, Pedro. Um abraço!
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De Vlad, o Emborcador a 13.09.2017 às 14:02

O Pedro é um autêntico Homem Universal, um Renascentista. Infiro pelo interesse demonstrado estar para breve um Ensaio versado em ciências psiquiátricas forenses, provavelmente sob a chancela da Aletheia
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De Pedro Correia a 13.09.2017 às 15:20

Aventa isso?
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De Maria Dulce Fernandes a 13.09.2017 às 13:50

"Mas o contributo dado por Portugal, ao longo de toda a sua História, para a aproximação dos povos, para o conhecimento do Homem pela descoberta do Outro, ficou bem expresso na saga dos Descobrimentos, quando o nosso país liderou um movimento civilizacional de amplitude global, que permitiu a expansão do mundo sobre si mesmo e a abertura de horizontes com os quais a humanidade não sonhava."

Pena que os genes dessa gente que viveu instavelmente, mas em pleno e tanto glorificou a terra em que nasceu, se tenha perdido na erosão das políticas, no desgaste das ortografias, nas brumas da memória... resta-nos ao leme apenas uma versão incapaz e deslavada do que fomos.

Muito bem escrito. Muito bom.
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De J. L. a 13.09.2017 às 20:30

Está a gozar como o anónimo das 12:18 ou está a falar a sério? Não se percebe bem.
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De J. Lopez a 14.09.2017 às 00:10

"brumas da memória" Piada ao blogue com este nome?
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De WW a 13.09.2017 às 15:42

Lindo e Maravilhoso, muito bom mesmo.

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