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Convidado: ARMANDO PALAVRAS

por Pedro Correia, em 30.08.17

 

Esboço de uma literatura russa

  

Aos que sofreram nos GULAG soviéticos

as agruras sofridas pelos judeus nos campos de extermínio nazis

e pelos chineses nos campos do deserto de Góbi.

 

 

Enquanto no Ocidente, durante todo o século XIX, autores como Baudelaire e Marx, entre outros, aproveitaram o processo de modernização em desenvolvimento para o usarem como fonte de energia e material criativo, nas áreas geográficas fora do Ocidente a modernização era inexistente. Foi essa a situação da Rússia durante todo o século XIX. A sua economia estagnava, e em alguns casos até regredia. Trotski reconhece-o na sua História da Revolução Russa, no I Volume: “O traço essencial e o mais constante da história da Rússia é a lentidão em que o país se desenvolveu, apresentando como consequência uma economia atrasada, uma estrutura social primitiva e baixo nível cultural."

Este atraso em relação ao Ocidente desempenhou um papel central na politica e na cultura russas, da década de 1820 ao período soviético. Cerca de cem anos. A Rússia, em relação ao Ocidente, no século XIX, foi um arquétipo do Terceiro Mundo no século XX.

 

No inicio do século XX, o país com maior dimensão populacional em quase todos os outros padrões surgia em último. Em 1913 tinha o rendimento per capita mais baixo da Europa (exceptuando o Império Otomano), e a esperança de vida (30 anos) colocava-o século e meio atrás da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos da América. Tchékhov di-lo sarcasticamente na sua peça O Cerejal.

Contudo, esta era do subdesenvolvimento russo produziu, no espaço de duas gerações, uma das maiores literaturas do mundo. E, curiosamente, foi São Petersburgo, a capital imperial, a mais clara expressão de modernidade no solo russo do século XIX. Que iniciou uma tradição literária brilhante com características próprias. Assumida com Puchkine (no seu Cavaleiro de Bronze) e se estendeu a Gogol, Chernyshevski, Dostoievski e Bieli. Nela surge como personagem principal o “homem comum”, cujo destino é sempre o de vitima. Mas uma vitima cada vez mais audaciosa no século XIX, fruto das várias revoluções. Uma vitima que encarna a vida real de alguns dos autores. Dostoievswki, por exemplo, teve a vida moldada por dois acontecimentos. O seu pai morreu quando ele era ainda jovem, provavelmente assassinado por um dos seus servidores. Mais tarde, o autor de Recordações da Casa dos Mortos esteve prestes a ser executado por traição. Foi cruelmente conduzido ao cadafalso e deixado de olhos vendados à beira da morte, antes de ser informado que a pena fora comutada.

E como Dostoievski nenhum poeta, romancista ou dramaturgo russo terá trabalhado em condições normais de liberdade intelectual. Muito menos em condições favoráveis a essa liberdade.

 

A literatura russa é intima, escrita para o leitor russo. Mas mesmo o leitor exterior a esse território com a dimensão de metade da lua consegue perceber o tormento de Pushkin, o desespero de Gogol, a alma dilacerada de Dostoievski na Sibéria, a luta impetuosa de Tolstoi contra a censura e o desalento do extenso rol de assassinados (ou desaparecidos) incrustados nas façanhas literárias russas do século que nos precedeu. A estes podemos juntar Turguénev, Tchecov, Andréev ou Nikolai Leskov, que se tornaram clássicos para as gerações posteriores.

Mas o homem comum torna a aparecer-nos no contexto soviético, após uma revolução que juntamente com os seus companheiros venceu; numa nova ordem onde teoricamente goza de todos os direitos de que necessita. Uma ilusão que pagou cara.

O mítico John Reed, no seu imortal 10 Dias que abalaram o Mundo, descreve-nos em rigor os primeiros dez dias da tomada do poder bolchevique. Só a História da Revolução Russa de Trotski se lhe assemelha, suplantando-o em muitos pontos.

 

As políticas genocidas na Rússia Soviética dos anos 1932-1933 e 1937-1949 estão hoje devidamente documentadas e estudadas. Já Dostoievski, em Demónios, nos transporta às origens do terrorismo moderno. Porque o conceito de “terror em massa” é fulcral em Lenine, fórmula que surge a partir da revolução de 1905. Volta a surgir em força na Primavera e durante o Verão de 1918, estando ainda presente em Abril de 1921. E largamente apoiada por intelectuais como Gorki, sobretudo no que diz respeito à massa de camponeses. Em 1930-31, foram deportados cerca de dois milhões de camponeses.

De repente, o terror de 1793 dos “homens do barrete frígio” é institucionalizado no dia 5 de Setembro de 1918 pelo decreto “sobre o terror vermelho”. De facto, os meses que se seguem caracterizam-se por um clima de violência estatal absolutamente novo. São 15.000 as vítimas do Outono de 1918. Ou seja, foram executados, em dois meses, três vezes mais do que o número total de executados no século anterior pelo terror czarista!

 

Nicolas Werth destaca o escabroso editorial do jornal da tcheka de Kiev: “Que o sangue jorre a rodos!”.

Caracterizado pela obsessão da depuração, o terror de massas leninista cria a via de limpeza social que Estaline empreende a partir de 1929, ano da “Grande Viragem” e dos “Amanhãs que cantam!”.

É neste contexto histórico que surge esta literatura, produzida por homens e mulheres que sofreram na pele o terror soviético, cujas personagens das narrativas são, na dimensão humana, os mesmos “deuses” e heróis evocados por Homero, Sófocles, Ésquilo e Euripides. [1]

 

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Ivan Chmeliov (1873-1950) nasceu e foi criado em Moscovo, onde se formou em Direito. Em 1918 instalou-se na Crimeia. Foram anos de fome, medo e humilhação. Em 1920, o filho único do escritor, ex-oficial do Exército Branco, foi preso no hospital e fuzilado.

Emigrou em 1922 para França. A sua obra-prima, onde conta a história da Crimeia do pós-guerra, um testemunho vivo da pavorosa concretização da “grande experiência de transformação” politica e social da Rússia levada a cabo pelo partido bolchevique, foi saudada por Thomas Mann.

Em Março de 1922, 400 mil pessoas passavam fome; 75 mil morreram. Até ao Verão de 1923, 100 mil pessoas morreram de fome.

É sobre esta tragédia que Chmeliov se debruça em O Sol dos Mortos.

  

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Evgueni Zamiatine (1884-1937), escritor por vocação e engenheiro naval por profissão, é um dos primeiros vultos a tratar o homem comum da época soviética nos seus contos. No Ocidente tornou-se famoso com Nós (1924), a pioneira distopia que iria influenciar textos de género como 1984 de Geroge Orwell. Onde denuncia as maluqueiras bolcheviques de 1917, ao intervirem na vida privada, acabando com a instituição família, transformando o espaço doméstico em espaço colectivo onde viviam várias famílias, com dormitórios colectivos e salas próprias para o sexo!

Em 1931 endereça uma corajosa missiva crítica a Estaline.

Os contos de Ziamatine são “um lampejo do que a literatura pós-revolucionária poderia ter sido, se a ditadura não tivesse eliminado totalmente a independência, a ousadia e o individualismo” (Mirra Ginsburg). Nas suas narrativas, impelido pela total liberdade humana de criar, converteu-o num cidadão inconveniente em dois regimes despóticos. O czarismo condenou-o por um ano de exílio; o comunismo baniu-o para sempre.

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Ossip Mandelstam (1891-1938) foi um dos grandes poetas modernos. Escritor profundamente tradicional (da tradição de Petersburgo), na sua novela de 1928, O Selo Egípcio, trata o homem comum como até aqui não havia sido tratado porque nos aparece num contexto soviético, com o seu drama e angústia pós-revolucionários. No final da história Mandelstam faz referência a Moscovo e ao hotel Selecto, através do capitão Kirzzanowski. Moscovo tornara-se o quartel-general de uma nova elite soviética protegida (e chefiada) por uma terrível polícia secreta que actuava a partir da prisão Lubianka, onde o poeta, seis anos depois, seria interrogado e detido.

Dois anos depois da publicação d’O Selo Egípcio, o poeta, juntamente com Nadejada, sua esposa, regressa a Leninegrado, mas os esbirros do partido que estavam ao comando da Sociedade de Escritores e controlavam os empregos e a habitação, expulsaram-nos.

Os Mandelstam regressam a Moscovo. E em 1933, no meio da campanha estalinista pela colectivização das terras, onde perecem mais de quatro milhões de vidas camponesas, e a um passo da Grande Depuração que levaria à morte outras tantas (ou mais), o poeta compôs o poema n.º 286 sobre Estaline.

Embora Mandelstam o não tenha escrito, leu-o em voz alta diversas vezes em reuniões à porta fechada. Um dos que o ouviram denunciou-o à policia secreta. Numa noite de Maio de 1934 foram buscá-lo. Após terríveis sofrimentos físicos e mentais, quatro anos depois morreu num campo de passagem perto de Vladivostoque.

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Isaac Babel (1894-1940), influenciado por Gogol (e Maupassant), nasceu na cidade portuária de Odessa que pertencia ao império russo. Era filho de um vendedor de roupas usadas e de uma judia moldava. O seu tio fora morto num pogrom.

Borges, referindo-se a Babel, dizia que o “clima habitual” da sua vida “seria uma catástrofe”.

As suas principais histórias foram incluídas, mais tarde, em Exército de Cavalaria. Escreveu ainda Contos de Odessa, narrativas de inspiração autobiográfica sobre a sua infância no gueto de Moldavanka, antes e após a revolução.

Em 1930 testemunha, na Ucrânia, a brutalidade e as mortes causadas pela colectivização forçada da agricultura. No Congresso da União de Escritores Soviéticos, em 1934, Babel é já um autor marginalizado pelo realismo socialista. O regime silenciou-o. Em 1935, a sua peça Maria viu a estreia cancelada em Moscovo pela polícia política. Em 1939 foi preso e interrogado sob tortura na prisão do KGB em Moscovo. Segundo a versão oficial teria morrido numa prisão do Gulag em Março de 1941. Os seus manuscritos foram confiscados e destruídos.

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Vassili Grossman (1905-1964) nasceu na cidade de Berdítchev, a “capital judia” da Ucrânia, em 1905. Filho de judeus, o pai era engenheiro e a mãe professora. Embora tenha estudado engenharia, Vassili acabou por se tornar jornalista e escritor.

Como correspondente do jornal militar russo Krasnaya Zvezda, cobriu as batalhas de Moscovo, Estalinegrado, Kursk e Berlim. Será um dos primeiros repórteres a testemunhar a libertação dos campos de extermínio de Treblinka e Majdanek. E o seu artigo “O Inferno de Treblinka” servirá de prova nos julgamentos de Nuremberga.

Em 1961, os agentes do KGB assaltam-lhe a casa levando-lhe todas as anotações que possuía para Vida e Destino, um volume extraordinário, mas de leitura complexa. Em 1974 um dos originais que sobreviveram é microfilmado pelo poeta Semion Lípkin e através do físico nuclear Andrei Sákarov e do humorista Vladimir Voinovich, esse manuscrito sai do país para ser editado em vários países em 1980. Em 1988 é publicado na Rússia de Gorbatchov.

Em Vida e Destino, Grossman, além de denunciar as atrocidades nazis, manifesta um profundo desencantamento com as lideranças soviéticas desde a revolução de 1917. Anna Semiónovna foi uma das vítimas dos pogrom e Evguénia Nikoláevna, perseguida devido às posições políticas do seu marido, Víktor, assistiu à progressão do medo e do sistema vil da denúncia em nome da “confiança do partido”. E procurou guiar-se e “agir segundo a sua consciência”, o melhor que foi dado ao ser humano.

O terror leninista/estalinista, assinalado anteriormente, foi confirmado em obras literárias como Tudo Passa, de Grossman. Um dos seus personagens, um activista convicto, a dado passo diz: “Escorraçámo-los como a um bando de gansos.”

No fim da vida escreve o seu último volume. Uma espécie de reportagem na Arménia. Com o qual tornou a ser molestado por abordar o genocídio arménio. 

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Varlam Chalamov (1907-1982) nasceu em Vologda. Filho de um padre ortodoxo, viveu os seus primeiros 22 anos em liberdade e os quase 20 seguintes como prisioneiro político em Kolimá, uma imensa mina de ouro. A trassa era o caminho que os prisioneiros percorriam para alcançar os diferentes campos dispersos pela taiga. São desertos gelados atravessados pelo rio Kolimá. Dois milhões de quilómetros quadrados a leste do Lena, para os quais foram deportados cerca de dois milhões de prisioneiros entre 1932 e 1957. Tanto Anne Applebaum em Gulag, como Evguenia Guinzbourg, em Le Ciel de La Kolyma, o testemunham.

A este lugar, Varlam chama “o desembarcadouro do inferno” [2]. Num dos seus contos descreve minuciosamente técnicas para conduzir um carrinho de mão, de forma a economizar esforço. Quando os pelotões fuzilavam sem descanso, diz-nos: “Durante meses, de dia como de noite, por ocasião das chamadas da manhã e da noite, foram lidas inúmeras condenações à morte. Com um frio de cinquenta graus negativos, os prisioneiros músicos – de delito comum – tocavam uma marcha antes e depois da leitura de cada ordem. As tochas fumegantes não conseguiam atravessar as trevas e concentravam centenas de olhares nas folhas de papel fino cobertas de gelo em que estavam inscritas as horríveis mensagens.” Nas caves realizavam-se fuzilamentos; espaços onde 50 pessoas ocupavam o lugar de 20 com direito a 200 gramas de pão por dia. 

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Alexandr Soljenitsine (1918-2008) nasceu em Kislovodsk. A grande denúncia sobre o terror soviético surgiu numa obra sua - Arquipélago Gulag. Os gulag [3] eram campos de concentração e de trabalho forçado na antiga União Soviética.

Um Dia na Vida de Ivan Denisovich foi a sua primeira novela. E foi o primeiro testemunho publicado na antiga URSS por um dos presos políticos a mando de Estaline. O Ocidente soube tarde da tragédia do Gulag. E para isso contribuíram intelectuais como Bertolt Brecht, que há muito sabia dessa tragédia mas continuava a venerar o sanguinário Estaline.

Ivan Denisovich é um prisioneiro politico do antigo regime soviético que revela as atrocidades (psicológicas e físicas, nas quais se inclui a repressão) dos campos de trabalho forçado, o Gulag, que o regime de Estaline (e Lenine) aproveitaria do tempo dos czares. É, aliás, bem provável que a sua origem esteja na prisão da ilha de Sacalina, à qual Tchécov dedicou um livro sobre o estudo que aí fizera.

Os detalhes são assombrosos. Denisovich acorda adoentado, é castigado por dormir alguns minutos a mais, passa o dia trabalhando num frio de rachar e tem de se indispor para conseguir uma ração miserável. O cenário é desolador. Os prisioneiros enfrentam o inferno branco (neve e inverno) do Cazaquistão com sapatos onde não cabem os pés, luvas que rasgam a qualquer movimento, camas esqueléticas e cobertores ratados. Embora cercados de um frio imenso, só são dispensados do trabalho escravo quando o termómetro marca 41º negativos!

O relato sobre Ivan, é o relato da experiência sofrida pelo próprio Soljenitsine, à época com 43 anos. Não imaginou os factos (o relato não é ficção ou narrativa romanceada), não ouviu testemunhos. Ele próprio, mais tarde Nobel da Literatura, sofreu na pele a fúria do regime e dos seus caciques; da corrupção do sistema. Só por milagre a detenção lhe não custou a vida. Comandante de um pelotão de artilharia no Exército Vermelho durante a II Guerra Mundial, foi condecorado duas vezes por bravura em combate. No fim da campanha, foi detido por criticar Estaline numa missiva enviada a um amigo.

Já como prémio Nobel e apenas com um livro publicado (Um Dia na Vida de Ivan Denisovich), passa à escrita os apontamentos que iriam dar origem a O Arquipélago Gulag, publicado em 1973 no Ocidente. A obra de Soljenitsine é uma narrativa sobre factos presenciados pelo autor, prisioneiro durante onze anos, em Kolima, um dos campos do arquipélago, e pelas cartas e relatos de 237 pessoas.

 

Quantos desapareceram nos Gulag? Pelo menos seis vezes mais do que os que foram chacinados no holocausto nazi.
Anne Applebaum, em Gulag, trata dos números e de muito mais. Uma fonte recomendável.                                    

 

_________________________________________________________

 

[1] Porque se trata de um esboço, neste escrito, por receio de lhes não dar a dignidade que merecem, não se reproduz reflexão sobre muitos autores russos, dessa época, que mereciam uma referência tão elevada como aqueles que nos mereceram essa reflexão: Sinyavsky que cumpriu pena em vários campos de trabalho forçado entre 1966 e 1977; Pasternak, Anna Akhmatova, Marina Tsvetaeva, Joseph Brodsky, Jaan Kross (Estónia) e Chukovskaya, que na sua novela trata de Bilibin e Veksler.

Também não se faz reflexão sobre ficções como O Meteorologista, de Rolin, ou de narrativas como Rumo à Liberdade, do polaco Slavomir Rawicz.

 

[2] José Milhazes diz-nos sobre o assunto:” Ao vaguear na Net deparei com a publicação de um trecho de um livro traduzido por mim em 1990 "Contos de Kolima” num blog chamado "Teor Crítico".

Escrita por Varlam Chalamov, ela exerceu em mim uma grande importância, tendo contribuído fortemente para a revisão de algumas das minhas ideias políticas. É depois de obras como estas, de relatos directos, pessoais, que se conclui que entre os campos de concentração nazis e o Gulag poucas diferenças existiam. Uns diziam matar pela "limpeza da raça", outros pela "classe social"... Descubra a diferença!”. (http://darussia.blogspot.pt/2013/11/contos-de-kolima-excerto.html).

 

[3] GULAG - acrónimo para Glavnoe Upravlenie Lagerei, ou "Administração Central dos Campos", palavra que por fim passou a descrever todo o sistema soviético de punição e trabalhos forçados para prisioneiros criminais e políticos, crianças e mulheres - espalhavam-se por todo o país, da gélida Sibéria às inóspitas regiões da Ásia Central, passando pelas florestas dos Urais e os subúrbios de Moscovo. Cerca de 18 milhões de pessoas passaram por esse sistema de trabalho escravo, tema do livro Gulag, de Anne Applebaum.

Os maiores gulags ficavam em regiões geográficas quase inacessíveis e com condições climáticas extremas. A combinação de isolamento, frio intenso, trabalho pesado, alimentação mínima e condições sanitárias quase inexistentes elevavam as taxas de mortalidade entre os presos. Para se proteger da violência, alguns grupos de presos criaram códigos e leis internas que deram origem aos Vory v Zakone – a máfia russa. A quantidade de campos foi reduzida a partir de 1953, logo após a morte de Estaline. Porém, os campos de trabalho forçado para presos políticos duraram até os anos 90.

 

 

Armando Palavras

(blogue TEMPO CAMINHADO)

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11 comentários

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De Luís Lavoura a 30.08.2017 às 11:13

Chernyshevski

Para leitores portugueses, dever-se-ia escrever "Tchernychevski". O mesmo se aplica, penso eu, a Chalamov e Chmeliov. O melhor é ver a ortografia russa dos nomes para tirar dúvidas.
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De Luís Lavoura a 30.08.2017 às 11:16

a libertação dos campos de extermínio de Treblinka e Majdanek

Treblinka não foi libertado, já que tinha sido encerrado pelos nazis em finais de 1943. Os nazis tiveram aliás todo o cuidado em demolir e dissimular os restos do campo, pelo que, provavelmente, quando os soldados soviéticos por lá passaram nem viram nada de distintivo. Creio que, após a guerra, foi necessário fazer um trabalho não-trivial de pesquisa para se descobrir onde se situava o campo.
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De Luís Lavoura a 30.08.2017 às 11:37

Evgueni Zamiatine

"Yevgueni Zamiatin" estaria mais de acordo com a forma de ler.
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De Pedro Correia a 30.08.2017 às 11:37

Cumprimento-o vivamente pelo ensaio que aqui nos traz. Um tema ainda hoje muito incómodo para alguns que entoam os "amanhãs que cantam" em louvor e glória ao centenário da "revolução" soviética com o seu cortejo de milhões de mortos e extermínio de artistas e escritores.
Esses louvaminheiros andam há décadas com o pescoço enterrado dentro da areia. Não lêem, não ouvem, não vêem - podem ignorar.
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De Anónimo a 30.08.2017 às 12:48

Muito obrigado. É um pequeno ensaio, onde seria necessário o acompanhamento de várias notas de rodapé.
Aproveito para esclarecer que a forma como se escrevem os nomes russos depende das edições. E sobre Treblinka é fundamental a leitura de um testemunho de Chil Rajchman: "Sou o Último Judeu".
Caro Pedro, abraço fraterno.
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De Luís Lavoura a 30.08.2017 às 17:55

a forma como se escrevem os nomes russos depende das edições

Não. Os nomes russos escrevem-se de uma só forma, no alfabeto cirílico. Quando se transcreve esses nomes para o alfabeto latino, podem-se usar diferentes convenções - a convenção de leitura alemã, a inglesa, a francesa, a portuguesa, etc.

Por exemplo, os franceses escrevem "Poutine" para o nome que nós escrevemos "Putin". Os alemães escrevem "Gorbatschow" para o nome que nós escrevemos "Gorbatchov". E assim por diante.

Se o Armando Palavras quer escrever este texto em bom português, então deve utilizar sistematicamente a transcrição fonética do português. Por exemplo, em português "ch" não se lê "tch" como em inglês.

Deve ter em atenção que alguns sons "e" se lêem "ie" em russo. Por exemplo, no nome Ievgueni. Isso é claro na escrita cirílica do nome.
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De Anónimo a 30.08.2017 às 21:27

A discussão que Luís Lavoura trás para aqui, não tem interesse algum para o conteúdo do ensaio. Mas já que quer “conversa fiada”, vamos lá. Continuo a dizer que depende da tradução (ou seja do tradutor). Evgueni Zamiatine foi traduzido, para português, por exemplo, por Manuel João Gomes, a partir da versão inglesa. E por Nina Guerra e Filipe Guerra. Ambas usam a mesma nomenclatura.
José Milhazes, por exemplo, escreve, na sua tradução dos contos de Kolima, o nome de Varlam Chalamov de forma diferente dos tradutores brasileiros.
Quanto a Treblinka e Majdanek, faça favor de ler o ensaio: Vassili Grossman como “correspondente do jornal militar russo Krasnaya Zvezda, cobriu as batalhas de Moscovo, Estalinegrado, Kursk e Berlim. Será um dos primeiros repórteres a testemunhar a libertação dos campos de extermínio de Treblinka e Majdanek. E o seu artigo “O Inferno de Treblinka” servirá de prova nos julgamentos de Nuremberga”.
E faça favor de ler o testemunho Chil Rajchman, traduzido por Telma Costa: "Sou o Último Judeu".
E já agora, porque razão não opina sobre o conteúdo, em vez da forma? É claro que isso apenas depende de si, não de mim.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2017 às 12:25

Felicito-o por esta publicação e pelo que nos dá a conhecer, independentemente da ortografia dos nomes. Alguns conhecia, outros não. Como costumo dizer sobre o nazismo, é bom sempre relembrar as atrocidades que o animal homem é capaz de cometer sobre o seu igual. Somos o único animal com a predisposição para destruir a própria espécie, não matar apenas para comer e infligir infinita tortura, mais até a nível psicológico do que físico.
Sobre o comunismo soviético, disse até pouco, mas o quanto basta para que a terra não esqueça.
Muito bom.
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De Alain Bick a 30.08.2017 às 14:51

depois de liquidarem o III Reich com ajuda a estaline
os gringos concluíram
'matá-mos o porco errado'
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De Luís Lavoura a 30.08.2017 às 18:00

a libertação dos campos de extermínio de Treblinka e Majdanek

É difícil ter estado na libertação desses dois campos, dado que Treblinka (que, repito, já tinha sido destruído e camuflado quando as tropas soviéticas lá chegaram) fica no norte da Polónia, a uns 100 quilómetros a nordeste de Varsóvia, enquanto que Majdanek fica no sudeste da Polónia, mesmo ao pé de Lublin. Certamente que foram colunas distintas do Exército Vermelho que ocuparam os dois campos.

É provável que se queira referir às libertações dos campos de Majdanek e Auschwitz, esses sim situados no sudeste e sudoeste da Polónia, respetivamente, e que provavelmente terão sido libertados pela mesma coluna do Exército Vermelho (em datas distintas, claro).
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De singularis alentejanus a 30.08.2017 às 19:28

Resumindo, as inqualificáveis atrocidades cometidas pelos nazis, comparadas com as dos comunistas, quase deixam de ter significado.
Perante isto, pergunto como é possível nos USA empunharem a cruz suástica nazi e em Portugal identificarem-se com a foice e o martelo comunista?
Está a aproximar-se um grande evento comunista: a festa do Avante. Quando lá for, será a primeira vez, e aqui deixo nova pergunta: Como é possível certas pessoas, que presumo terem o mínimo de bom senso, pactuarem com o PCP aceitando fazendo parte dessa festa?

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