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Convidada: CRISTINA NOBRE SOARES

por Pedro Correia, em 12.04.17

 

Zé Inácio

 

Zé Inácio fazia por estar de bem com todos. Que ele não andava neste mundo para fazer zaragatas, até para garantir que não levava ressentimentos para onde fosse depois de morrer. Já basta a alma de uma pessoa andar a penar, quanto mais estar de mal com as outras uma eternidade inteira. Por isso quando lhe perguntavam a opinião sobre alguma coisa, fosse sobre uma zanga de extremas ou sobre uma notícia no jornal, safava-se sempre com um sorriso, que os outros tomavam por franco, ou com um provérbio popular que, mesmo que não viesse a propósito, soava sempre a sabedoria da velha, daquela que não se compromete com nada.

Esta maneira esquiva de estar na vida ganhou-lhe a fama de homem de tino e juízo certo. Que é uma coisa diferente de bom homem, que tino e o saber viver nem sempre andam a paredes meias com a bondade, pois quem sabe viver é esperto e os espertos sabem que bondade a mais é coisa de gente tonta.

Diziam os outros que ele era um homem de juízo certo e sem vícios. Fama que ele cuidava que nunca se manchasse, que um homem sem vícios tem sempre mais razão que os outros, mesmo que não tenha razão nenhuma. E por isso Zé Inácio desde cedo, porque nascera velho, cuidou com esmero sobre o que dele pensavam, pois sabia que a verdade que se conta acerca de um homem nem sempre é o que realmente se passou, mas mais o jeito de como disso se fala. E assim garantia que a verdade que os outros contavam dele seria sempre boa. Zé Inácio fazia por estar de bem com todos, porque não andava nesta vida para arranjar zaragatas mas acima de tudo porque acreditava que mais importante que a vida que realmente se vive é a vida que de nós se fala e conta.

 

Cristina Nobre Soares

(blogue EM LINHA RECTA)

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6 comentários

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De Pedro Correia a 12.04.2017 às 13:03

Bem-vinda (novamente) ao DELITO, Cristina. Privilégio nosso, termos hoje aqui uma das melhores penas da blogosfera portuguesa.
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De Cristina Nobre Soares a 12.04.2017 às 14:14

Ena, Pedro! Obrigada, eu. É bom entrar por aqui para beber um cafezinho. :)
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De Teresa Ribeiro a 12.04.2017 às 18:44

Na era do facebook, os Zé Inácios andam a multiplicar-se a uma velocidade estonteante! (Bem-vinda, Cristina!)
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De Cristina Nobre Soares a 13.04.2017 às 08:49

Tenho ideia que sempre foram muitos. Obrigada, Teresa. :)
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De Helena Sacadura Cabral a 12.04.2017 às 22:28

A Cristina não é do meu tempo. Mas este excelente texto é. Ainda bem que existem convidados assim!
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De Cristina Nobre Soares a 13.04.2017 às 08:50

Os "Zés Inácios" são intemporais. Obrigada, Helena. :)

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