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Convidada: ANA

por Pedro Correia, em 24.05.17

 

As crianças de hoje

 

Dei catequese durante anos numa paróquia muito dividida em termos de classes sociais. Crianças muito, muito pobres, e, no outro extremo crianças com muitas posses. O comum entre a maioria delas? A Hiperatividade diagnosticada e comprovada cientificamente.
Lidar com crianças hiperativas pode ser esgotante, desgastante, frustrante. Sabemos que não podemos ir a qualquer local público, pois não sabemos que comportamento elas poderão vir a demonstrar. Pode chegar mesmo a ser humilhante para os adultos que as acompanham, sendo pais ou não.
No início do ano de catequese, e com um grupo novo, coloquei-me à prova, tentei desvendar o que poderia estar por trás deste comportamento. Eu não acredito que as crianças nasçam hiperativas só porque sim, sempre acreditei que existem diversos motivos para que este comportamento se desencadeie. E não me enganei. Vou apenas enumerar alguns exemplos, infelizmente reais:
 
 
- Crianças que viveram na rua até aos 3 anos de idade – Não se recordam da maior parte das coisas, mas há três memórias fundamentais e que as irão acompanhar para a vida: a sensação de insegurança, a fome e o frio;
- Crianças que assistiram à morte de um dos familiares perpetrada por outros, ou seja, pessoas em quem confiavam;
- Crianças que apareciam com a marca do cinto no rosto, nos braços, e sempre que me arriscava a levantar um pouco a camisola a algum, as lágrimas tendiam a cair tal a crueldade, a violência a que tinham sido sujeitas;
- Crianças que destruíam os vidros ao murro por se sentirem presas, por não sentirem a liberdade tão desejada;
- Crianças que não tinham o mínimo acompanhamento em casa, uma palavra de carinho, força e confiança. A sua companhia eram os gadgets eletrónicos, os telemóveis topo de gama, as consolas de inúmeras formas e feitios;
- Crianças “depositadas” na catequese, como se de um ATL se tratasse;
- Crianças sem estrutura familiar;
- Crianças que à pergunta “O que queres ser quando fores grande?”, respondiam “Quero ser pai, quero ter muitas mulheres, que vou matando à medida que tenho filhos.”
  

Bambini-01[1].jpg

 

Todos estes exemplos indicados como hiperativos ou mesmo psicopatas (num dos casos). O acompanhamento que tinham a nível psicológico? Nenhum! Como é que a sociedade quer integrar estas crianças? Qual o papel da escola, das assistentes sociais no seu desenvolvimento?
Classificar as crianças como hiperativas é fácil, o difícil é mudar mentalidades, o difícil é fazer com que ultrapassem certas vivências, o difícil é fazer esquecer… No fundo, o difícil é agir e ajudar!
 
A catequese era assim uma hora semanal em que se falava da Igreja, de princípios e valores que lhes custava a interiorizar, mas acima de tudo era um espaço em que eles desabafavam, um espaço em que se sentiam seguros, um espaço onde podiam abraçar e beijar sem medo, um espaço onde podiam ser crianças e interagir com os outros, brincar sem maldade associada. Um espaço que ia deixando a teoria da Igreja cada vez mais para trás, um espaço que se tornou o espaço deles, o espaço em que deixei um pedacinho do meu coração a cada semana.
 
Quando conhecerem uma criança identificada / diagnosticada com alguns destes sintomas, tentem perceber a sua história de vida e não a classifiquem logo como irritante, provocadora, briguenta, intolerável. Pode ter suportado em poucos anos de vida aquilo que nenhum adulto suportaria. E estas crianças merecem ser ajudadas!
Numa semana em que se comemorou o Dia do Abraço, lembrem-se: este simples gesto pode curar meses de sofrimento.

 

 

Ana

(blogue CHIC' ANA)

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52 comentários

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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 10:31

A Hiperatividade diagnosticada e comprovada cientificamente

Mas quem foi o cientista que fez tal diagnóstico e o comprovou? Tinha mesmo havido, para essas crianças, algum cientista que tivesse feito qualquer diagnóstico? É que as crianças muito, muito pobres talvez não tivessem cientista disposto a diagnosticá-las...
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 12:22

Não foram cientistas, mas sim médicos, psiquiatras e psicólogos que os identificaram como tal. As crianças pobres têm estes apoios através das escolas, através das juntas de freguesia. Sim, todos eles nos apresentaram um papel com o diagnóstico. (Como é óbvio não aprofundei se era válido ou não, também não fazia parte das minhas competências).
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De Cidália Ferreira a 24.05.2017 às 16:33

Ele refere-se a ser muito agitada. Mas esta criança teve foi uma infância até aos 8 anos muito complicada, muito mesmo. Fome, falta de higiene, falta de regras, falta de atenção, falta de comparecia da mãe na escola. Tudo isso fez com que hoje, com 9 ainda seja um pouco agitada. Estamos a tentar que acalme.

Beijos
Se pretender visite-me lol
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 16:49

E ainda têm um longo caminho pela frente. Estou a fazer figas para que o consiga ultrapassar...beijinhos
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 10:31

perpetuada -- > perpetrada
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 12:24

Obrigada pela correção! =)
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 10:41

Bom dia,
Muito obrigada uma vez mais pelo convite, pela oportunidade e privilégio de escrever num blog que consulto tantas e tantas vezes.
Beijinhos
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 10:44

É um prazer ver hoje por cá, como convidada especial do DELITO, a campeã dos comentários da blogosfera portuguesa. Bem-vinda, Ana.
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 10:46

Obrigada!
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De Matilde a 24.05.2017 às 11:27

Que experiencia... :( Aquela resposta do ultimo miudo sobre quando crescer deu-me calafrios :(
Os que crescem com pouco sao os que dao mais valor...
Obrigada, querida Ana pela partilha. Gosto mesmo muito de ti.
Bjinhosss
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 12:20

Acredita Matilde que fiquei ali uns segundos sem reação... Não sabia mesmo o que lhe havia de responder.. Depois tentei chamar a criança à razão.. mas não é com uma hora que se consegue...
Beijinhos
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De Cidália Ferreira a 24.05.2017 às 12:35

Bom dia
Li atentamente o teu texto e dou-te os parabéns! Lidar com crianças não é fácil.

Tenho uma criança comigo ( resultado de uma traição, que correu mal)...que, "tirei" da mãe por maus tratos. Até aos 8 anos foi uma menina sem regras. tem sido difícil domar, porque é irrequieta. Está comigo quase há um ano. Está melhor, mas ainda há muito trabalho a fazer.

O meu marido questiona-me se ela não será hiperactiva, onde respondo que o que ela tem ou tinha era falta de regras e boa educação. Acredito que, se os miúdos fazem tudo o que querem e têm tudo o que querem, tornam-se mais "mal comportados, salvo excepções.

Não concordo nada com os brinquedos electrónicos, tipo telemóveis e tablets, só para os calar. Mas claro cada qual é que sabe. Já não se brinca "na rua"...

Por falares nas as crianças precisam de ajuda,sim, concordo. Mas é difícil chegar. Pedi na escola uma psicologia para a minha menina no inicio do ano lectivo, foi enviado o recrimento e até hoje, NADA.

Não sei se está em contexto.Mas gostei de te ler.

Beijinhos

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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 14:33

Olá Cidália!

Lidar com crianças nos dias de hoje não é nada fácil e muitos são aqueles que desistem. Lá está, se até aos 8 anos foi uma criança sem regras, não é de um momento para o outro que as vai assimilar e sequer compreender porque é que tem de alterar o comportamento. Acredito que seja uma tarefa árdua, difícil, os meus parabéns Cidália, sinceros, pela atitude e força!

Muita da hiperatividade tem sem dúvida a ver com a falta de regras existentes, com a liberdade que têm desde pequenos.

É muito difícil, quanta ajuda nós pedimos, não só individualmente, mas também como instituição, contando ter maior peso, não, infelizmente não a obtivémos.
Obrigada!
Um beijinho
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 14:41

Muita da hiperatividade tem sem dúvida a ver com a falta de regras existentes

Acha? Eu diria antes que tem a ver com o excesso de regras.
Se a criança passa os dias sentada no carro dos pais, e em catequese, e a ver televisão, e etc e tal, sempre em espaços fechados, sempre sentada, sempre aprisionada, pois é normal que se revolte, que queira atividade, que queira correr e brincar!
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 15:07

Acho que neste caso tanto pode estar relacionado com o excesso de regras, como com a falta destas. Tudo depende de um bom equilíbrio, e este não é fácil de alcançar...
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 14:38

O meu marido questiona-me se ela não será hiperactiva

Hoje em dia usa-se um diagnóstico de hiperatividade a torto e a direito.

Experimente duas coisas. Um, cortar-lhe o açúcar na alimentação (e nas bebidas). Dois, deixá-la brincar no exterior (jardim, campo de jogos público, etc) com outras crianças, pelo menos uma hora por dia.
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De Cidália Ferreira a 24.05.2017 às 16:38

Uma das regras cá em casa é que a bebida é água.
Também açucares só se forem das frutas ...Tenho 54 anos, já não caio na "asneira" das doçarias para os garotos. Só em casos especais, claro. Lol

Um beijo
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 17:02

Por vezes estas duas medidas podem não ser suficientes. Ajudam, mas podem não chegar...
Muito carinho, compreensão, conversas, acompanhamento psicológico e sorrisos também são aconselháveis.
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 18:04

Não é o açúcar, mas sim o Glutamato monossódico
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De Corvo a 25.05.2017 às 00:15

Espantoso como o Luís Lavoura sabe tanto sobre o que se passa na casa da senhora.
Corte-lhe no açúcar, nas bebidas e na alimentação, deixe-o brincar no jardim com outras crianças, etc, etc e tal.
Como sabe que a criança não desfruta disso tudo? Consultou o doutor Caramba, foi?
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De Einzturzende nebauten a 24.05.2017 às 13:01

Penso que é bastante complicado diagnosticar, correctamente, hiperatividade. Por acaso, o que mais vejo, nas supostas crianças irrequietas, ou hiperativas, ou com déficits de atenção, é uma falta de chá tília que deveriam ter bebido em casa. Outra coisa que noto nestas hiperatividades é elas terem origem significante em famílias "catequistas e azuis " que não previligiam muito as vantagens associadas à espera e à frustração que esta acarreta , preferindo-se o dar das coisas, de mão beijada, para que a criança não desenvolva traumas causadas pelo pouco tempo para o afecto. Afinal o papá esteve a trabalhar até tarde para que nada falte ao menino - a roupinha gira e o jogo que saiu.
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De kika a 24.05.2017 às 13:44

Sr.Einzturzende da Comporta
Também li algures que a falta de educação se confunde
inúmeras vezes com a hiperatividade.
O mais dramático é que começam logo a tomar medicação
para essa " patologia ". Assim os pais ficam mais descansados
e as crianças um pouco apáticas.
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 14:36

Os pais ficam sem dúvida mais descansados, mais tranquilos. As crianças estão sedadas... Mas será esta a solução para o que quer que seja?!
Beijinhos
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De kika a 24.05.2017 às 14:47

Não é a solução e altera consideravelmente a saúde
dos " putos". Não tendo filhos a minha experiência nesta
matéria é bastante limitada.
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 15:08

Eu também ainda não os tenho, já trabalhei diretamente com crianças e apenas abordei a minha experiência. Espero sinceramente ser capaz de fazer o melhor pelos meus filhos.
Beijinhos
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 14:35

Boa tarde, realmente o que é focado neste comentário é muito importante. É a sociedade do facilitismo associado ao consumismo exarcebado. Enquanto os valores forem substituídos por bens materiais, não vamos longe...
Beijinhos
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De Matilde a 24.05.2017 às 13:56

Pois nao querida, demora tempo muito tepo, as vezes uma vida inteira... :(
Bjinhosss
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 15:08

É verdade Matilde, resta-nos esperar...
Beijinhos
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De Miúda Opinativa a 24.05.2017 às 14:08

O problema é que hoje em dia a PHDA é diagnosticada muito "facilmente". Não estou a dizer que estas crianças com quem lidaste não tivessem esse diagnóstico, mas a verdade é que muitas vezes estes diagnósticos são mal feitos. Como sabes, eu estudei Psicologia e frequentei o Mestrado em Psicologia Educacional, e aquele tempo em que estive nessa área fez-me compreender isso mesmo. Há muitos diagnósticos errados. Há muitas crianças que carecem de regras ou de acompanhamento (ou, nalguns casos, são apenas diferentes) e são depois diagnosticadas como hiperativas e medicadas. Problema disto? Acompanhamento e intervenção errados destas crianças - quando existe, porque muitas vezes, após o diagnóstico, "trata-se" a criança com ritalina e mais ninguém quer saber -, e desvalorização de todas as crianças, mesmo as que efetivamente apresentam PHDA, porque são é "mal educadas e um par de açoites resolvia o problema".

A verdade é que existe falta de acompanhamento psicológico nas escolas. Se calhar, uma intervenção comportamental era o mais importante. Mas não existem m€ios. Ou vontade para esses meios.

E o facto é que o trabalho feito pela Comunidade (como, por exemplo, os catequistas) acaba por ser fundamental. Independentemente das crenças de cada um, o que tu fizeste com os meninos tem que ser valorizado :)

Agora... A última resposta é verdadeiramente assustadora.
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 15:15

Vivemos na era do facilitismo, e tu, melhor que ninguém, pode dar uma opinião válida e construtiva. Eu também penso que hoje em dia é tudo muito fácil, é fácil atribuir "rótulos", o difícil é tentar corrigir a situação em si. Algumas destas crianças, acredito que pelas vivências estivessem corretamente identificadas (muitas delas não poderiam ser sãs depois daquilo a que foram sujeitas), outras, nem por isso..

Tudo depende muito de uma boa estrutura familiar, de uma boa educação, de um bom acompanhamento. Tantas e tantas vezes que nós pedimos esses apoios, que as escolas o fizeram, mas não houve qualquer resposta positiva.

Admito que muito do meu trabalho não era o de catequista, foram raras as vezes em que o fui, era mais uma amiga que outra coisa. Estas respostas desarmavam-nos, estamos a falar de crianças dos 5 aos 8 anos.... Era inacreditável!
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De aespumadosdias a 24.05.2017 às 14:09

Histórias de vida muito tristes. O que será o futuro dessas crianças...
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 15:09

Não sei, não sei e fico assustada com a falta de apoios que existem...
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De José da Xã a 24.05.2017 às 16:18

Ana,

fantástica análise que traduz uma cruel realidade. Infelizmente.
Todavia tenho que fazer um breve reparo. Há hiperactividade genética. Isto quer dizer o quê? O chamado deficite de atenção pode não ter a ver a com a família, mas a tal coisa dos genes.
O problema destas pessoas não é enquanto crianças mas já como adultos. A insegurança e o desconforto psicológico percebidos numa criança quando plasmados na idade adulta tornam-se bem piores. Não sabem decidir, temem o peso da decisão e guardam esta para a última hora.
As relações pessoais são quase sempre fugazes ou truculentas.
Parabéns pelo texto.
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De Chic'Ana a 24.05.2017 às 16:54

Olá José, estou absolutamente de acordo.
Há realmente casos em que a hiperatividade é genética, e aqui, por vezes a resolução é mesmo o recurso a comprimidos. Mas a maior parte dos casos tem a ver com aprendizagens e vivências. E é nestes casos que penso existir um longo trabalho pela frente, que não seja somente o recurso a químicos..

Obrigada.
Um beijinho

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