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Chavões

por José António Abreu, em 07.04.16

E, de súbito, a calma antes da tempestade. Tudo parece adormecido, numa paz que muitos, por ingenuidade ou interesse, classificarão de positiva. Ocupado na reversão das tímidas reformas dos últimos anos e ainda sem ter de enfrentar números que exponham de forma clara (indícios não bastarão) o falhanço das suas políticas, o governo limita-se a chavões. Um documento que seria recebido com desdém se proviesse do governo anterior, a abarrotar de verbos no infinitivo («melhorar», «simplificar», «garantir», «lançar», «modernizar», «promover», «reforçar», «incentivar») mas confrangedoramente parco em detalhes (quando? como? com que dinheiro?), passa por base séria para discutir reformas. A ânsia de afastar Passos Coelho da liderança do PSD faz socialistas e comentadores encartados dispararem críticas a Passos por manter a pose de primeiro-ministro mas também por não mostrar sentido de Estado suficiente para aceitar as posições do governo (um «sentido de Estado» que o PS nunca teve enquanto oposição).

No fundo, PS, Bloco e PCP, ajudados por grande parte da intelligentsia, seguem entretidos na reescrita da História recente – ao ponto de o representante dos comunistas no congresso dos sociais-democratas ter declarado por várias vezes, com a convicção inabalável dos dogmas (são afinal tão religiosos), que o PSD ainda não se refez da derrota nas eleições legislativas. Mas presos ao passado estão os partidos da «geringonça». Tudo o que fazem é em função dele, tudo o que propõem conduz a ele. O futuro apenas lhes merece chavões.

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2 comentários

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De jo a 07.04.2016 às 12:59

Foram tão derrotados que formaram governo.

As eleições servem aos partidos para acederem ao governo. Os partidos que no fim da contagem dos votos não conseguirem formar governo, desde que não haja ilegalidades, PERDERAM AS ELEIÇÕES. Tenham tido os votos que tiverem.

Nunca percebi esta raiva por a defunta PÀF ter tido o maior número de votos e não governar. Parece que o PS coligar-se com a esquerda é pecado, já coligar-se com a direita contra a qual concorreu, era só politica como usual.

Como se a coligação que nos governou nos últimos quatro anos tivesse alguma coisa que a recomende.

Deixe lá as pessoas irem à sua vida: o irrevogável para as empresas, a ministra das finanças contar o que sabe na Arrows, Passos há de achar uma Tecnoforma qualquer.
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De io a 07.04.2016 às 14:38

..E bem verdade, esses sempre seriam capazes de "arranjar" qualquer coisa para se sustentarem!
O pior seria o AC e outro que tais se têm passado a vida a ser sustentados por nós ....e sem o tacho do governo e depois do poucochinho estavam tramados no partido!

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