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Cerejas e carapaus

por Rui Herbon, em 23.05.14

 

Numa campanha eleitoral que, como era de esperar, foi tudo menos o que me parecia desejável, ficam todavia algumas ideias fortes dos candidatos e outras tantas opiniões minhas e avulsas:

 

— o PS, em vez de aproveitar o momento para elucidar os eleitores sobre a sua visão e propostas para a Europa, preferiu lançar uma espécie de programa de governo que aumenta, segundo eles, a despesa pública em mais de oitocentos milhões de euros (o que significa para cima de mil milhões), valor a ser compensado fundamentalmente pelo crescimento económico, esse que justificaria e pagaria o TGV, o aeroporto de Beja e a auto-estrada entre Vale da Mula e Preciosas do Vouga, o tal mito socialista-sebastiânico que teimam em esperar mas que nunca chega;

 

— do lado da Aliança Portugal, que por vezes se sugere não ser tão unida assim, ficámos a saber que não têm nojo em beber da mesma garrafa (querem maior confiança e intimidade?): um espumante Murganheira que a Renascença, provavelmente tomada por austeros franciscanos, apelidou de champanhe do melhor;

 

— Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, defendeu a inclusão do surf no currículo escolar, medida que me parece relevante sobretudo no interior, onde, acopladas a essa grande inovação, regressariam as saudosas obras públicas de interesse vital sob a forma de piscina de ondas (uma em cada vila ou aldeia), e quando a troika regressasse pouco depois, não de prancha mas em potentes veículos alemães, lá teríamos a Marisa a surfar a onda do "não pagamos";

 

— o PS que, embora num late act, introduziu Sócrates na campanha por considerá-lo uma mais-valia — suponho eu —, admira-se que os cabeças de cartaz da AP o refiram e critiquem;

 

— Marcelo Rebelo de Sousa disse que vale a pena votar na AP por causa de Jean-Claude Junker, isto nas barbas de Paulo Rangel (que emagreceu pelo menos mais 2Kg) e de Nuno Melo (embora este não tenha barba, facto que compensa com um abundante cabelinho à fosga-se);

 

— a eleição de Marinho Pinto parece-me ser uma boa aposta: são capazes de perdoar-nos parte da dívida se o fizermos regressar;

 

— o futuro eurodeputado Fernando Ruas sabe distinguir um carvalho de uma cerejeira;

 

— o futuro eurodeputado Francisco Assis sabe distinguir uma sardinha de um carapau. 

 

Portanto, entre espumante e cerejas do lado de terra, e surf e carapaus do lado do mar, estamos muitíssimo bem servidos.

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1 comentário

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De Carlos Duarte a 23.05.2014 às 10:26

Infelizmente nada de novo, portanto...

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