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Cem anos de mentiras

por Pedro Correia, em 14.11.17

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«Foi a União Soviética que, na Segunda Guerra Mundial, enfrentando sozinha durante três anos a besta nazi-fascista e os seus exércitos, deu um contributo determinante e decisivo para a sua derrota.»

Esta foi a tese propalada no passado dia 7, em que se assinalou o centenário da chamada Revolução de Outubro, pelo secretário-geral do PCP no Diário de Notícias. Tese repetida ipsis verbis dois dias depois no editorial do semanário Avante!, órgão central dos comunistas: «Foi a União Soviética que na Segunda Guerra Mundial, enfrentando sozinha durante três anos, os exércitos nazi-fascistas, deu um contributo determinante e decisivo para a sua derrota e para a profunda alteração da correlação de forças internacional, dando origem a uma nova ordem mundial, que inscreveu na Carta da ONU o respeito pela soberania dos povos, o desarmamento, a solução pacífica e negociada de conflitos entre estados e abrindo caminho a grandes avanços sociais e de libertação nacional.»

 

Assumidas como evidência histórica, estas palavras constituem uma homenagem explícita a Estaline, que comandava com mão de ferro a URSS na II Guerra Mundial e no ano da fundação da ONU, embrião de "uma nova ordem mundial" (há quem prefira chamar-lhe Guerra Fria). Tais ditirambos têm, no entanto, o inconveniente de partirem de uma premissa errada. São mentiras, enunciadas como verdades no espaço mediático.

A mentira, aliás, é uma componente essencial do projecto leninista, que o PCP assume como elemento estrutural do seu pensamento político.

 

A URSS e os seus filhotes ideológicos (PCP incluído) fizeram tudo, durante dois anos, para sabotar o esforço de guerra, nomeadamente nas fábricas de armamento. Não apenas na Europa, deixando o Reino Unido então liderado por Winston Churchill isolado no combate aos sanguinários esquadrões nazis, mas nos próprios EUA, em que os simpatizantes e militantes comunistas foram isolacionistas até 22 de Junho de 1941, quando Adolf Hitler accionou a Operação Barbarossa, invadindo território soviético.

Durante dois anos, portanto desde o Verão de 1939, os diversos partidos comunistas tinham funcionado como "pregoeiros da paz", entoando insistentes loas à neutralidade face ao Eixo nazi-fascista. Chegando-se ao ponto de, na França ocupada pelas divisões hitlerianas, o Partido Comunista ter pedido autorização formal à tropa ocupante para continuar a publicar o seu jornal, L' Humanité, na mais estrita legalidade.

No Portugal salazarista, oficialmente neutral, o próprio Álvaro Cunhal escreveu um célebre artigo, publicado em Março de 1940 no jornal O Diabo, intitulado "Nem Maginot nem Siegfried", advogando a equidistância entre verdugos e vítimas. «Haverá alguma diferença entre a Alemanha do sr. Hitler e a França do sr. Daladier ou mesmo a Inglaterra do sr. Chamberlain?», questionava o futuro líder do PCP nessa prosa.
É um artigo infame, redigido seis meses depois da invasão e anexação violenta da Polónia. Um artigo que devia cobrir de vergonha os comunistas portugueses.

 

Nunca a URSS estalinista esteve isolada "durante três anos" no combate a Hitler e Mussolini. Pelo contrário, o pacto germano-soviético forneceu uma espécie de livre-trânsito às hostes nazis para ocuparem mais de metade da Europa entre 1939 e 1941.

Isolado, sim, esteve o Reino Unido, até ao segundo semestre de 1941 - e sobretudo até à entrada dos EUA na guerra, logo após o bombardeamento de Pearl Harbor pelos japoneses, aliados de Hitler, e à declaração de guerra de Berlim a Washington, a 11 de Dezembro desse ano.

Diga o PCP o que disser, tentando distorcer o sucedido, "os factos são teimosos". Nisto tinha Lenine muita razão.

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53 comentários

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De Anónimo a 14.11.2017 às 11:35

Não sei se tudo o que este texto diz é exato.
Mas sei que o regime de que trata foi um desastre.
No entanto, se a intenção é contrapor um mau regime a um bom regime, que seria o nosso, esqueçam.
Não alinho nessa visão cowboyesca da realidade.
João de Brito
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:44

Não será "exato", concedo. Mas garanto-lhe que é exacto.
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De Vlad, o Emborcador a 14.11.2017 às 11:54

"A mentira, aliás, é uma componente essencial do projecto leninista"

A mentira é uma componente essencial a qualquer ideologia de poder. E a uma Ideologia de poder segue-se-lhe uma Tecnologia de Poder, que visa construir uma realidade de acordo com a doutrina ideológica. E toda a doutrina faz-se acompanhar por um jargão pseudo-científico, porque auto-referente, cuja função é dissimular as suas incongruências com a realidade. (estamos hoje melhor, porque o PIB aumentou - o PIB aumenta com os gastos na saúde, por exemplo ; vivemos em liberdade, porque podemos votar - na realidade determinados projectos politicos são de jure permitidos , mas de facto proibidos)

"EUA, em que os simpatizantes e militantes comunistas foram isolacionistas até 22 de Junho de 1941"

Havia muitos políticos americanos simpatizantes com a causa nazi, por esta ser nuclearmente anti-comunista. Estavam dispostos a negociar com Hitler.

"German Chancellor Brüning wrote in his memoirs that beginning in 1923, Hitler received large sums of money from abroad - from where exactly is unknown, but it passed through Swiss and Swedish banks. It is also known that in 1922, Hitler met with U.S. Military Attaché Capt. Truman Smith in Munich - a meeting Smith recounted in a detailed report to his Washington superiors (in the Office of Military Intelligence), saying he thought highly of Hitler. "

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Nazismo_nos_Estados_Unidos#/media/Ficheiro%3AGerman_American_Bund_NYWTS.jpg

Desfile do Bund germano-americano em East 86th St., New York City, em 30 de outubro de 1939.

Houve um lobby forte para que se adiasse o rompimento diplomático entre Estados Unidos e Alemanha Nazista. Hermann Göring ficou amigo do presidente da Texaco e vendeu muito petróleo para o governo alemão estocar antes da guerra. A Ford inclusive continuo fornecendo veículos de guerra para a Alemanha Nazista, usando inclusive mão de obra em campos de concentração durante toda a guerra

O governo norte americano através de uma equipe de embaixadores dentre os quais estava o pai de John F. Kennedy tentou persuadir os franceses a se renderem ao nazismo para que Hitler pudesse dedicar todo seu esforço em uma futura ofensiva contra os soviéticos. A General Motors e a Ford forneceram os motores e peças de reposição para os veículos militares alemães antes da guerra, sendo que o próprio Henry Ford apoiou desde o seu início o nazismo.

Quanto aos campos de concentração, foram uma invenção dos ingleses:

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Campo_de_concentração#/media/Ficheiro%3ABoercamp1.jpg

Crianças e mulheres boêres em um campo de concentração britânico na África do Sul no início do século XX.

Quanto ao racismo de Hitler:

Leia-mos Churchill (1937)

"I do not admit for instance, that a great wrong has been done to the Red Indians of America or the black people of Australia. I do not admit that a wrong has been done to these people by the fact that a stronger race, a higher-grade race, a more worldly wise race to put it that way, has come in and taken their place."

Aliás a França de Petain foi fervorosa apoiante de Hitler. Como se dizia por cá, foram para além do que lhes era exigido pela Alemanha :

"El gobierno de Pétain redactó sus propias leyes antisemitas parecidas a las de impuestas por los alemanes en Núremberg. El 3 de octubre de 1940, el Régimen de Vichy redactó un estatuto para los judíos"

Na minha humilde opinião é baixo fazer do Holocausto e das suas vitimas instrumento de propaganda política, para quaisquer que sejam os nossos lados.

Quanto ao papel da URSS para derrota de Hitler é por demais evidente que foi fundamental -a Frente Ocidental servia muitas vezes como campo de férias para os soldados SS da Frente Leste.
Aliás os americanos queixaram-se inúmeras vezes, assim como os soviéticos, da pouca proactividade da Frente Ocidental. Bem verdade que os EUA forneceram material bélico, mas a URSS forneceu milhões de soldados, e naqueles tempos ainda não havia drones.







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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:48

Moral da história: eram todos iguais ao Hitler, que era um menino de coro. Vegano, amigo das crianças e fervoroso amante de animais domésticos.
Oh, que belo era o mundo nessas doces décadas de 30 e 40 do saudoso século XX.
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De Luís Lavoura a 14.11.2017 às 15:52

Não sei se Hitler tinha todas essas virtudes. Mas é mais que sabido que tanto Churchill como Estaline eram uns beberrões repugnantes. Passavm metade do tempo encharcados em álcool.
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De Vlad, o Emborcador a 14.11.2017 às 16:19

Luís, também me emborracho. Mas quando o estou não pego num machete ou numa Ak. Conto umas graçolas e molho os pés.
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De Luís Lavoura a 14.11.2017 às 17:03

Você emborracha-se, mas não no trabalho, nem no dia todo. Churchill e Estaline passavam, segundo quem os descreveu, o dia todo a beber, e trabalhavam encharcados em álcool. (Não sei como conseguiam.) Deve ter sido deveras nojento de ver.
De qualquer forma, foram ambos personagens nojentos, não apenas pela bebedeira, mas também pela quantidade de gente que mataram e pelo desprezo com que a mataram. (Churchill mandou bombardear os árabes dos pântanos do Iraque com gás químico.)
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De Vlad, o Emborcador a 14.11.2017 às 17:40

Luís, Hitler não passava um dia sem uma boa injecção de um estimulante "polivitaminico", provavelmente metanfetaminas. Além disso emborcava
Schnapps.
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De am a 14.11.2017 às 21:21

Foi beberem e fumarem charutos que ganharam a guerra...

Este Louvora, só comenta para ser comentado...
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De Vlad, o Emborcador a 14.11.2017 às 16:17

O Pedro é um bom homem. E inteligente. Mas peço-lhe que não ponha na minha escrita fraudes que não disse.
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 21:50

Pedido deferido, obviamente.
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De Luís Lavoura a 14.11.2017 às 11:56

Nunca a URSS estalinista esteve isolada "durante três anos" no combate a Hitler e Mussolini.

Esteve sim, desde junho de 1941 (invasão da URSS pela Alemanha) até maio de 1944 (invasão da França pela Inglaterra e EUA). Foram praticamente três anos em que a URSS lutou praticamente isolada contra a Alemanha. (Excetuando a guerra no norte de África e os fornecimentos de material dos EUA à URSS.)
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De Alexandre Policarpo a 14.11.2017 às 13:57

Não fosse a ajuda dos americanos em aço, petróleo, veículos de transporte e de combate, locomotivas, e até motores para aviões, e comidinha, muita comidinha, o Estaline nunca teria conseguido enfrentar os exércitos nazis.
Os nazis perderam a guerra na Rússia por causa dos inúmeros erros de estratégia que o Hitler cometeu contra a opinião dos generais da Wehrmacht.
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:51

Mal se viu atacado pelos nazis, Estaline enviou de imediato emissários a Londres para conferenciar com Churchill. Antes disso ele e os filhotes ideológicos, pupilos do estalinismo (Cunhal incluído), diabolizavam as "democracias liberais". E preferiam assinar "acordos de paz" com a Alemanha hitleriana. Com o apoio dos basbaques do PCP.
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De Luís Lavoura a 14.11.2017 às 15:56

Não fosse a ajuda dos americanos Estaline nunca teria conseguido enfrentar os exércitos nazis.

Sim, provavelmente.

Os nazis perderam a guerra na Rússia por causa dos inúmeros erros de estratégia que o Hitler cometeu contra a opinião dos generais da Wehrmacht.

Ná. A Rússia é imbatível, porque tem a Sibéria toda. Mesmo que Hitler tivesse conquistado Moscovo, a Rússia teria continuado a lutar. E no fim venceria, devido ao seu espaço.
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De Vlad, o Emborcador a 14.11.2017 às 16:41

Não fosse a ajuda dos americanos.....

A História do "Se" dá pano para mangas.....não houvesse uma ditadura Estalinista e os alemães tinham ganho a guerra. Houvesse uma democracia na Rússia e os alemães tinham ganho a guerra ( foi a opinião pública que impediu, durante anos, a entrada dos EUA na guerra - 1941); houvesse uma opinião pública no Império russo e nunca poderiam ter morrido 25.000.000 de russos. Esse número de mortos só é possível em ditaduras brutais. A mesma que foi necessária para derrubar Hitler).

A URSS desempenhou um papel fundamental na derrota da Alemanha nazista. Tudo se inverteu a partir de Estalingrado. E em Estalingrado o que contava era o número de homens, e não o de tanques. Combatia-se casa a casa. Buraco a buraco.

A URSS perdeu cerca de 25 milhões de pessoas (mais que na Alemanha e mais de 26 vezes o número de mortes que sofreram os Estados Unidos e o Reino Unido juntos).

E quanto à Wermacht poderiam ter eliminado Hitler se......não houvessem generais que o apoiassem e uma maldita mesa de carvalho :

Mostra-se sob a pressão dos eventos da guerra, que ainda amplos círculos do povo alemão e também da tropa, estão infestados do veneno judeu e democrático da maneira de pensar materialista.
—Walter Model

Paul Ludwig Ewald von Kleist (8 de agosto de 1881 – 13 de novembro de 1954) foi um Marechal de Campo alemão durante a Segunda Guerra Mundial, havendo-se destacado como um dos principais comandantes da Wehrmacht naquele conflito.

E se eu ontem....hoje não. ...e amanhã tampouco.
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De Costa a 14.11.2017 às 18:13

Aqui há ainda não muitos anos, os afectos ao PC faziam questão de repetidamente anunciar a soma global dos anos que os seus passaram nas prisões do anterior regime. O número, claro, impressionava e era imbatível como registo sacrificial.

Aqui há não muitos anos e, decerto, sempre que o vejam como apropriado.

Os mortos de uns valem mais do que os dos outros. Para alguns, talvez. Mas nada disso apaga o pacto celebrado com o Reich e o mais que por aqui já se denunciou. Nem menoriza os mortos dos outros e o esforço e dores dos outros. A simples lei dos números deve ser interpretada sempre com respeito e sem menosprezo pelos mais pequenos. Ou devia ser assim.

Costa
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 22:01

Concordo em absoluto.
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De Vlad, o Emborcador a 15.11.2017 às 11:50

Acordo de Munique:

O objetivo da conferência era a discussão do futuro da Checoslováquia e terminou com a capitulação das nações democráticas perante a Alemanha Nazi de Adolf Hitler.
Este episódio ilustra melhor do que outros o significado da "política de apaziguamento".

A Checoslováquia não foi convidada para a conferência. A conferência é vulgarmente conhecida na República Checa como a "Sentença de Munique".

A frase "traição de Munique" também é usada frequentemente, uma vez que as alianças militares em vigor entre a Checoslováquia, Reino Unido e França foram ignoradas.

Foi alcançado com cerca de uma hora e meia um acordo, assinado a 30 de setembro mas datado de 29 de setembro de 1938. Adolf Hitler, Neville Chamberlain, Édouard Daladier e Benito Mussolini foram os políticos que assinaram o Acordo de Munique. O ajuste dava à Alemanha os Sudetas (Sudetenland), começando em 10 de outubro, e o controle efetivo do resto da Checoslováquia.
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De Alexandre Policarpo a 15.11.2017 às 00:23

Tão giro...já ouviu falar no Porto de Murmansk no Ártico? entre Junho de 1941 e Outubro de 1942, os americanos deixaram lá entre muitas outras coisas, mais de 1200 aviões, de 2700 carros de combate e 27 milhões de kilos de explosivos. Foi por Murmansk que nunca gela e é navegável praticamente todo o ano, que os americanos abasteceram Estaline de tudo o que ele precisou para derrotar os nazis. Isto não são ses, são factos!
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De Vlad, o Emborcador a 15.11.2017 às 08:46

Meu caro Alexandre, aponte-me um livro que não dê especial destaque à determinante influência soviética no desfecho da guerra.

Cerca de noventa por cento das forças armadas alemãs do terceiro Reich, pereceram na frente oriental.

O famoso historiador americano Robert Sherwood, em seu livro de referência, Roosevelt e Hopkins: An Intimate History (Nova York: Grossett & Dunlap, 1948), cita Harry Hopkins mediante a reivindicação de que os americanos “nunca acreditaram que a nossa ajuda Lend-Lease tinha sido o principal fator para a derrota de Hitler na frente oriental soviética. Que isto tinha sido feito pelo heroísmo e sangue do Exército russo.

Harry Lloyd Hopkins (August 17, 1890 – January 29, 1946) was one of President Franklin Delano Roosevelt's closest advisors. He was one of the architects of the New Deal.

Os próprios funcionários governamentais americanos (Raymond Goldsmith, George Herring, e Robert H. Jones) reconhecem que a ajuda Aliada à URSS foi igual a não mais do que 1/10 da produção de armas próprio dos soviéticos, e a quantidade total de Lend Lease-suprimentos, incluindo os enlatados irrelevantes sarcasticamente apelidados pelos russos como a “Segunda Frente”, composta por cerca de 10-11%.

Finalmente :

Harry Truman, foi citado nas páginas do New York Times em junho de 1941 como dizendo:

“Se vemos que a Alemanha está vencendo a guerra, devemos ajudar a Rússia; e se que a Rússia está ganhando, devemos ajudar Alemanha, e dessa forma deixá-los matar o maior número possível… ”
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De Vlad, o Emborcador a 15.11.2017 às 09:13

Continuação :

Entre 1941 e 1942, apenas 7% da carga em tempo de guerra enviada dos EUA chegou à União Soviética. A maior parte das armas e outros materiais chegaram à União Soviética em 1944-1945, uma vez que os ventos de guerra tinha decisivamente mudado.

http://www.globalresearch.ca/history-of-world-war-ii-americas-was-providing-military-aid-to-the-ussr-while-also-supporting-nazi-germany/5449378
http://www.globalresearch.ca/roosevelts-world-war-ii-lend-lease-act-americas-war-economy-us-military-aid-to-the-soviet-union/5449160

Como sabemos:

Batalha de Estalinegrado:

Entre 17 de julho de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. A batalha foi o ponto de virada da guerra na frente oriental, marcando o limite da expansão alemã no território soviético, a partir de onde o Exército Vermelho empurraria as forças alemãs até Berlim, e é considerada a maior e mais sangrenta batalha de toda a história, causando a morte e ferimentos em cerca de dois milhões de soldados e civis.

Sobre o Pacto de Ribbentrop - Molotov:

Munich agreement, in which British and French politicians dismembered Czechoslovakia at the Nazi dictator's pleasure. The one pact that could conceivably have prevented war, a collective security alliance with the Soviet Union, was in effect blocked by the appeaser Chamberlain and an authoritarian Polish government that refused to allow Soviet troops on Polish soil.

Poland had signed its own non-aggression pact with Nazi Germany and seized Czech territory, which puts last week's description by the Polish president Lech Kaczynski of a Soviet "stab in the back" in perspective. The case against the Anglo-French appeasers and the Polish colonels' regime over the failure to prevent war is a good deal stronger than against the Soviet Union.

But the pretence that Soviet repression reached anything like the scale or depths of Nazi savagery – or that the postwar "enslavement" of eastern Europe can be equated with wartime Nazi genocide – is a mendacity that tips towards Holocaust denial. It is certainly not a mistake that could have been made by the Auschwitz survivors liberated by the Red Army in 1945


https://www.theguardian.com/commentisfree/2009/sep/09/second-world-war-soviet-pact




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De Alexandre Policarpo a 15.11.2017 às 18:28

Foi então a próspera industria soviética que forneceu os equipamentos militares, incluindo as rações de combate, que vieram da Ucrânia, com que o papai dos povos venceu a ameaça nazi. A próspera industria soviética dos anos 30/40, deixou de fabricar automóveis, frigorificos e máquinas de lavar roupa, e loiça já agora, e passou a fabricar aviões e tanques de guerra para abastecer o esforço de guerra que libertou a Mãe Rússia dos invasores. O Vlad acabou de nos dar uma enorme lição de história sobra a WWII.
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De Vlad, o Emborcador a 15.11.2017 às 18:57

Ora essa!!
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De Fernando Antolin a 14.11.2017 às 15:35

Luis, durante esse período, o que é que acha que andou o Bomber Command da RAF, mais a Força Aérea Americana, a fazer ? Além do norte de África,os aliados invadiram a Sicília e Itália em 1943. Fora o apoio aos que combatiam os nazis nos Balcãs. A contínua ajuda via mar do Norte, mar Branco, Irão, à então URSS. Que, não contente com o que já tinha feito em Katyin, impediu que bombardeiros americanos e ingleses, descolados de Itália, com destino a Varsóvia para ajudar com largada de armas e mantimentos o levantamento geral da cidade,em 1944, com o exército vermelho a escassos kms e respondendo aos apelos, em polaco, radio-dinfundidos a partir de rádio Moscovo, de aterrar em território já por si controlado.
Pois é, Luis, nisto de guerras, tal como na civil espanhola, há muitos cinzentos, não é só preto e branco.
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:49

O Lavoura papagueia a cartilha estalinista. Faz sentido.
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De Luís Lavoura a 14.11.2017 às 16:04

o que é que acha que andou o Bomber Command da RAF, mais a Força Aérea Americana, a fazer ?

Basicamente, a massacrar populações civis alemãs, com pouco efeito prático visível sobre o esforço de guerra alemão.

A guerra aérea é muito impressionante mas nunca chega para ganhar uma guerra. Viu-se no Vietname e viu-se na luta contra o Estado Islâmico.

Quanto ao comportamento da URSS, já se sabe que esse país não era melhor do que o nazismo. Nada disse a esse respeito no meu comentário. É evidente que o poder da URSS era horrível. Mas não deixa de ser verdade que foi essencialmente a URSS quem causou baixas à Alemanha e quem a derrotou.

Eu uma vez visitei o Instituto de Física de Tbilisi, na Geórgia (pouco depois da independência desta - já não era da URSS). Logo à entrada do dito havia um enorme painel com uma centena ou mais de fotografias, de homens e mulheres. Perguntei ao meu cicerone quem era aquela gente toda (eu pensava que fossem as fotografias de todos os trabalhadores do instituto na atualidade). Ele esclareceu-me que eram as fotografias de antigos trabalhadores do instituto que tinham morrido a combater os alemães. Mais de uma centena deles. Só para conquistar Berlim, morreram 300 mil soviéticos.

Além do norte de África,os aliados invadiram a Sicília e Itália em 1943.

Certo. Mas causaram pouca mossa nas tropas alemãs. E já foi quando a guerra tinha passado o estado crítico.
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De Vlad, o Emborcador a 14.11.2017 às 16:59

A/C Fernando :

Front page of Hawaii Tribune-Herald about a possible Japanese strike somewhere in Asia or the South Pacific, dated 30 November 1941.

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Pearl_Harbor_advance-knowledge_conspiracy_theory#/media/File%3AJapan_may_strike_over_weekend_newspaper_frontpage.gif

In October 7, 1940, Lieutenant Commander Arthur H. McCollum of the Office of Naval Intelligence submitted a memo to Navy Captains Walter S. Anderson and Dudley Knox, which details eight actions which might have the effect of provoking Japan into attacking the United States. The memo remained classified until 1994 and contains the notable line, "If by these means Japan could be led to commit an overt act of war, so much the better."

https://en.m.wikipedia.org/wiki/Pearl_Harbor_advance-knowledge_conspiracy_theory#/media/File%3AMcCollum_memo_Page1.png


Husband Edward Kimmel

Almirante em 1937. Em fevereiro de 1941, Comandante Chefe, da Frota dos Estados Unidos e da Frota do Pacífico. Operava na avançada base em Pearl Harbor.

Will historians know more later?", Kimmel replied, "' ... I'll tell you what I believe. I think that most of the incriminating records have been destroyed. ... I doubt if the truth will ever emerge.' ..

A Verdade anda por aí!
Mas quem são os good guys?
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De Vlad, o Emborcador a 14.11.2017 às 17:09

A/C Fernando :

Numa de "ses":

Não tivesse havido ordem de paragem, por parte do Reichsführer das Schutzstaffel, em Dunquerque (1940) e os americanos deixavam de ser necessários
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:49

Isolado esteve Churchill. Esse sim.
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De Luís Lavoura a 14.11.2017 às 12:02

o próprio Álvaro Cunhal escreveu um célebre artigo, publicado em Março de 1940 no jornal O Diabo, intitulado "Nem Maginot nem Siegfried"

Uma história que eu nunca tinha ouvido e que me levanta uma perplexidade: que jornal era esse que publicava um artigo de um membro do PCP? Esse jornal não era censurado? Era um jornal clandestino?

O Pedro Correia dá um linque para esta frase, o qual linque refere a história de Pacheco Pereira sobre Cunhal. Mas Pacheco Pereira não me parece uma fonte totalmente insuspeita, dada a sua militância anterior no MRPP. Não haverá uma fonte mais clara? Pacheco Pereira dá no seu livro alguma indicação clara de onde se pode ver esse artigo?
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De Anónimo a 14.11.2017 às 13:09

Enganou-se: Pacheco Pereira nunca militou no MRPP.
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:45

Confirmo: Pacheco Pereira jamais coincidiu com Durão Barroso, Ana Gomes e Fernando Rosas como militante do MRPP.
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:58

Confirmo também: Cunhal escreveu esse artigo (e vários outros), que aliás foi manchete do jornal 'O Diabo', no apogeu do salazarismo.
É um artigo vergonhoso, que não por acaso o PCP tem tentado há vários anos varrer para debaixo do tapete. Com a cumplicidade de alguns meios de informação que tinham e têm a responsabilidade de avivar memórias.
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De Luís Lavoura a 15.11.2017 às 18:39

Cunhal escreveu esse artigo (e vários outros), que aliás foi manchete do jornal 'O Diabo'

Podia colocar aqui pdf desse artigo no jornal? Eu gostaria de ver.
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De José Manuel Faria a 14.11.2017 às 23:29

JPP foi do PCP (m-l) que se partiu e seguiu para o PUP (partido de Unidade Popular) concorreu às primeiras eleições em 1975
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De bst a 15.11.2017 às 18:18

É interessante coligir algumas ignorâncias.
As de Lavoura dão particular prazer, pela abrangência e veemência.
Claro que Álvaro Cunhal escreveu o artigo em causa. E se tem dúvidas vá à Biblioteca Nacional e veja o jornal em causa, em vez de insistir em aborrecer outros com não-argumentos.
E como além destas não terá ouvido muitas mais, saiba que Álvaro Cunhal se limitava a seguir o que era a prática comunista da época. Em França, a coisa foi ainda mais escandalosa.
Em França, o partido comunista sabotou os esforços do país para fazer frente aos nazis.
https://wikimonde.com/article/Parti_communiste_français_pendant_la_drôle_de_guerre
E é de crer que também não saberá que os comunistas russos entregaram anti-nazis polacos - e mesmo alguns comunistas - aos alemães.
Ou que antes da guerra Moscovo ordenava aos comunistas alemães que considerassem como principais inimigos os social-democratas e não os nazis.
Procure na net, que encontra.
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De Luís Lavoura a 15.11.2017 às 18:38

Sobre a atitude dos comunistas antes da invasão alemã da URSS não precisa de me elucidar, eu conheço-a bem.
Só coloquei em causa o artigo de Álvaro Cunhal porque Portugal vivia então sob ditadura, Cunhal já tinha sido preso antes disso e me surpreende que a censura deixasse publicar artigos dele. Mas não ponho em dúvida que Cunhal e o PCP tivessem essa posição
Entretanto gostaria sem dúvida de consultar esse jornal na Biblioteca Nacional. Diga-me por favor a data ou o número do jornal em causa. Ou então, pode colocar aqui um fac-simile da página do jornal (parece que até foi a primeira página, segundo o Pedro Correia informa).
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De Anónimo a 14.11.2017 às 13:05

Duas causas fundamentais para a derrota alemã : Churchill ( aconselhável , e muito, a leitura do livrinho de John Lucaks "Cinco dias em Londres") e o Estado Maior Imperial Japonês...
Toda a propaganda canhota posterior ( com relevância para a patética caixa de ressonância francesa,com particular influência na Ibéria...) se pode resumir à palavra de ordem do saudoso Komintern : Quando os factos contrariam a teoria, nega-se a realidade aos factos".
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:52

Livro fundamental: "Cinco Dias em Londres".
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De Anónimo a 14.11.2017 às 13:16

"Lukacs", claro.
Mea culpa
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De Costa a 14.11.2017 às 13:50

E os primeiros comentários (há seis, no momento em que escrevo) seguem largamente a prática pueril de gritar que "a minha é maior do que a tua", ou que "aquele menino também fez", ou "ele é que começou". Tudo isso esquecendo - ou sabendo-o muito bem e disso se aproveitando com mal escondida reserva mental - que se podem apontar alegados esqueletos no armário do ocidente é porque este reconhece e defende tal direito.

Procurassem (procurem) fazê-lo do lado e nos tempos do dito Sol do Mundo, a pretexto desse sol, e experimentariam uma generosa cornucópia de sensações fortes. Mas, como bem sabemos, quem aponta este facto - é facto, é uma maçada... - é pelo menos prisioneiro do passado e guiado pela vingança.

É também por isto, caro Pedro Correia, por estas incómodas coisas e irritantes documentos que você insiste em apresentar por aqui; coisas dignas de campo reeducação, pelo menos (e retomando uma nossa breve troca de impressões, recente, em comentário a outro texto), que sou bem mais céptico quanto ao que se pode esperar da nossa esquerda. Se há no PCP, fiquemos pelo PCP, quem não se reveja na linha oficial do partido, andará muito caladinho, muito respeitador da verdade e da autoridade oficiais. Do legado que o PCP ardentemente chama seu.

E lá saberá porquê.

Costa
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:55

Essa é a minha perplexidade também, caro Costa. Daí ter interpelado concretamente personalidades do PCP, chamando-as pelos nomes face ao neo-estalinismo da cúpula do partido, bem patente na entrevista de Albano Nunes ao DN, no artigo de Jerónimo de Sousa também ao DN e no vergonhoso editorial do jornal 'Avante!'
Ou falam agora ou calam-se para sempre.
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De am a 14.11.2017 às 15:31

Pacto: Molotov - Ribbentrop - Nazi- Soviético - 23 Agosto 1939
..." As clausulas do pacto entre nazis-soviéticos incluíam uma garantia escrita de não-beligerância de parte a parte, e um compromisso de parte a parte de que nenhum dos governos aliaria a , ou ajudaria, um inimigo da outra parte. Para além do estabelecido sobre não-agressão, o tratado incluía um protocolo secreto que dividia os territórios da Polónia, Lituânia, Letónia, Estónia, Finlândia e Roménia em esferas de influência alemã- soviética"

Wikipédia - KGB - CIA- PIDE .....
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 15:53

Assinaram o pacto e cumpriram-no. Escrupulosamente. Entre Agosto de 1939 e Junho de 1941.
O pacto da vergonha. Aplaudido por Cunhal.
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De Vlad, o Emborcador a 15.11.2017 às 12:37

Veja na Wikipedia, Acordo de Munique
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De Weltenbummler a 14.11.2017 às 18:01

'o sol brilha para todos nós'
devido à seca
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De Pedro Correia a 14.11.2017 às 22:00

E nunca mais chove.
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De João Marques a 15.11.2017 às 10:49

O argumentário dos reaccionários "de esquerda" persiste.

Os regimes ocidentais também chafurdam na mentira e no engano, aspecto, eles não reparam, que é exactamente aquilo que a sociedade pretende excisar dos sucessivos regimes.

Logo, na sua retorcida argumentação, o arrepiante e boçal tirano e assassino que foi Estaline, e o seu regime de fantoches e loucura, está desculpado. Aliás, até a sua difícil adolescência parece desculpar os milhões de mortos que não lhe pesaram na consciência.

É algo inerente à natureza da política, a mentira e a "composição" da realidade. Como se tivéssemos de crescer e lidar com isso.

E depois ainda se ofendem quando apelidados de "'esquerda' radical", os reaccionários.
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De Pedro Correia a 15.11.2017 às 10:59

É a argumentação do Cunhal ressuscitada: um tirano equivale a um democrata, estão em planos equivalentes.
Com a diferença de que o ex-líder do PCP exprimia esta tese por conveniência ideológica e os seus arautos contemporâneos o fazem quase sempre por ignorância ou estupidez.

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