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Cecil

por Helena Sacadura Cabral, em 03.08.15

Cecil.jpeg

 

Quando a morte de um leão numa caçada se torna objecto de importância maior do que que o drama vivido pelas pessoas que tentam atravessar as águas para buscar terra livre, é porque algo, neste mundo, está muito pior do que se consiga imaginar.

Não duvido que a morte de Cecil, o símbolo felino do Zimbabwe, se revista de aspectos muitíssimo lamentáveis. Mas, confesso - e que me perdoem os defensores dos direitos dos animais -, a sorte dos que fogem do inferno africano ainda continua a preocupar-me muito mais.

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25 comentários

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De lucklucky a 03.08.2015 às 18:45

Pois é. Ninguém dos que protestaram se preocupa com os Zimbabuanos comidos por leões.

"pessoas que tentam atravessar as águas para buscar terra livre"

A maior parte dessas pessoas querem é dinheiro e paz.
Liberdade é um conceito Ocidental, do homem branco pouco relevante no mundo. Aliás atacado pela maioria dos brancos.




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De lucklucky a 03.08.2015 às 18:50

(...)
"Are you saying that all this noise is about a dead lion? Lions are killed all the time in this country," said Tryphina Kaseke, a used-clothes hawker on the streets of Harare. "What is so special about this one?"

As with many countries in Africa, in Zimbabwe big wild animals such as lions, elephants or hippos are seen either as a potential meal, or a threat to people and property that needs to be controlled or killed.
(...)

According to CrocBITE, a database, from January 2008 to October 2013, there were more than 460 recorded attacks by Nile crocodiles, most of them fatal. That tally is almost certainly a massive underrepresentation.

"Why are the Americans more concerned than us?" said Joseph Mabuwa, a 33-year-old father-of-two cleaning his car in the center of the capital. "We never hear them speak out when villagers are killed by lions and elephants in Hwange."

http://news.yahoo.com/lion-zimbabweans-ask-amid-global-cecil-circus-140822692.html
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De Retornado a 03.08.2015 às 19:01

O rei da selva no Zimbabué continua lá bem velhinho : Mugabe mais de 90 anos.

O povo que foge de África para a Europa está pedindo satisfações e explicaçºoes porque é que lhe foram impostos aqueles reis da selva e aqueles paus com bandeiras que não lhe dizem nada.

Zimbabué, antiga Rodésia de Ian Shmith, não é nem mais nem menos que todos os outros países abandonados pela Europa, como o cascabulho de uma fruta a que se deu uma ou duas dentadas e se deitou fora.

Todas as capitais de África estão superlotadas d jovens vagabundeando sem qualquer prespectiva de vida.

A Europa vai pagar as asneiras das independências.

Aqueles povos não estão em condições de se auto-governarem à «branco», vão recorrer aos árabes e aos chineses para os ajudarem.
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De alexandra g. a 03.08.2015 às 19:11

Nesta altura do campeonato (e escolho a palavra) é idêntico: simbólico, como escreve, mas para lá das nacionalidades ou continentes.
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De Costa a 03.08.2015 às 19:32

A sorte absolutamente aflitiva de milhares e milhares de pessoas que temos vindo a testemunhar no Mediterrâneo (e não só) merece todo o nosso respeito, se mais nada nos for possível individualmente fazer. Mas não nos deve levar a ignorar, ou menosprezar, os males que a humanidade não cessa de praticar sobre tudo o que a rodeia. Sob pena de um dia destes, muito preocupados com a sorte dos nossos, ficarmos com o espaço em que vivemos incapaz de nos acolher.

As desgraças que o Homem lança sobre o Homem não devem servir de muito conveniente barreira, secundarizando tudo o que de o inaceitável o Homem vai paulatinamente praticando sobre a Natureza. Não se deixou, creio, por estes dias de falar repetidamente sobre a desgraça do Mediterrâneo, de Calais ou da fronteira húngara, entre outras zonas (e seria bom, talvez, que se falasse mais da acção humana que, bem a montante, desencadeia tudo isso; e já agora, preferencialmente, sem os inevitáveis e muito convenientes complexos de culpa ocidental), apenas porque morreu um leão no Zimbabwe.

Essa notícia juntou-se às outras, sem lhes roubar primazia, e se algo fez foi dar-nos conta de um mal a somar (e longe de anular ou secundarizar) aos outros. E só foi notícia porque esse particular animal tinha um especial significado, já que a caça ilegal, ou genericamente a barbárie largamente exercida pelo Homem sobre as restantes espécies, há muito que não é notícia, excepto em obscuros programas exibidos em canais pouco relevantes.

O facto de alguém se preocupar com a sorte dos animais não significa que esse mesmo alguém seja insensível aos horrores a que são sujeitos mulheres e homens. Nunca foi. E é pena se essa (e temo bem que seja, num mundo tão antropocêntrico como o nosso) é a ideia dominante.

E nunca esses horrores humanos alteraram, nem por um minuto, a pontualidade, extensão e profusão das toneladas de papel impresso e dos inúmeros programas de rádio e televisão, dedicados à liturgia e ao proselitismo da religião futeboleira. Essa e esses é que "levam tudo à frente", absolutamente impunes. Das palavras de um governante, banais e demagógicas ou verdadeiramente importantes, à sorte arrepiante de milhões, tudo e todos se devem curvar e esperar a sua humilde vez, na comunicação social e na mente de milhões e milhões de respeitáveis cidadãos, perante essa divina majestade. Bem se deveria pensar um pouco sobre isso, ouso crer.

Mas deverei estar errado.

Costa
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De Helena Sacadura Cabral a 03.08.2015 às 22:30

Errado não estará. Mas creio que não terá entendido o que eu quis dizer. Ou, se entendeu, quis dar a sua interpretação sobre algo que eu não disse. Neste caso, quem deve estar errada sou eu...
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De Costa a 04.08.2015 às 13:29

Não, não está errada. Não quanto à substância do que aqui nos quis trazer e do que sobre isso pensa. É coisa em que todos teremos razão, creio. Variará com cada um de nós o grau da importância relativa que se dê a este ou aquele aspecto. E é, dentro do bom senso, absolutamente legítimo que assim seja.

Foi isso o que eu procurei fazer: não creio que tenha interpretado o que seja que não tenha sido por si escrito; fundamentei - enfim, procurei fazê-lo - o que penso sobre o assunto. Foi tudo.

Costa
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De fivelas a 04.08.2015 às 13:49

A Helena fez um post em que diz: "Quando a morte de um leão numa caçada, se torna objecto de importância maior do que que o drama vivido pelas pessoas que tentam atravessar as águas para buscar terra livre, é porque algo, neste mundo, está muito pior do que se consiga imaginar."

Esta maior importância, só foi vista pela Helena e por outros que concordem consigo.

O que Costa fez, foi argumentar o contrário e isso pode ser comprovado consultando os noticiários dos respetivos dias.
Costa deu uma resposta muito mais assertiva e esclarecedora do que a Helena.
O morte deste leão não se tornou mais importante do que o drama das migrações.
Dizer que a morte do leão se tornou mais importante é negar (ou desconhecer) uma realidade jornalística que está à vista de toda a gente.
Mais uma vez, Costa, pôs os pontos nos is em relação a esta visão truncada dos acontecimentos que a Helena refere.
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De Diana a 04.08.2015 às 12:55

Concordo plenamente! Bem respondido e tudo dito!
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De José Manuel Faria a 03.08.2015 às 19:56

Absolutamente de acordo.
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De Jaculina a 03.08.2015 às 20:52

O leão e os imigrantes são duas faces da mesma moeda.
São símbolos do mundo actual, onde o que importa é o poder e o dinheiro.
Para os poderosos, aqueles que são diferentes (humanos ou animais) podem ser descartados sem problemas de consciência.
Mas a culpa é nossa pois deixámos os donos disto tudo e os seus capangas em roda livre.
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De José Neto a 03.08.2015 às 21:42


Felicito-a pela lucidez (tão arredia nos dias que correm) e pela coragem de o dizer.
O seu texto é uma autêntica pedrada no charco.
Posso estar a dar muita solenidade a uma simples questão de bom senso; mas o certo é que é a primeira vez que, sobre este tema, leio o que já era tempo de ser dito.
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De CHAVALO a 03.08.2015 às 22:09

São duas coisas completamente distintas sem comparação possivel.
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De lucklucky a 04.08.2015 às 00:01

Cecil foi colocado pelos jornalistas no topo para esconder o escândalo da venda orgãos de bébés mortos pela Esquerda: Planned Parenthood.

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