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Casas no lugar de muros

por João André, em 17.02.16

A crise dos refugiados está a demonstrar a mentira da solidariedade europeia. Os austríacos acolheram enquanto foi politicamente vantajoso e A Fotografia circulava. Agora fecham as portas. Os alemães foram arrefecendo o entusiasmo e agora andam a tornar-se algo gélidos em relação ao tema, especialmente depois do Ano Novo, quando vários ilegais e requerentes de asilo roubaram e assediaram sexualmente diversas mulheres em Colónia. O pior é mesmo a atitude dos países de Visegrád, que numa tentativa de mostrar músculo (em alguns casos devido a eleições próximas), querem fechar fronteiras para impedir a entrada de pessoas que lá não querem ficar.

 

Sejamos honestos: fechar as fronteiras não resolverá o problema. Há centenas de milhar (senão milhões) de pessoas em trânsito pela chamada "rota dos Balcãs" que não deixarão de avançar mesmo que lhes fechem as portas. Se os muros forem construídos irão usar traficantes, destruir o muro onde puderem, saltá-lo, contorná-lo ou simplesmente subornar quem possam. Se necessário voltarão ao Mediterrâneo e procurarão um porto de entrada mais a leste. Ou irão simplesmente ficar por onde estão, indesejados, escorraçados e sem quaisquer perspectivas.

 

Só que, e é aqui que está o problema, eles arriscarão tudo, até mesmo viver nas ruas de Atenas, Skopje, Belgrado ou outras, porque a situação será sempre melhor que aquela que deixaram para trás. Viver nas ruas mas em paz é melhor que viver nas ruas de um país em guerra. Arriscar fome e maus tratos é melhor que arriscar a vida ou tortura. Estas são pessoas que deixaram tudo o que tinham para trás e arriscaram um percurso extremamente arriscado para procurar outra vida, qualquer que fosse. Por vezes fizeram-no sabendo que arriscavam também filhos pequenos.

 

Fechar as portas não ajuda e só destruirá a UE. Os refugiados acumular-se-ão por uns tempos na Grécia antes de começar a tentar outros pontos de entrada. A Grécia colapsará sob o peso da hipocrisia europeia e deixará a UE - no que será o primeiro passo para a sua desintegração. Os refugiados procurarão outros pontos - talvez entrem na Bulgária através da Turquia; talvez procurem caminhos pela Albânia (onde há imensas máfias prontas a lucrar) mesmo sendo muito mais arriscado; outros irão em barcos até à Itália, Croácia ou França. Barcos afundarão (ou serão afundados), pessoas morrerão em passagens traiçoeiras por montanhas e vales, outras serão assassinadas por criminosos ou simples gangues racistas.

 

À medida que este processo continua, os refugiados reduzir-se-ão. A Grécia terá deixado a UE - porquê ficar se só recebe ordens de todo o tipo e é deixada para se afogar sem ajuda? - e outros países (talvez a Croácia, talvez a Bulgária) começarão a ser questionados. Se a solidariedade quebra por um membro porque não quebrará por outro? O processo continuará e a UE começará a criar as famosas duas (ou mais velocidades) que deixarão inclusivamente os países de Visegrád para trás. Com o tempo voltaremos a uma CECA com mais um ou outro membro e o projecto europeu morrerá a sua morte lenta.

 

Este cenário não é inevitável nem que os muros sejam construídos, mas não consigo deixar de pensar que será muito provável. Os europeus têm sido sempre muito criativos com as suas fugas para a frente, mas têm-no feito esquecendo a pura natureza humana, aquela que não cabe numa folha de Excel ou slide de Powerpoint. Pessoas em sofrimento arriscarão tudo quanto podem para melhorar a sua condição, nem que seja um poucochinho que seja. Fechar-lhes a porta e não os integrar (o que faria até sentido economicamente) não é só desumano (sabendo que morrerão em largos números): é estúpido por arriscar o próprio futuro.

 

No fundo, é uma questão de construir casas em vez de muros. Os custos seriam semelhantes e os lucros muito superiores. Talvez isso venha a ser percebido.

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65 comentários

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De Retornado a 17.02.2016 às 10:55

O pior para a Europa é que estes refugiados estão a deitar responsabilidades para cima da Europa por muito do que lhes está a acontecer nas terras deles.
Tanto os que vêm do médio Oriente como os que vêm de África.
A Europa vãi pagar as asneiras e as irresponsabilidades próprias para com os vizinhos.
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De João André a 17.02.2016 às 12:23

E têm em grande parte razão. No Iraque os ocidentais entraram no país, depuseram um ditador sem se preocuparem com o futuro e deixaram o país em caos. Na Síria fizeram o oposto, por não haver petróleo suficiente para os interessar. Tudo isto sem esquecer as divisões artificiais feitas depois da I Guerra Mundial para satisfazer os lordes da guerra tribais que estavam do lado certo.

Enfim: os povos da região deveriam pensar mais naquilo que eles próprios causam, mas os ocidentais não têm ajudado nada.
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De JgMenos a 17.02.2016 às 13:35

O pecado!
A penitência!
Vivamos o Inferno para ganhar o Céu!
Oremos!
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De João André a 17.02.2016 às 13:47

( )

Tradução: o vácuo.
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De MM a 17.02.2016 às 17:24

Certíssimo! Fomos nós os provocadores e os invasores. Agora, temos de nos penitenciar porque o inferno fomos nós lá fazer. Há que assumir o mal que fizemos e não fugir à realidade.
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De Octávio dos Santos a 17.02.2016 às 16:01

«No Iraque os ocidentais entraram no país, depuseram um ditador sem se preocuparem com o futuro e deixaram o país em caos.»

Não. Antes de Barack Obama chegar à Casa Branca a situação no Iraque estava razoavelmente controlada e estabilizada; realizaram-se eleições - muito participadas - e formaram-se governos; as tensões entre sunitas e xiitas haviam sido reduzidas. Só quando o actual presidente dos EUA decidiu retirar praticamente todas as tropas norte-americanas do Iraque é que - previsivelmente - tudo piorou.
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De João André a 17.02.2016 às 21:23

Chamar à situação "estabilizada" é esticar a realidade ao ponto de partir. Estava melhor, mas assumir que não haveria ISIS/Daesh sem essa retirada é abusivo. A situação estava simplesmente à espera de explodir.
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De João André a 17.02.2016 às 21:24

Mas seria provável que explodisse assim que Saddam Hussein perdesse controlo do país, tal como aconteceria mais cedo ou mais tarde. Talvez durante a "Primavera" árabe, como aconteceu na Síria...
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De lucklucky a 18.02.2016 às 08:55

Veja-se esta pérola:

"E têm em grande parte razão. No Iraque os ocidentais entraram no país, depuseram um ditador sem se preocuparem com o futuro e deixaram o país em caos."

Quem não se preocupou com o Iraque veio de pessoas da Esquerda que fizeram tudo para destruir aliadas aos Islamistas.
Mas pelos vistos o Ditador Saddam Hussein não foi uma consequência da cultura Iraquiana e do Socialismo Europeu. É preciso ir ao que construiu a legitimidade do Partido Baath?
E a Guerra Civil que se seguiu não é consequência da cultura Iraquiana e do Islamismo?
Isto tudo com a lata de fazer crer que o Iraque de Saddam não estava num caos.

E seguindo a táctica preso por ter cão e por não ter, parece que deveríamos ter ocupado a Síria. Fantástico.

Já agora para fazer sentido o argumento, boa parte das guerras anti-coloniais parece que foram más. Entre as quais as nossas.
Pelos vistos o controlo colonial deveria ter ficado no lugar. Os territórios ficaram num "caos".
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De João André a 18.02.2016 às 14:47

Orwell volta, estás perdoado.
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De lucklucky a 17.02.2016 às 11:46

Então muros não travam imigrantes mas meras fronteiras travam os europeus. Belo...

Você quer tentar ganhar eleições na Europa mas não vai conseguir.
A táctica parece que não funcionou até agora na Inglaterra...
Porque o que está por trás dos apelos à imigração para a Europa é o desejo de destruir politicamente o que existe.

Se você se preocupasse com os imigrantes quereria que eles ficassem nos países mais próximos para poderem voltar às suas terras. Também quereria que tivessem o máximo de familiaridade com a cultura local para existir o menos de distúrbio na vida das pessoas.

Depois não analisa nem informa o problema: a maior parte dos imigrantes são homens em idade de combater. Não me parece que esteja muito preocupado com a sorte das mulheres .
Nem que boa parte dos imigrantes não tenham nada que ver com os "Sírios"
e que sejam "refugiados económicos".
Não se preocupa porque o problema para si é a imagem que tem da sociedade de onde faz parte, para lá do cinismo político.

Os problemas com imigração de culturas muito diferentes existem e só agora começaram a vir à luz porque os censores de serviço nas redacções do complexo político-jornalista já não conseguiam tapar.
Problemas que ocorreram por causa de opiniões como a sua.

Finalmente há coisas piores que a guerra, especialmente uma guerra não total com a Síria.
Lembro que os boat people Vietnamitas não ocorreram durante a guerra, foi durante a paz Comunista.
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De João André a 17.02.2016 às 12:18

Olhe, este tipo de comentários falsos, acusatórios e cheios de ódio e facciosismo eu normalmente não aprovo. É uma questão de higiene. Este deixo-o para lhe fazer um comentário: «almost two thirds of the people who are passing the Macedonian border are women and children» (http://www.spiegel.de/international/europe/closing-balkan-route-means-migrant-crisis-for-greece-a-1076232.html).

O resto do que escreve é vómito que não merece a minha atenção ou o meu tempo.
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De do norte e do pais a 17.02.2016 às 15:49

Tenho de ser um pouco mais rigoroso. Segundo esse jornal referem-se apenas a quem atravessou a fronteira da macedónia.
Mas é pouco provável que reflicta a realidade global. Quando vemos imagens, a esmagadora maioria são homens. Mais, por exemplo segundo (*) apenas 31% de 500.000 que tinham entrado no ano passado até cerca de Agosto/Setembro seriam mulheres e crianças.

(*) http://www.ibtimes.com/refugee-crisis-2015-explained-who-coming-europe-where-theyre-headed-why-2112352
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De João André a 17.02.2016 às 21:27

Eu falo da rota dos Balcãs e essa necessita da passagem pela Macedónia (a Albânia é muito montanhosa e ir pela Bulgária é muito longe).

O número também me surpreendeu, confesso, apenas assumo que seje verdadeiro, embora nunca se saiba.

Poderá acontecer que, depois de chegarem à Alemanha, muitos homens estejam agora a tentar trazer as famílias e por isso haja agora mais mulheres e crianças. Apenas suposição da minha parte, claro.
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De JS a 17.02.2016 às 14:21

Caro LL. Não vale a pena. É malhar em ferro frio, jóvem, lírico. Imberbe.
Os blogs são isto. Também permitem a exibição despudorada da criteriosa formação em curso nos aviários académicos.

Por exemplo: analizar simploriamente migração e/ou refúgio islâmico em direção à Europa, passando por cima de todos os (dramáticos) problemas com que se debatam IMIGRANTES E INDÍGENAS há dezenas de anos...
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De T a 17.02.2016 às 20:14

Até a própria UNHCR já o reconheceu.
Já agora fica também aqui este link bastante demonstrativo:

http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/File:First_time_asylum_applicants_in_the_EU-28_by_citizenship,_Q2_2014_%E2%80%93_Q2_2015.png

Como se repara o que não falta são países que os membros da UE invadiram e bombardearam.. não é?
tsk tsk.
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De João André a 17.02.2016 às 21:30

Obviamente: assume-se que o interlocutor é um miúdo que não percebe nada destas coisas e pronto. Estão os argumentos arrumados.

A sua linha argumentativa diz tudo. Consigo também não perco tempo.
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De lucklucky a 18.02.2016 às 09:13

Pois é, factos não interessam quando lhe apontam que está errado, porque o que está em causa para Marxistas como o João André é simplesmente o ódio à civilização ocidental e o projecto de instituição de um Socialismo hiper-regulatório e burocrático para controlar todos os aspectos da vida humana.
Abre-se a porta para mais um programa estatal e mais uma burocracia e é logo apadrinhado.

Já agora, os imigrantes Sírios instruídos devem pagar um imposto ao Regime Socialista da dinastia Assad para sairem do país?
É mais uma das suas brilhantes ideias, quem emigra paga imposto.
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De João André a 18.02.2016 às 14:49

Se você não percebe nada do que eu escrevo o problema é seu. Ou pede que clarifique ou ignora. Dizer o oposto é que não. Ou, em alternativa, mente.

ou seja: é burro, ou iletrado, ou ignorante, ou mentiroso. Perdoo sem problemas os 3 primeiros. O último não. Neste momento inclino-me para este e recuso a discussão consigo, que é impossível.
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De Anónimo a 17.02.2016 às 12:12

E pelos vistos não foram os refugiados a provocar os incidentes de Colónia: https://www.publico.pt/mundo/noticia/ataques-de-colonia-nao-foram-feitos-por-refugiados-sirios-1723255
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De João André a 17.02.2016 às 12:21

Ou pelo menos não foram, maioritariamente, sírios. Para mim alguém que arrisca a vida em busca de melhores condições de vida por motivos exclusivamente económicos é também um refugiado, mas esses recusamos. Adiante.

Há sempre criminosos a entrar com os outros. O problema é que estes fazem manchetes: pessoas ordeiras não interessam a ninguém. Deu-se muito menos importância à manifestação uns dias mais tarde de centenas de migrantes e refugiados a repudiar o que se passara, mas enfim.

A velha máxima ainda se aplica: «If it bleeds, it leads».
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De do norte e do pais a 17.02.2016 às 15:29

Segundo a sua fonte: "foram sobretudo argelinos e marroquinos a viverem na Alemanha há vários anos"
Ou seja, também havia refugiados.
De qualquer forma devem ser todos muçulmanos. Portanto, o problema de ter mais muçulmanos na europa existe e mantém-se.
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De João André a 17.02.2016 às 21:31

São argelinos e marroquinos logo são refugiados.
São muçulmanos logo são maus.

Inominável e nem merece comentário extra.
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De do norte e do pais a 17.02.2016 às 22:18

Está a distorcer o que eu disse.
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De João André a 18.02.2016 às 08:44

A primeira parte não é distorcida. V. fez a ligação directa entre ser argelino/marroquino e ser refugiado.

No segundo aspecto ter-me-ei esticado um pouco. Mas aquele «de qualquer forma devem ser todos muçulmanos» deixa poucas margens para interpretação, especialmente quando diz que é um problema «ter mais muçulmanos na europa».

Se a conversa fosse frente a frente talvez eu lhe percebesse outro significado lendo a linguagem corporal. Sem o conhecer e apenas lendo, não é abusivo tirar estas conclusões.
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De do norte e do pais a 18.02.2016 às 09:04

Compreendo, mas repito, não o disse. O que também poderia ter concluído é que professando todos a mesma religião, a desconfiança relativamente a uns estende-se automaticamente aos restantes, ou seja, aos que chegam agora...

Com vê pelos comentários, problema é transversal à nossa sociedade e muitos, independentemente da cor política. A esquerda com a história do multiculturalismo falhou redondamente quanto a este problema. Falhou, porque o problema não se resolve de acordo com esse manual e essa esquerda usa uma cartilha.
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De João André a 18.02.2016 às 14:50

Se o seu comentário se referia à percepção da sociedade, então retiro o que escrevi e concordo.
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De pSalaberth a 17.02.2016 às 12:59

Muito bem. As culturas da mesquinhez financeira e do ódio faccioso devem acabar. O preço será pago mais tarde ou mais cedo.
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De João André a 17.02.2016 às 13:14

Eu não usaria nenhum desses termos para descrever as motivações dos países, pelo menos dos seus governos. Aquilo que se passa é que os xenófobos são mais ruidosos e geram mais manchetes que o restante da população (ou até que contra-manifestações). Os políticos apenas cavalgam a vaga em atitudes de populismo. Por isso mesmo usei a tag "populismo" em vez de "xenofobia".

Já do lado financeiro - ou pelo menos empresarial - posso garantir que muitas empresas (senão a maioria) quer ver estas pessoas a entrar no país. São uma enorme massa de pessoas maioritariamente jovens que podem ser qualificadas e ajudar a solucionar a falta de mão de obra na Europa. Muitos outros são altamente qualificados. Em quase todos os casos ou são pessoas que ou poderão receber salários mais baixos ou por cujo trabalho e emprego os Estados poderão avançar com contribuições. As empresas não poderiam estar mais satisfeitas, pelo menos em alguns países.
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De pSalaberth a 17.02.2016 às 14:13

Sim. Mas é o resultado práctico que interessa. Se assim fosse estariam a ser bem recebidos e não a serem barrados. Se as empresas levam dianteira nas restantes decisões, porque não aqui?
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De João André a 17.02.2016 às 21:33

Não posso falar de muitos outros países, mas sei que na Alemanha muitos CEOs pediram que se deixasse entrar mais refugiados e se mostraram prontos a colaborar no seu treino e educação. O suficiente? Provavelmente não, mas melhor que nada.
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De do norte e do pais a 17.02.2016 às 15:31

Julgo que a maioria dos Portugueses não os quer cá. Pelo que referi acima, é compreensível.
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De João André a 17.02.2016 às 21:34

Eu cá preferia não o ter a si, mas não o mando embora nem o recusaria se fugisse do seu país em guerra.
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De do norte e do pais a 18.02.2016 às 08:43

Eu não disse que não os queria cá!!!!!! Agradecia que tivesse mais cuidado na leitura das minhas palavras.
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De Anónimo a 17.02.2016 às 13:29

A Europa e não só, fizeram asneiras atrás de asneiras, com desculpas mentirosas, atrás de desculpas mentirosas, destruíram o Iraque, na Líbia é o que se sabe e no Egipto o mesmo. Destruíram e desestabilizaram, estes países, na base da mentira e agora, lavam as mãos como Pilatos. Agora, pede-se que no mínimo falem verdade e ajudem aqueles que ajudaram a destruir. Sobretudo a UE é neste momento composta por hipócritas e cobardes que fecham os olhos àqueles que fecham fronteiras e a não os penalizam por quebrarem as regras, mas amarfanham outros que foram governados por irresponsáveis que obrigam os seus povos, a pagar, pela irresponsabilidade daqueles em quem confiaram e que o não mereciam porque não governaram, desgovernaram.
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De Jgmenos a 17.02.2016 às 13:32

Que bonito!
Um discurso que anuncia em concreto dar abrigo a quem chega, seja lá quem for e venha de onde vier.
Os campos de treino militar na Turquia ficaram desertos.
Tirano que queira livrar-se de opositores embarcá-los-á para a Europa.
Conquistador que queira território, embarca a população para a Europa (é bem aproximadamente o que está a fazer a Rússia).
A Europa esgoto do mundo, território a conquistar!
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De João André a 17.02.2016 às 13:49

Tem razão. Faz mais sentido afundar os barcos. Morrem uns quantos mas depois os outros voltam para trás...

Acredita mesmo nisso?
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De Costa a 17.02.2016 às 15:43

Não faz evidentemente sentido afundar os barcos e suponho que o João André só terá recorrido a essa fórmula pelo valor que de facto tem: o de retórica. Mas não ignoremos algumas coisas, quando acolhemos um número tão elevado de pessoas (já ouvi e li que em relação à população europeia, e percentualmente, esse número é afinal bem pequeno e não deveria por si só constituir problema de maior a sua integração; e a chave talvez seja essa: "por si só"):

1) Acolhemos gente provinda de estados onde a história, a cultura e a religião - tudo afinal susceptível de se fundir - não contemplam usualmente o pluripartidarismo, a laicidade do estado, a liberalidade de costumes e a igualdade de todos perante a lei. Ainda que uma significativa parte desses refugiados sejam, entre os seus, uma camada, digamos, "esclarecida", esse seu substrato não pode ser ignorado ou sequer menosprezado, pelo potencial de choque que encerra.

Não é de crer que a sua integração, mesmo que genuinamente pretendida de um e outro lados se faça sem momentos de tensão ("tensão", eufemismo generalizador e politicamente correcto; tragédia para aqueles a quem pessoalmente ou quase toque).

2) Perante esses "momentos de tensão" não é sério exigir que toda a cedência ocorra, seja por uma espécie de dever auto-imposto seja por definição normativa, de um dos lados. O lado anfitrião, no caso. É de elementar educação que em casa dos outros em me curve perante as suas regras.

3) Me curve perante as suas regras ou, se isso me for impossível, por questões de consciência ou praticabilidade, abandone os seus territórios. Isso em lugar de aproveitar as liberalidades de que gozo nesses países para de forma ostensiva, insultuosa, descarada , usufruir dos apoios sociais aí proporcionados e ao abrigo da liberdade vigente, berrar alto e bom som que um dia o poder será meu e acabarei com tudo isso em nome de um londonistão ", um califado francês, um Al-Andaluz , o que seja.

4) Seria estultícia pensar que todos os refugiados chegam com essa "agenda escondida" (ou nem isso), tal como seria estupidez dolosa (se tal figura existe) pretender que por estes tempos não integram os ocupantes desses barcos que quase naufragam, ou naufragam mesmo, gente com tal agenda ou que, perante ela e os seus efeitos, se limitaria a uma passiva neutralidade objectiva e quem sabe apoio subjectivo. Esses e gente que provavelmente não tem a menor intenção de se integrar mas antes e apenas a de muito pragmaticamente fugir dos inferno em que se tornaram as suas terras e que, uma vez na Europa, amparados nesses apoios sociais de que nem sonhavam, viverão nos "enclaves" que se sabe existir nas grandes cidades europeias, onde por norma "não se entra", produzindo gerações de estrangeiros onde nasceram. Com as antecipáveis consequências a prazo.

5) Isto tudo conhecido, aceite-se que é imperativo humanitário acolhê-los. Então antes e para lá da distribuição dessa obrigação pelos vários países europeus e dos problemas e desentendimentos que ela possa gerar, não nos esqueçamos que o modelo de sociedade em que vivemos, mais à esquerda uns, mais à direita outros: a "democracia ocidental", pressupõe entre todos um patamar mínimo ético, civilizacional, coincidente. Um ponto além do qual e como regra aceite antes mesmo de qualquer lei escrita, de qualquer estudo superior, se não vai, muito fortes que sejam as divergências, muito recalcados que sejam os eventuais ódios.

Um ponto que só se imagina ultrapassado em duas circunstâncias: a guerra como tal declarada e em resposta a agressão externa entre potências que, ainda assim (bem sei que nem sempre), se regerão por regras de direito internacional pelo menos quanto às populações civis e aos prisioneiros de guerra (uma abjecção, de todo o modo, sendo a guerra civil uma absoluta abjecção); a criminalidade, que sociedade alguma consegue integralmente erradicar e que se presume seja contida em termos socialmente aceitáveis (mais um eufemismo, admito) pela polícia e pela justiça de casa país.

Tudo isto, mesmo estes piores cenários, ainda assim se passando entre gente que, com gradações de conservadorismo, aceita e vive a separação entre religião e estado, a igualdade de género (como agora se diz), o respeito pelos costumes locais ainda que não partilhados. (...)
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De Costa a 17.02.2016 às 15:50

(...) Quando assim não foi - e não foi, na Europa num passado bem recente - deu no que deu.

Poderemos descartar tudo isso que acima elenco (que não faço por meu mérito - ou demérito - mas por ser, creio, uma evidência para quem esteja de boa-fé) e os riscos associados ao influxo de tanta gente onde se contará quem, por acção ou omissão, admite a missão sagrada e onde os fins justificam quaisquer meios, de impor uma ordem em tudo oposta à nossa e que visa a sua abolição e o extermínio de quem a siga?

Como se resolve isto, perante a tragédia que todos os dias se desenrola perante nós (enfim, nos nossos televisores)? Não sei, João André. Mas não ignoro tudo isto.

Costa
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De JP a 17.02.2016 às 21:18

Brilhante comentário. Parabéns!
E, no entanto, apenas a direita radical coloca estas questões na agenda. Infelizmente Apenas esses parecem compreender aquilo que são as reais preocupações de muitos europeus (daí o seu crescimento abrupto e sistemático).
É preocupante que estas preocupações não sejam sequer equacionadas pelas forças moderadas.
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De João André a 17.02.2016 às 21:38

Caro Costa, o seu comentário é longo e merece atenção que agora não consigo dar. Amanhã tento responder/comentar, se não se importa.

Só um extra: a parte sobre afundar navios é obviamente extrema (leu-me perfeitamente) mas convém não esquecer que houve de facto alguns responsáveis europeus que defenderam que se "empurrassem" os navios de volta. Uma vez que enfiar uma corda à volta deles e puxá-los não é exequível, a força seria necessária e isso poderia acabar no afundamento de um ou outro navio...
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De do norte e do pais a 18.02.2016 às 08:48

Eu percebi que era força de expressão!!!!! Certo? :-)
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De JgMenos a 18.02.2016 às 11:07

Afundar os barcos...
Partindo do princípio que já ultrapassou a puberdade,. sempre lhe digo que assimilou por completo a dialéctica esquerdalha em que quem não segue o politicamente correcto do momento é seguramente um monstro.

Sendo uma cretinice o que diz, não tem sentido que lhe dê resposta.
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De Anónimo a 17.02.2016 às 17:19

Quem mandou irem aos países deles espatifá-los? Aí, não pensaram nas consequências, mas pensaram no petróleo e nas armas que vendem com fartura e depois, desculpam-se que não sabem quem são, os tristes que vêm em busca de auxílio. Os terroristas estão cá e os que vêm, não vêm a mendigar. A UE, está a ter um comportamento desprezível, desonesto, repugnante, execrável porque até os pertences deles lhos confiscam. Isto, não é digno duma União que quer dar exemplos, mas os exemplos que tem dado, são indignos de pessoas de bem.
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De T a 17.02.2016 às 20:18

http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/File:First_time_asylum_applicants_in_the_EU-28_by_citizenship,_Q2_2014_%E2%80%93_Q2_2015.png

Espreite aqui, veja lá a proveniência dos srs, e de quantos países desses foram "espatifados" pela Noruega, Dinamarca, Suécia e afins.
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De Costa a 17.02.2016 às 22:38

Nem valerá a pena, permita-me a intromissão, replicar. Este é o argumento clássico do pecado sem perdão do ocidente. Ocidente a quem o pior que lhe aconteça é mais do que merecido e ainda assim pouco, pois a sua culpa é infinita e axioma (ou mesmo dogma: essa gente gosta deles tanto ou mais do que - cá está... - a mais reaccionária religiosidade) e jamais poderá ser expiada.

Há-de ser por isso que a esquerda, a "caviar" mas também a ortodoxa dos idos de 1917 - sempre tão arrogante e firme na sua certeza de superioridade intelectual e moral - por norma ignora ou branqueia a barbárie vivida em tantos países onde um intelectual de esquerda, se por lá andasse, andaria na prisão (admitindo que permaneceria vivo, enfim). Quanto mais uma intelectual...

Costa
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De João André a 18.02.2016 às 08:53

Costa, não navegue apenas no 8 ou 80. Isso é para almas - à esquerda e à direita - com compreensão binária. Eu por vezes dou exemplos extremos para dar ênfase, mas tento compreender os pontos intermédios.

É verdade que o Ocidente tem enorme culpa no cartório, isto deveria ser óbvio. Também é óbvio que o sofrimento causado pelos sentimentos medievais de vingança que movem os terroristas e demais criminosos do mesmo tipo seré sempre menor que aquele que as acções ocidentais têm causado nos últimos 100-500 anos.

Pensar desta forma não é ser-se de esquerda, caviar ou outra. É simplesmente ver a realidade. Há muitas camadas (violências sectárias, grupos religiosos, mentalidades medievais, etc) na equação, mas convém não esquecer que a influência ocidental é das mais importantes, especialmente porque soube explorar as demais em seu favor.
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De Costa a 18.02.2016 às 11:46

Perdoar-me-á o João André, mas vejo mal onde oscilei eu, acima, entre o oito o oitenta. Parece-me facto assente que há muita gente, várias forças políticas formalmente organizadas e reclamando autoridade para apontar sobranceiros dedos, que sistematicamente ignora, branqueia, relativiza tudo o que possa pôr em causa a sua reiterada visão do mal. Relembro-lhe apenas (e sei que o não teria que fazer) a famosa dúvida, quase anedótica (só não o sendo por ser trágica), nunca esclarecida, sobre a Coreia do Norte.

Eu não ignoro os erros cometidos sobre outros povos, como não ignoro aliás os erros deles próprios sobre eles próprios. O que eu não farei será reconhecer-lhes o direito, em nome desses erros, de ferir, matar, destruir na minha casa, na minha terra, numa espécie de vingança purificada e purificadora.

Acontece-me, lamento se nisto nos afastamos um do outro, não me sentir no dever de carregar uma culpa histórica e sem expiação, que me obriga a tudo suportar dando a outra face uma, outra e outra vez. Que é, desculpará, coisa que se pode legitimamente deduzir das suas palavras, ao escrever "Também é óbvio que o sofrimento causado pelos sentimentos medievais de vingança que movem os terroristas e demais criminosos do mesmo tipo será sempre menor que aquele que as acções ocidentais têm causado nos últimos 100-500 anos."

Sempre, caro João André, façam o que fizerem, destruam o que destruírem ? Merecemos nós, você desde logo, todo o mal que eles sobre nós pratiquem?

Mas afastamo-nos, com isto, do tema. E esse é o de como proporcionar condições de integração e vida digna a quem, de boa fé, de súbito e em tão grande número procura a Europa.

Costa
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De Anónimo a 17.02.2016 às 22:40

A Dinamarca está a ter um comportamento execrável indigno duma Europa Unida. Não tente desculpar o indesculpável porque ao fazê-lo, não lhe fica bem, fica-lhe muito mal. Nós, portugueses, através de Durão Barroso também fazemos parte daqueles que estiveram na destruição do Iraque. É duro, ver que neste país onde se pensa que é tudo gente boa, mas que afinal, há gente que mesmo perante as imagens e factos sentem indiferença e desprezo, por gente que o único que faz, é pedir protecção. Não se desculpem com os terroristas porque esses, estão cá, bem infiltrados e prontos para matar os de cá e esses que vêm em busca de um pouco de paz, se é que algum dia a irão ter.
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De T a 18.02.2016 às 09:19

Caro Anónimo. Vxa. é o típico, responsabilidades só dos outros, ou neste caso só nossas - vossas. Ainda há uma linha de pensamento, de gente como vxa que se julga superior aos outros, vê um mundo uni-dimensional, que prefere arcar com toda a responsabilidade (ou alias apontar o dedo ao seu semelhante) do que entender um mundo de iguais, de responsabilidade partilhada, em que os Estados são soberanos e que no meio da interacção, são responsáveis pelo que lhes acontece, pelo que fazem e pelo que deixam fazer.

Sabe, é que nós temos a nossa responsabilidade o nosso legado e processo, eles (sejam eles quais forem) têm a deles e não começou nem acabou nem neste século, nem há 4 ou 5 anteriores. A história conflitual, política, religiosa, nacional e internacional, não se desenvolve apenas nos períodos que nos interessam, elas caminham e acompanham-nos pelos tempos. Achar que o que se passa pelo mundo é tudo culpa da Europa, é a mesma visão Eurocentrica que nos cegou e cega todos os dias, ainda achamos que podemos fazer muito pelo mundo, mas não podemos fazer nada, nem inclusive conter uma invasão não armada. Somos irrelevantes, já devia saber disso.
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De Anónimo a 18.02.2016 às 15:04

Não me julgo superior a nada nem a ninguém. Sou um comum mortal que dá valor à vida e à dignidade da mesma coisa que muitos não dão. A culpa é daqueles que se juntaram para destruir um país que vivia com um ditador, mas vivia. Hoje, no Iraque não se vive, tentam sobreviver na destruição e a culpa foi toda de quem mentiu para iludir meio mundo. Mentiu Durão, Busch, Aznar e Blair e aqui não há como fugir à realidade, por isso mesmo devemos assumi-la, custe-nos ou não. Com a Líbia foi outra pouca vergonha, com o Egipto outra e com a Síria todos sabemos o que se passa porque está em plena actividade a sua destruição. Isto é aquilo que todos nós, humildes cidadãos não poderemos negar nem esquecer. Não é só o que se passa na Europa, mas cabe-nos a nós como europeus repudiar actos deploráveis como o que a Dinamarca está a fazer, a Hungria... A história não lhes perdoará tal como nunca perdoou a ninguém e não deixará de elevar, bem alto aqueles que pelo seu humanismo e valor, fizeram o bem em prol dos outros sem olhar a quem.
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De T a 19.02.2016 às 10:09

Ou não leu nada ou tem dificuldades na compreensão, lamento mas mais explicito não poderia ter sido. Se quer continua nessa demanda de culpa, força, inicie desde já um ritual diário de autoflagelo. Vai purificar a culpa num instante. Ou não.
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De jj.amarante a 17.02.2016 às 15:14

Post muito ponderado. Gostei de ler.
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De João de Brito a 17.02.2016 às 19:29

Sejamos francos e honestos.
Os grandes conflitos que têm deflagrado pelo Mundo nas últimas décadas irrompem de uma causa mais funda que as motivações religiosas, culturais ou políticas.
Essa causa é o liberalismo desbragado, que apostou tudo na lei da oferta e da procura, regulamentada por um marketing agressivo e fraudulento, veiculado pelo controlo dos grandes meios de comunicação, potenciado pelo desinvestimento na qualidade dos sistemas educativos e traduzido no endeusamento de um consumismo feroz e num relativismo absoluto (não é uma contradição, mas um reforço).
Tudo isto desaguou na lei do mais forte, que invadiu estados soberanos, massacrou populações, roubou recursos, degradou o ambiente.
E acumulou toda a riqueza mundial nas mãos de 1% da população mundial (ainda que possa não ser exatamente assim)!!!
O que esperávamos?!
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De João André a 17.02.2016 às 21:43

É uma visão extrema que não sibscrevo completamente, embora tenha muita verdade.

Um comentário essencial: a "lei" da oferta e da procura não necessita que se invista. É uma realidade transversal a toda história humana, desde muito antes de ser formulada. Não é nem boa nem má, existe, é tudo.

O problema não é uma economia baseada na oferta e na procura. Negá-lo seria o mesmo que negar vida baseada na existência de água líquida. Serão possíveis outras hipóteses, talvez mas não aquelas que nós conseguimos imaginar ou compreender.

O problema é a falta de controlo, uma vez que sem ajustamentos, a assimetria de informação instala-se e permite a alguns viciar o jogo e ganhar mais poder. Fazendo-o podem depois manipular o resto do jogo. É isso que o liberalismo desbragado trouxe e ajudou a criar a situação que descreve acima.
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De Costa a 17.02.2016 às 23:09

Mas eis a turba desesperada, buscando, todavia, precisamente os países vistos como paradigma desse "liberalismo desbragado" (e que confusões parecem ir por aí, no conceito de liberalismo e seu desbragamento; mas esse é outro assunto, além de um utilíssimo chavão, e como sabemos uma mentira muitas vezes repetida...). Com a excepção, é certo, dos escandinavos que já foram apontados em comentário acima. Mas em todo o caso laicos - esses então, particularmente - de costumes e, afinal, "capitalistas" (horror que tudo sumariza e encerra).


Não é isto bizarro, João André, a ser assim com tanta certeza e maniqueísmo posto: eles fatal e necessariamente bons - ou um com direito conquistado e inquestionável a ser maus -, nós histórica, imperdoável e inapelavelmente maus (não estou a sustentar que você o esteja a fazer, entenda; outros todavia já o fizeram, aqui mesmo nesta sequência de comentários)?

Será masoquismo em grande escala, desses que nos procuram? Uma variação multitudinária do síndrome de Estocolmo? Um plano de vingança, de conquista, de larga destruição pelo menos, a concretizar no espaço de uma geração ou pouco mais? Um pouco de tudo isso?

Ou apenas a busca, para tantos e tantos, de uma vida melhor, digna, numa sociedade que, muitos defeitos que tenha, é - imagine-se... - mais civilizada. Mais civilizada, de acordo com os padrões que todos por aqui defendemos. Desde logo esse de poder estar aqui a confrontar posições não exactamente coincidentes (anátema, afinal, em tantos lugares lá de onde ele chegam).

Mas então que se integrem e conformem com o meio que os acolhe. Onde, diga-se o que se disser e no respeito de todos e por todos é histórica e culturalmente muito mais natural acordar, crentes ou não que sejamos, com o repicar dos sinos de uma igreja do que com o chamamento à oração provindo de uma mesquita. Sobretudo se este chamamento manifestamente encerra - e por vezes exibe orgulhosamente -, raiva, ódio e vingança sobre aquele repicar.

Aquele repicar e o que - nos países onde é ele que é historicamente escutado, independemente do aspecto religioso - com ele foi já alcançado em termos de dignidade e igualdade da vida humana.

Até, precisamente, perante a crença religiosa professada por cada um. E a liberdade de o fazer. Ou de nenhuma professar.

Costa

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De do norte e do pais a 18.02.2016 às 08:52

Não tem nada a ver com liberalismo. Tem a ver com a ausência de valores e princípios. Tem a ver com hipocrisia também e muita dessa hipocrisia é da esquerda, se não a maior parte.
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De Anónimo a 17.02.2016 às 19:51

Uma pergunta simplória : por que será que esta gente não escolhe um "Lebensraum" onde o "Raum" é quase infinito, não existindo o perigo de se andarem a "acotovelar" uns aos outros, como nesta ofensiva, laica (...) e decadente Europa "ocidental?
Refiro-me, evidentemente, à compassiva, ortodoxa, dialogante e "progressista" Santa Rússia ...

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De João André a 17.02.2016 às 21:45

A sua pergunta é minimamente pensada?

A Europa é mais pacífica, tem uma economia melhor e mais capaz de absorver os recém-chegados e é mais tolerante (à excepção de certas pessoas - talvez o seu caso?). Isto basta-lhe como razão ou é preciso fazer um desenho?
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De Anónimo a 18.02.2016 às 00:15

Aparentemente a ironia não será o seu forte...
Mas, quanto à "Rodina", modestamente, creio que são dos poucos que sabem realmente o que se está a passar - e agem em conformidade.
Pelos vistos, a cobardia mascarada de "tolerãncia", o relativismo cultural, a vergonhosa decadência do "ocidente" não passaram a linha Oder/Neisse.
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De João André a 18.02.2016 às 08:59

Penso que este comentário seria a resposta à minha resposta.

Se usou e ironia, peço desculpa por não a ter percebido. Já tinha um dia longo em cima.

De uma coisa não se pode acusar os russos: indecisão. Seja Putin ou outro o chefe (e muita gente não entende que Putin existe devido à mentalidade russa, não o contrário), os russos decidem um percurso e avançam, mesmo que vão notando que não funciona.

Agir em conformidade? Não: os russos entendem a força e querem passar uma mensagem simples: não se metam com a Rússia senão avançaremos com a força toda que tivermos. Infelizmente não percebem que em certos casos a demonstração de força não só não tem qualquer utilidade como pode ser contraproducente. Não aprenderam nada com o Afeganistão.

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