Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Carlos, o Breve.

por Luís Menezes Leitão, em 22.05.14

 

A monarquia inglesa só tem conseguido sobreviver, graças ao facto de os monarcas nunca se ingerirem em política, deixando a condução dos negócios do Estado ao governo eleito, e só intervindo quando este o solicita. Infelizmente, o Príncipe Carlos há muito que foge a esta regra, costumando exprimir desassombradamente as suas opiniões em público. No momento em que ele compara Putin a Hitler, corre um sério risco de atear uma fogueira mundial. O argumento de que ele é livre de falar como cidadão comum não faz qualquer sentido. O herdeiro do trono tem um manifesto dever de reserva relativamente a declarações que podem incendiar as relações entre o Reino Unido e a Rússia, o qual se estende a qualquer declaração que implique um envolvimento político da monarquia. Se quer falar como cidadão comum, tem que renunciar ao trono, mas aí ninguém mais o ouve.

 

Curiosamente esta situação já há muito que tinha sido prevista numa extraordinária série televisiva, House of Cards (a original inglesa e não este novo produto americano, muito inferior). Naquela série, o Rei — claramente o actual príncipe Carlos — decide apoiar a oposição contra o Primeiro-Ministro eleito. Este, após ser reeleito, obriga naturalmente o Rei a abdicar do trono. Neste extraordinário diálogo, faz-lhe ver quão fraca é a legitimidade de um monarca, a partir do momento em que este se envolve no combate político.

 

Prevejo por isso um tão curto reinado para o Príncipe Carlos, que será seguramente conhecido como Carlos, o Breve. Isto admitindo que consegue chegar ao trono, o que já é duvidoso.

Autoria e outros dados (tags, etc)


3 comentários

Imagem de perfil

De José Navarro de Andrade a 22.05.2014 às 12:49

Um grande pepino, sem dúvida...
Sem imagem de perfil

De gty a 24.05.2014 às 03:57

A uma hora destas fico-lhe a dever umas boas gargalhadas.

A monarquia britânica vive de boa saúde, numa antiga, forte e sempre rediviva democracia, num país vivo e criativo, com uma capital que é um dos grandes centros mundiais da finança e da cultura.

O verbo "sobreviver", que implica alguma penosidade, aplicar-se-ia com mais propriedade à república portuguesa, que abriu falência pela 3ª vez em quarenta anos, com níveis de corrupção sempre crescentes, com uma democracia de "pro forma" (em que ninguém conhece o nome do seu deputado), e onde há processos judiciais resolvidos à tesourada (o que ameaçaria a existência dos juízes do país da Magna Carta, a julgar pela reacção de um deles, a quem esse expediente recente da república portuguesa foi relatado), etc, etc.

Por isso, seja o reinado do actual Príncipe de Gales curto ou longo, prevejo que, quando subir ao trono, a) a república portuguesa estará à beira da falência; b) a corrupção será ainda maior; c) a democracia será cada vez mais de opereta; c) os cidadãos da república portuguesa continuarão a emigrar para Inglaterra; d) continuar-se-á a ler "posts" sobre a periclitante sobrevivência da monarquia inglesa (ou da holandesa, sueca, luxemburguesa, etc); continuarão a ser escritos "posts" em que ninguém se interroga como e porquê sobrevive a república portuguesa.
Sem imagem de perfil

De rmg a 24.05.2014 às 17:16


Ora eu também lhe fico a dever umas boas gargalhadas .

Aproveitar este post para fazer um longuíssimo comentário que não tem absolutamente nada a ver com ele é notável de engenho .

Não sei porquê lembrei-me de uma muita estúpida anedota dos tempos da minha adolescência sobre um busto do Napoleão ...

Comentar post



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D