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Brexit.

por Luís Menezes Leitão, em 01.06.16

Sempre me considerei eurocéptico, mesmo quando políticos, como Pacheco Pereira ou Freitas do Amaral, que hoje dizem da União Europeia o que Maomé não disse do toucinho, faziam intensamente campanha pela ratificação do Tratado de Maastricht, como é óbvio sem referendo, porque as elites iluminadas nunca querem ouvir os cidadãos. Para mim a União Europeia nunca passou de um processo para conseguir que os Estados pequenos fossem absorvidos pelos grandes, e que estes por sua vez se subordinassem ao eixo franco-alemão. Neste momento, esse objectivo foi plenamente conseguido. Quando o Presidente da República, num verdadeiro acto de vassalagem, vai a Berlim pedir que não haja sanções a Portugal, fica-se a saber quem verdadeiramente manda na Europa e como as instituições europeias não passam neste momento de um verbo de encher.

 

É por isso compreensível que o Reino Unido neste momento esteja a equacionar seriamente a saída da União Europeia. A acontecer, não será novidade nenhuma. A Gronelândia também já saiu num referendo, levando a que nessa altura a então CEE tivesse perdido metade do seu território. Mas a Gronelância é uma pequena economia, cuja saída não teve grande impacto. Já o Reino Unido é a quinta economia do mundo e a sua saída terá um impacto devastador, não apenas para a Europa, mas também para o mundo em geral. Mas apesar disso, o povo britânico está profundamente dividido, com os jovens a encarar seriamente a saída, enquanto que os mais velhos optam pela continuação.

Pessoalmente, se fosse britânico, não votaria pela saída do Reino Unido da União Europeia. Em primeiro lugar, o Reino Unido conseguiu um opt-out numa série de matérias, incluindo a não participação no euro, o que leva a que a participação na União Europeia lhe seja mais benéfica do que prejudicial. Se saísse, ficaria na mesma posição da Noruega, que tem que adoptar todas as directivas europeias para comerciar com o espaço europeu, mas não participa no processo de decisão. Por outro lado, há partes do país, como a Escócia, que são fortemente contrárias à saída, pelo que, a concretizar-se esta, poderia conduzir a breve trecho à dissolução do país.

 

Mas o povo britânico é muito cioso da sua independência, e a verdade é que a União Europeia está há muito tempo transformada numa organização que só serve à Alemanha, que goza calmamente dos seus excedentes, enquanto o resto da Europa todos os dias definha. É por isso fácil à campanha do Brexit continuar a apresentar o estatuto especial britânico como um caso de dominação, como se vê no cartoon abaixo.

O que se deve, por isso, perguntar é o seguinte: Se os ingleses, apesar de todo o estatuto especial que conseguiram, se vêem como meros vassalos europeus, o que dirão então os portugueses? Seja qual for o resultado do referendo, é bom que o mesmo sirva para se perceber que a União Europeia tem que levar uma grande volta. Como está, não pode continuar.

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13 comentários

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De xico a 01.06.2016 às 08:34

Portugal foi vassalo da Inglaterra, sem direito a voto, desde o tempo do Marquês de Pombal até à entrada na CEE. Chegou mesmo a ter um governo inglês dentro do país. Veja-se a recepção que Salazar fez à jovem "imperatriz" Isabel II. Agora é vassalo, com direito a voto, da Europa. Parece-me uma melhoria.
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De Luís Menezes Leitão a 01.06.2016 às 08:52

Que voto temos na questão das sanções?
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De Luís Lavoura a 01.06.2016 às 11:37

Independentemente da questão de saber se temos ou não temos direito de voto, não há dúvida de que xico tem razão numa coisa - não há grande diferença entre sermos vassalos da Inglaterra, como fomos, e sermos vassalos da Alemanha, como somos.
Mas há uma diferença no tipo de vassalagem: éramos vassalos da Inglaterra na nossa política de Negócios Estrangeiros, agora somos vassalos da Alemanha sobretudo na nossa política interna.
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De xico a 01.06.2016 às 17:18

Há-de explicar se é da política externa ou da interna ter um governo liderado por um súbdito inglês, e a imposição de uma guerra civil para colocar no trono um rei que abdicara em favor de outro reino.
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De Nuno a 01.06.2016 às 13:03

O mesmo que tivemos em tudo o resto: votámos a regra quando foi desenhada.

Temos assento no Conselho, nos vários Conselhos de Ministros (incl. Ecofin), no BCE, no Eurogrupo, e temos representantes no Parlamento que elegeram a Comissão sob proposta do Conselho.

A instituições da União Europeia não padecem de falta de democracia, padecem de falta de interesse por parte de eleitores, cidadãos, bloggers, jornalistas, etc que levem à responsabilização dos eleitos.
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De jorge a 01.06.2016 às 10:23

esta afirmação, retirada do texto, é o cerne da questão:
porque as elites iluminadas nunca querem ouvir os cidadãos.
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De kika a 01.06.2016 às 11:32

Sem perceber quase nada ... meramente por instinto
votaria na saida da UE. Ao ponto em que nos encontramos
todos ... pior é impossivel. A Europa sofre de uma doença
prolongada e de cegueira . Uma tristeza.
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De Vento a 01.06.2016 às 12:05

Tenho andado bastante optimista nestes últimos tempos. Este optimismo deve-se ao facto de estarem garantidas as sardinhas para o arraial no Santo António, pois as quotas aumentaram.
É óbvio que o nosso António tinha de ser chamado à colação na matéria que verte. Pois também este, à falta de humano ouvido que o escutasse, decidiu ir pregar aos peixinhos.
Nesta matéria, depois de tanto o que já preguei por aqui, permita que me dedique agora a afiar os dentes para o 13 de Junho que se aproxima.
Nem a saída do Reino Unido me fará desistir da sublime degustação de umas sardinhitas acompanhadas de uma saladita de pimentos e de um belo pedaço de broa.

Quanto à Alemanha, nem o superavit lhes proporcionará conforto. A Europa vai mudar. E o nosso PR tem de saber o que é prioritário. Jamais aplicarão sanções a Portugal. Ele deve conduzir seus esforços noutro sentido, isto é, como exemplo, na injecção urgente de capitais para as áreas do transporte ferroviário e desenvolvimento dos interfaces de acesso aos nossos portos.
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De Anónimo a 01.06.2016 às 13:17

O problema é que os incompetentes que ordenam nesta UE que já não se sabe o que é, são um bando de incompetentes, irresponsáveis e incapazes que ainda não conseguiram ver que ou se tornam competentes, responsáveis e capazes ou provavelmente iremos assistir à queda desta estabilidade que durou setenta anos e aí, nem os fortes escapam. Freitas e Pacheco acreditaram na CEE e muito bem. Onde está a CEE? É aqui que está o busílis da questão, a que ninguém responde nem ninguém fala porque outros, mandam nisto tudo e outros gostam que esteja assim. Não é só o eixo franco-alemão, são as agências de rating, os grandes grupos económicos e outros grupos e que a UE de incompetentes, irresponsáveis e incapazes convêm que seja assim. Enquanto isto acontece outros há que continuam impávidos a assistir ao desmoronamento de algo que foi idealizado e sonhado por Homens, para que a Europa fosse um exemplo para a humanidade.
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De Justiniano a 01.06.2016 às 14:30

Caro Menezes Leitão, pelo que tenho lido na imprensa britanica são os idosos que representam a maioria dos adeptos do brexit e os mais jovens o bremain. Onde leu o inverso!?
O cartoon deve querer referir-se a um putativo cepticismo de cada um dos representantes etários aí desenhados!! Talvez!!
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De lucklucky a 01.06.2016 às 17:08

Quem está violar o acordo feito livremente pelas partes? É Portugal não é a Alemanha.

Mas temos a retórica populista que somos "vassalos".
Isto de um acordo que assinámos livremente.

Se o autor obrigar alguém com quem acordou algo a cumprir os seus termos está a tornar essa pessoa um vassalo?

Com este tipo de populismo promove-se a destruição sociedade e da confiança necessária à sua sobrevivência defendendo a violação dos acordos com retórica de vitimização tribal.

----
Se não querem uma moeda estável(comparativamente) e preferem ter défices ainda mais altos, imprimir dinheiro sempre que haja défice , ou seja sempre, e ter inflação de 50, 100% só têm de sair do Euro.
----
Mas não, querem os benefícios do Euro sem os custos do Euro.

Defendam o Portuguexit em vez de usarem a vitimização.
E depois teremos o jornalismo marxista tuga a comandar a impressão de moeda.
Com resultado Venezuelanos.
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De js a 01.06.2016 às 19:08

Devia ser pribído escrever uma frase sobre vassalagem, dívida,austeridade ... sem logo de seguida escrever outra sobre quem atirou o País para essa triste situação.

Refiro-me obviamente aos impunes partidos PS e PSD e respectiva iluminada classe política há 40 anos a gerir este regabofe.

Com o mesmo processo político esperar outro, melhor, resultado é insanidade.

É tempo de nomear os erros e os autores.
Chega de lamúrias inconsequentes.
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De lucklucky a 01.06.2016 às 20:01

Não pode esperar que a cultura dos almoços grátis se denuncie.

O Regime do 25 de Abril teve estes almoços grátis:

- Baixa dívida e finanças controladas pela Ditadura permitiram durante décadas aos sucessivos Governos gastar dinheiro do que o país produzia.
Passámos de dívida de 15% para 60% sem que aparentemente tenha havido custos directos pois a confiança dos mercados não foge esse valor de dívida. As coisas mudaram quando se saiu daí.
Todos os governos gastaram mais do que colectaram.
Se isto não é populismo não sei o que é.

- Baixos impostos da Ditadura permitiram sucessivos governos aumentar os impostos.

- Subsídios da CEE e União fizeram entrar milhões de ECUs e Euros em Portugal

- Natalidade elevada e mortalidade elevada na Ditadura permitiu prometer reformas luxuosas sem haver relação alguma com as mudanças na sociedade.

-O Neoliberalismo ao combater com sucesso a inflação permitiu juros baixos, que foram tornados ainda mais baixos por intervencionismo político, favorecendo o crédito com juros ultra baixos.

Tudo isto deu muito maus hábitos ao complexo jornalista-politico e por consequência à cultura geral dos portugueses que vai mudando naturalmente com o que ouve, lê.

Agora nada será como dantes:
Existe mais competição , os Africanos e Asiáticos felizmente deixaram de estar presos pela teia Marxista automaticamente deixando de fazer-se de vitimas e passando a crescer e enriquecer.
A Demografia impede o populismo das reformas só contanto os melhores anos.
A Alta Dívida impede o populismo dos défices.
E a falta de paciência da Europa que paga as contas começa a cortar nos subsídios.

E há muito mais a acontecer.

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