Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Bom negócio!

por Luís Menezes Leitão, em 18.06.16

As relações entre a Câmara de Lisboa, gerida pelo seu actual Presidente, Fernando Medina, e o governo, gerido pelo seu ex-Presidente, António Costa, continuam um verdadeiro mimo. Agora os dois vieram, com pompa e circunstância, na passada sexta-feira anunciar que o Estado vai ceder à Câmara por 50 anos 30.000 m2 da Ala Sul da Manutenção Militar no Beato, para se criar "uma das maiores incumbadoras de empresas da Europa". Infelizmente não há sequer qualquer plano a explicar como é que isso vai ser conseguido, mas tal não impede que se faça desde já a cerimónia. Afinal de contas, o plano estará concluído "até ao final do ano". E por isso o autarca nem sequer "arrisca dizer quando começará a funcionar esta “polaridade de desenvolvimento das indústrias do século XXI”". Se calhar no séc. XXII…

 

Mas aos mais preocupados com as finanças públicas — que gente horrorosa! — António Costa frisou que a câmara vai pagar sete milhões de euros para ficar com este imóvel durante 50 anos. “Não há encontros às nove da manhã à borla”, disse com humor, referindo-se à hora para a qual estava marcada a cerimónia desta sexta-feira.

 

Vamos então ver as contas que fez o Senhor Primeiro-Ministro para celebrar tão bom negócio, e pelo qual até se disponibilizou para se levantar de madrugada. O Estado recebe sete milhões de euros para ceder um imóvel em Lisboa, com a área de 30.000 m2, pelo prazo de 50 anos. Se estão em causa 50 anos estamos a falar de 600 meses, pelo que se calculássemos isto em termos de renda teríamos a módica quantia de € 11.666,67 por mês. O preço locativo não corresponde assim sequer a um euro por metro quadrado, ficando-se pelos meros € 0,39. Quem é que consegue obter estes preços locativos em Lisboa? A Câmara, com certeza. E quem é o proprietário tão generoso que disponibiliza os seus imóveis, sem sequer receber €0,40 por metro quadrado? O Estado, com certeza. Não vale a pena por isso ninguém andar preocupado com as finanças públicas do país. Já se percebeu muito bem o que é que a casa gasta.

Autoria e outros dados (tags, etc)


12 comentários

Sem imagem de perfil

De M. S. a 18.06.2016 às 18:59

Senhor L. M. Leitão:
Tem toda a razão, sem nos debruçarmos sobre a viabilidade e a utilidade de tal projecto, fiquemos pela contabilidade.
Um péssimo negócio para o Estado central, um bom negócio para a CML.
Mas como a CML é parte do Estado, como um todo, o que se perde de um lado ganha-se do outro.
É evidente que este anúncio nada tem que ver com as eleições autárquicas de 2017.
Passemos a outro bom investimento para o Estado - este patrocinado pelo anterior governo - de que o senhor era apoiante: o Europarque de Vila da Feira.
Depois das loas tecidas à capacidade inovadora dos nossos empreendedores e à livre iniciativa privada, eis que aquele projecto-luz, qual guia para a restante Europa seguir, entra em insolvência.
Qual a solução: o Estado central entrou com 30 milhões de euros e ficou como dono da coisa.
Republique o seu post de crítica a este ruinoso negócio, pois eu já não me lembro muito bem dos termos em que formulou essa crítica.

Imagem de perfil

De Luís Menezes Leitão a 18.06.2016 às 22:16

"Como a CML é parte do Estado, como um todo, o que se perde de um lado ganha-se do outro". Gosto imenso desse argumento. Os restantes municípios do país devem andar imensamente satisfeitos com o carinho especial que o Estado tem pela Câmara de Lisboa.

Quanto ao Europarque, foi construído em 1995. Nessa altura, eu nem sequer escrevia em blogues. Que aliás só surgiram a partir de 1997.
Sem imagem de perfil

De M. S. a 18.06.2016 às 23:04

Boas desculpas... de quem não se consegue desculpar.
Eu falei de perda para o Estado, não falei de injustiça relativa neste negócio em relação às outras 307 câmaras.
E noutros negócios do género não serão outras beneficiadas?
Voltando ao Europarque, este faliu na vigência do anterior governo, de quem o senhor era apoiante, pois ele só fazia bons negócios e defendia, sempre, sempre, só o interesse público.
Foram-se 30 milhões em favor dos independentes empreendedores privados, que vociferam permanentemente contra a intromissão excessiva do Estado.
Pois...
(O seu odiozinho contra o Costa às vezes mete-o em bons sarilhos. É o senhor e o presidente do ACP, nunca vi tanta providência cautelar contra as decisões de gestão corrente de uma câmara como as do ACP, pagas também com o meu dinheiro de sócio.)

Sem imagem de perfil

De ariam a 18.06.2016 às 23:31

Estão a esquecer o mais importante, vão embelezar estradas, praças, arruamentos, dar uma mesquita e, talvez, tirar mais algum no IMI.
Este governo parece que tirou um curso de ilusionismo, mais especificamente, Cartomagia. Mas isso já sabiam os Lisboetas, quando ele estava na CML, transferiu um imposto para a conta da água e criou outro exatamente igual, para substituir o que foi transferido e para pagar, exatamente, na mesma altura do outro. Confuso? Sim! mas eficiente a dobrar impostos.

Olhem bem para esta carta porque, com a outra mão, tiram outra e, se não pagamos de um lado, pagamos do outro e ainda ficamos a pensar que recebemos e acabamos por pagar a dobrar ou será que ainda não sentiram nada? Aumentou o imposto no combustível mas pagamos mais noutros produtos essenciais como na comida porque, nada vai a pé para as bancas do supermercado. Pagando mais nas batatas e nos feijões, o Estado recebe mais iva...
Só me fica a dúvida, andam tão sorridentes... rir porquê, do quê ou de quem?
Sem imagem de perfil

De M. S. a 19.06.2016 às 12:57

Senhor ariam:
Se calhar riem-se dos cegos do olho direito como o senhor.
Não tem nada a dizer sobre os 30 milhões que o seu governo (anterior a este) gastou na nacionalização daquele elefante branco do Europarque de Santa Maria da Feira?
Criado pelos inovadores empresários que estão sempre a falar mal do Estado, excepto quando precisam da sua teta para a mama do costume.
Fale então do hipotético aumento do IMI da CML, que é dos mais baixos do país (a par de outras 136 das 308 câmaras).
E que baixou sempre desde que o horrível Costa tomou de assalto a CML (em 2007 era 0,40), dado que esta câmara era muito apetecível, pois os anteriores (Santana Lopes e Carmona Rodrigues) deixaram os cofres repletos (de dívidas).
Desde 2012 que é o mínimo possível: 0,30.
Portanto, fale desse aumento que sempre convencerá alguns pacóvios.
Ou então da outra vossa diversão, a taxa turística de 1 euro para estrangeiros, independentemente do número de dias que vierem a Portugal.
O ano passado paguei 1 euro por quarto e por noite em Bruxelas.
Este ano 8,20 por uma noite em Haia.
Fale do aumento do IMI e da taxa turística.
E esqueça os europarques do seu anterior governo.
Se quiser um bom oftalmologista eu indico-lhe um.




Sem imagem de perfil

De ariam a 21.06.2016 às 10:12

Deduzo que não deve ter lido, outros, dos meus comentários porque, se calhar, até ando a ver "mais do que devia".
Não tenho partido político, o que traz muitas desvantagens, por exemplo, ainda estou à espera que saia um comentário que postei aqui, noutro autor, com verdades "inconvenientes" que deve ser daquele Partido que me está a atribuir mas, pode ler alguns, entre muitos, por exemplo no do Pedro Correia "Navegar é preciso" 16.06.2016 ou ver um vídeo de G.Edward Griffin com o qual concordo a 100%, portanto, não sendo colectivista, não posso ser globalista, nem de esquerda nem de direita porque, ao contrário do que muitos pensam, há mais escolhas possíveis, só que, no cabaz, "a fruta" que nos dão a escolher e, aquela que eu, verdadeiramente queria, nem sequer lá está.

Sermos livres e podermos escolher, realmente, como viver a nossa própria vida (desta maneira, até poderia formar o seu grupo e viver à sua maneira, debaixo das ordens do Costa, o Jerónimo juntava o grupo dele e viviam à maneira deles e, assim sucessivamente porque, para termos verdadeiro poder e liberdade de escolha, só pode existir na proximidade, localmente, nunca longe, algures) porque, isto, de uma maneira soft ou menos soft, o Estado poder dar e tirar direitos, regalias ou benesses, conforme lhe apeteça, acaba tudo por ser o mesmo. A m**** é a mesma, só mudam as moscas ;)

No mínimo, preferia ter nascido na Suíça, onde o Estado só gere e tem que fazer referendos para quase tudo e, será por isso, que a qualidade de vida dos cidadãos é muito diferente, daqueles que entregaram a sua soberania a Bruxelas, onde votamos para Deputados do Parlamento Europeu que não podem propor ou vetar Leis ou seja, os de cá, sejam eles quais forem, há muito que já venderam o que restava da nossa Democracia. Entrámos para a "algibeira" da elite do 1% que já tem mais de 70% das riquezas do Planeta Terra e que, definitivamente, as quer controlar todas, incluindo transformar-nos, a todos, em "rebanhos" das suas quintarolas e, naturalmente, alguns estarão prontos a ajudar e a serem seus servos, só para ter direito, a mais um bocadinho de "ração".

Quem está farto de ver "cegos" sou eu. Os espíritos livres, cada vez sofrem mais nesta, cada vez maior, concentração de Poder, Totalitário, policial, asfixiante até a nível mental, onde a privacidade acabará, juntamente com tudo o que implique, uma verdadeira liberdade de escolha e, com a ajuda da tecnologia (que muitos nem imaginam os seus avanços), passaremos, literalmente, a viver numa prisão, física e mental. Aliás, a grande maioria, nasce e morre, sem nunca se aperceber de que nunca passou de mero escravo. Quanto ao Futuro e, por este caminho, será um novo feudalismo tecnológico e este, pode mesmo tornar-se eterno, não se pode matar o Ditador nem fazer revoluções e, virtualmente, podem fazê-lo "desaparecer do mapa" e, infelizmente, será o que deixaremos às futuras gerações, uma escravatura eterna. (Aqui, há quem não acredite mas, se reparar, num mundo ainda com papeis, o problema que dá provar o contrário, para aquelas pessoas que, por mero engano, são dadas como falecidas, agora imagine, num mundo tecnológico, sem papeis, o que acontecerá a quem se atrever a pôr em causa o Sistema, deixa de ter acesso, ao dinheiro, quem sabe, se até à sua dose de comida. Somos dos poucos animais nesta Terra que, na posse de determinados dados, somos capazes de fazer previsões futuras e, a maior cegueira é, por vontade própria, enfiar a cabeça na areia)

E, já agora, não me queira carimbar de anarquista ou outras tolices, não gosto de pertencer a "caixas", "caixinhas" ou "caixotes". Seja por medo, ignorância ou ingenuidade, muitos acabam por saltar de "caixa" em "caixa" sem nunca mudar nada, apenas passar de mal a pior.
Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=jAdu0N1-tvU
G. Edward Griffin - The Collectivist Conspiracy
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.06.2016 às 03:12

É pena não se ter preocupado com as finanças públicas, com as
Privatizações e vendas de tudo que era público, pelo anterior governo. Nessa altura, para si, tudo rolava às mil maravilhas quando tudo era destruído. Isto de se estar sempre a maldizer dos outros e não reparar nos erros dos nossos, é obra!...
Sem imagem de perfil

De Fernando S a 19.06.2016 às 18:54

"É pena não se ter preocupado com as finanças públicas, com as
Privatizações e vendas de tudo que era público, pelo anterior governo."

Privatizar é melhorar as finanças publicas : mais receita extraordinária e menos despesa corrente !!
Sem imagem de perfil

De M. S. a 20.06.2016 às 09:29

Pois.
As empresas privadas nunca deram prejuízo ao Estado: BPN; BPP; BES; BANIF, etc., etc., etc.
E as públicas nunca deram lucro: p. ex. CTT.
Em que galáxia vive?
Na galáxia do puro preconceito ideológico?


Sem imagem de perfil

De Fernando S a 20.06.2016 às 14:53

Algumas poucas empresas privadas custaram dinheiro aos contribuintes porque os governantes da altura decidiram intervir na vida dessas empresas.
Antes e/ou depois.
De um modo geral, não o deviam ter feito.
De qualquer modo, aquilo que essas e outras empresas terão custado indevidamente aos contribuintes está a anos luz do custo acumulado excessivo do aparelho do Estado e das empresas publicas (mesmo descontando os "lucros" excepcionais e escassos de uma ou outra destas, normalmente resultantes de situações de monopólio ou quase).
Não há sequer termo de comparação.
O que se trata é portanto de reduzir todos estes custos indevidos e injustificados privatizando o que pode e deve ser privatizado e limitando ao máximo as intervenções estatais nas empresas privadas.
Ideologia é procurar mistificar e inverter factos conhecidos de todos !!
(Não vivo certamente na "galáxia" da falta de respeito e da intimidação !)
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 21.06.2016 às 18:39

Empresa Publica é ser escravo accionista. É algo que só existe pela violência.
Sem imagem de perfil

De Cristiano a 31.12.2016 às 22:04

Caro Luís,

Realmente o Estado deveria ser exemplo no assunto gestão de finanças. No entanto, os governantes fazem questão de mostrar o contrário.

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D