Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As vitórias efémeras de Santana

por João Pedro Pimenta, em 13.01.18

 

Não sou militante do PSD, mas quero sempre que para a liderança dos partidos vençam os melhores e, sinceramente, já tarda uma oposição eficaz ao actual (esquema de) Governo, e o CDS não basta, por mais que Assunção Cristas se esforce - com algum êxito. Por vezes Catarina e Jerónimo tentam preencher a vaga, mas é raro aventurarem-se em grandes indignações.

 

Vivi bastantes anos sob os mandatos de Rui Rio e pude ver os seus sucessos e os seus fracassos. É um homem rigoroso, minucioso com as contas, pouco influenciado por grupos de pressão e ameaças (lembram-se da manif dos Super Dragões?) e teimoso, para o bem e para o mal. Como pontos negativos é autoritário, tem uma visão limitada e demasiado genérica sobre diversos assuntos, como a justiça, e uma péssima relação com a comunicação social. Não parece ser a escolha ideal para líder da oposição e para primeiro-ministro, embora pudesse fazer um papel competente como ministro das finanças ou da administração interna. Ainda assim, prefiro alguém com as suas limitações mas com rigor e organização do que um viciado nas disputas políticas como Santana Lopes, que por onde passou deixou as finanças em pantanas, e que nem quando já tinha atingido finalmente uma aura de credibilidade "senatorial" resiste a vir disputar pela enésima vez a liderança do partido - que já teve, com o êxito que se viu - com uma leviandade que já se pensava ser coisa do passado.

 

E neste combate pela presidência do PSD, nestas tricas, acusações várias e respectivos desmentidos, tenho ouvido por mais do que uma vez que Santana é um "vencedor". Os únicos triunfos que lhe conheço são os das vitórias autárquicas na Figueira e em Lisboa. É sobretudo esta que os seus apoiantes recordam, com razão, porque vencer uma coligação entre o PS e o PCP com um presidente no cargo cujo mandato não tinha desagradado à população, e apenas com o PSD (e simbolicamente o PPM), era uma tarefa hercúlea. Mas as vitórias de Santana acabaram aí. E vale a pena lembrar que já depois de ter oferecido a maioria absoluta a Sócrates seria de novo candidato em 2009 à câmara de Lisboa, desta vez à frente de uma coligação que juntava PSD e CDS, e perdeu com o PS de António Costa apoiado pelo grupo de Helena Roseta.

É este o pormenor que merece ser apontado: caso ganhe a presidência do PSD, Santana terá pela frente não João Soares mas António Costa, o que significa que a conquista de 2001 perdeu a validade. Já agora, é bom lembrar que Rui Rio cometeu uma proeza semelhante, ao conquistar o Porto nessas mesmas eleições (que ditaram a demissão de Guterres) a um PS de Fernando Gomes considerado absolutamente imbatível. Rio manteve-se na câmara por três mandatos, crescendo sempre nas sucessivas eleições que disputou, sempre com uma coligação PSD/CDS. Fica a nota para quem se apoia demasiado em actos eleitorais que já lá vão. Até porque os votos não são dos candidatos, são dos eleitores, e eles podem mudar o seu sentido sempre que tiverem oportunidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)


16 comentários

Perfil Facebook

De Rão Arques a 13.01.2018 às 07:47

"Santana rejeita ser PS-2 e diz que Costa está a “acender uma velinha” para Rio ganhar".
Acha que sobrou uma quando Costa esgotou a cera em velinhas para Santana.
Sem imagem de perfil

De Beatriz Santos a 13.01.2018 às 09:13

Esperemos só mais um bocadinho.
Sem imagem de perfil

De Vento a 13.01.2018 às 13:11

Creio que um dos erros que os comentadores cometem em torno desta campanha interna do PSD é sobrevalorizarem a importância de Costa. António Costa não é a nação nem a nação é Costa.
Estou em crer que o aspecto substantivo a realçar nesta campanha do PSD, e que deverá influenciar a postura nacional, consiste no facto de serem dois sessentões a mostrar que a renovação é possível ser feita nestas idades. É precisamente a experiência de ambos e a capacidade de se auto-regenararem que deve ser colocada na mouche.

O PSD, juntamente com o CDS, ao longo destes últimos anos deu provas de ser um movimento de meninos e meninas. E muitas vezes causador de ódios e ressentimentos que congregaram a nação a aceitar uma solução que, não sendo a melhor, era a necessária para imprimir uma viragem no statu quo.
Neste aspecto a nação deve a Costa a capacidade de imprimir esta mudança. Agora é a vez de Santana; e espero que Rio seja capaz de aceitar um cargo no futuro governo de Santana.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 13.01.2018 às 14:50

Um recado para o trambolho do rato.
Você não prefere coisa nenhuma em casa alheia.
Devia ter-se inscrito para poder ir votar.
Deixe-me rir, quanto a blocos enquanto lhe amparar a loja vá espreitando na sombra da sua mão esquerda.
Sem imagem de perfil

De Vento a 13.01.2018 às 19:13

Na sua casa não prefiro nada. Governe-se.
Pode rir-se à vontade. Pois não vai ser o seu riso que me fará chorar. A minha mão esquerda nunca sabe o que faz a direita. Mas sei bem o que fez essa dita direita que tem andado muita torta. A minha capacidade de voto é natural. Ela não me foi atribuída por inscrições. Os clubes são para os que não sabem nadar em mar aberto.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 13.01.2018 às 22:42

Convém esclarecer que o meu escrito não se dirigia em tom critico ao De Vento mas a António Costa (trambolho do rato).
As minhas desculpas pela pouca clareza que utilizei na identificação do destinatário a que pretendi referir-me.
Sem imagem de perfil

De Vento a 14.01.2018 às 09:31

Grato pelo esclarecimento. Bem Haja.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 14.01.2018 às 03:31

Agora que Rio ganhou a Santana, podemos observar que a sua lista não era propriamente de "meninos e meninas" (até a JSD apoiava mais Santana, o que não espanta). Mas a maior crítica feita nesta eleição era precisamente a de que não havia malta mais nova a apresentar-se a votos.
Sem imagem de perfil

De Vento a 14.01.2018 às 09:25

Os meninos e meninas mantenho. Pois eram eles e elas que passavam a vida com o papão da troika na boca. Quem não é capaz de governar sem ser "bom aluno" vai para um banco de escola e não para um governo ou parlamento. Não se representa um povo ao sabor de caprichos de terceiros.

Quanto à vitória de Rio, está aberto o crescimento do CDS; e o PSD mirrará com a volta do suposto baronato.

O PS tem alternativas: António José Seguro. O PSD ficou sem elas.

Mais ainda, Rio fez campanha por Costa e a favor de Costa. O PSD passou a ser um não sei quê.
Perfil Facebook

De Carlos Alberto Ilharco a 13.01.2018 às 16:33

Não sou militante.
Santana em Lisboa realizou contra tudo e todos duas obras estruturantes, o Túnel do Marquês e o fecho dos bairros históricos à circulação caótica.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 14.01.2018 às 03:28

Então agora imagine Rui Rio: teve contra ele as outras forças políticas da cidade, Luís Filipe Menezes e parte da distrital do PSD (a que tem mais militantes a nível nacional), clubes de futebol (e respectivas claques a manifestar-se em frente à câmara), os "agentes culturais", etc. Curiosamente os eleitores deram-lhe sempre mais votos a cada eleição.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 14.01.2018 às 07:33

Inteligentemente deram-lhe sempre mais votos, diria eu.
Perfil Facebook

De Carlos Alberto Ilharco a 14.01.2018 às 14:14

Não conheço o Porto, aliás mal conheço Portugal, mas ouço dizer que Rio ganhou porque do outro lado estava o Homem do Capachinho a quem nunca perdoaram ter-se vendido a Lisboa.
Parece que as francesinhas têm muita força.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.01.2018 às 22:23

Sim, pode-se considerar mais uma derrota de Fernando Gomes. Não é tanto por "vender-se a Lisboa" (depois disso vendeu-se à Galp, por exemplo), mas de querer voltar como se o Porto fosse uma coutada própria. Descobriu que não era da pior maneira possível.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 13.01.2018 às 19:00

Assim é que é bonito, amor total a Costa.Nem a palavra cumpriu saindo da Câmara. Mais, no último ano a conta da água aumentou 50%. E assim irá fazer. Basta olhar apenas para os combustíveis.
Pois, com tanto amor até se esquecem de 110 mortos.
Imagem de perfil

De João Pedro Pimenta a 14.01.2018 às 03:29

Onde é que está o "amor total a Costa"? A mulher ou os filhos dele comentaram alguma coisa por aqui?

Comentar post



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D