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As portas do Inferno

por Alexandre Guerra, em 06.12.17

Conheço relativamente bem Israel e a Palestina. Estive lá por duas temporadas durante a intifada de al-Aqsa, numa altura em que turistas ou peregrinos não se atreviam ir à Terra Santa. Numa altura em que Jerusalém era a cidade com mais correspondentes a seguir a Washington, numa altura em que os atentados suicidas eram uma constante nas principais cidades israelitas. No lado palestiniano, os check points das Forças de Segurança Israelitas (IDF) eram cada vez mais intrusivos, os ataques aéreos sucediam-se, a construção de colonatos judeus avançava de forma intensa, os palestinianos deixaram de poder circular em Israel, nomeadamente entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. O Hamas e a Jihad Islâmica afirmavam-se, tal como as milíciasTanzim, uma espécie de braço terrorista da Fatah, liderada entāo por Yasser Arafat. O clima que se vivia foi dos mais violentos e sufocantes desde a última guerra israelo-árabe. A maior parte das infraestruturas palestinianas ficou reduzida a entulho. Na Faixa de Gaza, fosse na cidade de Gaza ou em Rafa, no sul, vi escombros sobre escombros, o porto e o aeroporto totalmente destruídos, projectos que tinham sido financiados pela UE. Israel também sofreu na sua economia, no seu turismo, na sua imagem internacional. Entre 2000 e 2005, terão morrido mais de 3000 palestinianos e cerca de 1000 israelitas. A violência tinha voltado a assolar aquela região e tudo porque Ariel Sharon, na altura líder do Likud na oposição, decidira fazer uma visita aparatosa, em jeito de provocação, à Esplanada das Mesquitas, um dos locais mais sagrados para os muçulmanos. Agora, é só imaginar o que poderá novamente acontecer com esta decisão de Donald Trump. O Hamas já veio dizer que se abriram as "portas do Inferno" e sobre isso não tenho qualquer dúvida.

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5 comentários

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De Vento a 06.12.2017 às 20:54

Estou convencido que essa opinião de Trump, a de que "Jerusalém é obviamente a capital de Israel", não passa de uma manobra para tentar dissipar a declaração que o Presidente russo, Vladimir Putin, faria. O anúncio da derrota total das forças do EI na Síria. Esta vitória, que ocorreu com a destruição das posições dos ditos jihadistas e a ocupação desses locais nas margens do Eufrates, deve abrir os olhos a Trump e a Israel.

Há alguns dias falava com um palestiniano cristão que me dava conta da popularidade que Putin tem naquela região, e em particular junto dos cristãos. Foi necessária a conversão da Rússia, prognosticada em Fátima, para conhecermos os rostos dos cristãos empenhados numa solução para todos na região do oriente médio.

Israel certamente não embandeirará em arco com este disparate de Trump, pois sabe que as condições na região hoje não são as mesmas das do tempo de Sharon. E também sabe que perdeu influência com a entrada da Rússia em cena. Cautelas e caldos de galinha não fazem mal a ninguém.
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De lucklucky a 07.12.2017 às 22:50

A Rússia já reconheceu Jerusalém como capital de Israel.
E Putin - e o Exército Russo -tem boas relações com o Exército Israelita.

Israel fez vários ataques na Síria contra o Heezbolah/Regime com a conivência e cooperação Russa.

Mas claro não espero que o saiba com base no jornalismo de referência "fake news" e quando não de má qualidade que temos.
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De Vento a 09.12.2017 às 13:18

A nota do MNE da Rússia diz também o seguinte:
"Reafirmamos nosso compromisso com os princípios aprovados pela ONU para um acordo palestino-israelense, que inclui o estatuto de Jerusalém Oriental como a capital do futuro Estado Palestiniano. Ao mesmo tempo devemos declarar que, neste contexto, vemos Jerusalém Ocidental como a capital de Israel.".
https://www.youtube.com/watch?v=1Gbu5eEmkQA

As meias verdades são piores que mentiras. Penso ser esta a estratégia das fake news.
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De Anónimo a 06.12.2017 às 22:09

Somam-se declarações públicas dos muitos, mais ou menos, envolvidos neste gesto da presente administração dos EUA.
Claro que os responsáveis do mundo islâmico falando para as suas plateias, ubi e orbi, não poderiam ter outro discurso senão o que tiveram.
Óbvias também são as afirmações públicas de Macron e May, ambos com vastas comunidades islâmcias dentro das suas fronteiras.

Mas em privado quais serão os comentários e os gestos a cumprir ?.
Será que na prática alguém vai mexer mais do que uma palha verbal pela causa de um País que nunca existiu?. Sobre uma "Palestina" e/ou uma "Catalunha" coerência verbal, e gestos a condizer, serão espetáculo digno de se ver.
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De lucklucky a 07.12.2017 às 22:39

Tivemos a habitual manipulação do jornalismo de cultura marxista.
Então a culpa foi de Ariel Sharon...

Um atentado Muçulmano na Europa dá direito a quantas Intifadas contra Muçulmanos segundo o autor?

E cuspir/urinar numa Igreja?
E queimar uma Bandeira de um pais ocidental?

Ou isso já não são "provocações" ?
Já não dão direito a Intifadas?

Claro que não, na cultura Marxista que autor profere temos a compreensão com Intifadas por anti-ocidentais mas fosse ao contrário e tivessemos um Intifada após uma "provocação" ou atentado o autor só falaria do "aproveitamento" pela Extrema Direita.
Ou seja apoia a Extrema Direita quando esta não é "branca".

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