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As jihads

por Diogo Noivo, em 20.07.16

JihadvsIslamEurope.jpg

 

Assistimos quase diariamente a indivíduos que se dizem muçulmanos evocar conceitos e práticas do Islão para cometer ou justificar atrocidades indizíveis. Esta atitude, para além de merecer um repúdio sem paliativos, deve convidar-nos a um esforço de escrutínio pois só compreendendo a ameaça poderemos encontrar formas para a eliminar. Vejamos os exemplos da jihad e do suicídio, práticas que o terrorismo contemporâneo colocou sob o foco da atenção mediática – e que, curiosamente, tanto os terroristas como os detractores do Islão vêem como dogmas religiosos.

 

Ao contrário da convicção comum, a palavra jihad é pré-islâmica. No idioma árabe moderno, esta palavra abrange um amplo espectro semântico, que vai da «luta de classes» ao conflito clássico entre o que é novo e o que é antigo. No Corão e nas demais fontes religiosas, a jihad assume duas formas: a jihad maior (jihad al-akbar) e a jihad menor (jihad al-ashgar). A jihad maior consiste no esforço reflexão e auto-crítica que qualquer crente deve empreender com vista a tornar-se um melhor muçulmano. Por sua vez, na jihad menor cabe a conversão dos não-crentes – o esforço de proselitismo comum à generalidade das religiões – e a defesa da comunidade muçulmana face a uma agressão externa. A importância de cada uma destas duas facetas da jihad, bem como a maneira como foram interpretadas, variou enormemente ao longo da História em função do contexto político vivido e consoante a região em causa. Assim, aquilo que os extremos (islâmicos e anti-islâmicos) dizem ser um dogma indeclinável é na verdade um conceito heterodoxo bastante sensível à vida social e política em cada momento.

 

Tal como a jihad, o suicídio está longe de ser consensual na doutrina e na jurisprudência islâmica. O historiador Bernard Lewis afirma não existir qualquer fundamento doutrinário ou legal no Islão que valide os autores morais e materiais dos atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos da América. A opinião de Lewis é especialmente interessante pois, para além de ser um dos mais conceituados estudiosos do mundo islâmico (e, na minha modesta opinião, um dos melhores), foi ele quem cunhou a ideia de «choque das civilizações», mais tarde desenvolvida e popularizada por Samuel Huntington. Lewis, que confere à História e à tradição um peso substancial na observação do mundo árabe, e por isso é frequentemente acusado de ser partidário da "excepção árabe"*, demonstra que, de acordo com os cânones do Islão, a violência contra mulheres e crianças é expressamente proibida. Por outro lado, refere Lewis, o suicídio é um pecado punido com a condenação eterna do pecador à repetição incessante do seu acto. Assim, e sendo muito resumido, de acordo com Bernard Lewis este e outros atentados, para além de crimes hediondos, são também actos de blasfémia do ponto de vista islâmico, já que os suicídios e a violência são perpetrados em nome de Alá.

 

As evocações religiosas apresentadas por jihadistas para legitimar o terror em nome de Alá têm objectivos essencialmente políticos e resultam de uma leitura deturpada e sectária do Islão (motivada por ignorância ou por oportunismo), o que faz desta religião uma espécie de teste de Rorschach: a interpretação diz-nos mais sobre o intérprete do que propriamente sobre aquilo que é interpretado.

 

 * Por vezes designada “casulo árabe” ou “maleita árabe”. Segundo esta linha de argumentação, os antecedentes históricos do povo árabe e a herança doutrinária do Islão impedem o aparecimento de formas de governo democráticas. Por outras palavras, há um atavismo no espaço geo-linguístico composto pelo Norte de África e pelo Médio Oriente que é contrário às liberdades individuais e à participação política dos cidadãos.

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51 comentários

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De tric.Lebanon a 20.07.2016 às 11:07

há quantos séculos a Europa não assistia a uma ofensiva islâmica tão generalizada no seu território!!??? a lengalenga do Islão bom e Islão mau não existe! basta ver o que se passa no Levante! então no Líbano, o Islão está a perseguir politicamente a Cristandade! no Líbano!!!??? depois de tudo o que se está a passar no Levante com a cristandade... e se perseguem a Cristandade no Líbano, então... essas histórias contadas pelo Bernard Lewis são histórias da carochinha...ainda para mais quando toda a gente quem é que anda a financiar o Jihadismo Waahbista...A Al-qaeda está a ganhar em toda a linha...
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De tric.Lebanon a 20.07.2016 às 11:31

mas é bem feito... a Europa "Civilizada" apoiou a destruição do único Império criado para combater o avanço Islâmico a nível planetário...quem semeia ventos, colhe tempestades...
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De Peregrino a Meca a 20.07.2016 às 12:53

E que imperio foi esse? O reino de Pelayo? ou o sacro imperio germano? ou o imperio bizantino? Estou um pouco perdido...
Ah, já sei! o imperio colonial português, quem mais? Levando a palavro do Senhor aos infieis, quer queiram quer não.
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De tric.Lebanon a 20.07.2016 às 16:53

Londres já tem Meca a liderar a Capital...Berlim já se pode afirmar que capitulou para os Otomanos...Bruxelas, essa nem vale a pena falar...a Catalunha é financiada por Mecca...Paris é refem de Mecca...então no norte da Europa ficou provado que os Judeus só fazem porcaria e depois são vitimas!!!...e isto tudo aconteceu no espaço de 50 anos...
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De tric.Lebanon a 20.07.2016 às 21:08

X-files!!!???...Meca-files...
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De Miguel Madeira a 20.07.2016 às 16:56

Está? A mim parece-me que o que neste momento se passa no Líbano (não confundir com os anos 70/80) é xiitas de um lado, sunitas do outro, e os cristãos e druzos no meio (não muçulmanos contra cristãos).
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De tric.Lebanon a 20.07.2016 às 20:51

não!!!?? veja o que aconteceu após o acordo entre o General Aoun e o Geagea, os dois representam quase 90% dos cristãos no Libano, em que Geagea abdica da candidatura a favor do grande General Cristão, Aoun...e a Presidência no Libano pertence aos Cristãos!! mas enfim, Israel-Mecca-Irão não querem no Libano um presidente Cristão forte naquela região ainda para mais num tempo de perseguição à cristandade...o Islão e a Comunidade Internacional( = representantes dos Judeus no Libano) o que estão a fazer à comunidade Cristã é um acto terrorista!!!
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De Miguel Madeira a 21.07.2016 às 16:32

"veja o que aconteceu após o acordo entre o General Aoun e o Geagea"

E o que é que aconteceu?
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De lucklucky a 21.07.2016 às 00:38

O que se passa no Líbano é os grupos políticos Cristãos a pagarem a dizima - apoio político - ao Xiitas do Heezbollah financiados pelo Irão dos Ayatollah e pela droga e pessoas traficadas do vale de Bekaa para não serem atacados. Enquanto os Sunitas são financiados pelos Sauditas.

E para se saber quem tem mais força é ver o que diz Walid Jumblatt o líder druzo.
Quando Bush estava no Iraque e a combater estava todo do lado Ocidental, quando os Jornalistas, França, Alemanha especialmente e os democratas Americanos começaram a sabotar a operação mudou de lado.
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De Miguel Madeira a 21.07.2016 às 16:28

Com "lado ocidental" refere-se aos sunitas?
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De tric.Lebanon a 21.07.2016 às 17:19

"O que se passa no Líbano é os grupos políticos Cristãos a pagarem a dizima - apoio político - ao Xiitas do Heezbollah financiados pelo Irão dos Ayatollah e pela droga e pessoas traficadas do vale de Bekaa para não serem atacados. "
.
grupos politicos!!!??? não diga asneiras...é certo que os Judeus não querem um Presidente Cristão forte no Libano...e nisso tem o apoio dos Meccas!!! após o acordo histórico entre a Cristandade Libanesa, do qual Geagea abdicou a favor de Aoun, viu-se quem é quem...Judeus enquanto não virem destruida a cristandade no Levante não descansam...
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De Miguel Madeira a 22.07.2016 às 10:23

Mas o que é que aconteceu no Líbano após o acordo Aoun-Geagea? Isto não é uma pergunta de retórica, estou mesmo a perguntar.
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De Don Bibas a 20.07.2016 às 13:02

As religiões serviram e servem os interesses das classes dominantes e assim os interesses económicos que elas querem proteger ou conquistar. Todas as guerras são e foram guerras por interesses económicos, onde os fabricados e falsos conflitos religiosos serviam e servem de
camuflagem.(Ver, entre outros, o livro de Noam Chomsky „Year 501 .The Conquest Continues - Boston South End Press1993).
As assim chamadas „Cruzadas“ são o exemplo mais paradigmático do que foi uma pilhagem louca e desenfreada das riquezas do Médio Oriente com o apoio e proveito da Igreja Católica, ainda hoje uma das instituições mais ricas do mundo, que vive num luxo e ostentenção que não tem paralelo nem no „Paraíso Celeste“ que ela promete.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 14:38

Estragou tudo com a referência a Chomsky...
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De xico a 20.07.2016 às 16:06

"Cruzadas“ são o exemplo mais paradigmático do que foi uma pilhagem louca e desenfreada das riquezas do Médio Oriente"
Não sei que livros de História leu. As cruzadas foram a resposta à ocupação, invasão e ataque dos Turcos às possessões do Império Romano (Bizantino) e dos reinos Cristãos do Oriente. Nós não fomos os atacantes mas os defensores. Quanto à pilhagem louca que enriqueceu a Igreja Católica, saiba que no contexto das Cruzadas o Islão ganhou e o Cristianismo foi o grande perdedor!
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De Pedro Correia a 20.07.2016 às 21:06

Conseguimos ter um "pensador" nesta caixa de comentários a atribuir as culpas do terrorismo jiadista ao... cruzados cristãos da Idade Média.
Às vezes questiono-me se este "pensamento" ocidental não merece mesmo levar com jiadistas raivosos pela frente.
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De Diogo Noivo a 21.07.2016 às 15:22

m'espanto às vezes, outras m'avergonho...
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De Luís Lavoura a 20.07.2016 às 13:42

a palavra jihad é pré-islâmica

O Corão está escrito no dialeto árabe da Meca do tempo de Muhammad. Todas as palavras do Corão são palavras desse dialeto e portanto pré-islâmicas. Óbvio.

Um problema na interpretação moderna do Corão consiste precisamente em que ninguém sabe bem qual era o significado daquelas palavras naquele tempo. O árabe tem diferentes dialetos e, embora o dialeto da região de Meca continue mais ou menos a existir, o significado das palavras pode ter evoluído. É por isso que os estudiosos do Corão têm que perder não pouco tempo a tentar pelo menos entender o dialeto em que ele está escrito.
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De Luís Lavoura a 20.07.2016 às 13:48

O Diogo Noivo escreve neste post como se o Islão, em particular o Corão, fosse uma entidade com uma ideologia bem definida e coerente. Infelizmente, tal como outras religiões, não é. Há diferentes passagens do Corão que parecem querer dizer coisas opostas ou, pelo menos, diferentes. Tal como os noutras religiões, também os muçulmanos interpretam a sua religião de diferentes formas, dando mais ênfase a certas passagens do Corão e omitindo outras.
Por exemplo, em matéria de álcool, há três passagens no Corão que se lhe referem e, embora uma delas proíba o seu consumo, as outras duas apenas o desaconselham ou aconselham a moderação. A qual delas deve ser dada primazia é matéria que pode ser discutida.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 14:31

Tem a certeza que leu o texto, Luís?
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De Luís Lavoura a 20.07.2016 às 15:46

Li. Quando o Diogo escreve que as evocações religiosas apresentadas por jihadistas resultam de uma leitura deturpada do Islão, está a sugerir que o Islão tem uma leitura correta e que as restantes leituras são deturpadas. Isso não é, infelizmente, verdade. O Corão pode ser objeto de diversas leituras, umas moderadas outras fanáticas; e todas essas leituras encontram algum suporte nesse livro. É tudo questão de se saber a que passagens do Corão dar mais ênfase e de que forma resolver as contradições internas do livro (que, segundo a tradição islâmica, resulta de cerca de 20 anos de revelações feitas por Deus a Muhammad).
(O mesmo é verdade da Tora e da Bíblia, naturalmente.)
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De xico a 20.07.2016 às 13:49

O problema é que a exegese do Islão, ou de outra doutrina qualquer, para surtir efeito nas massas, não pode ser feita pelos não crentes, mas pelos crentes. Um não crente dizer que o Islão é paz enquanto o crente julga ser guerra, não tem qualquer resultado prático positivo para a paz. A exegese do Islão, infelizmente, vê-se pouco no mundo islâmico. A condenação veemente e enérgica das incorrectas interpretações do Islão. Veja-se, por exemplo, a ignorância do que sucedeu com grupos negros na América que se converteram ao Islão porque o Cristianismo tinha contemporizado com o colonialismo e a escravatura, esquecendo-se que na altura dessas conversões existia escravatura em muitos países muçulmanos e foram os países cristãos, o cristianismo e as encíclicas papais desde os séculos do início da colonização, a combater a escravatura. A ignorância tem sempre muitos mais adeptos.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 14:44

Não sei se se vê pouco. Vê-se. Coisa diferente é que tenha repercussão mediática e/ou seja abafada por hordas de dementes que propagam a violência.
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De JS a 20.07.2016 às 14:24

Simplesmente não existe islão moderado, por muito que semelhante desejo lavre nas mentes ditas bem pensantes.

Se o Ocidente não acordar, em breve será dominado pelo islão.

É tempo de enfrentar esta realidade.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 14:41

Rumemos a Viena!
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De Luís Lavoura a 20.07.2016 às 14:42

não existe islão moderado

Se frequentar os muçulmanos portugueses poderá perder essa ideia. São pessoas moderadas, razoáveis e vem integradas na sociedade já há decénios.
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De Costa a 20.07.2016 às 16:51

Apreciaria vê-los condenar pública, enérgica, visível, audível e inequivocamente (e não apenas balbuciar vagamente algumas fórmulas rituais fundamentalmente inócuas, sugerindo que se fazem coisas que o Islão não advoga ou até condena) o que em nome deles é feito. Uma demarcação pelo menos, digamos, vivaz.

Não o vejo nem ouço. Será medo de eventuais consequências num futuro que tomam como certo ainda no seu tempo? Temor perante gente que tem nessa comunidade considerável ascendente? Será rigor de fé para o qual os seus sê-lo-āo sempre, não importando a barbárie que professem e pratiquem?

Costa
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 18:04

Tem razão, caro Costa. Para além de justificada, essa condenação é uma parte importante de qualquer estratégia eficaz de combate ao jihadismo. Admito que não a veja, mas ela existe. Aliás, a foto que ilustra este post é precisamente de um acto público onde muçulmanos condenam o terrorismo islamista.
Dir-me-á que estas acções são pouco participadas e recebem pouca atenção. É verdade. Uma das razões pelas quais estas condenações são pouco audíveis prende-se com a hierarquia/clero - ou falta dela - no Islão. Não há entidade singular ou colectiva que possa falar em nome de todo o sunismo. O mesmo é válido para o xiismo. E, por maioria de razão. não há quem esteja mandatado para falar em nome de toda a comunidade de crentes no Islão. Porém, são vários os muçulmanos que mundo fora protestam contra o terrorismo. Desde logo, porque as principais vítimas do jihadismo são os muçulmanos.
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De Costa a 20.07.2016 às 18:43

Reportava-me, na verdade (não que isso altere decisivamente a opinião que tenho, apesar das suas palavras que naturalmente agradeço), ao caso dos muçulmanos portugueses, na sequência do escrito por L. Lavoura.

O Diogo Noivo invoca a informalidade hierárquica do Islão, sunita ou xiita, como obstáculo a tomadas de posição organizadas, visíveis, poderosas, dos muçulmanos não radicalizados. Essa informalidade, contudo, não impede o que se vê e ouve no Londonistão, por exemplo, perante o beneplácitos dos nossos valores (que quem sabe nos levarão ao fim). E outros "proto-califados " poderia aqui invocar. Será uma fraqueza estrutural unidireccional?

Costa

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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 19:11

Não o entendo como informalidade ou fraqueza estrutural. A diversidade cultural e religiosa que existe no Islão é o produto de séculos de evolução, de acordos e de conflitos, de interesses conjunturais e de guerras fratricidas. E a cada um desses ramos (ou tendências, ou escolas de pensamento, ou até seitas) correspondem visões do mundo que, embora tendo vários pontos de contacto, não se sobrepõem na totalidade. Esta diversidade reflecte-se em diferentes "ruas" islâmicas. Ainda assim, e ao contrário do que possa parecer, a condenação do jihadismo tem reunido um consenso invulgar entre estes diferentes ramos do Islão. Mas pelas razões que conhece e percebe, não há quem possa assumir a liderança deste movimento de condenação.
O que o caro Costa designa por Londonistão, um espaço tão audível como repugnante, é na verdade uma facção minoritária do Islão na Europa. Audível, violenta, extraordinariamente perigosa, mas minoritária. A meu ver, é importante que a mantenhamos assim. Para isso, creio ser imprescindível não confundir esse Londonistão com Islão.
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De Costa a 20.07.2016 às 20:18

De todo, não confundo. Mas a passividade do todo face a essa parte(seja, não tão passiva quanto isso, mas seguramente carecendo de demonstração mais convincente junto de quem, sem ter - nem lhe sendo isso minimamente exigível - conhecimentos aprofundados do presente e passado muçulmano, apenas vê a sua fé, a sua civilização, os seus valores tronitruantemente ameaçados, desprezados, por gente que vive a metros de si e impunemente colhe apoios do sistema que os seus impostos pagam; desde logo o direito a destilar taxativamente ódio por esse sistema, por essa ordem civilizacional e pelos seus cidadãos), passividade proporcional pelo menos, não augura nada de bom.

Mais que manter essa facção minoritária, acredito eu que há que decididamente a combater. E acredito que será do interesse dos que com ela, com ela nada tendo a ver, possam ser confundidos e injustamente arrolados como co-responsáveis (pelo silêncio, pelo menos) pelo ódio destilado em declarações e actos, claramente e pelo menos tão audivelmente demonstrar a sua repulsa.

Convinha alguma coragem, se de facto não partilham essas ideias de ódio e terror, por parte dessas comunidades. Decerto custaria umas vidas, entre elas, uma tal ousadia (pois está visto que seria, é, ousadia). É o mais certo. É cruel dizê-lo? É.

Mas as coisas são como são. E aos nossos (por impróprio que seja fazer tão básica partição), na nossa terra, já custaram muitas. E mais custarão.

Claramente estamos, o caro Diogo e eu, do mesmo lado. Nem isso se discutirá. Apenas me vai faltando, a mim e com muita pena, o esforço interpretativo, relativizante, que, sem desculpar o que não tem desculpa, procura enquadrar as coisas numa perspectiva maior e valorizar qualquer sinal positivo, ténue que seja. Perante o impune descalabro a que assistimos - e à prevalência do masoquismo da inteligência bem-pensante do mundo ocidental - é fácil resvalar para caminhos perigosos. Mas que em derradeira instância a autodefesa legitimará. Se não na mente dos académicos, na mente do cidadão comum.

Vai sendo tempo de - de uma forma absolutamente clara - quem não quer ser tomado por lobo lhe não vestir a pele. Mesmo que isso lhe imponha algum risco.

Costa
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De Luís Lavoura a 21.07.2016 às 14:23

Eu também apreciaria ver os católicos condenar energicamente e publicamente a proibição total (inclusivé em casos de malformação do feto ou risco de vida para a mãe) do aborto na América Latina E vê-los a condenar publicamente e energicamente a pedofilia instalada ou algumas barbaridades que se cometeram, por exemplo, em certos conventos na Irlanda.
E também gostaria de ver os judeus condenarem energicamente e publicamente as barbaridades que o estado de Israel vai cometendo por aí.
Mas não vejo. E compreendo: a culpa nunca é coletiva. Um muçulmano não tem culpa daquilo que um outro gajo qualquer, que por acaso também diz ser muçulmano, comete. A culpa é sempre de um indivíduo ou de uma organização: nunca é de uma religião no seu todo (a menos que essa religião se tenha tornado numa organização mafiosa, uma coisa que só ocasionalmente acontece).
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De Costa a 21.07.2016 às 17:47

O Luís Lavoura não consegue esconder a ânsia salivante de malhar no catolicismo (no cristianismo, na verdade). E bem assim em tudo o que remotamente cheire a judeu (já não é coisa de nazi, parece; é coisa de progressista). É inclinação muito comum e uma muito conveniente, simples e cristalina forma de explicar os males do mundo e apontar os seus autores.

Está muito bem, homem, ventile lá esses furores. Até porque pode fazê-lo. Experimentasse você questionar o islão e seus arautos, apontar-lhes vícios ou erros, lá onde eles imperam, e outra coisa decerto sucederia.

Sempre lhe direi que, muito que se aponte ao presente (ou passado recente) de uma e outra fé em que você se delicia em zurzir - fé ou acção secular de quem se proclama seguidor de uma ou outra -, sempre as pessoas têm quanto a elas o direito de publicamente rejeitar os seus preceitos sem incorrer por exemplo numa pacífica morte por lapidação, antecedida admissivelmente de umas suaves chicotadas ou amputação de um membro. Ou qualquer outra demonstração de um avançadíssimo estado civilizacional que cristãos e judeus bem deveriam sofregamente buscar.

Suponho em todo o caso que, do que escrevi acima, em momento algum resulta proclamada uma infalibilidade católica (ficando-me por este caso). Mas outra coisa também não faço: não lavo os actos de uns com a mera e expedita invocação, sem mais, dos actos de outros. Admito ter feito isso na infância (fi-lo, certamente), nas birras de recreio da escola primária, por causa de uma bola ou coisa parecida, ou nas pequenas patifarias domésticas que usualmente resultavam em louça partida ou coisa afim.

Mas entretanto, calcule o Lavoura, cresci.

Costa
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De JS a 20.07.2016 às 20:02

Caro Luis Lavoura, fica-lhe bem, é respeitável, pensar de essa forma. O problema é que os hoje individualmente "moderados", ou perderão a cabeça ou se acomodarão ao novo senhor da guerra.
Como muito bem sabe, exemplos desses não faltam ao longo da história e mesmo recentemente na Síria.

O Islão, ainda numa triste idade média, apenas anda a tirar proveito da ingenuidade demográfico-eleitoral do Ocidente e de uma classe política "Europeia" em pânico de auto-sobrevivência.

Infelizmente, para as próximas, nossas, gerações vindouras. Cordialmente, JS.


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De luclucky a 20.07.2016 às 14:28

Estamos onde estamos por causa destes textos. Só vos resta a mentira mais descarada.

A violência contra mulheres e crianças é expresamente permitida pelo Islão, podem ser capturadas e depois escravizadas e violadas e tornadas esposas contra vontade.

E nada impede no Islão de matar mulheres como a História do Islão demonstra.


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Ainda não vi nenhum texto do Delito pró refugiados a escreverem sobre o refugiado Afegão/Paquistanês Muçulmano que atacou dezenas à machadada.

Tivesso sido um grupelho de extrema direita e já estaria aqui. Como esteve e bem o pontapé da jornalista num refugiado.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 14:34

Este texto também é sobre o terrorista que atacou à machadada os passageiros de um comboio na Alemanha.
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De João André a 20.07.2016 às 14:43

Não te preocupes com estes comentários Diogo. Não seres imediatamente considerado pelo lucky como sendo de extrema esquerda e acusado enviezadamente das mortes às mãos de Estaline já é uma sorte.

Além disso o lucky gosta de ler os textos da forma que entende. Estou à espera da diatribe do costume no meu comentário.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 14:48

O meu liberalismo oferece-me inimigos em ambos os extremos, João. É algo que agradeço e que me serve de bússola.
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De João André a 20.07.2016 às 15:17

Algo que aplaudo Diogo. Desagradar a gregos e troianos (dos extremistas) é uma virtude. Também discordamos/discordaremos muitas vezes, mas já gosto da forma como abordas a maioria dos posts.

Verás no entanto que o lucky se auto-designa como liberal e tem umas visões algo distintas e, digamos, peculiares. Mas isto é opinião minha. Forma as tuas ao lê-lo (como sei que farás).
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De lucklucky a 21.07.2016 às 00:59

Está visto, ficou com saudades minhas, agora até já quer falar comigo.

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De lucklucky a 21.07.2016 às 00:54

É?

Qual a pena para uma mulher infiel segundo o Islão?

Qual a pena de apostasia para uma mulher segundo o Islão?


Tem mais senso ler os comentários num jornal paquistanês ou egipcio feitos na maioria por muçulmanos do que este texto. Pelo menos a realidade é minimamente respeitada.

Não é construida camadas e camadas de mentiras.
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De da Maia a 20.07.2016 às 15:28

O suicídio foi usado como estratégia militar, e agora que se comemoram 100 anos sobre a 1ª Guerra Mundial, parece inconveniente lembrar que a táctica principal dos generais da altura era justamente o avanço das tropas das trincheiras, de forma praticamente suicida.
O caso dos pilotos Kamikaze japoneses durante a 2ª Guerra Mundial, também é sobejamente conhecido.

Portanto, em tempo de guerra, a sociedade usou a ideia de que a vida individual vale pouco, se puder matar muitos inimigos.
Quando as coisas se invertem, é claro que se torna num problema grave da sociedade.
O assunto tem potencial de ser muito pior, e só não o será devido a crenças religiosas de que suicídio é pecado "mortal".

Em 2010, alegadamente por problemas com o IRS, Joseph Stack pilotou o seu avião contra a sede do IRS de Austin.
Foi um ataque terrorista, mas não foi islâmico, foi individual, contra o sistema.
Há múltiplos casos desses (inclusive em Portugal, lembro o caso de um militar que matou os colegas em parada).
Misturar uma coisa com outra é um completo erro.

Enquanto a sociedade mantiver processos que levam ao desespero individual, este tipo de acções desesperadas deve ser considerada, com razões diferentes, caso a caso.

O indivíduo ateu nada terá a temer no "outro mundo" sobre a ética do seu acto, ao contrário do indivíduo religioso, que teme um julgamento divino, e nesse sentido o ateu deveria ser considerado bastante mais perigoso.

A diferença principal é de contexto, e o indivíduo ateu não se vê em nenhuma cruzada para mudar a sociedade, normalmente sucumbe a ela, sem levar ninguém consigo.

O terrorismo islâmico usa o suicídio como contexto de guerra religiosa. Nesse sentido, não deve ser encarado como um acto individual, mas sim como um acto de um exército.
É um erro associar qualquer suicídio com motivações individuais a mais uma acção do exército islâmico, porque é simplesmente dar mais soldados à sua causa.

Ao governo francês terá interessado ver a ligação, mas isso só facilita a vida ao exército islâmico. Qualquer francês de origem árabe que tenha uma depressão, pode dar sentido à sua morte, enquadrando-a na jihad islamita, desde arraste mais alguém consigo. O Daesh abriu a porta a essa caixa de Pandora, e o governo francês terá assinado por baixo, para atenuar as responsabilidades na falta de segurança e prolongar o estado de emergência.

O problema das sociedades árabes é bastante mais complicado, porque surge de uma geoestratégia que favoreceu a manutenção de regimes praticamente feudais, como foi no caso da Arábia Saudita.
Não é só um problema religioso, houve humilhações e impotência, face à política ocidental, contrastando com a grandeza que tiveram no passado.

Enquanto eles não se virem numa posição de serem respeitados pelo Ocidente, vão vê-lo como "o problema", e não vão atacar as suas contradições internas.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 18:17

Concordo consigo, caro da Maia, quanto analisa o suicídio 'ofensivo' (por chamá-lo de alguma forma) fora do contexto religioso. Entre muitos outros aspectos, como refere no seu comentário e como vou escrevendo aqui no DELITO, importa perceber que muitos dos casos de 'lobos solitários' não passam de psicopatia.
O terrorismo é um problema grave, afecta profundamente o nosso modus vivendi, mas para o travar importa não alinhar em explicações que segmentem/balcanizem as sociedades onde vivemos.
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De JPT a 20.07.2016 às 19:34

Neste ponto, concordo em absoluto consigo (convosco): é muitíssimo deprimente ver o aproveitamento, simultâneo, deste tipo de associação, pelo ISIS (tudo serve para ganhar "créditos" na sua actividade terrorista), pelo Governo francês (pois é mais fácil justificar a sua colossal incompetência, se a atrocidade de Nice for obra de um "mastermind", do que se for de um maluco) e por vários blogues que frequento diariamente (e que se transformaram numa CMTV só para crimes praticados por muçulmanos, esperando por saber se o sujeito que atropelou a velhinha se chama Michel ou Mahmoud para saber se vão ou não fazer um post sobre o assunto).
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De da Maia a 20.07.2016 às 20:13

Exacto!
Quando foi agora do ataque na Alemanha, no início só noticiaram "um homem" com um machado... então disse para a minha mulher:
- Ora, o que interessa para o motivo, é só saber o nome dele!
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De lucklucky a 21.07.2016 às 01:11

Demasiado patético da Maia. Nem escapas à receita Marxista.

Não são os humilhados que põe bombas:

Não são as mulheres no Islão discriminadas e com um sistema policial e legal que funciona contra elas.
Não são os filipinos e africanos maltratados pelos Àrabes.
Não são as dezenas de povos que o nascimento do "Árabismo" apagou da história presente e subjugados que vêem os seus templos destruídos: os Assírios, os Yazidis, os Zororastas, os Coptas, os Druzos, etc etc...

Não são esses que colocam bombas.
Os Sufis muçulmanos também não andam a colocar bombas.

Quem coloca bombas é quem é apoiado pelo jornalismo ocidental desde à 40 anos. Quem coloca bombas é quem combate o Ocidente.


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De da Maia a 21.07.2016 às 20:31

Caro Mohamad LuckLucky,
entendo a estratégia de criar uma onda anti-islamita para justificar ainda mais acções terroristas.
Não creio que funcione.
Cumprimentos às tuas 4 esposas.
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De cristof a 20.07.2016 às 18:54

Sobre toda e qualquer das teorias (liberl, sucialista, estremista. radical..)encontro dezenas de interpretações e definições, algumas até contraditórias entre si; etiquetagem é uma ciência pouco exacta e a que acho pouca utilidade. Sociedades medievais como as que vão buscar conceitos com 1500 anos e as procuram utilizar e justificar hoje, é triste e mostra nenhuma inteligência.
Em termos de direitos, das crianças - com a autorizaçaõ das crianças serem industriadas em crenças antes do 14 anos, ou das mulheres, como os selvagens de certos regimes criminosos fazem, só merece a minha repulsa e desprezo.
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De Diogo Noivo a 20.07.2016 às 19:16

De acordo, caro cristof. Importa, no entanto, perceber que não falamos de sociedades medievais. Falamos sim de sociedades, várias, infiltradas por grupos cujas ideias são medievais. Grupos, aliás, cujas principais vítimas são os muçulmanos. Para organizações como a al-Qaeda ou o EI, a diversidade cultural e religiosa do Islão é o problema cimeiro. Por isso, as tendências medievais que bem identifica no seu comentário visam sobretudo impor uma homogeneidade cultural e religiosa que nunca existiu no espaço do Islão.

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