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As etiquetas partidárias

por Pedro Correia, em 17.02.17

 

Ouço por vezes falar em "ideologias" na política portuguesa. Há até uns sábios que se assumem como guardiães dos respectivos templos.

Mas que ideologias, afinal?

 

O CDS reivindicou-se sempre como partido "do centro". C de centro, aliás. Mas esteve sempre à direita do centro, contrariando aliás a vontade de um restrito núcleo dos seus fundadores.

O PCP só seria comunista se fosse um partido revolucionário. Mas é um partido institucionalista, com base social no funcionalismo público a nível nacional e local. Nada tem de revolucionário.

O PSD nunca foi social-democrata. Foi - e é - um partido liberal, conservador, com matizes populistas nas suas adjacências regionais.

O PS meteu o socialismo na gaveta ainda na década de 70. Teve sempre uma matriz dominante - a da social-democracia clássica, com erupções sociais-cristãs sobretudo no consulado de António Guterres.

O Bloco de Esquerda é vagamente "socialista" mas contemporizador com a UE capitalista, da qual não quer dissociar-se. Burguês até à medula, com representação residual junto dos segmentos mais pobres da sociedade. 

O PEV é tão ecologista como eu sou evangélico, xintoísta ou libertário. Eterna muleta do PCP, sempre foi muito mais vermelho que verde.

 

Esqueçamos portanto as etiquetas. Dizem-nos muito pouco ou quase nada dos partidos portugueses.

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62 comentários

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De JS a 16.02.2017 às 20:07

Pedro C. . Pode e deve haver partidos. Mas em democracia vota-se, primeiro, no seu candidato. Seja independente ou de um partido.

Depois, os vencedores, os escolhidos pelos eleitores, os seus representantes, reunem-se numa Assembleia, num Parlamento, de acordo com as suas cores.

Em Portugal, a AR está populada por representantes dos partidos, a defender os interesses ... dos partidos e dos "deputados".
É assim tão difícil perceber as consequências de tal sistema em Portugal?.
Ou Pedro C. também é partidocrata absolutamente simples, e gosta ?.
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De Pedro Correia a 16.02.2017 às 21:41

Partidocrata não sei o que é.
Democrata, sei.
E sei também que não existe democracia sem partidos políticos.
Sei igualmente que os países mais prósperos do mundo e que proporcionam melhores condições de vida aos seus habitantes são países onde vigoram democracias. Com partidos, claro.
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De Anónimo a 16.02.2017 às 22:18

A diferença é ter partidos, sim, populados por eleitos a fazerem política partidária, ou ter partidos, sim, cheios de yes man a bajularem o chefe do momento para
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De Pedro Correia a 16.02.2017 às 22:34

Populados ou copulados?
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De JS a 16.02.2017 às 22:23

A diferença é ter partidos, sim, populados por eleitos a fazerem política partidária, ou ter partidos, sim, cheios de yes man a bajularem o chefe do momento para conseguirem um lugarzito de pseudo deputado.
Dificil de perceber para quem aprendeu política com este PS, não é?.
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De Pedro Correia a 16.02.2017 às 22:35

Os partidos são essencialmente máquinas de caçar votos. Infelizmente, como dizia o Churchill, ainda não se inventou nada melhor.
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De Anónimo a 16.02.2017 às 23:47

Se o poder é obtido por votação, os partidos têm de ser máquinas de caçar votos. Não podia ser de outra maneira, salvo se o poder deixar de ser alcançado pelo voto da população.
Não se inventou nada melhor e, acrescento eu, nem se vai inventar pelo menos nos tempos mais próximos. Portanto ponham lá este meu aditamento à frase de Churchill.
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De Pedro Correia a 16.02.2017 às 23:47

É um aditamento pertinente, sem qualquer dúvida.
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De JS a 17.02.2017 às 00:29

Pedro Correia ou não percebeu a diferença entre os dois tipos de partidos, ou ...
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De Pedro Correia a 17.02.2017 às 07:35

Meu caro, ou os partidos se mantêm fiéis à "pureza ideológica", seja lá o que isso for, ou se tornam "bacteriologicamente impuros" na compreensível tentativa de recolher votos junto de uma população para a qual a ideologia só pesará em cerca de 10% do total das opções na hora de fazer escolhas políticas.
Partido puro nessa perspectiva, por exemplo, é o MRPP: concorre há mais de 40 anos às eleições sem nunca ter eleito um deputado.
No sentido oposto, quer partido mais "impuro" do que o BE, que reúne uma importante facção trotsquista e outra que bebeu do estalinismo como fonte e consegue congregá-las sob o mesmo tecto partidário, com um certo radicalismo urbano chique a servir-lhe de emblema? Ou isso acontecia ou jamais descolaria das votações de um MRPP.
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De Einzeturzende Neubaten a 17.02.2017 às 09:02

Na evolução de um partido, como de qualquer organismo, pode haver uma coerência. Uma direcção. O paradoxo é que as evoluções partidárias, como do PSD de PPC, e não só, foi como uma mutação. O partido em certo sentido foi como que rebaptizado no sentido de uma mudança de mentalidade, deixando por isso os mais coerentes, no sentido de núcleo ideológico, de fora. Conheço alguns sociais democratas de há 40 anos que deixaram de votar PSD. Quanto ao BE a sua coesão advém do inimigo comum e não de uma coerência ideológica, julgo eu
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De Pedro Correia a 18.02.2017 às 09:48

Esses "sociais democratas de há 40 anos" talvez ainda não tenham reparado que o mundo mudou imenso de 1977 para cá.
A social-democracia dos anos 70 nada tem a ver com a da segunda década do século XXI. Está aliás em regressão acelerada em toda a Europa. Nenhum grande país europeu, excepto França, é hoje governado por essa família política.
Por algum motivo será.
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De Einstürzende Neubauten a 18.02.2017 às 11:57

Gosto de acreditar que determinados valores são intemporais
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De V. a 17.02.2017 às 09:26

A grande maioria das pessoas que conheço não chegaram a um partido com um pensamento estruturado sobre a forma como o seu espaço ideológico se transforma em acção política. Nos melhores casos, adquiriram-no depois. A nossa dinâmica de voto é iminentemente de classe (primeiro familiar e depois profissional) e os partidos adaptam-se a isso mais do que o contrário: ou seja, rapidamente se desviam do programa para manter o seu eleitorado. Num país de classes sociais bastante vincadas, no fundo o conteúdo dos partidos é sempre mais de "status quo" do que acerca de posições ideológicas irredutíveis — pelo que as dinâmicas familiares tendem a contaminar as dinâmicas profissionais. Uma tragédia, literalmente.
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De V. a 17.02.2017 às 11:18

errata: eminentemente. Mil perdões.

(A culpa é do corrector automático *ahem*)
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De Anónimo a 17.02.2017 às 14:35

i ou e é tudo a mesma coisa. E com o Acordo Ortopédico ainda tem mais opções e está sempre certo.
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De Pedro Correia a 18.02.2017 às 09:46

C'u ortopédico qualquer forma serve.

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