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As deportações de Obama

por Luís Naves, em 15.11.16

great-depression.jpg

 

O presidente eleito dos Estados Unidos anunciou numa entrevista que ia deportar dois a três milhões de imigrantes ilegais e logo se ouviram na imprensa nacional as inevitáveis comparações com o fascismo dos anos 30. Ninguém fez uma simples pesquisa sobre a realidade, pois poderia concluir facilmente que durante a administração Obama foram deportados 2,5 milhões de imigrantes ilegais. A notícia é que Trump pretende acelerar as deportações, aumentar o número anual em qualquer coisa como um terço, para poder atingir o valor prometido, mas não fará nada de original.

As comparações com os anos 30 são absurdas e, no fundo, uma forma de banalizar o horror do totalitarismo. Os números da Grande Depressão não têm semelhança com os da Grande Recessão de 2008. Passados oito anos desde o início do processo, o desemprego na América é agora de 4,9%; em 1938, era de quase 20%. Em todos os indicadores, as duas histórias são incomparáveis. No plano político, nem se fala: na nossa realidade não há milhões de veteranos sobreviventes das trincheiras da I Guerra Mundial nem rancores de vencidos, não há nacionalismo histérico nem recuo drástico do comércio mundial. A destruição e morte de vários regimes democráticos nos anos 30 não tem explicação fácil, mas nessa época as máquinas de propaganda fascista e comunista prometiam futuros brilhantes que, hoje em dia, poderão no máximo convencer franjas lunáticas.

É caso para nos interrogarmos para que serve esta narrativa, ensaiada a propósito da vitória de Trump, de que vem aí um novo fascismo e se prepara uma perigosa vaga populista na Europa? Populismo, aliás, que nunca é definido, pois a palavra serve apenas para rótulo. Segundo parece, os líderes sentem que o chão lhes está a fugir debaixo dos pés, que o poderoso descontentamento das classes médias implica mudanças na governação e que eles não estão em condições de proporcionar essa mudança. O liberalismo falhou na economia e a esquerda ficou refém da cultura politicamente correcta dominante nas academias, nunca tendo compreendido as reservas que o seu eleitorado de trabalhadores colocava às políticas de imigração ilimitada.

Vem aí uma vaga de votações em partidos conservadores e nacionalistas, também de populistas que vieram da extrema-direita, mas que não são iguais aos primeiros, como nos querem fazer crer. Façam o favor de dar alguma atenção aos discursos de Theresa May. O processo de erosão dos partidos tradicionais do centro já se verifica há vários anos, deverá agora acelerar, pois a fórmula de vitória de Trump está ao alcance de muitos grupos europeus.

Isto devia ser mais ou menos claro, mas ouvir o ministro português dos Negócios Estrangeiros dizer que os valores europeus não são compatíveis com deportações em massa só pode causar perplexidade. Onde estavam os protestos da diplomacia portuguesa em relação às deportações de Obama? E que dizer do acordo entre UE e Turquia, que prevê a devolução de refugiados à procedência? O ministro discordou? 

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32 comentários

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De Luís Lavoura a 15.11.2016 às 11:43

Populismo, aliás, que nunca é definido, pois a palavra serve apenas para rótulo.

também de populistas que vieram da extrema-direita

O Luís Naves critica a utilização do rótulo "populista", mas também o utiliza!
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De Luís Naves a 15.11.2016 às 13:05

Claro que utilizo. Tenho escrito muito sobre este assunto, com o cuidado frequente de definir o conceito. Nos últimos dias, vi a utilização da palavra populismo como sinónimo de fascismo ou autoritarismo, o que é obviamente um disparate. Os populistas são anti-elitistas, contestam o statu quo, reagem aos partidos tradicionais do centro, cavalgam a onda de descontentamento da classe média, simplificam a realidade, usam muitas técnicas de publicidade (sobretudo, falem em mim) e estão activos nas redes sociais, dizem coisas que possam ser consideradas populares, distribuem afectos, tentam ser carismáticos e contestam os privilégios de alguns grupos, por exemplo, dos sindicatos aos capitalistas, passando pelos políticos (dizendo por exemplo que estes ganham muito e trabalham pouco).
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De Durer a 15.11.2016 às 13:15

Populismo é apelar aos mais baixos instintos - violência, ódio, desprezo. Populismo é apresentar soluções mirificas para problemas complexos - desemprego/imigração; Terrorismo/muçulmanos; Desempregado/Preguiçoso; Politicos/corruptos; Homossexual/Doença; etc
O antidoto aos discurso populista passa pelo cultivar da Cultura. A Cultura como a única saída do violento mundo natural, onde reside o Mal - as definições do Bem provém da Cultura - O bem como o contrário do Mal natural (daí praticar o mal seja tão "naturalmente" fácil.
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De lucklucky a 15.11.2016 às 15:09

Os "partidos tradicionais do centro" também são populistas e extremistas no que lhes convém.

É só olhar para o que está escrito na nossa Constituição. Uma Constituição ferozmente Populista.

Ver os 130% de Dívida Publica, já mais de 200 mil milhões de Euros.
Um record. Records que por definição são algo extremo.

Ou as notícias dos nossos jornais que mudam conforme o Governo.
Austeridade acabou dizem os jornais, nunca mais falaram dela. Mas ela continua. Logo os jornalistas Portugueses são Populistas...

Talvez o Luís Naves possa explicar quando se é Social, quando se é Democrata. quando se é Populista.
A única diferença que eu noto é quando pertencem ao clube dos jornalistas ou quando não pertencem.


Por exemplo, falar dos crimes cometidos por imigrantes é ser populista ou é ser sério? Se é ser populista então quer dizer que os populistas falam de factos reais e os centristas tradicionais mentem.
E como sabemos pode-se mentir durante algum, tempo mas não todo o tempo.

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De Anónimo a 15.11.2016 às 11:55

" E que dizer do acordo entre UE e Turquia, que prevê a devolução de refugiados à procedência?" Um horror. Mas já se viu a Europa fazer muito pior.
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De Trigueiros a 15.11.2016 às 12:35

Concordo em absoluto que não devemos igualar a situação actual à de dos anos 30, mas não posso de deixar de ficar preocupado com a situação actual. Na altura da II guerra mundial a Alemanha tinha uma das sociedades mais desenvolvidas a nível social, intelectual, científico, cultural entre outros e que mesmo assim conseguiu ser completamente induzida pela "autoridade carismática" de Hitler. Julgo que as pessoas hoje em dia, e devido ao populismo, tendem a votar em pessoas com este tipo de "autoridade carismática", tão bem descrita por Weber.

As mudanças em países como EUA têm um impacto à escala global e se começarem a ganhar figuras associadas aos extremos podemos correr o risco de haver um desiquilíbrio de forças em certas situações que impactam o nosso dia-a-dia.

A pergunta que devemos fazer é: "Como nos devemos preparar para as alterações de governação que estão a/vão acontecer (EUA, França, Alemanha)?"
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De Luís Naves a 15.11.2016 às 13:15

Estas alterações serão democráticas e não ameaçam as instituições ou o Estado de Direito. Qualquer resposta ao populismo ou aos movimentos de contestação radicais ou ainda à possível ascensão de partidos conservadores e nacionalistas terá de convencer o eleitorado. É tão simples como isso. Quando os meios de comunicação e os partidos que criaram o actual sistema tentam diabolizar os eleitores (que são estúpidos e vão atrás de cantigas autoritárias) estão apenas a aumentar os seus problemas e a dimensão do voto de protesto.
Os eleitores europeus estão descontentes e querem ser escutados pelos políticos, não querem ser enganados por declarações hipócritas, pela língua de pau de burocratas não eleitos ou pela demagogia de que é preciso unir a Europa, quando o que se fez nos últimos anos foi a imposição sistemática de políticas impopulares ditadas pelas potências e sofridas pelos países pequenos.
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De Anónimo a 15.11.2016 às 13:30

"tentam diabolizar os eleitores (que são estúpidos e vão atrás de cantigas autoritárias"
E se na realidade forem? Ser cidadão de pleno direito dá um trabalho dos diabos. É preciso muito mais que o noticiário das 20, ou a novela das 21h. Mas talvez tenha sido deliberado. Estupidificar as massas de modo a torna-las mais moldáveis aos interesses do "momento". Ser cidadão numa democracia é muito mais que poder votar de x em x tempo (mas onde está a História, no curricula das escolas, a Filosofia...)
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De oscar maximo a 15.11.2016 às 14:41

A primeira preparação a fazer, para não apoiarmos gato por lebre, será comprar o livro de Sócrates sobre o carisma.
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De Durer a 15.11.2016 às 13:04

"Trump pretende acelerar as deportações...mas não fará nada de original"

A originalidade é precisamente a essa, a pressa. E já diz o ditado, depressa e bem há pouco quem. Imagino que em nome da pressa, dos números, um menor cuidado haja na avaliação dos processos. Maiores injustiças sejam cometidas (prazos de recurso mais curtos, reavaliações mais ligeiras, pois no final o que interessará são as "metas"). E dizer que uma diferença de 500.000 deportações é de pouca monta...já dizia o Estaline: "quando morre uma pessoa é uma tragédia, Quando morrem milhões é estatística".

"As comparações com os anos 30 são absurdas e, no fundo, uma forma de banalizar o horror do totalitarismo". Em todos os indicadores, as duas histórias são incomparáveis"
Claro que sim. Mas é o que faz ao comparar taxas de desemprego dos anos 30 com as actuais (nos anos 30 quem era considerado desempregado? Hoje qual a definição de desempregado? Se não se registar no IFP, pois de pouco serve para quem não recebe subsidio de desemprego, consideram-no não desempregado. Magia! - Em Espanha o desemprego é da ordem dos 25%. Em Portugal entre os
jovens, 30%. Na Grácia perto dos 20%. Nos anos 30, nos EUA, seriam de cerca de 30%.
O emprego de hoje não dignifica. Pois poucos são aqueles que se conseguem cumprir, como pessoas, com os salários pagos - constituir família, ter casa/pagar renda - pelo menos no pais em que vivo e pelo que ouço também nos EUA.
E quando nos comparamos não nos comparamos com os anos 30, comparamo-nos com as promessas feitas aos nossos pais, daquelas que ouvimos - "tirar um curso e ter um emprego". Agora dizem-nos que era mentira. Pois bem então alguém nos enganou. Mas o mal está feito e as nossas frustrações provém daí. Do engano. E desse engano, nasce a revolta e o protesto, o que aliado ao desconhecimento da história (relegada par um papel secundarissimo no nosso ensino) justifica o ditado: "o homem é o animal que tropeça duas vezes na mesma pedra".
E depois o insulto - "convencer franjas lunáticas".
Sim sou de "Esquerda". E agora seria altura de o mandar....não me parece.

"Populismo, aliás, que nunca é definido, pois a palavra serve apenas para rótulo".
Populismo é apelar aos "nossos" instintos animalescos, cobertos por uma fina pelicula de valores morais, que desde Voltaite, DÁlambert, etc, se tenta fazer esquecer que não somos mais que "bípedes implumes". Instintos animais que se resumem à desconfiança pelo Outro, de quem não é da tribo, ódio e desprezo do outro, pois o outro compete connosco pelos mesmos recursos limitados (Paleoencefalo). Os mesmos instintos que se fazem ouvir no"convencer franjas lunáticas". O sapiens, ao que parece, venceu as outras subespécies por ser o mais violento, não o mais inteligente. Nunca nos esqueçamos que cá dentro o que não falta é a capacidade de gerar dor, ódio, violência.

"não há nacionalismo histérico "
França, Hungria, Austria, Finlândia, Holanda...pergunto, então, que me dê a definição de histérico.

"Segundo parece, os líderes sentem que o chão lhes está a fugir debaixo dos pés"
Culpa deles, Pois pensavam que governar seria apenas atingir metas económicas - défice, PIB,etc. Governar um país, não é o mesmo que gerir uma empresa. Um trabalhador, um consumidor não é o mesmo que uma Pessoa.
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De lucklucky a 15.11.2016 às 19:50

As deportações são a consequência natural do Estado Nação e da lei da nacionalidade votada pelos cidadãos de um País em relação aos ilegais.

A expulsão das pessoas ilegais de um país é justa.
Mas tal como muitos você nesta altura - noutras alturas e noutros locais a esquerda está absolutamente contra ilegais - quer a violação da lei.

Claro que se 3 milhões de Americanos se dirigissem a Cuba você diria o contrário...

Se quer que esta lei que está no âmago da existência de uma nação não se cumpra depois não se admire quando muitas outras leis forem opcionais.
E acabe a nação.

E como você é esquerdista o seu mundo só existe com muitas leis e muitos impostos. Sem elas não há esquerda pois só assim é que consegue comprar votos pois só com populismo e a violência agressiva do Estado existe Esquerda.


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De Durer a 16.11.2016 às 09:52

Apenas me causa "impressão" haver circulação livre de capitais e não de pessoas. Quanto a impostos, não quero nada com o Estado e não quero que o Estado faça algo por mim - como vê fujo a categorias.
A nação será tanto mais forte quanto mais assentar em princípios/leis morais sólidas - o que são? basta ler o Novo Testamento
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De JSC a 21.11.2016 às 15:14

Nos Estados Unidos, que capital quer pessoas é igual. Paga-se à entrada. (Aliás nos capitais também se paga à saída)
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De Anónimo a 15.11.2016 às 13:26

Impressionante. Que a opinião pública portuguesa também esteja de pernas para o ar, é apenas consequência da propaganda divulgada pela actual comunicação social, pelos poderes instalados.
Tristeza de Ministro.
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De Miguel a 15.11.2016 às 13:27

Como contraponto, nos anos 30 os EUA eram ainda um país riquíssimo em petróleo. Não se colocava o problema da transição energética ou das mudanças climáticas. Hoje temos novos problemas suficientemente sérios para provocar disrupções imprevísiveis a todos os níveis. O autismo das 'elites', a tomada do poder por demagogos e incompetentes apenas vem agravar uma situação já antes sombria. Que tudo isto degenre a médio prazo em coisas próximas do fascismo e em guerras generalizadas não é uma hipótese que seja prudente negligenciar.
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De Justiniano a 15.11.2016 às 15:54

Já não me surpreende a indigência moral da comparação com os anos 30, quer no fenómeno das deportações, em que se deportaram nações inteiras que há séculos habitavam os territórios de onde foram afastadas (vide turquia), quer no fenómeno da miséria económica! Só a monumental e desdentada ignorância traça paralelos desta natureza!!
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De Durer a 15.11.2016 às 20:56

Semelhanças com os anos 30, pré IIGG:
Também a crise teve origem na especulação e ganância/corrupção financeira.
Ideologias nacionalistas xenófobas - Áustria, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal. EUA (inicio do sec XX), Japão, etc...
Hitler prometia arrasar a mentalidade mesquinha, materialista burguesa (dai o nacional-Socialismo) - os tecnocratas e legalistas da divida de então.
Deportações sempre houve, não é exclusivo da IIGG. Veja-se Rússia na sec XIX, e os progroms.
Quanto à miséria económica garanto-lhe que existe muit, atenuada é certo por algum apoio do "despesista" Estado Socia e da solidariedade familiar - bendita geração grisalha.
Quando se comparam épocas diferentes - década de 30 e sec. XXI - compara-se o espirito do tempo e não as realidades concretas



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De Durer a 15.11.2016 às 21:02

Tal como as "franjas lunáticas", agora a "desdentada ignorância". Tanto fel , tanto ódio, tanta intransigência, tanta arrogância, tanta intolerância...por aqui de passagem, definitivamente.
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De Justiniano a 16.11.2016 às 10:52

Convém, Durer, tanto por aqui como por ali ou por onde quer que esteja, saber ler e interpretar um texto, definitivamente!
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De Durer a 16.11.2016 às 12:33

Bem sei. Mas existem similitudes entre os dias de hoje e a década de 30. Os partidos autoritários, fascistas (partidos fora do sistema) surgiram da falência dos partidos tradicionais (os do sistema) e isso está a suceder hoje por culpa dos tecnocratas e de todos os que defendem que vivemos num pós - ideologismo, em que o que conta são as metas económicas - o Homem não é o ser que escolhe racionalmente, como nos diz a definição do homo economicus. Podem avançar com crescimentos económicos avassaladores, deficits cumpridos e o diabo a quatro que se não houver uma correspondência real na vida das pessoas isso pouco importará - em termos relativos nunca se gerou tanto dinheiro no mundo e nunca ele esteve tão mal distribuído (salários dos que trabalham vs prémios dos accionistas, gestão, etc)
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De Justiniano a 17.11.2016 às 17:58

Caro Durer, sim existem similitudes. Nos anos 30, os homens também caminhavam sobre dois pés!!
Mas um vesgo falar-lhe-á sobre a fenomenologia l´air du temps, onde se vêm os paralelos de miséria que valoram de igual modo!!
Nos anos 30 eram quase inexistentes os mecanismos de protecção social. Mesmo os poucos Estados que tinham construído rudimentos embrionários de um Estado de Direito Social estavam ou falidos ou os seus mecanismos de protecção social erodidos pela inflação. Não o vou maçar com os retratos expressivos pintados por, entre uma boa centena, os consabidos Benjamin e Orwell que tão bem nos descrevem o lugar da dignidade da pessoa humana àquela época! A malga e a côdea da mitra do Sidónio, pouco antes, eram, todavia, uma miséria menos miserável que a fome do feudalismo pre liberal! Sem paralelo! E sem paralelo com os direitos sociais de hoje que esperemos não tenham paralelo com os de amanhã! Mas concedo que a comparação de misérias é, sempre, um exercício miserável e a sua medida é, sempre, uma medida histórica relativa. Contudo, um paralelo com asas é um paralelo e creio que um mau paralelo também pode ter asas, creio ser isto que o caríssimo Luis Naves nos queria dizer acerca dos paralelos e creio ser isto que o Durer nos quer dizer com os seus paralelos. Eu, hoje em dia, é mais alcatrão e lajes de betão!!
E dizia-lhe, ao seu paralelo, que só a monumental e desdentada ignorância traça paralelos desta natureza!! É a minha opinião e espero que compreenda, agora, a infelicidade dos seus comentários!
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De Durer a 19.11.2016 às 18:26

...e depois as frustrações das espectativas, dos desejos, também me parecem importantes - o que paira prometido no ar. Um individuo que ganhe o salário mínimo é um ricaço comparado com cidadão médio americano da década de 30. Porquê então protestar? O operário da década de 30 é um ricaço comparado com o escravo preto das plantações sulistas, do sécXIX. Porquê protestar? Entende agora "o espirito do tempo"? As frustrações embora materialmente diversas, tem a mesma natureza subjectiva
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De Justiniano a 22.11.2016 às 13:21

Caro Durer, Vcmcê é que quer comparar um operário, hoje, com um escravo preto do sul dos EUA no sec XIX, eventualmente! Ou, do mesmo modo, comparar o holocausto e a deportação de nações inteiras nos sec XIX e XX com a deportação de imigrantes ilegais no ocidente actual!! A comparação é Vcmcê que a pretende fazer, reafirmar e manter, a coberto do tal espírito do tempo!!
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De Durer a 22.11.2016 às 21:24

Ó minha mercê, talvez não me expresse bem. Ou talvez não entenda, porque o que interessa na maioria das vezes é não perder a razão. O que lhe digo é que a percepção da realidade é mais real que a realidade. Embora diga que hoje as politicas de apoio social não se comparem com as da década de 30, acredito (o mundo terá o sentido que queiramos que ele tenha) que a frustração de quem trabalha, receba um qualquer misero apoio social, é igual em espirito, em sensação, em emoção, em frustração à experimentada na década de 30 - a gama de sensações experimentadas por um ser humano é mais limitada que as conjunturas sociais que se possam experimentar - um escravo romano, na melhor das hipóteses, sentiria o mesmo que um individuo que se levante às 6h para ir trabalhar e não ter hora de saída e ganhe uma miséria. Um soldado numa guerra actual sente o mesmo que um das guerras napoleónicas...Entende porque digo que os tempos de hoje são semelhantes ao de 30? A percepção da realidade...
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De Justiniano a 23.11.2016 às 10:31

Caro Durer, para quem estava de passagem, definitivamente, e foi ficando há-de certamente haver algum interesse para aqui ir ficando! E não será, por certo, a questão da razão ou da sua perda (disputar a coisa por certo ou errado).
Eu compreendi-o, caro Durer. O caro Durer diz coisas que são relativamente consensuais. Diz, por palavras suas, a ideia de Marx, que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa (a tragédia é que se perpetua por erro, não a história. Caso contrário Marx seria anti marxista ou anti hegeliano -Marx jamais traçaria um paralelo de equivalência (percepção do real) entre o feudalismo e o capitalismo burguês, isto no que respeita ao progresso da humanidade e às hipóteses emancipatórias.). Diz que a percepção do real é mais real que a realidade, evidentemente (diria, como os neo platónicos, que será a única realidade - ou, pelo menos, a que nos oferece a paixão pelo real, o dever ser e a reacção contra fáctica)!! Mas este último ponto é, definitivamente, o ponto. Contudo, essa específica percepção da realidade a que o Durer alude, está inquinada pelo erro (diria que o caro Durer está empiricamente errado)!! O paralelo não existe. Não existe ética, moral, política, jurídica e economicamente! Existem outras coisas que o impelirão a pensar e fundamentalmente a valorar estas outras coisas de forma diferente!!
Um bem haja,
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De Durer a 23.11.2016 às 19:55

Sim, Hegel, segundo entendi, quando li a Filosofia da História, punha muita esperança na Razão e na capacidade desta gerar progresso. Nem as ciências, ditas exatas, acreditam nisso hoje.

"O paralelo não existe. Não existe ética, moral, política, jurídica e economicamente".

Quanto à economia ela é secundária, quando comparada com a moral e a ética.
Traço o paralelo neste sentido. Existem problemas ontológicos que me parecem não depender de épocas, ou eras. Leia-se Séneca, Tao, Xenofonte, Heródoto - Xerxes após uma difícil batalha - "Onde estaremos nós dentro de 100 anos? Alguém se lembrará?"Leiam-se obras que de nós distam séculos, milhares de anos. Como nós ainda as entendemos, moralmente, eticamente, e politicamente. Os medos, as dúvidas, o que é o Bem o que é o Mal, a Dor. A Morte. O caminho da vida plena. E o paralelismo que traço entre diferentes épocas prende-se com isto. Os anseios de hoje são os mesmos que os de ontem. O Ontem como a pátria do Hoje. Existe algo que perdurará sempre em nós - prova de uma condição humana? A moral e a ética como produto do físico - da história biológica humana - e não como produto cultural - ex: todo o Bem é uma negação do Natural. O Bem como o Grito de Ipiranga dos grilhões humilhantes de ser uma presa do despotismo genético. Uma libertação das leis naturais que nos obrigam a ser como somos - a Natureza é apenas perfeita nos programas da BBC.
Bem haja,
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De Justiniano a 15.11.2016 às 17:28

Há um outro ponto que venceria uma tese de qualquer coisa!
Uma profundíssima ficção jurídica e filosófica que abstrai da história universal para chegar à universalidade histórica. A universalidade histórica seria uma espécie de fusão nuclear entre o direito, o saber e a humanidade sem aqueles elementos de desagrado, como a nação étnico cultural!! A ficção revela fundamentalmente a extinção da nação como construção histórica, jurídica e cultural, de um mundo sem nações. No fundo, o direito sem Estado, não apenas para além do Estado ou do direito entre Estados.
As nações constroem-se por exclusão. Sem o elemento exclusivo, e distinto, não há coesão possível, pois todos serão indistintos. Sem história comum não haverá elo de memória que inspire a celebração e concelebração! As contradições tornar-se-ão insuportáveis, e as cisões inevitáveis. Os mecanismos legais clássicos de deportação, repatriação e expulsão reafirmam, simplesmente, a exclusividade das nações. São mecanismos de uma curial universalidade que estado algum os dispensa do seu leque de leis comuns.
Dizer isto, será ensaiar uma platitude de banalidades triviais. Contudo, dizer isto, hoje, parece-me, constitui ofensa moral e degeneração tamanha merecedora do epíteto de fascista. Vulgarisa-se então a designação fascista!!
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De JSP a 15.11.2016 às 18:28

Extraordinário! Os textos não mencionam uma só vez a palavra, pequena palavra convenhamos ,China...
Como dizia o outro, "o paradigma (há que designá-lo de algum modo) mudou e ninguém quer ser o primeiro a dar por isso"...
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De tric.Lebanon a 15.11.2016 às 21:48

se forem Católicos a Europa deve abrir a porta e rápido...o José Judice, diz que a Europa deve abrir a porta a 50 milhoes de meccas...

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